Outlook Fiesp: o agronegócio deve ganhar mercado nas exportações na próxima década

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Mesmo com um crescimento projetado aquém do registrado na última década, o agronegócio brasileiro seguirá com desempenho superior ao restante do mundo em relação às exportações e deve aumentar sua participação no mercado mundial em diversas culturas nos próximos dez anos.

A avaliação é da equipe do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), responsável pela elaboração do Outlook 2024, que reúne diagnósticos e projeções para o setor na próxima década.

Segundo a nova versão do Outlook, atualizado a cada ano, as exportações brasileiras de soja devem crescer a uma taxa de 5,2% ao ano até 2024. Neste período, a soja brasileira responderá por 50% das exportações globais. Atualmente, o Brasil participa com 41%.

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“Quanto ao milho, fica a dúvida em relação ao seu desempenho exportador em um cenário menos favorável em termos de preços”, diz Antonio Carlos Costa, gerente do Deagro/Fiesp. “O grão vem de anos favoráveis, aproveitando-se de janelas importantes, como a quebra de safra nos Estados Unidos (EUA), e ganhando espaço no marcado internacional. No entanto, em um momento de inflexão de preços, o custo logístico ganha ainda mais importância e castiga a competitividade da cultura”, conclui Costa.

As vendas externas de carne de frango do Brasil também devem continuar crescendo pelos próximos 10 anos. O Deagro estima que as exportações devem ter um aumento anual de 2,7%, alcançando 42% de participação no mercado mundial, contra atuais 40%. Embora o crescimento se dê acima da média mundial para o período (2%), é inferior à expansão verificada na década anterior (7,1% ao ano).

No que se refere à carne suína, o setor deve experimentar uma década melhor do que o período de 2003 a 2013. Segundo o relatório da Fiesp, as exportações do produto devem subir 2,6% ao ano na próxima década.

Atualmente, o Brasil se aproveita de um momento em que importantes produtores e exportadores, como os EUA, apresentaram sérios problemas sanitários, como o Vírus da Diarreia Epidêmica (PED).

“O país é o único entre os quatro maiores exportadores mundiais sem problemas com doenças e isso confere uma grande oportunidade ao setor, afirma Benedito Ferreira, diretor titular do Deagro/Fiesp. “Além disso, há muito espaço para crescer no mercado doméstico”, complementa Ferreira, mencionando que, entre as três carnes, a suína é a que apresentará a maior variação do consumo no Brasil na próxima década.

No entanto, o estudo lança um alerta em relação ao desempenho da economia brasileira: como o mercado doméstico é o vetor de crescimento para grande parte do agronegócio, em especial as proteínas animais, como o leite, ovos e as carnes, a retomada da confiança e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) passam a ser fundamentais para assegurar o bom desempenho do setor.

Açúcar, crise e exportações

O setor sucroenergético vivencia a pior crise de sua história, com o fechamento de mais de 60 usinas no centro-sul do país nos últimos anos, com um endividamento total do setor de R$ 66 bilhões em 2013. O cenário é explicado em grande parte por problemas climáticos, quebras de safra, adaptação à colheita mecanizada, mas especialmente pela incapacidade do setor de repassar aos preços do etanol os aumentos do custo de produção, em razão da política do governo federal para a gasolina.

Além do prejuízo direto ao etanol, toda essa situação tem um grave efeito colateral no açúcar, pois causa um aumento significativo da produção do produto.

Ainda assim, o relatório aponta para a perspectiva de um novo ciclo em 2015, com uma relação mais favorável entre oferta e demanda de açúcar, em meio a uma provável recuperação de preços.

Segundo Costa, “as medidas do governo em relação ao setor serão determinantes para os rumos deste segmento para os próximos anos”.

O ambiente de forte preocupação é reforçado pelos números. Entre a safra 2009/10 e 2012/13, a redução no consumo do etanol hidratado foi de 5,5 bilhões de litros. “O problema é que esse etanol que deixa de ser consumido vira açúcar nas usinas, o que deprime os preços internacionais do produto. A conta é simples: esse volume a menos no consumo do combustível representou cerca de 5,6 milhões de toneladas a mais na oferta de açúcar. Para se ter uma ideia de grandeza, isso significa 83% do volume exportado pela Tailândia em 2012/13, segundo exportador mundial. Isso configura uma situação insustentável.”


