Compete Brasil: Fiesp deve propor ao governo desoneração para softwares BIM

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A equipe do Programa Compete Brasil, criado pelo Departamento da Indústria da Construção Civil (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), fez mais uma reunião na manhã desta sexta-feira (31/09). Em debate, os principais entraves à competitividade do setor.

Na ocasião, os membros do grupo concluíram que é necessário enviar uma proposta ao Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior (MDIC) e ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) para desoneração na compra e manutenção de softwares para implementação da tecnologia BIM [Building Information Model ou Building Information Modeling],  tipo de tecnologia que permite a construção virtual de edifícios em terceira dimensão, antes que sejam erguidos de fato.

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Desoneração das licenças e dos serviços de suporte do BIM foi um dos temas da pauta da reunião. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


O economista Fernando Garcia explicou que o valor maior de imposto para a utilização dos softwares está no serviço de suporte técnico, uma vez que estes não produzidos no Brasil. Há também a tributação de todas as medidas de faturamento na compra da licença do software.

“A desoneração é um dos itens que vai nessa questão de estender a desoneração de PIS e Cofins para serviços de suporte do BIM e criar uma lei federal que preveja a compensação de municípios que tenham perda de receita por conta desse imposto”, afirmou Garcia.

O economista acredita que seja possível propor a inclusão de softwares de BIM na lei 11.196/05, a Lei do Bem, que concede incentivos fiscais às empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica.

“Pedir a desoneração dos impostos e a criação de uma caixa de compensação em que o governo federal repasse ao município os recursos”, sugeriu Garcia.

Na avaliação do diretor titular adjunto do Deconcic e coordenador do Compete Brasil, Mario William Esper, a prioridade para avançar na desoneração de softwares para implantação de BIM é reunir informações e argumentos para defender a medida em Brasília.

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Mario William Esper, coordenador do Compete Brasil: reunir informações e argumentos para defender a medida junto ao MDIC e ao MCT. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

“Proponho fazermos uma reunião com o MDIC, procurar também o MCT. Antes será necessário reunir todas as informações e de posse disso nos reunimos em Brasília”, disse Esper.

Ele pediu aos membros do Compete Brasil a compilação das informações até o final da próxima semana.

Presente na reunião, o representante do MDIC, Marcos Otavio Bezerra Prates, orientou o grupo a procurar a Secretaria de Comércio e Serviços do ministério.

“O problema não é barreira, mas há uma regra geral para importação de softwares e tem de abrir a exceção para esse software, propor um caminho específico”, disse Prates.

Membro do programa e coordenador do Grupo de Trabalho de Segurança em Edificações do Deconcic, Valdemir Romero, apoiou a iniciativa. “Há várias oportunidades para desonerar. Não adianta reclamar e não tentar contribuir”.


Licenciamento de obras

Os representantes da construção civil e membros do programa também discutiram a implantação de um sistema integrado de licenciamento de obras, o SILO.

O consultor Sergio Leusin apresentou uma versão piloto do projeto de licenciamento de obras para o Compete Brasil.

“Até final de novembro, sistema deve estar em planejamento operacional, mas não em uso. A partir do ano que vem ele será implantado”, afirmou Leusin.

Ele explicou que todo o processo de licenciamento é integrado e pode ser acompanhado simultaneamente por todos os atores envolvidos. “A estratégia é mostrar que a ferramenta funciona e, a partir daí, obter a adesão de todos os órgãos que participam do licenciamento”.

Importados

Os membros do Compete Brasil também discutiram a proposta de criar uma cartilha que oriente empresários contra a importação de produtos de construção civil que não atendem a conformidades técnicas estabelecidas.

“Já temos a estrutura de uma cartilha. Agora, é só complementar, finalizar. Eu proponho que o Deconcic faça uma pesquisa rápida aos setores que têm interesse em participar [da elaboração da cartilha] ou em fazer um controle de produtos importados no seu segmento”, afirmou Esper.

