Produção de açúcar inicia tímida recuperação; setor deve voltar a crescer em 2013, diz diretor do Itaú BBA

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp,

Imagem relacionada a matéria - Id: 1537309103

Diretor comercial do Itaú BBA, Alexandre Figliolino, durante reunião do Cosag. Foto: Everton Amaro

Após uma atípica estiagem de verão, a produção de açúcar inicia uma rota de tímida recuperação este ano para ocupar uma capacidade instalada do Centro-Sul de 640 milhões de toneladas, mas o setor pode voltar a crescer 10% se o clima for favorável no ano que vem. A avaliação é de Alexandre Figliolino, diretor comercial do Itaú BBA – braço de Atacado, Tesouraria e Investimentos institucionais do conglomerado Itaú.

O executivo falou sobre perspectivas para o setor sucroalcooleiro durante reunião do Conselho Superior de Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada nesta segunda-feira (03/09) na sede da entidade.

Segundo levantamento feito pela União das Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) no final de agosto, o volume de cana-de-açúcar processado pelas usinas da região Centro-Sul do Brasil atingiu 44,25 milhões de toneladas na primeira metade do mês passado, uma alta de 14,20% em relação à mesma quinzena no ano anterior. A quantidade moída desde o início da safra 2012/2013, no entanto, chegou a 261,10 milhões de toneladas, inferior em 37,69 milhões de toneladas ao volume acumulado no mesmo período de 2011.

A Unica prevê uma moagem de 509 milhões de toneladas de cana na safra 12/13. Se for concretizado, o número será apenas 3,19% maior do que no período passado (493,264 milhões de toneladas) e sinalizará uma perda de faturamento de R$ 5 bilhões.

“Digamos que a gente está em uma fase de recuperação para ocupar uma capacidade instalada hoje, no Centro-Sul, que é de 640 milhões de toneladas. Vamos ser bem otimistas e dizer que estamos saindo de um vale, batemos no fundo do poço em termos de produção e estamos aí no rumo da recuperação”, afirmou Figliolino, acrescentando que as reformas de canaviais neste ano foram “muito importantes” para garantir uma recuperação nos próximos anos. Em 2011, o setor sucroalcooleiro investiu mais de R$ 3 bilhões no plantio de cana no ano passado.

Açúcar x Etanol

O diretor do Itaú BBA lembrou que nos últimos três anos a produção de açúcar passou a “levar uma larga vantagem” sobre o etanol, uma vez que os produtores têm optado pela produção da commodity em vez do combustível por sua maior rentabilidade.

De acordo com dados da Unica, do volume total da safra 12/13 de cana-de-açúcar processado até 15 de agosto, 48,66% destinaram-se à produção de açúcar, ante 47,13% verificados no mesmo período de 2011.

“Os produtores, numa tentativa de legítima defesa do seu negócio, vão continuar fazendo açúcar no limite da capacidade”, afirmou o diretor, acrescentando que uma medida imediata capaz de melhorar o humor do setor “são as benditas políticas públicas”.

Segundo Figliolino, a forte queda do consumo de etanol pela frota flex do Brasil desestruturou o planejamento do mercado de combustíveis. “O etanol não trabalha próximo daquele share que a gente imaginava, de 80% na frota flex. Ele está caindo e já está hoje em torno de 40% do consumo da frota flex. Isso bagunçou o coreto porque se fez um planejamento imaginando uma participação do etanol extremamente elevada na matriz de combustíveis e, agora, isso parece estar meio que sendo deixado de lado”, comentou.

Ajuste de preço não resolve problema; etanol precisa de política de longo prazo, afirma diretor do Itaú BBA

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Alexandre Figliolino, diretor comercial do Itaú BBA. Foto: Everton Amaro

Alexandre Figliolino, diretor comercial do Itaú BBA. Foto: Everton Amaro

Cerca de um terço das empresas do setor sucroalcooleiro está a situação financeira não saudável, enquanto os canaviais estão em recuperação, mas apresentam rendimentos abaixo da média histórica, avaliou nesta segunda-feira (03/09) o diretor comercial do Itaú BBA, Alexandre Figliolino, ao apresentar um panorama do segmento e falar sobre perspectivas para a produção de açúcar e álcool, durante reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Não dá para continuar nessa situação. Hoje, a sociedade brasileira está perdendo, o setor está perdendo. A gente já teve no primeiro semestre uma importação de 1,9 bilhão de litros de gasolina. Isso é renda que deixa de ser criada aqui, no Brasil, e vira despesa de divisas com importação enquanto poderíamos fazer combustível”, alertou Figliolino.

Segundo avaliação da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), até a primeira quinzena de agosto, foi produzido um total de 9,96 bilhões de litros de etanol da safra 2012/2013, ante 12 bilhões de litros produzidos em 2011/2012, o equivalente a uma queda de 17,5%.

“Ainda não conseguimos chegar a uma política para o etanol de longo de prazo. Não adianta dar reajuste e pronto. Como fica para frente? Precisa criar algo que se tenha segurança”, completou o diretor o executivo do Itaú BBA.