Carteira do BID para o setor privado do Brasil vai seguir crescendo, afirma executivo do banco

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Steven Puig, do BID, Guilherme Ometto (centro), 2º vice-presidente da Fiesp, e presidente do BID, Luis Alberto Moreno, descerram placa do banco

 

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) destina a empresas brasileiras cerca de 30% de sua carteira total para setor privado da América Latina. A informação é do vice-presidente do setor privado do BID, Steven Puig. A tendência, segundo ele, é de aumento desta fatia com a instalação de um espaço de trabalho do banco na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O evento de inauguração oficial da sala aconteceu nesta quarta-feira (15/08), no quarto andar da Fiesp.

“A carteira vai seguir crescendo e vamos poder aumentar nossas atividades. Este ano estamos aprovando  US$1,5 bilhão para o setor privado em geral para América Latina, dos quais aproximadamente 30% virão para o Brasil ”, informou Puig após o evento.

O presidente do BID, Luis Alberto Moreno, também participou do lançamento e afirmou que, embora a linha de trabalho do banco seja “créditos tipicamente dirigidos à parte pública”, a intenção da parceria com a Fiesp é desenvolver o diálogo com o setor produtivo e explorar possibilidades que o banco oferece.

“Nós teremos aproximadamente US$ 2 bilhões de crédito que o banco vai outorgar ao Brasil quase anualmente. São créditos dirigidos especialmente aos Estados. Nossas atividades se concentram especialmente nos Estados mais pobres. A metade da carteira do banco está nos Estados do nordeste”, disse Moreno. “Mas também teremos uma atividade importante com o setor privado. Queremos desenvolver mais e essa é a razão de estar aqui na Fiesp, para ter um diálogo permanente com os diferentes agentes do setor privado”, acrescentou o presidente do BID.

Segundo vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, a participação fundamental da Fiesp nesta parceria com o BID é oferecer o conhecimento e informações da entidade por meio das áreas de atuação em infraestrutura, competitividade, comércio exterior e sustentabilidade.

Representantes do BID apresentam janelas de oportunidade para setor privado

 

“A Fiesp é o grande interlocutor do setor com o BID. Nós queremos realmente passar cada vez mais nossas informações ao banco e, por outro lado, permitir esse novo projeto do doutor [Luis Alberto] Moreno [presidente do BID], que é se aproximar das empresas privadas. Que nós trabalhemos no objetivo do banco para essa aproximação maior, porque aí tiramos os gargalos e as burocracias”, disse Ometto.

Espaço BID

O espaço de trabalho do BID vai funcionar no quarto andar da sede da Fiesp e o primeiro projeto da parceria deve concentrar investimentos e assistência técnica para o setor de infraestrutura, de acordo com Luciano Schweizer, especialista sênior do banco que ocupará a sala.

“A ideia é que eu seja um ponto de contato na Fiesp para ajudar a direcionar melhor as demandas do setor privado dentro das oportunidades que o banco apresenta. Infraestrutura é um tema que está na pauta, está na agenda do setor privado e do governo, e é importante para o BID”, afirmou Schweizer, acrescentando que nos próximos meses já poderão ser conhecidas “uma ou duas operações com efeito demonstrativo”.

Confira a íntegra da apresentação do BID durante o evento.

BID inaugura espaço de trabalho na sede da Fiesp, nesta 4ª feira (15/08)

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) escolheu a Fiesp de Paulo Skaf para sediar seu espaço de trabalho fora da capital federativa.  A inauguração acontece nesta quarta-feira (15/08) às 10h, com a presença do presidente do banco, Luis Alberto Moreno.

A parceria irá agilizar o contato e facilitará a prestação de informações sobre produtos financeiros e serviços do BID aos membros da Fiesp, além de permitir que a instituição financeira acompanhe mais de perto os desafios enfrentados pelo setor privado.

Durante a inauguração, empresários de diversos setores participarão de palestra sobre o funcionamento da unidade e sobre janelas de oportunidades.

A abertura de uma sala fora de Brasília é um projeto piloto e faz parte da estratégia do Banco de aproximar-se ainda mais dos seus clientes. A ação está ancorada na transferência de conhecimento e na cooperação público-privada para o desenvolvimento de políticas que contribuam para aumentar a competitividade do setor privado brasileiro.