No final da reunião, a diretora do Deconcic e da Associação Brasileira da Indústria dos Materiais de Construção (Abramat), Laura Marcellini, apresentou os avanços do Grupo de Trabalho da Construção Industrializada, um dos organismos do departamento da Fiesp, em desafios que devem ser apresentados e debatidos durante o Congresso Brasileiro de Construção, o ConstruBusiness, em dezembro deste ano.

Segundo Laura, o principal desafio a ser discutido é a isonomia tributária do setor, seguido pela inadequação dos modelos atuais de contratação no segmento.

“Os modelos existentes de contratação precisam ser revistos”, reiterou Laura.

Outro entrave que deve levado ao debate do Construbusiness, segundo a diretora, é a resistência cultural dos agentes do segmento à novas tecnologias e materiais.

Grupo de Trabalho da Fiesp avalia avanços do BIM na indústria de construção brasileira

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A indústria brasileira de construção civil precisa se reeducar para usar a tecnologia BIM [Building Information Modeling, equivalente a Modelagem da Informação da Construção], ou seja, a construção virtual de uma edificação. A opinião é do consultor Sergio Leusin.

O consultor foi um dos convidados da primeira reunião do  mais novo Grupo de Trabalho criado pelo Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Esse grupo vai tratar especificamente desse tipo de tecnologia que permite a construção virtual de edifícios em terceira dimensão, antes que eles sejam erguidos no plano real.

“Trata-se de um novo paradigma de processo de projeto. BIM é otimizar o projeto. Não vai mais existir a coisa de resolver na obra. A gente já vai ter resolvido na obra virtual. Uma das grandes vantagens do BIM é a previsibilidade que você dá para a execução da obra”, afirmou Leusin manhã desta sexta-feira (01/08).

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Deconcic criou grupo para tratar especificamente de BIM. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


No encontro, os integrantes do grupo e convidados ouviram uma análise comparativa de políticas públicas para implementação do BIM na União Europeia, apresentada pelo consultor Mohamad Kassen, da Comunidade Europeia. Já Leusin foi chamado para apresentar os avanços do Brasil no uso dessa tecnologia.

Para o consultor brasileiro, a falta de indicadores mais abrangentes sobre o setor da construção dificulta a difusão do BIM. Atualmente, o sistema é usado pela Petrobras e por construtoras JHFS e Odebrecht.

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Leusin: setor da construção precisa cobrar políticas públicas, amparo na legislação e incentivar a formação de professores. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“Temos um problema que os dados relativos a construção são muito frágeis no Brasil, só existem pesquisas e levantamentos locais”, alertou.

Para o BIM ganhar corpo no Brasil, segundo ele, o setor da construção precisa cobrar políticas públicas, amparo na legislação e incentivar a formação de professores. Outra medida importante inserção da tecnologia na grade curricular dos cursos de engenharia e áreas relativas.

“Também precisamos definir indicadores de desempenho [do setor] e acompanhar esses resultados, fomentar pesquisa e da implantação de desenvolvimento de bibliotecas de produtos [recurso do BIM amplamente usado em países como a França, Reino Unido e Holanda].


União Europeia

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Kassem: BIM cria valor e crescimento para todos os elos da cadeia da construção. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Mohamed Kassen, consultor da Comunidade Europeia, apresentou os avanços da tecnologia BIM em alguns países-membros da UE.

No Reino Unido, por exemplo, todas as obras em edifícios públicos devem adotar a plataforma BIM até 2016. Na França, o governo decidiu em março deste ano que obras públicas também devem estar sob a metodologia BIM até 2017. Já a Holanda também reconhece o BIM como um serviço regular de informação sobre edificações.

Aos representantes do setor no Brasil, Kassen reconheceu que ainda falta infraestrutura tecnológica para a implementação da metodologia em alguns países, embora acredite na tecnologia como vetor de crescimento não só da construção mas da economia do país.

“A nossa mensagem é que o BIM cria valor e crescimento para todos os elos da cadeia da construção ao melhorar a qualidade das informações. E pode também contribuir para o desenvolvimento do seu mercado local e externo”, afirmou.


