Artigo: O setor têxtil e o compromisso com a Responsabilidade Social

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foto: MARCELO SOUBHIA/AG/FOTOSITE

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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* Por Rafael Cervone Netto

Antes de iniciar a leitura deste artigo, sugiro uma breve reflexão para observar o ambiente a seu redor e perceber o quanto a indústria têxtil e de vestuário está presente em nossas vidas. Muito além das nossas roupas, os nossos produtos revestem móveis, protegem-nos do sol, estão em nossos calçados. Para além das fronteiras de nossa visão, percebemos que materiais têxteis estão presentes nos meios de transporte, nas edificações, no agronegócio e em muitos outros processos industriais. Se expandirmos ainda mais nossa observação, é possível notar que, não importa o tamanho de uma cidade, sempre haverá algum negócio relacionado ao setor, seja uma oficina de costura ou uma pequena loja de bairro. Seria difícil imaginar um mundo em que não houvesse produtos têxteis a nosso dispor para criarmos as mais variadas soluções e atendermos a diversas necessidades essenciais.

É por isso que nos orgulhamos tanto de representar um setor que conta com mais de 33 mil empresas em todo o território nacional e emprega, direta e indiretamente, cerca de 6 milhões de pessoas, é o quarto maior parque industrial do mundo e abriga a maior cadeia produtiva integrada do hemisfério ocidental. Tamanha capilaridade só demonstra a importância do setor em termos de empregabilidade, bem-estar social e responsabilidade ambiental.

Diante destas ordens de grandeza e de outros números conhecidos, torna-se evidente a importância do compromisso do setor com o desenvolvimento sustentável, norteado pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e por nossa Visão de Futuro para 2030. É preciso muito engajamento para tornar a agenda positiva uma realidade presente em todas as regiões do país – e vontade de mudar para melhor é o que não falta.

Com o propósito de fazer com que a responsabilidade social seja cada vez mais presente na atuação das empresas, a Abit vem trabalhando em uma série de iniciativas para discussão e disseminação de melhores práticas. Nos últimos 5 anos, nota-se um aumento relevante na percepção de conceitos mais amplos de sustentabilidade por parte das empresas, assim como o interesse destinado a projetos e iniciativas que contemplam melhorias nas relações de trabalho e com o entorno, mesmo nossas empresas concorrendo, frequentemente e de maneira desleal, com países que não respeitam conceitos básicos de sustentabilidade e de trabalho decente. Algumas dessas iniciativas, são:

Condições de trabalho

É esperada a correta conduta de uma empresa em relação a tópicos relacionados a direitos trabalhistas, procedimentos contra a discriminação (por motivos de gênero, idade, nacionalidade, etnia, orientação sexual, origem social) abusos, assédios (moral e sexual) e permissão de livre associação. Todas as empresas do setor devem estar atentas às condições de trabalho que oferecem a seus funcionários.

Trabalho forçado ou análogo ao escravo

O combate ao trabalho forçado ou análogo ao escravo é realizado por meio do monitoramento das relações de trabalho internas e em fornecedores. Devem existir ferramentas capazes de detectar jornadas exaustivas (em que o trabalhador é submetido a esforço excessivo ou sobrecarga de trabalho que acarreta danos à sua saúde ou risco de vida), trabalho forçado (manter a pessoa no serviço por meio de fraudes, isolamento geográfico, ameaças e violências físicas e psicológicas), servidão por dívida (fazer o trabalhador contrair ilegalmente um débito e prendê-lo a ele) e contratação de trabalho estrangeiro irregular. Este tema é de estrema relevância, principalmente no segmento de confecção, uma vez que as empresas estão pulverizadas pelo território nacional, o que dificulta a fiscalização pelo poder público.

Trabalho infantil

O combate ao trabalho infantil parte do monitoramento das relações internas de trabalho, assim como dos fornecedores. Empresas de qualquer setor devem atender à legislação brasileira, que determina a proibição de contratação de menores de 16 anos, salvo na condição de contratos de aprendizagem.

Responsabilidade Social

Ações e projetos voluntários, internos e externos, devem gerar impactos sociais positivos. Programas de capacitação e desenvolvimento, estímulo à promoção de exercícios físicos, doações de produtos e recursos financeiros para organizações da sociedade e mobilização do trabalho voluntário são exemplos destas ações. O engajamento de todas as empresas do setor é essencial para a garantia do bem-estar coletivo.

Comunidade

Considera-se essencial o mapeamento e o monitoramento dos impactos da empresa em seu entorno, uma vez que ruídos e odor, por exemplo, podem afetar a vida nas comunidades vizinhas, além de representar riscos para a imagem da empresa. O tema do trabalho decente é prioritário para a Abit, por questões de dignidade humana e econômicas, principalmente em relação ao setor de vestuário, visto que é intensivo em mão de obra.

