Atividade industrial cai 2,7% no mês; Fiesp deve revisar para baixo previsão para 2014

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O desempenho da indústria paulista apresentou queda de 2,7% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal, por conta, entre outros fatores, do número menor de horas trabalhadas na produção, reflexo da realização da Copa do Mundo de futebol no país. A queda, no entanto, já era esperada uma vez que o setor manufatureiro vem apresentando um arrefecimento da atividade cada vez mais agravado, de acordo com a análise de Paulo Francini, diretor de Economia da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp)

Os números de junho são resultado do Indicador de Nível de Atividade (INA), elaborado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp.

Segundo a pesquisa, a atividade da indústria no primeiro semestre de 2014 registrou queda de 7,3%, o pior desde 2003, quando o levantamento de conjuntura da produção começou a ser feito, com exceção do ano de 2009, quando o percentual de queda chegou a 15,8%, em consequência da crise econômica mundial.

Já na comparação com o mês imediatamente anterior, o resultado mensal verificado em junho é o pior da série histórica da pesquisa, iniciada em 2001.

“É um junho ruim que acompanha o andamento ruim da indústria, o qual infelizmente deve continuar ruim durante o ano de 2014 e sem grandes novidades a vir porque as expectativas estão todas voltadas para um novo governo que haverá de tomar posse em janeiro de 2015”, afirma Francini.

Paulo Francini, diretor do Depecom/Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O dado de junho foi puxado principalmente pela perda de 5,5% no total de vendas reais da indústria e pela diminuição de 2,4% do total de horas trabalhadas na produção, em decorrência do Mundial de futebol realizado entre 12 de junho e 13 de julho.

“Porque você tem 20 dias do mês, praticamente, que coincidiram com a Copa. Estabeleceu-se um conjunto de interrupções dessa e daquela natureza em dias de jogos. Portanto, a queda do mês de junho foi influenciada por esta redução”, explica o diretor das entidades.

Atividade industrial ainda pior

A Fiesp e o Ciesp estimam que a indústria paulista deve encerrar 2014 com queda de 4,4% em seu desempenho, mas o Depecon está trabalhando na revisão para baixo dessa projeção.

“Já havíamos feito uma [estimativa] no final do ano passado, fizemos uma revisão em março e, terminado o primeiro semestre, estamos sendo obrigados a fazer mais uma revisão. E é muito provável que essa previsão de queda aumente para um número ainda desconhecido”, diz Francini. A federação deve divulgar suas novas estimativas ainda em agosto deste ano.

O diretor acredita que os resultados da economia brasileira como um todo devem continuar apresentando números  que ele classifica como “medíocres”.

Pesquisa

Segundo o INA, o desempenho da indústria caiu 3,9% no acumulado dos últimos 12 meses, na leitura sem ajuste sazonal. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) registrou ligeira queda, chegando a 79,1% em junho versus 79,3% em maio, sem efeitos sazonais.

A indústria de Artigos de Borracha e Plástico se destacou entre as perdas com uma queda de 6,1% em junho versus maio, com ajuste sazonal, abatida sobretudo pela queda de 7,6% do total de vendas reais, enquanto as horas trabalhadas na produção desse setor foram reduzidas em 1,4%.

Outra influência negativa sobre a indústria de Borracha e Plásticos é a queda da produção de veículos, a qual, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), contraiu-se em 19,2% entre maio e junho.

O segmento de Metalurgia Básica também computou queda em seu desempenho na passagem de maio para junho com uma variação negativa em 1,7%, com ajuste sazonal.

Na contramão, a indústria de Bebidas se destacou com um desempenho positivo em 2,8%, com ajuste sazonal, impulsionada pelo aumento de 3,9% do total de vendas do setor, em meio a um aquecimento da demanda por conta da realização da Copa do Mundo.

Percepção

Segundo Francini, “vai mal” a percepção geral dos empresários diante do cenário econômico no mês de julho, medida pelo Sensor Fiesp.

De acordo com o levantamento, o Sensor caiu para 45,8 pontos em julho ante 47,2 pontos em junho. Já a percepção quanto ao item Emprego mostrou melhora em julho para 46,3 pontos contra 41,4 pontos em junho.

