Serra remonta sua trajetória pessoal e política com jovens empreendedores na Fiesp

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Ex-governardor de SP, José Serra (1º à esq.), fala de sua trajetória pessoal e política durante reunião do CJE/Fiesp.

Reunido nesta terça-feira (17/04) com um grupo de 250 jovens na Fiesp, o ex-governador de São Paulo, José Serra, trouxe ao Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da entidade suas lembranças de uma vida vasta de experiências acumuladas desde quando era um garoto pobre de uma vila operária do bairro da Mooca até o Palácio dos Bandeirantes.

“Estou contente em estar aqui, pois tenho uma ligação muito forte com a Indústria. Nasci e fui criado na Mooca, o bairro que, naquele tempo, era o mais industrial de São Paulo e creio que do Brasil. Morei em uma vila de operários, então convivi com eles, com as chaminés, com o barulho das fábricas”, contou.

Serra lembrou que frequentou a escola pública e lá conviveu com filhos de imigrantes, de retirantes e todas as crianças cujos pais trabalhavam na Indústria. “Eram apenas três horas de aula por dia, mas nós aprendíamos. O ensino era de qualidade, apesar da pequena carga horária.”

Terminada a fase escolar, Serra foi estudar engenharia na Escola Politécnica, apesar de reconhecer que não tinha nenhuma vocação para ser engenheiro. “Naquela época havia basicamente três cursos: Direito, Medicina e Engenharia. Como eu era bom de matemática acabei indo para engenharia”, disse.

Foi pelo grêmio estudantil da Poli que o ex-governador iniciou sua trajetória política e logo virou presidente da União dos Estudantes (UNE) e conheceu os horrores da vida fugitiva que teve de levar a partir de 1964. “Eu estava no Rio de Janeiro quando aconteceu o golpe de 64. Aquilo foi completamente inesperado pra mim e tive de sair do Brasil para um exílio de 14 anos no exterior. Inicialmente fui pra França, depois pro Chile – onde fui preso –, segui para a Itália e, finalmente, para os EUA, de onde retornei ao Brasil em 1978.”

Receita de sucesso 

Já no Brasil, em 1978, Serra foi candidato a deputado e acabou tendo sua candidatura cassada. Virou então secretário estadual na gestão Franco Montoro. “Depois da abertura fui eleito deputado federal, senador, fui ministro do Planejamento e da Saúde na gestão Fernando Henrique Cardoso, até chegar a prefeito de São Paulo, governador do Estado e concorri duas vezes à Presidência da República.”

Serra diz ter medo de correr riscos, mas talvez menos do que seus adversários, o que pode ser sua receita de sucesso. “Normalmente, minha tolerância ao risco é mais alta do que a média das pessoas, por isso aceito os desafios que me são colocados com naturalidade.”

Quanto ao futuro do país, o ex-governador citou os três bônus que o Brasil deve aproveitar nos próximos anos: “Teremos o bônus demográfico, com mais pessoas em idade produtiva do que improdutiva; o bônus do Petróleo e o das matérias-primas. Se não aproveitarmos essas três oportunidades cruciais para o desenvolvimento do país, elas vão passar e nós ficaremos para trás.”