Programação: Inauguração Espaço de Trabalho BID

10h – Abertura
– Mario Marconini, diretor de Negociações Internacionais do Derex da Fiesp

10h15 – Palestra: ‘Janelas de oportunidade do Setor Privado do BID’
– Steve Puig, vice-presidente do setor privado do BID
– Luciano Schweizer, especialista sênior do BID

11H15 – Coffee Break

11h30 – Diálogo com os setores presentes
– Marco Marconini, diretor de Negociações do Derex/Fiesp
– Stevee Puig, vice-presidente do setor privado do BID
– Luciano Schweizer, especialista sênio do BID

12h – Encerramento
– Paulo Skaf, presidente da Fiesp
– Luiz Alberto Moreno, presidente do BID
– Benjamin Steinbruch, 1º vice-presidente da Fiesp (a confirmar)
– João Guilherme Sabino Ometto, 2º vice-presidente da Fiesp (a confirmar)
– Josué Gomes da Silva, 3º vice-presidente da Fiesp (a confirmar)

12h14 – visita à sala do BID no 4º andar e atendimento à imprensa

‘O Mercosul está sendo abandonado pela América Latina’, afirma especialista da FGV

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Vera Helena Thorstensen, coordenadora do Centro do Comércio Global e Investimento da FGV

“Vim aqui para partilhar minha angústia e preocupação com vocês”, declarou a coordenadora do Centro do Comércio Global e Investimento da Fundação Getúlio Vargas, Vera Helena Thorstensen, na manhã desta terça-feira (19/06), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, ao participar da reunião mensal do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da entidade.

O desabafo da especialista diz respeito à posição do Brasil ante a manutenção e criação de novos acordos de livre comércio – apreensão compartilhada pelo presidente do Coscex, o embaixador Rubens Barbosa. De acordo com ele, o regionalismo ganhou força dentro da globalização. “Todas as regiões estão negociando acordos de livre comércio, com exceção da América do Sul”, alertou.

Barbosa observou que está ocorrendo, na Ásia, um movimento muito mais dinâmico quanto a essa questão, e que até países como China e Japão estão abrindo seus mercados, “algo impensável há pouco tempo atrás’. E ressaltou a importância de o setor privado discutir o tema, uma vez que há ‘uma paralisia total do ponto de vista do governo brasileiro’.

Segundo Vera Helena, alguns países – encabeçados especialmente por Estados Unidos e a União Europeia – estão avançando significativamente em relação às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e criando novas normas, principalmente na área de serviço, propriedade intelectual, salvaguarda e regra de origem. Isso, em sua avaliação, apesar de gerar conflito de regras, proporciona o fechamento de diversos acordos, à margem da OMC.

Da esq. p/ dir: Marcus Vinicius Pratini de Moraes, Daniel Marteleto Godinho, Rubens Barbosa e Vera Helena Thorstensen

“O centro do mundo hoje é a Ásia. Todos querem ser parceiros do Asean+6 [organização regional de Estados do sudeste asiático constituída com o objetivo de acelerar o crescimento econômico]. Se [o acordo com Estados Unidos] for para frente, será uma máquina de produção industrial que não terá ninguém para deter”, explicou a especialista.

O embaixador Barbosa acrescentou que a Parceria Trans-Pacífico (TPP) – proposta de livre comércio que visa liberalizar as economias da região Ásia-Pacífico – será a maneira pela qual os países asiáticos entrarão no continente Sul-americano, já que o Chile, México, Peru e Colômbia farão parte do bloco. “O Mercosul está sendo abandonado pela América do Sul”, complementou Vera Helena.

Desacordos

Também presente à reunião, o diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Daniel Marteleto Godinho, afirmou que a média de importações brasileiras amparadas por acordos comerciais (14,5%) não fica muito abaixo da União Europeia (17%) e Estados Unidos (23%), por exemplo.

Godinho ressaltou que a ordem da presidente Dilma Rousseff é avançar e concluir o acordo Mercosul-União Europeia, mas o Ministério tem enfrentado dificuldades no diálogo com a indústria. “Todo dia recebo representantes do setor privado dizendo que esse acordo é suicídio. A reação setorial contra é muito forte”, relatou o diretor. “Preciso compartilhar essa dificuldade [de um consenso], porque desejamos avançar, mas se o MIDC não ouvir a indústria, cria-se outro problema.”