A variável Estoque caiu de 44,5 pontos em junho para 34,5 pontos em julho, o que significa uma “piora muito significativa com o aumento de estoques”, afirma Francini.

O item Mercado também apresentou piora da confiança em julho para 47,7 pontos, ante 49,5 pontos em junho. O componente Investimento também caiu para 50 pontos em julho versus 53,6 pontos em junho.

A percepção dos empresários com relação a Vendas, no entanto, melhorou para 50,3 pontos em julho contra 46,7 pontos em junho.

Impulsionada pelo setor de Máquinas e Equipamentos, atividade industrial sobe 2,1% em janeiro

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista registrou alta de 2,1% em janeiro, com relação a dezembro de 2012, na série com ajuste sazonal. O desempenho foi estimulado pela alta de 3,3% do setor de Máquinas e Equipamentos no mês passado.

Esses dados indicam que a indústria de transformação pode estar em trajetória de melhora, conforme mostraram os números divulgados pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) nesta quinta-feira (28/02).

Segundo o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos, Paulo Francini, o bom desempenho da atividade indústria no segmento de Máquinas se configura como boa notícia para a produção e confirma o anúncio feito pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de que as consultas para investimento na indústria aumentaram nos últimos meses.

“Finalmente, Máquinas e Equipamentos começa a se mover. Há uma recuperação de investimento dando razão a expectativa do próprio BNDES, de um acréscimo importante quanto a consultas para investimento no setor”, explicou Francini. “Parece que aquilo que era consulta transformou-se em realidade de renda e de produção no mês de janeiro”, avaliou.

Dos setores analisados pela pesquisa em janeiro, o desempenho do segmento de Máquinas e Equipamentos se destacou ao registrar ganhos 3,3% na leitura mensal, considerando os efeitos sazonais, seguido por Metalurgia Básica com alta 1,3%, com ajuste. O setor de Minerais não Metálicos anotou crescimento de 0,8% na leitura mensal com ajuste sazonal.

A pesquisa de Emprego, divulgada pela Fiesp e o Ciesp na semana passada, apontou que o setor de Máquinas e Equipamentos criou  2.080 postos de trabalho em janeiro, movimento considerado por Francini como um “bom sinal”.

O diretor da Fiesp manteve os prognósticos de crescimento de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB), ganho de 2,8% para o PIB da indústria e alta de 2,3 para o INA em 2013.

“O mês de janeiro se afigura para nós como excepcional, positivamente diferente. Temos dúvida quanto a tal ímpeto de se manter, porém, de qualquer maneira, estamos numa trajetória de melhora da indústria de transformação”, afirmou o diretor da Fiesp.

Atividade industrial

Na leitura sem ajuste sazonal, o índice apresentou variação positiva de 3,7% na comparação mensal. Em comparação com janeiro de 2012, a atividade industrial durante o primeiro mês de 2013 cresceu 6,5%. No acumulado de 12 meses, o desempenho do setor manufatureiro paulista apresentou alta de 3,2%, na leitura sem ajuste sazonal, em relação ao período imediatamente anterior.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) manteve-se praticamente estável em 82,6% em janeiro, versus 82,4% em dezembro do ano passado, com ajuste. Na comparação sem ajuste sazonal, o componente também apresentou estabilidade, ficando em 80,6% contra 79,4% em dezembro.

Expectativa

A percepção geral dos empresários com relação ao cenário econômico no mês de fevereiro, medida pelo Sensor Fiesp, melhorou: 52,2 pontos contra 49,8 pontos em janeiro.

A sondagem com relação ao item Mercado também apontou uma melhora para 55,5 no mês corrente, versus 52,8 pontos em janeiro. O mesmo aconteceu com o indicador Vendas, que avançou para 52 pontos, ante 49,8 pontos no mês passado.

O indicador de Estoque ficou em 43,3 pontos em fevereiro, ante 44,4 pontos em janeiro, indicando reservas acima do desejado pela indústria. O item Emprego também se manteve estável em 50 pontos no mês corrente, contra 50,6 pontos no mês anterior.

