Presidente do Lide Economia propõe criação de conselho de gestão fiscal por MP

 Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

No que diz respeito a crescimento econômico, o governo não está na direção errada, mas é necessário acelerar o ritmo para devolver competitividade à indústria brasileira, afirmou nesta quarta-feira (04/07) o economista e presidente do Lide Economia, Paulo Rabello de Castro.

“O ministro [da Fazenda, Guido Mantega] já está baixando os juros. Já conseguimos um realinhamento cambial. O que falta? Falta realmente um choque de produtividade”, alertou Rabello, ao participar do Seminário Econômico Fiesp e Lide – “Agenda Brasil, Proposta para o Avanço Acelerado do País”, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

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Paulo Rabello de Castro entrega propostas ao ministro Guido Mantega

Para o economista, a ineficiência do setor público está entre as principais causas da improdutividade brasileira. Segundo estudo apresentado nesta manhã pelo Lide a empresários, se a baixa produtividade da economia brasileira persistir, o país estará “arrecadando perda anual de R$ 1,3 trilhão em 2022”.

“Nós sabemos que uma parte importante dessa improdutividade está na ineficiência do próprio setor público. Portanto, temos uma proposta muito objetiva que eu gostaria que fosse convertida em Medida Provisória, se possível”, disse Rabello, sugerindo a implementação de um conselho de gestão fiscal. “Temos que apressar o passo com uma Medida Provisória porque é relevante e urgente que tenhamos um conselho de gestão fiscal. Seria um instrumento adequado.”

Outro assunto destacado pelo economista foi a simplificação fiscal. Rabello reforçou o pedido, feito há poucos meses a Mantega, para retomar uma proposta de único imposto na circulação de mercadorias e serviços, apresentada pelo próprio ministro da Fazenda em 2008.

“Essa proposta precisa ser retomada. Há uma dificuldade de aprovação, hoje, no Congresso Nacional, mas nós gostaríamos de dizer ao ministro que estamos aqui para protestar pelo apressamento do passo na votação de um projeto que realmente simplifique o país”, afirmou Rabello. “Seria bom se fosse pago um tributo só pela circulação de mercadorias e serviços. Eu acho que é isso que o contribuinte brasileiro merece”, concluiu.

Proposta para o Avanço

Durante a abertura do Seminário Econômico Fiesp e Lide, Paulo Rabello de Castro apresentou uma agenda elaborada pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide) com levantamentos conjunturais e propostas para estimular o crescimento econômico do país.

A “Agenda Brasil, Proposta para o Avanço Acelerado do País” lista cinco realinhamentos para aumento da produtividade e criação de riqueza: “Aumento da Eficiência no Setor Público”, “Transformar Juros em Infraestrutura Local”, “Eficiência Fiscal Competitiva”, “Socialização da Riqueza Nacional” e o “Tripé – Educação, Inovação e Sustentabilidade”.

“Que o senhor submeta à presidente Dilma Rousseff a possibilidade de termos uma espécie de agenda em curso com a sociedade brasileira. Obviamente, o governo já tem uma agenda de compromisso. Então seria uma agenda própria com a sociedade, capaz de acompanhar a implementação desses realinhamentos”, sugeriu Rabello ao ministro Guido Mantega.

Educação pública de qualidade é principal ferramenta para o desenvolvimento da sociedade

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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Gustavo Reis, prefeito de Jaguariúna

Estratégias de empreendedorismo no setor público e a valorização da educação pública brasileira foram alguns dos temas abordados no ciclo de palestras Sem mudança não há esperança, durante o VII Congresso Paulista de Jovens Empreendedores da Fiesp, realizado no Teatro do Sesi São Paulo, nesta segunda-feira (28).

Gustavo Reis, prefeito da cidade de Jaguariúna, destacou que os novos empreendedores precisam ter ideias criativas, ousadas e inovadoras, qualidades latentes no povo brasileiro, considerado pelo relatório da Global Entrepreneurship como um dos 10 países lideres de empreendedorismo em todo o mundo.

Segundo Reis, dois grandes empecilhos para concretização destes novos negócios são o excesso de burocracia e o elevado número de impostos. “Precisamos investir no empreendedorismo social, cobrar mudanças do governo. Enquanto não investirmos na promoção da qualidade de vida, em cultura, educação e meio ambiente, vamos continuar assistindo à morte precoce das pequenas empresas”, alertou.

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Vítor Lippi, prefeito de Soracaba

Também presente no seminário, o prefeito da cidade Sorocaba, Vítor Lippi, sublinhou a participação ativa da população no planejamento de políticas publicas que estimulem o crescimento social e econômico do município. A estratégia, segundo Lippi, contribuiu para a redução do tempo de abertura de uma empresa, de 140 para 10 dias. Além disso, estimulou a criação do Parque Tecnológico de Sorocaba, que terá a participação de nove universidades paulistas. Neste espaço, os acadêmicos poderão compartilhar experiências e realizar um network diferenciado.

“Para que a cidade alcance um crescimento econômico sustentável, é fundamental que haja investimento nas áreas de educação e a inclusão de todos os elos da sociedade nas tomadas de decisões”, analisou o palestrante.