Conferências Anuais da Organização Internacional do Trabalho

A sensibilidade do setor de vestuário em relação a condições de trabalho é evidenciada em espaços de enorme relevância sobre o tema, como as Conferências Anuais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que teve como principal tema, em 2014, o Trabalho Forçado e, em 2016, as Cadeias Globais de Valor. Ainda em 2014, a OIT organizou um Fórum de Diálogo Global sobre salários e tempo de trabalho nos setores de têxteis, vestuário, couro e calçados.

A Abit teve a oportunidade de participar desses encontros e reforçar que, em um setor intensivo em mão de obra, no qual há grande concorrência e os produtos são cada vez mais globais, é fundamental que as condições sociais, trabalhistas e ambientais de produção respeitem um patamar mínimo internacional, considerando o nível de desenvolvimento de cada país.

Manufatura Avançada ou 4.0

A indústria e o varejo de produtos têxteis e confeccionados estão passando por grandes mudanças, e é sabido que a competitividade das empresas dependerá de novos padrões de produção, assim como novas relações de trabalho e comercialização ao longo da cadeia de valor. Entre outros benefícios, estratégias de sustentabilidade proporcionarão processos mais eficientes, redução de custos, diferenciação no mercado e relacionamentos mais sólidos e de longo prazo entre empresas de diferentes elos da cadeia. Isto é, o potencial da sustentabilidade como impulsionadora da competitividade é incontestável.

A indústria têxtil e de confecção já deu início a um grande salto qualitativo em direção às categorias de maior emprego de ciência e tecnologia, capacitando-se para desenvolver sistemas cyberfísicos, Internet das Coisas e dos Serviços, e automação modular em suas linhas fabris, inserindo-se no novo universo da manufatura avançada e da economia digital.

A diversidade de produtos com tecnologias vestíveis e o emprego de biotecnologias e materiais inovadores criarão demandas por têxteis inteligentes e funcionais, aumentando exponencialmente a diversidade e a intensidade tecnológica de fios, tecidos e roupas, exigidos para atender às novas necessidades de consumo, para as quais devem convergir cadeias produtivas economicamente viáveis, socialmente justas, politicamente corretas e ambientalmente sustentáveis, agregando valores ao planeta e à sociedade.

Entretanto, este enorme esforço de nada adiantará se não nos valermos de toda esta tecnologia para valorizar e alçar a um novo patamar aquele que é, certamente e de longe, o nosso maior patrimônio : o ser-humano – aquele que faz e continuará fazendo toda a diferença para o sucesso e o futuro da nossa humanidade. Que tenhamos a consciência e a sensibilidade de sempre valorizá-lo e agradecê-lo por todas as nossas conquistas!

*Rafael Cervone Netto é 3º vice-presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP), engenheiro têxtil, membro do ITMF -International Textiles Manufactures Federation, membro do CONEX – Conselho de Comercio Exterior (MDIC), que assessora o Comitê Executivo de Gestão do Conselho de Ministros da CAMEX, presidente emérito do Conselho de Administração, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção – ABIT.

Comitê do setor têxtil da Fiesp discute agenda para acelerar crescimento

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O Mapa Estratégico da Indústria: 2018-2022 foi o tema da apresentação feita nesta terça-feira (24 de abril) durante reunião do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário da Fiesp (Comtextil) por Rafael Cervone Netto, 3º vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, e por Haroldo da Silva, chefe do Departamento de Economia da Abit.

“Precisamos de uma espécie de plano real da nossa competitividade”, disse Silva, que mostrou a perda de posições do país no ranking de competitividade.

Sem as ações recomendadas pelo Mapa, o Brasil levaria 50 anos para chegar a US$ 30.000 de PIB per capita, contra 24 anos com Mapa, que indica crescimento do PIB de 4% ao ano (contra 2% no cenário sem Mapa). Para atingir os US$ 50.000 de renda per capita dos EUA, seriam 85 anos sem Mapa e 38 com.

O estímulo à indústria pode corrigir um desvio de rumo do país. “Estamos deixando o Brasil se desindustrializar com PIB muito menor do que tinham outros países quando passaram por esse processo. E os outros setores não respondem”, explicou Cervone.

Vários temas são considerados no Mapa, como segurança jurídica, educação, indústria 4.0, recursos naturais e meio ambiente, corrupção, que afasta investimentos e impede que as indústrias sejam competitivas.

Desburocratização passou a ser um dos temas, porque lembrou Silva muitas empresas têm departamentos jurídicos maiores que os de vendas, por conta das obrigações acessórias.