A percepção dos empresários quanto ao Investimento apresentou forte melhora, passando de 51,5 em janeiro para 60,3 em fevereiro.  “Isso para nós é muito positivo porque significa que a indústria está com uma nova percepção e isso é o que move o seu investimento”, afirmou Francini.

Com exceção do item Estoque, resultados do Sensor acima de 50 pontos revelam expectativas positivas.

Fiesp e Ciesp divulgam Índice de Nível de Atividade da indústria referente a janeiro

 Agência Indusnet Fiesp

O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São paulo (Fiesp/Ciesp), Paulo Francini, divulgará à imprensa os resultados do Indicador de Nível de Atividade (INA), referentes ao comportamento da indústria no mês de janeiro. A coletiva será nesta quinta-feira (28/02), às 11h.

Na ocasião serão apresentados também os resultados do Sensor deste mês, que aponta a percepção dos empresários a respeito das perspectivas econômicas do período.

Serviço
Divulgação do Indicador do Nível de Atividade Industrial e Levantamento de Conjuntura (INA)
Local: Av. Paulista, 1313 – auditório do 10º andar
Data e Hora: 28 de fevereiro de 2013 – 11h

 

Atividade industrial cai 4,5% em 2012; Fiesp reavalia crescimento para 2013

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos. Foto: Júlia Moraes

A atividade da indústria paulista registrou queda de 4,5% em 2012 na comparação com 2011, mostrou nesta quinta-feira (31) o Indicador de Nível de Atividade (INA) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). A queda foi maior que o previsto pelas entidades, de -4,1%, e sugere uma revisão para baixo da estimativa de crescimento da atividade em 2013.

“A perda de vitalidade ocorrida no final de 2012 fez com que revíssemos o desempenho para 2013: antes prevíamos crescimento de 3,9%; agora acreditamos que ficará em 2,3%”, afirmou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos e Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp.

“Temos uma expectativa de que as coisas melhorem, porém, não temos clareza de como isso vai acontecer”, acrescentou o diretor do Depecon, citando informações do Banco Nacional do Desenvolvimento e Social (BNDES) sobre o aumento de consultas para investimento. “O BNDES aponta que o volume de consultas para novos investimentos cresceu bastante no segundo semestre, porém, isso ainda ocorre em um estágio prévio de ser sentido pela indústria de transformação.”

Frustração
Paulo Francini avaliou que houve no segundo semestre de 2012 uma tendência de recuperação “não vigorosa, porém ocorrendo”, mas o fraco desempenho dos últimos meses do ano passado frustraram as expectativas.

Na leitura mensal, o INA registrou quedas de 0,3% em dezembro, ante novembro, e 0,8% em novembro, versus outubro, na comparação com ajuste sazonal. Sem o ajuste, no entanto, a atividade da indústria caiu 12,7% em dezembro e 4,7% em novembro, em relação ao mês imediatamente anterior.

Atividade Indústria Nov-Dez/2012 from Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

O diretor do Depecon pondera, contudo, que as recentes medidas tomadas pelo governo da presidente Dilma Rousseff são positivas no sentido de tentar recuperar o fôlego da indústria brasileira, mas ainda não foram suficientes para revitalizar a produção.

Francini reconhece que as medidas do governo, como a redução da taxa Selic e a elevação do câmbio a um patamar mais competitivo, “objetivaram a melhoria da indústria. No entanto, os estragos anteriores causaram mais danos que os imaginados e agora estamos percebendo isso na prática”.

Segundo ele, ainda há espaço para a taxa de câmbio ser elevada a um patamar mais confortável para a produção nacional. “O governo também tem essa sensação, mas a discussão é sobre qual o momento de fazer o reajuste. Tomara que isso ocorra em 2013”.

Atividade
Segundo o levantamento de conjuntura da Fiesp e do Fiesp, a queda do indicador em 2012 na comparação com 2011 foi acompanhada por perdas de 3,5% no item Horas Trabalhadas na Produção, 3,3% em Horas Médias Trabalhadas e 0,7% no Total de Horas Pagas.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) manteve-se praticamente estável em 82% em dezembro, versus 81,7% em novembro do ano passado, na leitura com ajuste sazonal. Sem ajuste, o componente apresentou ligeira queda de 82,8% em novembro, versus 79,6% em dezembro.