Mobilização

“As favelas passaram a entrar no mapa do governo após o crescimento econômico da região”, salientou MV Bill, ativista social e rapper. Durante a sua infância, o rapper morou na favela Cidade de Deus, uma das maiores da cidade do Rio de Janeiro, e desde muito cedo deixou livros e caderno de lado para garantir o sustento da sua família.

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MV Bill, ativista social e rapper

Muitos anos depois, o ativista social decidiu relatar a história de 17 adolescentes, moradores da Cidade Deus, que trabalhavam no tráfico de droga, dando origem ao documentário Falcão: Meninos do Tráfico. “No espaço muito curto de dois anos, 16 dos 17 jovens que foram entrevistados morreram. O único sobrevivente tinha o sonho de ser palhaço”, lembrou. “Isso me fez pensar como um jovem, que com um fuzil na mão fez muitas família chorarem, poderia um dia fazê-las sorrir.”

A experiência culminou com a criação da Central Única das Favelas (Cufa), organização não governamental que atende jovens moradores da favela de todo o Brasil. Com destaque para criação da Taça Favela, um evento esportivo que reunirá mais de quatro mil jovens, com idade entre 15 e 19 anos, moradores da favela da cidade do Rio de Janeiro. “Desenvolvemos trabalho na área social, mas está responsabilidade deve ser do governo. Infelizmente, existe um desalinho entre o que é proposto pelo governo e as necessidades reais da população”, avaliou o palestrante.

Grande entusiasta da área da educação, o ativista social acredita que o governo precisa oferecer um ensino público de qualidade para toda a população e não restringi-lo apenas a uma pequena parcela da sociedade. “Não existe desenvolvimento social sem o investimento na educação. Os políticos deveriam ter os seus filhos matriculados no ensino público. Hoje a educação é artigo de luxo. As boas escolas custam caro”, concluiu MV Bill.

Público e privado unem esforços em reabilitação

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

Experiências tanto no setor público quanto privado se mostram eficazes na luta contra a reincidência e reestruturação da cidadania do indivíduo que cumpre ou já cumpriu pena de prisão. Em Goiás, a Cia. Hering implantou fábricas intramuros, que empregam detentos em regime fechado no Estado. A experiência beneficia os apenados com ajuda de custo e remissão de pena proporcional aos dias trabalhados.

Para o gerente da Plataforma Goiás da Cia. Hering, Cláudio Schwaderer, é impressionante a diferença que a capacitação e o trabalho fazem na vida das pessoas. “Muitas vezes um banho de água quente, um sabonete, um par de sapatos já têm um significado enorme. É incrível para quem está longe dessa realidade como são coisas importantes para eles”, observou. “Essas coisas ajudam a resgatar a cidadania.”

O prefeito de Sorocaba, Vitor Lippi, é outro que empolga ao falar dos resultados dos programas implantados na cidade, no modelo de cooperativas. “Temos dois tipos, por onde já passaram mais de 800 pessoas nos últimos anos.” Segundo Lippi, 80% dos cooperados acabam conseguindo se reinserir no mercado de trabalho e, até o momento, nenhum voltou a cometer crimes. Todos eles recebem ajuda de custo e remissão de pena.

Governo quer reduzir atraso do setor público em relação ao privado na agricultura

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

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O ministro da Agricultura, Wagner Rossi (ao centro), durante reunião na Fiesp, que contou também com a participação do 2º vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto (à esq.), e do presidente do Cosag e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues (à dir.)




O Governo Federal quer reduzir a diferença, estimada em 30 anos, entre os avanços do setor privado e o descompasso do setor público na gestão do agronegócio. Durante reunião na Fiesp, nesta segunda-feira (7), o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wagner Rossi, defendeu a simplificação de processos e um grande projeto de modernização para o setor.

“Nosso ideal é ter um sistema em que o empresário seja visto como um grande agente do progresso e seja auxiliado”, explicou. Rossi reconhece que o governo precisa diminuir a burocracia e se tornar mais ágil para contribuir com o equilíbrio de mercado.

Em sua apresentação, o ministro destacou números dos últimos 50 anos, que cresceram 774%. “Essa alta evidencia um ganho de produtividade e coloca o País em um momento muito especial”, salientou. “A exportação agrícola tem sido âncora e vem garantindo estabilidade econômica”, acrescentou.

Meio ambiente

O ministro disse também que a agricultura brasileira é sustentável e que, enquanto nos Estados Unidos e na Europa o setor agrícola responde pela emissão de 30% e 28% de gás carbônico, respectivamente, no Brasil essa taxa é de apenas 2,2%.

Em relação ao Código Florestal, Rossi admitiu a necessidade de se alterar a lei. Estas mudanças, segundo ele, deverão ser votadas na segunda quinzena de março. “Existem pontos que podem ter mais tolerância e que ajudarão a estabelecer um nível de consenso.”

Perspectivas

O Ministério da Agricultura pretende ampliar o seguro rural e aumentar o acesso aos produtores. “Também queremos desenvolver uma nova sistemática nos financiamentos”, revelou o ministro.

Além disso, o Mapa trabalha para que a febre aftosa, um dos principais problemas que atingem a pecuária brasileira, esteja totalmente erradicada em dois anos.