As cinco prioridades do estudo são:

Sustentabilidade fiscal: Previdência e gastos (para que o governo não concorra por crédito escasso);

Ambiente de negócios: desburocratização;

Reforma tributária;

Governança e segurança jurídica;

Reindustrialização via produtividade e inovação

Em relação ao aumento da segurança jurídica, um dos pontos é a previsibilidade e qualidade das normas. Cervone destacou a existência em outros países de duas janelas anuais para adoção de normas. Também a previsibilidade em sua aplicação, e a redução da judicialização. Silva ressaltou que o Brasil perde continuamente posições no ranking de segurança jurídica.

Perspectivas para o setor

O setor têxtil em 2017 faturou R$ 144 bilhões e pagou R$ 16 bilhões em impostos e teve R$ 1,9 bilhão em investimentos. Para 2018 a previsão é 2% de crescimento no vestuário e de 4% na produção têxtil, com a criação de 16.000 empregos, em ano caracterizado pela alta velocidade de importação e pelo varejo andando de lado.

Pesquisa conjuntural da Abit mostra melhora no ambiente de negócios (março de 2018 comparado a março de 2017). Neste ano 49% (contra 38%) veem produção acima do nível esperado, e 54% (contra 42%), vendas acima do esperado. Apenas 4%, contra 14%, pretendem demitir. Para 36%, os investimentos devem ser acima do planejado (20%). Para 21% a inadimplência está acima do esperado (contra 39%). E 79% (contra 75%) indicaram intenção de inicia processo de exportação.

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Reunião do Comtextil com a participação de Rafael Cervone. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Projetos da Abit atacam 10 frentes de trabalho que podem impulsionar o setor. Um deles é a evolução da cadeia de valor, pela maximização do valor adicionado. Outro é a capacitação, para por meio de programas de qualificação melhorar habilidades e produtividade. Cervone destacou ações para auxiliar as indústrias na migração para a Indústria 4.0. Financiamento, matérias-primas, marketing, integração global também fazem parte das frentes. São temas com um projeto ou mais cada, explicou.

Tendo como objetivo chegar à indústria 4.0, há a passagem por por programas como o Brasil mais Produtivo, que podem ajudar muito na produtividade, com baixo custo. É um plano de futuro para a indústria têxtil, explicou Cervone, reforçando o elo mais fraco, que é a confecção.

Silva recomendou a leitura do livro A quarta revolução industrial, disponível para download no site da Abit.

Legislativo

Cervone e Silva também falaram sobre assuntos de interesse do setor em discussão no Congresso. CNI e Abit têm em sua pauta mínima da agenda legislativa a desconsideração da personalidade jurídica. O PLC em debate traz clareza ao tema e deve entrar em pauta esta semana.

No PL 6897 são estabelecidos requisitos objetivos para o embargo ou interdição de estabelecimentos.

Outro tema é a nova proposta de reforma tributária (PEC 31/2007). A PLS-C298/2011 reduz a excessiva fragilidade do contribuinte diante do Fisco e diminui a insegurança jurídica quanto a obrigações e direitos tributários, funcionando como uma espécie de Código de Defesa do Contribuinte.

Elias Miguel Haddad, diretor titular do Comtextil, destacou a importância da reforma tributária para o setor.

Cervone lembrou que o ambiente é hostil aos empreendedores no Brasil. Defendeu a simplificação e a melhora do ambiente de negócios.

Formação

Professora da Fatec há 31 anos, Maria Adelina falou na reunião do Comtextil sobre o desafio da formação de profissionais para a indústria têxtil. A captação de alunos na Fatec de Americana é dificultada pelos problemas do setor. Convidou os empresários do Comtextil a estimular funcionários a se inscrever no vestibular para o segundo semestre de 2018, cujas inscrições estão abertas até 8 de maio. www.vestibularfatec.com.br

A forma de se comunicar com os jovens é questão essencial para sua atração, afirmou Cervone.

Perfil Exportador Paulista

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O Perfil Exportador Paulista (PEP) é um relatório anual que oferece uma perspectiva mais detalhada das exportações do Estado, por meio de uma abertura setorial e também regional.  O estudo classifica os produtos conforme seu nível de intensidade tecnológica e tem por objetivo contribuir para a elaboração de políticas públicas, que aumentem a competitividade do comércio exterior paulista. As informações foram cedidas pelo Departamento de Estatística e Apoio à Exportação (Deaex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). A elaboração da análise é do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

2014 será de desafios e oportunidades para a indústria têxtil

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Um ano novo com menos ameaça dos importados e diante do desafio de fazer diferente e investir na identidade e na originalidade dos produtos. Para o membro do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), Marcelo Prado, os empresários do setor de vestuário têm tudo para acreditar que 2014 será melhor do que 2013. Mesmo que ainda falte muito para recuperar os bons resultados de outros tempos.