Na comparação de dezembro com novembro, a atividade industrial nos setores de Produtos Têxteis, de Veículos Automotores, de Celulose, Papel e Produtos de Papel e de Produtos Químicos, Petroquímicos e Farmacêuticos apontaram ganhos de 7,4%, 1,3%, 0,3% e 4,3%, respectivamente.

Já na leitura de novembro ante outubro, os quatro segmentos apresentaram queda. A atividade no grupo Produtos Têxteis caiu 1,8% no mês, enquanto o item Veículos Automotores diminuiu 2,8%. O segmento de Celulose, Papel e Produtos de Papel registrou variação negativa de 0,2% em novembro, enquanto a atividade em Produtos Químicos, Petroquímicos e Farmacêuticos anotou baixa de 2,5%.

Expectativa
A percepção geral dos empresários com relação ao cenário econômico no mês de janeiro, medida pelo Sensor Fiesp, melhorou: 49,8 pontos, contra 45 pontos em dezembro.

A sondagem com relação ao item Mercado também apresentou uma melhora de cinco pontos e chegou a 52,8 pontos, versus 47,2 pontos em dezembro. O mesmo aconteceu com o indicador Vendas, que subiu de 38,9 pontos no mês passado para atuais 49,8 pontos.

Sensor Janeiro/2013 from Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

O indicador de Estoque caiu para 44,4 pontos em janeiro, ante 45,7 pontos em dezembro, enquanto o Emprego subiu para 50,6 no mês corrente, contra 44,8 pontos no mês anterior.

A percepção dos empresários quanto ao Investimento também apresentou melhora, passando de 48,4 em dezembro para 51,5 em janeiro.
Com exceção do item Estoque, resultados do Sensor acima de 50 pontos revelam expectativas positivas.

Puxada pelo automotivo, atividade industrial cai 0,7% em setembro

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista recuou 0,7% em setembro sobre agosto, na série com ajuste sazonal. Sem o ajuste, o índice caiu 2,6% na comparação com o mês anterior, puxado principalmente pela queda de 6,2% na produção do setor automotivo.

Na leitura com ajuste sazonal, o segmento de Veículos Automotores apresentou em setembro a maior queda experimentada pelo índice desde dezembro de 2008, quando o indicador caiu 47,6%.

“A indústria automobilística está sentindo certa dificuldade, expressa até pelo acúmulo de estoques”, afirmou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp. “É um setor que já está passando por um processo relativamente forte de ajuste.”

Os números foram divulgados na manhã desta quinta-feira (27) pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp). E, segundo Francini, o INA deve fechar o ano de 2011 com taxa de 2,0%, “com algumas chances de ser ligeiramente inferior”.

INA – Setembro de 2011

Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP 

 

No acumulado de 12 meses, o nível de atividade da indústria fechou com variação positiva de 2,6%. De janeiro a setembro de 2011, o índice acumula variação de 2,3% em relação ao mesmo período de 2010.

“Então se percebe mais claramente como é que o ano de 2011 está sendo frágil. A taxa do acumulado até setembro só encontra paralelo para trás – com exceção do ano da crise de 2009 – nos 2,7% registrados em 2006. Ou seja, é um resultado ruim comparativamente aos outros anos da série histórica”, explicou o diretor.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) recuou na série com ajuste sazonal, de 82,5% em agosto para 82,0% em setembro. Sem ajuste sazonal, o indicador fechou setembro em 83,6% versus 84,1% de agosto deste ano, e 83,7 em setembro do ano anterior. “O Nuci continua estacionado. No mês de setembro destaca-se a queda de 1,0% nas horas trabalhadas, ou seja, a produção não foi satisfatória.”

Setores

Além do componente Veículos Automotores, dos setores avaliados pela pesquisa, destaca-se a queda no setor de Produtos Minerais Não-Metálicos, termômetro para a atividade de construção civil, com declínio de 0,1% sobre agosto, na série com ajuste sazonal.

O segmento de Máquinas e Equipamentos recuou 1,0% em setembro, na série dessazonalizada, abatido pela forte deterioração da confiança do empresário industrial nos últimos meses, percepção a qual o segmento apresenta sensibilidade. “É um setor que volta a nos preocupar.”

