Oportunidades para setores químicos brasileiro e belga são atrativas

Agência Indusnet Fiesp 

Seminário na Fiesp reuniu empresários brasileiros e belgas. Foto: Vitor Salgado

A Bélgica, com meros 10 milhões de habitantes e pequeno território – apenas metade da Grande São Paulo – tem uma das melhores rendas per capita do mundo: 55 bilhões de euros, soma das indústrias químicas e farmacêuticas com peso expressivo na balança comercial. Concentrando 12% dos empregos na área de inovação, há muito a oferecer ao Brasil, e também para aprender quando o assunto é etanol, por exemplo.

Este foi o teor do Seminário Brasil-Bélgica: Relações no Setor Químico, realizado nesta terça-feira (18), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), apontando oportunidades para ambos os países.

Para Antonio Guimarães Bessa, diretor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, o Brasil é um mercado favorável para a realização de bons negócios. Opinião compartilhada por Fátima Giovanna Coviello Ferreira, diretora de Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), representando cerca de 200 associados.

Antonio Guimarães Bessa, diretor-adjunto do Derex/Fiesp. Foto: Vitor Salgado

“Apesar de o setor químico ter registrado crescimento de 450%, de 1995 a 2009, em reais, a presença deste setor na balança comercial ainda é deficitária”, explicou a diretora da Abiquim. O setor é expressivo: há 1.056 mil fábricas de produtos químicos de uso industrial no País, 71% concentradas na região Sudeste.

Segundo Fátima Ferreira, tendo como base 2008, a Abiquim realizou estudo recente, projetando o cenário para a indústria química em 2020. Será necessário acompanhar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, 4% ao ano segundo espera o governo.

O consumo aparente de produtos químicos chegará a US$ 260 bilhões, com espaço para crescimento da ordem de US$ 138 bilhões. Há um potencial de US$ 115 bilhões, que poderão ser importados ou fornecidos por indústrias aqui instaladas ou, ainda, por meio de parcerias.

Os investimentos calculados para acompanhar o crescimento previsto para o País alcançam a cifra de US$ 87 bilhões. “O Brasil tem capacidade enorme de se tornar líder de produtos químicos renováveis”, concluiu Ferreira.

Inovação

O diretor-executivo da Essenscia, Frans Dieryck, à frente das empresas que se apresentaram no Seminário, frisou que ainda faltam importantes parceiros brasileiros na Bélgica: Brasken e Petrobras, por exemplo.

“A locomotiva do setor petrolífero caberá à Petrobras, a empresa que mais fará investimentos mundialmente, no futuro, com grande possibilidade até em função do pré-sal”, apostou Yves Jadoul, sócio-diretor da V2 Finance e presidente da Câmara de Comércio Belga, Fusões e Aquisições, no Brasil.

Frans Dieryck, diretor-executivo da Essenscia. Foto: Vitor Salgado

Dieryck elencou bons motivos para verter investimentos em seu país: além da localização privilegiada, no coração da Europa, conta com excelente infraestrutura, boa logística, o porto da Antuérpia, integração de unidades de produção, interligações via dutos, competência tecnológica, excelência operacional, incentivos fiscais ideais, além de se preocupar com processos sustentáveis.

Um exemplo é o investimento feito em bioplásticos a partir do metanol. O Solvay, em teste no dia 7 de abril, elevou “aos céus” o Solary Plus, avião com estrutura à base do “plástico do futuro”, altamente resistente e leve, “com envergadura de um jumbo, peso de um carro e potência solar de uma lambreta. Sem petróleo e sem poluição”, revelou Dieryck, que acrescentou: “A Bélgica, no futuro, continuará sendo propulsor da indústria química sustentável”.

Ao apresentar as empresas belgas, Dieryck lembrou que a Recticel atua fortemente no mercado de poliuretano, com tecnologia de ponta, presente em 27 países com 120 fábricas.

Em relação ao BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), a Recticel, já presente na China desde 2008, entrou este ano na Índia. O próximo passo é conquistar a fatia brasileira, pois o País representa 60% da produção de poliuretano da América Latina, percentual que se traduz em ótimas oportunidades.

Os negócios são amplificados: desde o isolamento acústico no setor aéreo – foi estabelecido contato com a Embraer – até o espacial, passando pela indústria automotiva, já presente nos carros da Ferrari, BMW e Volkswagen. O mercado brasileiro oferece ainda outras perspectivas em função da Copa, em 2014, e das Olimpíadas, em 2016.

A Roam Chemie tem a oferecer alta tecnologia em fertilizantes, entre outras ações. Na área agrícola, promove a eliminação de fungos e eleva a produtividade 50% acima da média. Na área de desinfecção, atende a empresas do porte da Danone e da Coca-Cola. Por isso, há interesse específico em relação ao Brasil por ser um dos maiores produtores alimentícios do mundo. Uma inovação é a máquina a vapor utilizada para desinfetar salas de cirurgia e todos os equipamentos que ali se encontram.

Já para Jan Deckens, engenheiro nuclear e químico, diretor-técnico da Belgoprocess, a janela de oportunidade se abre diante da especificidade da empresa em processador e condicionador de lixo nuclear. Ela também cuida do desmonte de usinas e remediação de áreas contaminadas. Com know how na elaboração e instalação de projetos e mapeamento, detecta negócios possíveis com o setor petrolífero, alto produtor de detritos nucleares.

Quando o tema é eficiência, um bom exemplo é a Antuérpia, segundo Walter Van Muylders, gerente de Desenvolvimento de Mercado da GHA Antwerp Port Authority: “Um navio chega ao Porto da Antuérpia e sempre sai com carga”, ilustrou.

Ao fazer um retrato da Antuérpia, Muylders frisou seu alto valor agregado e o equilíbrio entre importação e exportação. Movimentando 39 milhões de toneladas/ano, há conexão direta com 500 portos do mundo, saídas para rios navegáveis, 5.000 quilômetros de ancoradouro e mais de 1.000 quilômetros de ferrovias, para escoamento das cargas que chegam e partem.