As perspectivas para o setor daqui por diante e a conjuntura atual foram discutidas, na tarde desta terça-feira (03/12), na reunião plenária do Comtextil, na sede da Fiesp, na capital paulista. O debate foi conduzido pelo coordenador do Comitê, Elias Haddad.

“A ameaça dos importados desacelerou por conta do câmbio”, explicou Marcelo Prado. “Em 2014, vamos parar de cair e estagnar, diferentemente do que aconteceu nos últimos anos”, disse.

De acordo com o membro do Comtextil e diretor do IEMI, daqui por diante “quanto mais do mesmo se produzir, menores serão as chances de lucro”. “É preciso pensar em novos modelos de criação, com mais originalidade, brasilidade e identidade”, afirmou. “Não funciona mais viajar para a Europa, fotografar as vitrines e copiar as peças”.

A reunião do Comtextil: perspectiva é de que indústria pare de cair em 2014. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A reunião do Comtextil: perspectiva é de que indústria pare de cair em 2014. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Prado explicou que o setor têxtil cresceu até 2010, desacelerando depois disso. “Nos últimos três anos, a produção cresceu 4% em volume de peças e 7,6% em valores, descontada a inflação”, disse.

Para 2013, a perspectiva para a indústria têxtil é de queda de 2,9% no volume de peças produzidas e aumento de 2,4% em valores nominais.

Segundo Prado, o consumo de vestuário no Brasil deve ter queda de 1,9% em 2013, com alta de 3,6% em faturamento. “A participação dos importados no mix de peças comercializadas é hoje de 12%”.

Varejo que mexe com a indústria

Além da necessidade de fazer a diferença, a indústria precisa estar atenta às mudanças observadas no varejo. “Vivemos uma transformação no varejo que vai mudar a indústria”, disse Prado. “E a indústria têxtil brasileira depende basicamente do mercado interno”.

Entre essas mudanças está a maior força das lojas independentes de roupas, daquelas que ocupam amplos espaços de vendas. Um grupo que respondeu por 37% das vendas de vestuário no Brasil. “É preciso criar novas formas de comercialização, buscar novos canais de distribuição”, orientou.

Outras transformações nas lojas a serem observadas pela indústria são a maior velocidade de inovação, com trocas cada vez mais rápidas de coleções, e a oferta de um mix de peças mais qualificado, com destaque para a moda feminina. “Hoje as lojas oferecem looks completos, com roupas, acessórios, calçados e até perfume”, disse Prado. “Não existe mais o manequim de casaco, echarpe e pés descalços”.

As chamadas coleções assinadas são outra tendência. “É o modelo de loja dentro da loja”, explicou.

Nessa linha, mais do que marca própria, as empresas precisam vender “marca valorizada” e “encantar os clientes”. “Cerca de 75% das compras de roupas são feitas por puro encantamento com a peça no ponto de venda”, afirmou Prado. “Por isso é preciso se diferenciar, ser único e inigualável”.

Agenda positiva

Segundo Elias Haddad, o Comtextil terá uma “agenda positiva” em 2014. “Cumprimos a nossa obrigação em 2013, tivemos uma pauta extensa”, disse o coordenador do Comitê. “E vamos fazer melhor ainda em 2014”.

Assim, conforme Haddad, a meta é oferecer ainda mais ações voltadas para o desenvolvimento para os empresários e “ser um centro de oportunidades”. “Teremos ações nas áreas de marketing, inovação, novas tecnologias, matérias-primas, eficiência, produtividade e bancos de dados comparativos”, explicou. “E trazer mais empresários de sucesso e especialistas de todas as áreas para apresentar seus cases”.

Comtextil/Fiesp discute oportunidades de inovação em biotecnologia para indústria têxtil

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

A última reunião plenária do ano do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada nesta terça-feira (04/12), contou com a participação do coordenador-adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (Combio), Eduardo Giacomazzi.

Convidado a falar sobre Biotecnologia em Produtos Têxteis, o palestrante ilustrou as oportunidades de negócios em biotecnologia para a indústria têxtil no Brasil. Ele destacou que o Brasil é o país com o maior celeiro da biodiversidade mundial, o maior produtor de energia limpa (renovável) do mundo, o maior produtor agrícola em vários setores e líder em diversos segmentos da bioeconomia. No entanto, “parte da indústria não consegue enxergar isso”.

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Eduardo Giacomazzi, coordenador-adjunto do Combio, durante palestra em reunião plenária do Comtextil. Foto: Julia Moraes

Conforme números apresentados por Giacomazzi, 85% das empresas de biotecnologia no país são de pequeno porte. Desse total, 55% concentram-se no Estado de São Paulo e 90% delas na capital paulista. “São Paulo, Campinas e Piracicaba representam quase 98% do mercado de biotecnologia nacional. Por isso, [o Brasil] é o lugar ideal para se fazer biotecnologia hoje no Hemisfério Sul”, afirmou.