Expectativa

Pesquisa Sensor – outubro de 2011

Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP 

 

A percepção dos empresários com relação ao cenário econômico no mês corrente, medida pelo Sensor Fiesp, ficou em 48,6 em outubro contra 48,9 em setembro. A apuração deste mês registrou estoque a 45,6 pontos ante 38,1 no mês anterior. No levantamento, a marca acima de 50 pontos indica crescimento. No caso dos estoques, valor abaixo de 50 aponta excesso de estoques.

“O sensor não está dizendo que lá na frente está vindo sol, como não também não está anunciando uma enorme tempestade, mas vem, pelo menos, uma garoa leve”, comentou Francini.

Crise

Francini reafirmou a perspectiva de redução do ritmo de crescimento para a economia brasileira. Já a estimativa de crescimento de 3,3% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2011 é efeito do agravamento da crise financeira mundial. “O PIB que se projeta para 2011 será um PIB que convive em um mundo com a situação econômica não confortável.”

Segundo ele, as perspectivas para a economia brasileira não estão claras, bem como os prognósticos para as demais economias do mundo. “Nós não somos exceção.”

Atividade industrial surpreende e sobe 0,8% em agosto

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista cresceu 0,8% em agosto sobre julho, na série com ajuste sazonal. Sem o ajuste, o índice avançou 6,1% na comparação com o mês anterior, informou nesta quinta-feira (29) Walter Sacca, diretor-titular-adjunto do Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon) da Fiesp.

“Em agosto nós apresentamos um crescimento contrariando o que falamos no mês passado: que não esperávamos coisa muito brilhante na evolução do INA para esse mês”, afirmou Sacca, embora tenha mantido perspectiva de acomodação da atividade até o fim de 2011.

O destaque foi a alta de 2,6% do componente de vendas reais. Entre janeiro de 2010 e agosto de 2011, o item mostrou um incremento de 14,5%. Os motivos de crescimento das vendas, no entanto, podem ser o aumento da participação da produção importada no movimento de vendas domésticas.

“Há bastante força na suposição de que essa exuberância de mercado não tenha uma ligação muito grande com a exuberância da produção industrial, mas sim tenha um componente de produtos importados maior do que havia no passado”, explicou Sacca.

INA Agosto de 2011

Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

 

No acumulado de 12 meses, o nível de atividade da indústria sem ajuste sazonal foi de 3,1%. De janeiro a agosto de 2011, o índice acumula variação positiva de 2,6% em relação ao mesmo período de 2010 sem ajuste sazonal.

Apesar da melhora, a expectativa para o final de 2011 continua sendo de perda de ritmo da produção. “A gente mantém um quadro de perspectiva de arrefecimento na atividade industrial no final desse ano”, afirmou Sacca, acrescentando que depois da recuperação no desempenho acumulado, “não há muito brilho.”

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) registrou ligeira alta na série livre de influência sazonal, de 83% em julho para 84,1% em agosto. Na comparação com agosto do ano passado, o componente se manteve praticamente estável.

Dos setores avaliados pela pesquisa, destacam-se os ganhos em:

  • Metalurgia básica, com expansão de 1,2% sobre julho com ajuste sazonal, embora o resultado não seja capaz de compensar a queda de 4,8% acumulada pelo indicador ente junho e julho;
  • Produtos minerais não metálicos, com aumento de 1,5% em agosto contra julho com ajuste sazonal.

 

No universo das quedas, o componente de celulose, papel e produção de papel registrou baixa de 0,9% em agosto versus julho com ajuste sazonal.

Expectativa

Pesquisa Sensor Setembro de 2011

Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

 

A percepção dos empresários com relação ao cenário econômico em setembro, medida pelo Sensor Fiesp, ficou em 48,9 em setembro contra 48,5 em agosto. Abaixo de 50, a medição indica uma tendência negativa. “Mas tem estabilidade porque no mês passado já estava abaixo dessa pontuação”, reforçou Sacca.

A apuração de setembro registrou estoque a 38,1 pontos ante 42,9 no mês anterior, sugerindo acumulo das reservas. Este é o pior nível desde o abril de 2009, quando chegou a 34,7.