Colaboração França e Brasil

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Mário William Ésper: informações a Missão Estratégica sobre BIM na França. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

No início da primeira da reunião do grupo, o diretor e coordenador do Programa Compete Brasil, do Deconcic, Mário William Ésper, trouxe informações a Missão Estratégica sobre BIM na França, organizada  pela Fiesp que contou com representantes do setor da construção civil e do governo.

Segundo Ésper, os delegados visitaram indústrias e tiveram encontros com autoridades locais. Os brasileiros ainda se reuniram com representantes do Ministério de Ecologia, Desenvolvimento Sustentável, da Habitação e da Igualdade de Territórios da França.

“A França tem as mesmas dificuldades que o Brasil e o arranjo institucional que eles adotaram é muito interessante e compatível com a nossa cultura. Foi interessante para adiantarmos nossos passos na implementação do BIM no Brasil”, contou Ésper.

A reunião do GT contou com a presença do Chefe da Seção de Estudos e Projetos da Diretoria de Obras Militares do Exército, Ten. Cel. Washington Gultenberg Lüke, e do Chefe da Seção de Informática e Sistema Opus da Diretoria de Obras Militares do Exército, Cel. Alexandre Fitzner do Nascimento, que apresentaram o estágio do Desenvolvimento das Bibliotecas BIM.

Na ocasião também foi apresentado o “Guia de Materiais”, elaborado pela AsBEA – Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura, em parceria com o SindusCon-SP – Sindicato da Industria da Construção Civil do Estado de São Paulo, o Secovi-SP – Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Adm. de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo, e a ABRAMAT – Associação Brasileira da Industria de Materiais de Construção, a Apresentação foi feita pela Diretora e Coordenadora do GT de Sustentabilidade da AsBEA – Milene Abla Scala.

Clique aqui para ler as apresentações do Grupo de Trabalho sobre BIM.

Coordenação modular dos sistemas construtivos industrializados são tema de reunião

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

O Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizou mais uma reunião do Grupo de Trabalho sobre Construção Industrializada do Programa Compete Brasil nesta terça-feira (15/07), trazendo como assuntos principais a coordenação modular e a contratação de obras com os sistemas construtivos industrializados. A coordenação do encontro foi feita pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Walter Cover.

O consultor Sérgio Leusin falou sobre a coordenação modular, com destaque para a NBR 15.873:2010. “A coordenação modular é a base para a industrialização da construção em um padrão aberto. E só a industrialização viabiliza o atendimento das necessidades de habitação do País”, defendeu.

Leusin: “Só a industrialização viabiliza o atendimento das necessidades de habitação do País”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Leusin: “Só a industrialização viabiliza o atendimento das necessidades de habitação do País”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Para Leusin, todas as normas da área da construção devem seguir essa orientação de coordenação modular. “O objetivo principal da norma é a compatibilidade dimensional entre elementos construtivos do projeto e componentes aplicados. Desse modo, conseguimos ampliar a operação entre agentes, racionalizar as medidas de fabricação, simplificar processos no canteiro de obras e aumentar o intercâmbio dos componentes construtivos.”

Apresentando sua experiência na Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), o assessor executivo da Diretoria de Assuntos Jurídicos e de Regularização Fundiária Cassiano Quevedo de Ávila falou dos entraves na utilização dos sistemas construtivos industrializados.

Ávila: resistência do mercado a novas possibilidades. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Ávila: resistência do mercado a novas possibilidades. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

“Na questão do custo, o sistema construtivo é mais caro, mas compensa porque reduz prazo e considera as questões ambientais, mas o poder público em geral, não tem capacidade de mensurar isso. Também há uma resistência do mercado, que busca manter as construções em alvenaria convencional”, disse Ávila, que também citou a capacitação e as dificuldades com as licitações.

“É preciso trazer elementos técnicos que auxiliem o poder público na contratação e conscientizar o mercado da importância dessa tecnologia porque ainda há uma resistência da população”, concluiu.

As apresentações realizadas na reunião estão disponíveis no acervo digital do Observatório da Construção.