Mobilização

Giacomazzi salientou que hoje o país não tem uma mobilização em biotecnologia. E nesse sentido, disse, é “muito importante” a atuação tanto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria quanto da Fiesp.“Em menos de quatro meses, conseguimos reunir membros de diversos setores”, destacou, elencando os temas prioritários do Combio: educação, para que a sociedade entenda o conceito de biotecnologia; internacionalização; biodiversidade e inovação; investimento e políticas públicas; e comunicação e mobilização.

Para o coordenador-adjunto do Combio, porém, “dificilmente” a biotecnologia terá sucesso se não estiver globalizada. “O Brasil está fora do mapa internacional dos grandes centros de biotecnologia, como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Paris, Japão, entre outros”, alertou.

Na visão de Giacomazzi, a biotecnologia é mais que uma conjunção de ciências (engenharia, química e biologia): é uma “convergência para o futuro das indústrias em geral”. E as novas tecnologias, a redução de custo e o ganho ambiental “são o caminho das indústrias brasileiras”.

Sobre as aplicações práticas da biotecnologia na indústria têxtil, ele citou alguns exemplos, como os tecidos fluorescentes, ou bioluminescências; e o wine textiles, tecidos produzidos a partir da fermentação de vinhos que são biodegradáveis. Ele ressaltou ainda a importância de observar a inovação e investimento em pesquisas como elemento de competitividade. “Aproximação da indústria aos acadêmicos e aos centros de pesquisa mundiais.”

Giacomazzi enfatizou também o papel do Combio em estabelecer a ponte entre pesquisa e desenvolvimento. “A presença da indústria como um indutor nessa construção é muito importante. Temos um grande potencial de desenvolvimento no Brasil”, concluiu.


Empresários brasileiros e turcos se encontram na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Vice-presidente da Fiesp, Elias Haddad (à direita) recebe delegação de Istambul. Foto: Everton Amaro


Ao receber empresários e autoridades de Istambul, na última terça-feira (28/08) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o vice-presidente da entidade, Elias Miguel Haddad, falou sobre o comércio bilateral entre e Brasil e Turquia e uma meta de elevar o volume de negócios para US$ 10 bilhões. Em quatro anos, o volume de comércio entre Brasil e Turquia chegou a US$ 3 bilhões.

O grupo liderado por Levent Çolakoglu, membro do Conselho da Associação de Exportadores de Istambul, esteve no Brasil para a 26ª Feira Internacional de Produtos, Suprimentos e Acessórios para Escritórios, Papelarias e Escola, que terminou nesta quinta-feira (30/08).

Um dos assuntos da pauta da reunião na Fiesp foi a realização de uma missão do setor têxtil e de confecções à Turquia possivelmente em novembro de 2012.

Conheça os premiados do concurso Jovens Talentos da Moda Senai-SP

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Jean Carlos recebe o prêmio do concurso Jovens Talentos da Moda Senai-SP. Egberto Alves

Jean Carlos recebe o prêmio do concurso Jovens Talentos da Moda Senai-SP. Foto: Egberto Alves

Clássico da literatura infantil, Alice no país das Maravilhas, do escritor Charles Lutwidge Dogson, serviu de inspiração para coleção do estilista Jean Carlos, ex-aluno do curso de desenho técnico do Senai-SP, vencedor da 6ª edição do concurso Jovens Talentos da Moda.

O evento, realizado na noite desta quarta-feira (22/08), no auditório do Senai Francisco Matarazzo, contou com a participação de cerca de 500 pessoas, entre empresários do setor têxtil, estudantes e docentes da instituição. Esta edição do concurso recebeu no total 30 projetos, dos quais foram selecionados os cinco finalistas.

A coleção faz uma comparação do mundo fantástico de Alice com o ambiente virtual, que permite ao indivíduo novos conhecimentos, experiências e amizades, sem sair de casa. Com um look moderno, a Alice cibernética perde a inocência e utiliza roupas que marcam a cintura e valorizam a região do quadril.

O estilista optou por uma cartela de cores vibrantes e o uso de mix de texturas, como o couro e a renda: “Cintura marcada para mim é indispensável. Eu tirei um pouco da inocência dela [Alice] trazendo um pouco de caveira e o preto”, afirmou.

Jean Carlos foi premiado com três máquinas de costura profissional, softwares e a assinatura de sites e revistas especializadas. “Os prêmios vieram em boa hora. O que mais me fez falta durante o processo de produção eu estou ganhando agora, que foram as máquinas de costura”, comemorou o estilista. E arrematou: “Se tudo der certo, agora posso trabalhar por conta própria”.