Câmbio

Walter Sacca avalia que o atual patamar do dólar trará mais ganhos do que perdas para a indústria no longo prazo. “Infelizmente tudo na vida tem um lado positivo e um lado negativo. Dentro do panorama da macroeconomia e dentro do dinamismo do mercado global, todas as mudanças bruscas podem deixar algum respingo negativo, mas os efeitos de médio e longo prazo sem dúvida deverão ser muito mais positivos para a indústria de transformação.”

Atividade industrial tem crescimento leve de 0,3% em julho

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista registrou crescimento leve de 0,3% em julho sobre junho, na série com ajuste sazonal. Sem o ajuste, o índice foi de 0,6% na comparação com o mês anterior.

Apesar do aumento, o resultado não compensa a queda observada em junho, como também não altera o quadro de letargia que a atividade industrial paulista vem apresentando desde março de 2011.

Segundo o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini, o relatório apresenta “mais do mesmo”. “Isso porque o que se ganha em um mês, perde-se no outro e fica tudo praticamente no zero”, explicou. “O resultado de 0,6% é medíocre. É o pior valor de julho dos últimos tempos. Apenas em 2006 é possível encontrar um paralelo.”

No acumulado de 12 meses, o nível de atividade da indústria foi de 3,5%. De janeiro a julho de 2011, o índice acumula variação positiva de 2,5% em relação ao mesmo período de 2010.

INA – Julho 2011

Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

 

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) registrou aumento de 0,5% se comparado ao mês anterior, saltando de 83 para 83,1, com ajuste sazonal. Já as Vendas Reais e as Horas Trabalhadas na Produção apresentaram queda de 0,3%, na mesma base de comparação.

Dos setores avaliados pela pesquisa, destacam-se ganhos em:

  • Fabricação de artigos de borracha e plástico, com avanço de 1,6% sobre junho, em termos ajustados;
  • Máquinas, Aparelhos e Materiais elétricos, com aumento de 0,6% na comparação de julho contra junho.

 

Entretanto, Francini destacou que a situação do setor de Máquinas é de alerta. “O índice não está ruim, mas se olharmos atentamente, veremos que o andar do setor é de estável, para baixo”, analisou.

O setor de Celulose, Papel e Produtos de papel apresentou variação negativa de 0,6% na leitura mensal. “[Este] setor está em queda anunciada”, advertiu o diretor do Depecon. “Seu desempenho encontra-se abaixo do INA.”

Confiança em queda

Outro índice em queda é a confiança dos empresários paulistas em relação ao cenário econômico no mês de agosto. Dados da pesquisa Sensor Fiesp apontam queda de aproximadamente quatro pontos em relação ao mesmo período de julho. Este mês o indicador fechou em 47,3 contra 51 do mês anterior, valor mais baixo desde dezembro de 2010.

“O Sensor está dizendo que vem tempo ruim à frente”, avisou Francini. Uma vez que o mês de agosto coincide com um dos picos anuais da atividade industrial, é comum ter neste mês uma excitação maior em relação ao cenário econômico nacional. “Portanto, ao pegar essa percepção negativa eu diria que o sinal de alerta está no amarelo.”

Os itens vendas e mercado também recuaram, para 45,2 (versus 52,1 em junho) e 48,6 (versus 51,7 em junho), respectivamente. O estoque apontou 42,5 pontos versus 49,7 no mês anterior, sugerindo uma acomodação da produção.

Pesquisa Sensor – Ago/11

Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

 

Indústria de Transformação

O diretor do Depecon também alertou para a situação da Indústria de Transformação no País. Para ele, as pessoas às vezes têm uma dificuldade natural em reconhecer que existem adversidades no setor enquanto a economia apresenta sinais positivos, principalmente em relação ao número de empregos e crescimento de renda.

“Na verdade, só se entende essa dicotomia ao perceber que existe um fator externo, agressor, que tira da indústria de transformação doméstica o benefício de usufruir da boa condição econômica que os cidadãos sentem com o aumento de emprego e renda”, afirmou referindo-se às importações. “Enxergamos que esse tipo de comportamento não é benéfico para o País, uma vez que faz perder a vitalidade do setor que é, exatamente, o maior gerador de riquezas e empregos qualificados: a indústria de transformação.”