Para o presidente do Coscex, a oposição do setor privado ao acordo se deve ao Custo Brasil: “Tão logo o governo comece a tomar medidas pontuais quanto à desoneração, esse posicionamento irá mudar” rebateu Barbosa, argumentando que o ideal seria ter regras permanentes, que ajudassem a todos, como por exemplo, redução da carga tributária, custo da energia e infraestrutura. “Nossa posição tem que ser entendida dentro desse contexto. Se mudar o Custo Brasil, mudamos de posição”, concluiu.

Público e privado unem esforços em reabilitação

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

Experiências tanto no setor público quanto privado se mostram eficazes na luta contra a reincidência e reestruturação da cidadania do indivíduo que cumpre ou já cumpriu pena de prisão. Em Goiás, a Cia. Hering implantou fábricas intramuros, que empregam detentos em regime fechado no Estado. A experiência beneficia os apenados com ajuda de custo e remissão de pena proporcional aos dias trabalhados.

Para o gerente da Plataforma Goiás da Cia. Hering, Cláudio Schwaderer, é impressionante a diferença que a capacitação e o trabalho fazem na vida das pessoas. “Muitas vezes um banho de água quente, um sabonete, um par de sapatos já têm um significado enorme. É incrível para quem está longe dessa realidade como são coisas importantes para eles”, observou. “Essas coisas ajudam a resgatar a cidadania.”

O prefeito de Sorocaba, Vitor Lippi, é outro que empolga ao falar dos resultados dos programas implantados na cidade, no modelo de cooperativas. “Temos dois tipos, por onde já passaram mais de 800 pessoas nos últimos anos.” Segundo Lippi, 80% dos cooperados acabam conseguindo se reinserir no mercado de trabalho e, até o momento, nenhum voltou a cometer crimes. Todos eles recebem ajuda de custo e remissão de pena.

Presídios: Fiesp defende a participação do setor privado

Agência Indusnet Fiesp,

No Brasil, dos 450 mil presos do sistema penitenciário, quase 200 mil estão sem vagas nos presídios. Situação que não aponta solução mais à frente: até 2012, o Ministério da Justiça garante a construção de apenas 40 mil vagas. É nesse contexto que ganha destaque a discussão a respeito da legitimidade dos investimentos privados nas unidades penais, hoje superlotadas e mal administradas pelo poder público.

O diagnóstico foi feito por especialistas durante o Seminário Internacional de PPP para o Sistema Prisional, realizado nesta quarta-feira (18) na Fiesp. Segundo Antonio Ferreira Pinto, responsável pela Administração Penitenciária em São Paulo, o incentivo a um novo modelo de gestão do sistema é oportuno, em um momento que o governo do estado dá início a um “ousado programa de construção de presídios”, que prevê 49 novos estabelecimentos prisionais, em um investimento de R$ 1,2 bilhão.

“Mais que oportuna, é providencial a concepção de uma gestão em parceria, que em breve se tornará realidade”, garantiu Ferreira Pinto, nomeado nesta quarta-feira o novo secretário da Segurança Pública de SP.

Para o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, o engajamento do setor industrial no problema de segurança pública já é realidade com o apoio técnico do Senai-SP, que oferece formação profissional gratuita a egressos das penitenciárias, e procura viabilizar oportunidades de emprego, principalmente na construção civil.

“É o começo de uma história, ainda temos muito a fazer. A segurança é uma questão que mexe diretamente com a sociedade, e a indústria não pode se omitir dos problemas gerais do nosso estado e País”, afirmou o dirigente empresarial.

Legalidade
Por meio de seu Departamento de Segurança, a Fiesp vai pedir uma reunião com o vice-governador paulista, Alberto Goldman – que preside o Comitê Gestor de Parcerias Público-Privadas (PPPs) – para mostrar ao poder público que é viável a participação da iniciativa privada na administração do sistema prisional. A afirmação é do diretor-titular da área, Ricardo Lerner.

Preocupada em cooperar com o governo de São Paulo, em julho do ano passado a Fiesp promoveu uma visita a presídios da Inglaterra e da Espanha para verificar in loco o funcionamento das unidades construídas por meio de PPP.

“Concordamos que, no Brasil, zelar pelo preso é papel exclusivo do estado. Mas para isso, o setor público não é obrigado a retirar investimentos da saúde e educação, nem a fazer e servir comida, cuidar de manutenção e limpeza, preparar oficinas para trabalho e tocar programas educacionais. Para isso, pode contratar serviços privados para melhorar a qualidade e dignidade no tratamento dos presos”, afirmou Lerner.