Do croqui à passarela

Nesta edição, os candidatos foram convidados a embarcar no mundo Fashionville: meu avatar não sai de moda, onde os participantes desenvolveram uma minicoleção, composta por 10 croquis, com modelos inspirados no mundo cibernético.

Para o desfile, os finalistas produziram seis looks completos: dois utilizados para exposição e os demais, para o desfile. Com um critério rígido de avaliação, os finalistas foram avaliados nos quesitos desenho (técnico e artístico), modelagem, ficha técnica, escolha da matéria-prima e aviamentos, acabamento e produção do desfile.

Veja abaixo o resumo dos projetos finalistas:

  • 2º lugar: Agda Martins Feitosa e Angélica Aparecida Pamplona

Divas Futuristas: Inspiradas nos blogs das it-girls e fashionistas do momento, a coleção apresentou peças estruturadas que afinam a silhueta e valorizam a região do quadril da mulher sem deixar o look vulgar.

  • 3º lugar: Mayra Teixera e Suely Rocha

Ensaios sobre a perfeição: A mulher contemporânea, que transita bem entre o mundo e também o virtual, e que tem o poder de concretizar os seus ideais de beleza, seja por meio de cirurgia plástico ou uma nova coloração de cabelo, são as fontes de inspiração da dupla de estilistas, que na apresentação das peças abusaram das cinturas marcadas, dos decotes profundos e o uso da transparência, tornando o look sensual e feminino.

  • 4º lugar: Uiara Humberto Peixeiro

Gamificação: Os componentes técnicos e hardwares serviram de inspiração para a estilista que desenvolveu uma estamparia exclusiva baseado no formato da placa mãe do computador. O resultado foi uma estampa que de longe remete a moda dos lenços, presente na coleção do estilista brasileiro Alexandre Herchcovitch e da marca Dolce & Gabana, mas que de perto lembram o formato do componente eletrônico. A estilista apresentou peças com cintura marcada e peças sem volume.

  • 5º lugar: Guilherme Diniz e Cledir Salgado

La vie en Rose: Inspirado no requinte e elegância da mulher parisiense, os estilistas apresentaram uma coleção com peças delicadas e minimalistas, com corte de alfaiataria, uso de fendas e plissados, segundo os estilistas: “Uma moda que poetiza o corpo da mulher”.

Setor têxtil pede mais prazo para pagamento de ICMS

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Elias Miguel Haddad, vice-presidente da Fiesp e coordenador do Comtextil da entidade

Com presença de Elias Miguel Haddad, vice-presidente da Fiesp e coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da federação, a Assembleia Legislativa de São Paulo sediou na segunda-feira (16/4) o primeiro encontro da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Têxtil e de Confecção.

No dia seguinte, a discussão sobre as dificuldades enfrentadas pelo setor foi estendida na reunião plenária do Comtextil, realizada na sede da Fiesp. “Hoje, é mais barato produzir fora do estado de São Paulo. E ainda mais fora do Brasil. Precisamos ter condições para reverter esta situação”, afirmou Haddad.

O coordenador do Comtextil destacou ainda a importância da prorrogação do vencimento para liquidação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para 90 dias. Atualmente, o prazo médio é de 40 dias.

“As empresas vendem com 90, até 120 dias de prazo, conforme o grau de negociação e a necessidade de vender. Elas são obrigadas a ceder e, desta maneira, ‘financiam’ o governo do Estado”, criticou Haddad.

Oswaldo de Oliveira Filho, coordenador-adjunto do Comtextil, reforçou o coro. “Os prazos de pagamento dos impostos estaduais são os mesmos desde os tempos da inflação [décadas de 1980 e 1990]. E continuamos pagando praticamente à vista, enquanto que os empresários concedem cada vez mais prazo de pagamento aos clientes. Assim acabamos financiando o governo, que não precisa disso”, ratificou.

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Oswaldo de Oliveira Filho, coordenador-adjunto do Comtextil

“Os parlamentares precisam pressionar os senadores para que a resolução seja aprovada em plenário, porque isso é um grande ganho para nosso setor. O porto de Itajaí (SC), por exemplo, estava virando quase uma ‘indústria têxtil’ chinesa”, analisou o coordenador-adjunto ao comparar a produção nacional com a entrada de importados por outros estados.Oliveira Filho apoia a ideia de solicitar ao governo estadual a ampliação do prazo para os pagamentos de forma gradual, de cinco dias por mês até alcançar 90 dias. E com a possível aprovação da Resolução 72, que segue para votação no plenário do Senado na próxima semana, ele espera o apoio dos deputados.

Expectativas

Ainda na reunião, o diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), Marcelo Prado, apresentou dados referentes às vendas do setor nos últimos cinco anos. Prado explicou que, caso o Brasil seja campeão da Copa em 2014, haverá um boom de vendas de roupas esportivas, fato que poderá se repetir nos Jogos Olímpicos de 2016.