Francini também alertou que a estimativa de geração de empregos para o segundo semestre deste ano não é otimista. “Ela tende a bater em zero, e não seria uma grande surpresa se ingressasse no campo negativo, ou seja, de redução no número de empregos na indústria de transformação”, concluiu.

Aumento da atividade industrial é modesto

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

Embora tenha mostrado variação positiva, o Índice de Nível Atividade (INA) vem perdendo força, e a trajetória indica que esta queda deverá acentuar-se nos próximos meses. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (29) pelo diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini.

O INA da indústria paulista registrou crescimento de 1% em maio sobre abril (-0,4), na série com ajuste sazonal. Sem o ajuste, o índice avançou 8,8%. “A variação de crescimento é bem modesta, que mostra perda de vigor se compararmos com os últimos doze meses”, afirmou.

De acordo com Francini, o comportamento da economia brasileira no final do ano passado já não demonstrava “pujança” e, a partir do primeiro trimestre deste ano, começaram surgir indícios de pressão inflacionária.

O diretor explicou que a indústria sofre dois efeitos no combate contra a inflação: a redução da atividade econômica, que por si só já reflete na atividade industrial; e a situação cambial deixada de lado, com uma taxa extremamente agressiva à indústria.

INA – Maio 2011

Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

 

Perspectiva

No acumulado de 12 meses, o nível de atividade da indústria sem ajuste sazonal foi de 4,7%. Na comparação de janeiro a maio de 2010 contra o mesmo período deste ano, o índice é de 3,4%, sem ajuste sazonal.

“Este não será um ano fácil para a indústria”, prevê Francini. Há previsão de crescimento de 4% da economia brasileira, enquanto a indústria deverá crescer apenas 3%. “Olhamos com certa perplexidade para estas nuvens ameaçadoras no destino da indústria”, comentou.

Mesmo ganhando destaque entre os setores nesta medição, o setor de Celulose, Papel e Produtos de Papel “não terá um desempenho brilhante ao longo do ano”, segundo o diretor. Isso porque a variação de positiva de 4,3% em maio contra abril, com ajuste, reflete a boa performance de apenas um mês.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) teve ligeira alta no mês, passando de 82,2% em abril para 83,9% em maio, na série livre de influência sazonal. Entre as variáveis do levantamento, destaque para o total de vendas nominais no período (+4,2% com ajuste).

Expectativa

A percepção dos empresários com relação ao cenário econômico no mês corrente, medida pelo Sensor Fiesp, caiu quase um ponto em junho e ficou em 50,3. “É um dos mais lineares, em que os itens aparecem próximos à neutralidade”, afirmou Paulo Francini.

A apuração deste mês registrou queda na maioria dos itens: mercado (51,2), vendas (50,5) e investimentos (50,2). Apenas os itens estoque e emprego subiram, respectivamente, de 44,3 para 47,8; e de 50,7 para 51,6. “Tudo está perto da estabilidade”, concluiu.

Pesquisa Sensor – Jun/11

Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

Álcool sustenta atividade industrial paulista em abril

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista registrou crescimento de 0,6% em abril sobre março, na série com ajuste sazonal. Sem o ajuste, o índice apontou recuo de 2,2%, considerado normal para o período. O levantamento foi divulgado nesta sexta-feira (27) pela Fiesp e o Ciesp.

Na avaliação de Walter Sacca, diretor-adjunto de Economia das entidades, o resultado veio dentro do esperado mas se deveu, em parte, à performance do setor ligado à produção de álcool, por conta da antecipação da safra.

“O INA deste mês foi sustentado pelo álcool, já que outros setores que também vinham bem, como metalurgia básica e veículos automotores, dão sinais de desaceleração”, afirmou Sacca.

Indicador de Nível de Atividade (INA) – Abril 2011

Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

 

Comparativo

O desempenho de janeiro a abril deste ano é 4% maior do que o registrado no mesmo período de 2010, porém um pouco abaixo da média de anos anteriores.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) teve ligeira queda no mês: 82,3% contra 83% na última medição, na série livre de influência sazonal. Entre as variáveis do levantamento, destaque para o total de vendas reais: alta de 3,1% contra março e de 10,8% sobre abril de 2010.

