Investimento no setor ferroviário deve continuar no patamar de R$ 5 bilhões

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Rodrigo Vilaça, presidente-executivo da ANTF em evento de infraestrutura da Fiesp.Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Nos últimos dois anos, a malha ferroviária brasileira recebeu investimentos de R$ 4,67 bilhões para a modernização do sistema e os concessionários devem manter um patamar de investimentos de R$ 5 bilhões, afirmou nesta quarta-feira (21/05) o presidente-executivo da Associação Nacional dos Transportes Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça.

“O poder de entendimento dos nossos concessionários é de que o investimento vai continuar entre R$ 5 e R$ 5,5 bilhões. É uma declaração notória de que o setor continua acreditando no que vem pela frente”, ressaltou.

Vilaça participou da Semana de Infraestrutura (L.E.T.S.), encontro organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para discutir a integração da infraestrutura.

Segundo o presidente-executivo da ANTF, o setor ferroviário gastou pelo menos R$ 3,5 bilhões por ano em concessões, arrendamento, investimentos e tributos ao longo dos últimos 16 anos.

De acordo com Vilaça, a movimentação de cargas pelas concessionárias de ferrovias foi 1,8% maior em 2013 em comparação com o ano anterior. O volume transportado também aumentou de 481 milhões de toneladas úteis para 490 milhões no mesmo período.

Os principais produtos transportados foram minério de ferro e carvão, com 75,71% da movimentação, seguidos pelo agronegócio, responsáveis por 14,86% do volume movimentado.

A produção ferroviária também aumentou, em 1,1% em 2013 contra 2012, de 297,8 bilhões de TKU (tonelada por Km útil) para 301 bilhões de TKU, respectivamente.

Cortina de fumaça

O economista Bernardo Figueiredo afirmou que não há mais dúvida entre os diversos setores econômicos e autoridades de que o país precisa de ferrovias. O que falta definir é para que o país precisa recuperar e ampliar sua malha ferroviária.

“Agora tem que discutir como fazer. Estou fazendo ferrovia para quê? Às vezes a gente começa a discutir modelos e esquece por que está fazendo”, disse.  “A gente precisa de ferrovia integrada.”

Economista Bernardo Figueiredo: "não adianta construir cortina de fumaça". Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Para Figueiredo, que foi presidente da Empresa de Planejamento Logístico (EPL) por pouco mais de um ano, “não adianta a gente construir uma cortina de fumaça cheia de estatística e valor de investimento ou ficar tentando defender. Temos que admitir o seguinte: não temos ferrovia nesse país”.

“O que a gente tem não serve. Se tirar o minério dessa estatística, não sobra nada”, completou.

Na avaliação de Figueiredo, uma licitação de ferrovia depende muito mais de um bom projeto do que a efetivação do marco regulatório.

“O que faz uma licitação andar é o marco regulatório? É também. Mas é principalmente ter um bom projeto. Esse é o gargalo que temos de superar primeiro: nossa capacidade de produzir bons projetos”, defendeu.

Expansão só em 2020


Para o presidente-executivo da Associação Nacional dos Usuários de Transporte (Anut),  Luiz Henrique Baldez, o problema do plano de investimento do Plano de Investimentos e Logística (PIL) é que a capacidade de oferta física só se dará a partir de 2020.

“Ou seja, os usuários estão entendendo que, antes de 2020, não terão a capacidade que se imagina para o novo plano de investimentos. Agora, o que fazer até lá? Ficar esperando que essa capacidade apareça?”, cobrou.

O economista Bernardo Figueiredo respondeu à provocação de Baldez citando a Ferrovia Norte-Sul e a Ferrovia Oeste-Leste que, segundo ele, devem ser entregues antes de 2020.

“Eu queria lembrar que não é banal o que a Ferrovia Norte-Sul tem de capacidade de tirar do mercado, e já vai ter efeito, e a Ferrovia Oeste-Leste também deve ficar pronta nos próximos anos”, afirmou Figueiredo.

Baldez sugeriu a adoção mais efetiva de revisão dos tetos tarifários para os usuários do setor por meio dos marcos regulatórios.

“A revisão tarifária tem de ser um processo com o qual a gente se acostume”, afirmou. “Também estou propondo que nós usuários participemos do processo de fiscalização da ANTT porque são os usuários que sabem onde o calo está doendo”, completou.

Também participou do debate sobre ferrovias o gerente de operações da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias SA, Alex Trevizan.

L.E.T.S.

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico.

O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets

Indústria se mobiliza para recuperar setor ferroviário

Agência Indusnet Fiesp 

O Centro e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp/Fiesp) reunirão, na quarta-feira (19), os principais agentes do setor ferroviário para discutir a recuperação e a ampliação da malha de trilhos, que representa 25% da matriz de transportes no Brasil.

Nos Estados Unidos e no Canadá, por exemplo, o transporte de cargas sobre trilhos chega a 46%. Outros países do Bric também saem na frente: na Índia, as ferrovias participam com 49% da movimentação de carga, taxa que atinge 81% na Rússia.

A competitividade é fator importante quando se fala em ferrovia. Para o diretor de infraestrutura do Ciesp, Julio Diaz, o transporte ferroviário pode ser até 30% mais barato que o rodoviário em alguns trechos.

“É um grande ganho de custo. É preciso que as operadoras percebam e analisem melhor a capacidade de demanda, como uma política de governo, porque os investimentos baixarão sensivelmente os custos das indústrias. E isso significa aumento de competitividade internacional e controle da inflação, porque o frete é reflexo direto no preço”, avalia Diaz.

O Ciesp e a Fiesp trarão para o 7° Seminário sobre Ferrovias o Secretário dos Transportes, Mauro Arce; o Secretário de Desenvolvimento, Luciano Almeida e operadores ferroviários para o debate com as indústrias, que garantem que há demanda suficiente para justificar investimentos no setor. Entre 1997 e 2009, após a privatização das operações, as concessionárias investiram mais de R$ 20 bilhões, enquanto o governo federal investiu pouco mais de R$ 1 bilhão nesse período.

Recuperar o atraso

Com aproximadamente 29 mil quilômetros de extensão, o setor ferroviário registra melhorias consideráveis de desempenho e produtividade desde a sua privatização, mas ainda insuficientes. O atendimento é limitado: 75% da carga transportada é de minério de ferro e carvão mineral.

Mas esse quadro pode ser melhorado com investimentos na recuperação das linhas já existentes, e extensões de ramais que atendam pequenas demandas. O ramal de Cajati, por exemplo, que liga o Vale do Ribeira ao Porto de Santos, foi abandonado por vários anos e agora ensaia sua reativação, já em andamento, atendendo a um pleito antigo do Ciesp/Fiesp.

“As concessionárias diziam que não tinha demanda. Fizemos, então, um trabalho local para mostrar que há volume suficiente para viabilizar esse projeto”, afirma Julio Diaz.

“Faltam estudos mais apurados para constatar que existe retorno em outras regiões, como a sucroalcooleira, de Piracicaba até Ribeirão Preto, e também a Grande Araraquara, produtora de suco de laranja. A recuperação das linhas já representaria um avanço muito grande no estado”, prossegue.

Transporte integrado

Além do atraso nos investimentos, o diretor lembra que o modelo de concessão realizado na época apresentava imperfeições, e impôs algumas limitações que persistem até hoje. Algumas delas:

  • A velocidade média é baixa, em torno de 30km/h, enquanto a média mundial é de 70km/h;
  • Baixa utilização da malha: pouco mais de 11 mil km com movimentação de carga com pelo menos uma viagem por dia;
  • Contornos em áreas urbanas;

Dificuldades de acesso aos portos brasileiros: somente 15% da carga destinada a Santos vai por ferrovia.

A baixa integração intermodal também é um dos entraves, mas objeto de uma segunda etapa de investimentos, na avaliação de Julio Diaz. Segundo ele, a ferrovia pode comportar grandes volumes de carga, de todos os tipos, desde que integrada a outros modais – rodoviário e até mesmo o hidroviário.

“Um vagão transporta 100 toneladas por viagem, mas pode fazer fracionado, com cargas menores, desde que possa descarregar em um terminal e seguir por caminhão. Mas para ter essa continuidade, precisamos de um complexo intermodal maduro, em uma segunda etapa. A primeira urgência é estabelecer as linhas de transporte”, conclui.

Governo federal, investidores, indústria e financiadores tratam da construção do trem-bala

Agência Indusnet Fiesp

Os principais agentes envolvidos na construção do trem de alta velocidade – que ligará Campinas/São Paulo ao Rio de Janeiro – se encontrarão, nesta quinta-feira (03/09), na sede da Fiesp, para divulgar aspectos técnicos, econômicos, financeiros e de transferência de tecnologia do projeto de implantação da linha.

O projeto que pretende unir São Paulo e Rio por trilhos e túneis será o tema de encontro que pretende provocar a interação entre governo federal, iniciativa privada, agências de fomento e investidores para debater a concessão, a segurança e a rentabilidade na construção do trem de alta velocidade (TAV).

A ideia é também discutir oportunidades do projeto para a indústria nacional e a apresentação de uma visão de potenciais interessados no TAV Brasil. A linha se estenderá por 518 quilômetros e tem custo estimado de cerca de R$ 68 milhões por quilômetro construído. O gasto total previsto é de R$ 35 bilhões.

“A implantação do trem de alta velocidade é uma iniciativa inovadora, que abre ao Brasil a oportunidade não apenas de oferecer a seus cidadãos uma nova e moderna alternativa de transporte como também à indústria nacional um novo nicho de mercado”, avalia o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Oliveira Passos, um dos participantes do seminário.

No entendimento de Passos, um dos aspectos mais importantes do projeto é a transferência de tecnologia, que terá impacto muito positivo para as empresas brasileiras, especialmente as que atuam no setor ferroviário.

O seminário contará ainda com a participação de Bernardo Figueiredo, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), e Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).