O movimento em torno desses grandes eventos, segundo o diretor do IEMI, já apresenta reflexos no segmento de roupas profissionais.

Setor têxtil conquista redução de ICMS

Agência Indusnet Fiesp

O governador do Estado de São Paulo, José Serra, assinou nesta segunda-feira (29), em cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes, decreto reduzindo a base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) para a indústria têxtil.

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Paulo Skaf (ao centro) e representantes do setor têxtil, durante o anúncio no Palácio dos Bandeirantes, na Capital

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) pleiteou junto ao Governo a diminuição de 12% para 7% nas saídas das indústrias têxteis e de confecção.

O corte da base de cálculo foi motivo de recente mobilização de diversas entidades que, na Fiesp, no dia 3 de fevereiro deste ano, entregaram ao Secretário da Fazenda do Estado, Mauro Ricardo Machado Costa, estudo abrangente realizado pelas equipes jurídica e de economia da Fiesp, e de sindicatos do setor, além de representantes da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Têxtil e Vestuário.

Diante do pleito atendido, Paulo Skaf, presidente da Fiesp, enfatizou a importância de se “defender a competitividade em função da concorrência acirrada e da consequente migração de empresas para outros estados que oferecem ICMS reduzido, além do comércio predatório dos importados”. E complementou: “Mais investimento significa mais emprego, mais produção. A medida fará muito bem à economia paulista. Quando estive à frente do Sindicato da Indústria Têxtil, conseguimos a redução de 18% para 12% e, agora, para 7%”.

O governador Serra afirmou estar “convencido de que hoje o trabalhador e o empresário brasileiros são eficientes. Há questões macroeconômicas que atrapalham o mercado, como as práticas desleais de comércio por parte do Sudeste Asiático e o Brasil não se defende tanto quanto seria necessário”, disse.

Já o secretário Mauro Ricardo frisou a relação “ganha-ganha” em todas as pontas, trabalhadores, indústria e população.

A medida permite a ampliação do diferimento do imposto para a saída da mercadoria da indústria para o atacado ou diretamente ao varejo. Assim, a alíquota que era de 12% foi reduzida ao patamar de 7%.

Segundo o decreto, serão beneficiadas as empresas que tenham situação regular com o Fisco, condicionadas à apresentação, pelo setor, de compromisso formal de investimentos e geração de empregos, além da utilização do benefício a fim de reduzir preços dos produtos na venda ao atacadista ou varejista, diminuindo a necessidade de capital de giro no setor produtivo. O prazo para apresentação do termo de compromisso vale até o dia 30 de abril.

A desoneração deverá alcançar aproximadamente 13.500 empresas que, em São Paulo, mantêm 500 mil vagas de trabalho. Juntas, elas faturam R$ 28 bilhões e recolhem R$ 1 bilhão em impostos, anualmente, segundo dados divulgados pelo governo.

Para o presidente do Sinditêxtil, Rafael Cervone Netto, “a medida diminuirá a disparidade com outros estados que praticam alíquotas de até zero por cento”. Um efeito colateral positivo é a retenção de investimentos no Estado. O setor têxtil é o segundo maior empregador da indústria de transformação – composto por 75% de mão de obra feminina, sendo que 40% são arrimo de família.

Estiveram presentes à solenidade, Barroz Munhoz (PSDB, presidente da Assembléia Legislativa de SP), Chico Sardelli (PV), liderando a Frente Parlamentar em Defesa do Setor Têxtil e de Confecção do Estado, representantes de sindicatos, além dos secretários Mauro Ricardo Machado Costa (da Fazenda), Geraldo Alckmin (do Desenvolvimento) e Francisco Vidal Luna (da Economia e do Planejamento).

Setores beneficiados:

  • Preparação e fiação de fibras têxteis;
  • Fabricação de tecidos de malha;
  • Outras tecelagens, exceto malha;
  • Acabamentos com fios, tecidos e artefatos têxteis;
  • Confecção de artigos do vestuário e acessórios;
  • Fabricação de artefatos têxteis, exceto vestuário;
  • Fabricação de artigos de malharia e tricotagem.


Tributação

O Estado de São Paulo concede tratamento tributário diferenciado ao Setor Têxtil, Vestuário e Confecções. O incentivo está previsto no artigo 400C do Regulamento do ICMS/SP, aprovado pelo Decreto n° 45.490/2000, que vigorará até 31 de março de 2011, segundo o Decreto nº 55.304/2009.

As indústrias têxteis já podem diferir atualmente 33,33% do ICMS devido, fazendo com que a alíquota na produção caia de 18% para 12%. Esse mecanismo continua valendo, mas agora os produtores poderão optar também pelo diferimento de 61,11% do ICMS, o que significa reduzir a alíquota para 7%, na prática.