Uso da terra

O bom desempenho da pecuária deve favorecer os investimentos na concentração do rebanho, com consequentes ganhos de produtividade. De acordo com Benedito Ferreira, isso permitirá que a pecuária ceda 4,5 milhões de hectares de pastagens para a agricultura.

Além disso, o aumento de 14% da produtividade média de grãos entre 2014 e 2024 ajudará a poupar áreas, já que o percentual equivale a uma preservação de 8,9 milhões de hectares. “No entanto, sabemos que existe um potencial para ir além na pecuária, caso o cenário se mantenha favorável por um período maior de tempo, aumentando ainda mais o efeito poupa-área”, conclui Ferreira.

Manual do setor sucroenergético é resposta concreta para atuais desafios

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A principal commodity do Brasil é a água, declarou nesta quarta-feira (2) o  presidente da União da Indústria de Cana de Açúcar (Única), Marcos Jank, durante o lançamento do Manual de Conservação e Reuso de Água na Agroindústria Sucroenergética.

O documento foi elaborado por diversas entidades, entre elas, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Agência Nacional de Águas (ANA), a União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica) e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis lembrou que a água está cada vez mais no centro das preocupações mundiais, especialmente em função da proximidade da COP-15. E enfatizou que o Manual é “a resposta concreta do setor produtivo para os atuais desafios ambientais”.

Marcos Jank disse que o agronegócio deve ser exemplo e que a entidade irá divulgar o Manual entre associados e fornecedores. Uma das boas notícias: não haverá expansão do setor a custa de desmatamento.

Cultura do desperdício

O Brasil possui importante sistema hídrico, estimado entre 12% e 15% dos recursos totais do mundo. Mas esta aparente abundância de água tem sustentado uma cultura de desperdícios, segundo reflexão de André Elia Neto, do CTC. O problema é que os recursos não estão distribuídos de modo igualitário pelo território. É preciso, portanto, utilizar os recursos de modo sustentável.

“Os erros do passado levaram à degradação dos nossos corpos d’água e muitos não podem ser utilizados nem mesmo pelo setor industrial: transportam lixo e esgoto”, segundo alertou o presidente da Ana, José Machado. “O Manual será uma ferramenta de trabalho para todos, para as atuais e futuras usinas”, afirmou, antes de criticar a falta global de planejamento.

De acordo com Machado, é preciso começar agora um planejamento integrado. “O setor elétrico, por exemplo, deveria conversar com a área de navegação, para a criação de eclusas, entre outras ações. É irracional não haver esse diálogo”, alfinetou, citando o exemplo de Tocantins, que é navegável.

Já o diretor de assuntos governamentais da Coca-Cola Brasil, Victor Bicca Neto, frisou o compromisso de ser a primeira “empresa neutra” em água. Ou seja, deve devolver à natureza tudo o que for utilizado em suas fábricas ao redor do mundo.

“Nos últimos dez anos, a Coca reduziu em 50% o consumo de água”, disse Neto. Ele também informou que a companhia integra os comitês de bacia e incentiva a recomposição das matas ciliares no Estado – como ocorre na Serra do Japi, em Jundiaí – e o replantio de árvores, tendo parcerias estabelecidas com a ONF SOS Mata Atlântica, por exemplo.

Uso racional da água

Os últimos dados publicados indicam uma queda acentuada na captação de água, de 20 metros cúbicos por tonelada de cana, na década de 70, para cerca de 2 m³/t.cana, em 2005. A tendência é alcançar valores médios de 1 m³/t.cana ou menos, com a prática de reúso de água e tecnologias de produção mais limpa (P+L).

Essas são medidas expressivas, pois um quilo de açúcar demanda 10 litros de água em sua produção, e para 1 litro de etanol são necessários 20 de água. (Fonte: Centro de Tecnologia Canavieira, 2005)

Perfil do setor

Inédito para o setor, o Manual de Conservação e Reuso de Água na Agroindústria Sucroenergética traz um perfil da área sucroenergética, apresentando tendências de mercado e distribuição geográfica das usinas no Brasil e no estado de São Paulo por bacia hidrográfica.

Traz, também, o panorama dos recursos hídricos no Brasil e no mundo e o balanço hídrico industrial, calculando-se o uso de água de cada operação. Outros aspectos abordados são a necessidade de preservação dos solos agrícolas, da atividade canavieira, e legislação e normas aplicadas ao setor.

Para acessar o Manual, clique nos links (arquivos em pdf) abaixo: