Mercado internacional de carbono busca saída para minimizar impacto de mudanças climáticas

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o International Food & Agricultural Trade Policy Council (IPC), de Washington (EUA), realizaram nesta terça-feira (26) debate com especialistas sobre a regulamentação no complexo mercado de carbono.

No painel sobre análise do ciclo de vida (LCA), também foram debatidos os investimentos externos possíveis e os efeitos das mudanças climáticas. O vice-presidente da World Wildlife Fund-WWF, Jason Clay, enfocou as cadeias de valor e carbono e defendeu o seu uso estratégico na agricultura.

Ele sinalizou que, em 2050, com a previsão de mais de 9 bilhões de pessoas vivendo no Planeta, a produtividade no setor de alimentos precisará ser duplicada, com o envolvimento dos setores privados e os governos, a fim de evitar o desabastecimento.

E adiantou: “Os setores atuantes nesse mercado devem definir, nos próximos seis meses, conceitos sobre carbono e commodities a serem revisados periodicamente, qual tipo de carbono pode ter mais valor na cadeia produtiva e sistemas de certificação, por exemplo”.

Mensuração

Clay refletiu que diante dessa nova economia é preciso saber lidar com elementos intangíveis. A forma de mensuração, nesse aspecto, é um desafio a ser superado, na avaliação do presidente do Comitê Internacional do Conselho de Gestão Florestal (FSC, na sigla em inglês) e moderador da mesa-redonda, Roberto Waack.

Ele pontuou: “A palavra-chave é convergência, em um cenário que envolve diversos atores e aspectos que tocam ideologias e a fronteira do conhecimento com grandes pressões políticas”.

O Brasil tem grande peso na agricultura global, ressaltou Kimberly Crewther, da área de Laticínios da Fonterra Cooperative Group Ltd., que abordou também aspectos relativos à segurança alimentar.

“Quando se trata de ‘pegada de carbono’ não há soluções fáceis”, observou. E acrescentou: “A aplicação de normas de LCA não é simples, mas é necessário honrar o compromisso que assumimos globalmente”.

O presidente do GIC Group, Richard Gilmore, fechou as apresentações ao tratar dos mercados de carbono, incluindo os voluntários, que têm registrado grande crescimento.

“Hoje se paga aproximadamente US$ 5 por tonelada de carbono. Mas teremos um regime em vigor para os próximos três anos, até o fim do Protocolo de Kyoto, em dezembro de 2012, e não sabemos o que virá depois”, criticou.