O aproveitamento de crédito é limitado ao total de débitos do estabelecimento no período da apuração, evitando acúmulo de créditos.

Fiesp defende redução do ICMS para setor têxtil

Agência Indusnet Fiesp 

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Ao lado de líderes sindicais e parlamentares, Paulo Skaf entrega documento do setor têxtil ao secretário Mauro Ricardo Machado Costa, da Fazenda do Estado. Foto: Flávio Martin

O secretário da Fazenda do Estado, Mauro Ricardo Machado Costa, recebeu bem o documento do setor têxtil, que pede a redução do percentual do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) de 12% para 7% dentro do processo industrial.

O objetivo é aprimorar a competitividade da cadeia têxtil e de confecção. Em contrapartida, mantém-se os investimentos e os postos de trabalho com sua posterior ampliação, caso o índice seja reduzido. Os dados do estudo contido no documento reforçam que não haverá queda na receita estadual.

O pleito foi entregue em encontro realizado nesta quarta-feira (3), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), entre o secretário Mauro Ricardo, o presidente da entidade, Paulo Skaf, sindicatos do setor e representantes da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Têxtil e Vestuário.

Maturidade

Paulo Skaf enfatizou a importância de se defender a competitividade em função da concorrência acirrada e da consequente migração de empresas para outros Estados, ressaltando que o documento comprova a maturidade do setor.

A iniciativa visa reforçar a vocação de São Paulo para um setor tão intensivo. O presidente da Fiesp sugeriu que se assuma o compromisso, até por questões éticas, de estender o benefício também à ponta do varejo.

“Informalidade e ilegalidade são uma coisa só, e menos imposto significa menos informalidade”, afirmou Skaf, refletindo a possibilidade de incremento dos postos formais de trabalho.

A opinião do líder empresarial encontrou eco entre os trabalhadores. Sérgio Marques, vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Setor Têxtil, Vestuário, Couro e Calçados, concordou que o combate à informalidade beneficia ambos os lados, empregados e empresários, incluindo o Estado.

Capitaneando a Frente Parlamentar, o deputado Chico Sardelli (PV) argumentou que o exemplo de incentivo à indústria têxtil pode partir do governador de São Paulo, José Serra.

Conforme o documento, o resultado seria mais do que favorável com a consequente permanência das indústrias em São Paulo, brecando o movimento migratório para outras unidades da Federação, além da possibilidade de retorno daquelas que já ultrapassaram as fronteiras.

Retomada da competitividade

Rafael Cervone Netto, 1° vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), acrescentou que “com esta ação será possível retomar a competitividade, melhorando o nível de investimentos e de emprego”.

Segundo ele, o setor conta com 75% de mão de obra feminina, sendo 40% arrimo de família: “Quando a indústria ganha, o Estado também ganha”, destacou. São Paulo representa hoje mais de 35% do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria têxtil e de confecção nacional, comprovando sua vocação.

O secretário Mauro Ricardo lembrou que o documento resulta de trabalho iniciado em dezembro, espelhando os compromissos assumidos e os esforços de todos os atores envolvidos: indústria, trabalhadores, sindicatos, governo e Parlamento.

“O governo sabe da importância desse setor para o Estado e para o País, e é com esta visão que recebemos o pleito”, disse. O próximo passo será entregá-lo ao governador José Serra.

Estiveram presentes à reunião representantes de sindicatos patronais e dos trabalhadores têxteis e também integrantes da Frente Parlamentar, sob a coordenação do deputado Chico Sardelli (PV), acompanhado de David Zaia (PPS) e Antônio Mentor (PT), além de Guilherme Rodrigues da Silva, da Coordenadoria da Administração Tributária da Secretaria da Fazenda.

Dados do setor

A indústria têxtil e de confecções do Estado de São Paulo – a mais importante do País – representa cerca de 40% de toda a receita da cadeia produtiva do setor, bem como 30% do emprego (465 mil empregos diretos) e das empresas (14 mil), com folha de pagamento de quase R$ 7 bilhões/ano, pagando os melhores salários para a categoria.

Mais de 80% do setor emprega em média até 19 pessoas, em um setor formado basicamente por micro e pequenas empresas.

É o segundo setor da indústria de transformação que mais emprega no Brasil (atrás apenas do segmento de alimentos e de bebidas, juntos), especialmente a mão de obra feminina. Nos últimos anos, o estado perdeu participação na geração de emprego formal.

Tributação

O Estado de São Paulo concede tratamento tributário diferenciado ao Setor Têxtil, Vestuário e Confecções. O incentivo está previsto no artigo 400C do Regulamento do ICMS/SP, aprovado pelo Decreto n° 45.490/2000, que vigorará até 31 de março de 2011, segundo o Decreto nº 55.304/2009.