Dos setores avaliados pela pesquisa, destacam-se:

  • Coque, Refino de Petróleo, Combustível Nuclear e Produtos de Álcool, com crescimento de 0,7% sobre março, em termos ajustados. Em boa performance, as vendas reais do setor dobraram em um mês devido à antecipação da safra;
  • Produtos Químicos, Petroquímicos e Farmacêuticos, com recuo de 0,3% no mês, indício de atenuada no ritmo de crescimento. O segmento sofre com a participação dos importados, que atingiu um terço do total de vendas;
  • Metalurgia Básica, que ficou estável na passagem mensal e tende a se acomodar em patamar inferior ao pré-crise.

 

Indicador de Nível de Atividade (INA) – Abril 2011

Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

 

Expectativa

A percepção dos empresários com relação ao cenário econômico no mês corrente, medida pelo Sensor Fiesp, caiu mais de três pontos em maio e ficou em 51,1, ainda acima do ponto considerado neutro.

A apuração deste mês registrou baixa nos itens mercado (54,6), vendas (50,7) e emprego (48,9), além do estoque excessivo (44,3). Apenas a expectativa para investimentos subiu no período, de 54,3 para 57,1 pontos.

Para Walter Sacca, a queda generalizada no indicador pode indicar um otimismo mais tímido por parte do empresariado e tendência de arrefecimento da atividade produtiva. Mas o diretor disse ser precipitado traçar um quadro mais conclusivo. A Fiesp mantém a previsão de 3,5% para o INA em 2011.

Sem revelar tendência, atividade industrial paulista se mantém estável em março

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista mostrou estabilidade no setor em março, com variação de 0,2% sobre fevereiro, na série livre de influência sazonal. Sem o ajuste, o índice apontou alta de 7%, com forte influência do total de vendas reais (+1,9%) na apuração mensal. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (28) pela Fiesp e o Ciesp.

O mês de março costuma ser forte em sua variação histórica, geralmente com crescimentos na margem acima de 10%. Mas Paulo Francini, diretor de Economia das entidades, não encara o fraco desempenho como uma decepção. Segundo ele, o resultado ainda reflete o “efeito Carnaval” – a festa, tradicionalmente em fevereiro, não calhava em março desde 2003.

“O que o mês de fevereiro ganhou por conta desse adiamento, foi perdido em março. Mas esse efeito deve ser eliminado na soma do trimestre”, avaliou Francini. A compensação fica evidente quando se comparam os períodos – no total do ano, o indicador avançou 1,7% sobre os três últimos meses de 2010.

Já em relação ao primeiro trimestre de 2010, o desempenho subiu 4,4%. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) teve ligeira queda em março – 83,2% contra 83,6% na última medição, em fevereiro, na série com ajuste sazonal.

Entre os setores avaliados pela pesquisa, destacam-se:

  • Máquinas e Equipamentos, com crescimento de 3,6% sobre fevereiro, em termos ajustados;
  • Artigos de Borracha e Plástico, com alta de 0,6%. A variação acima da média da indústria reflete a recuperação de pneumáticos voltados à fabricação de caminhões;
  • Veículos Automotores, que computou queda de 2,6% no período. O setor é diretamente impactado pelas medidas macroprudenciais do Banco Central, que interferiram no crédito de longo prazo. A média diária das concessões de crédito para compra de veículos (pessoa física) caiu 32,7% em março, contra novembro de 2010.

Expectativa

A percepção dos empresários com relação ao cenário econômico, medida pelo Sensor Fiesp, caiu dois pontos em abril: 54,9 contra 56,9 registrados na medição anterior.

A projeção para vendas teve a maior queda desta apuração, de 61,5 para 52,6 pontos. Estoque (53,5) e investimentos (54,6) também caíram mais de três pontos na expectativa dos empresários. Já o item mercado ficou estável em 60,6, e a pontuação para o emprego foi a única a crescer, de 47,7 para 53,8.

Para Paulo Francini, as quedas podem significar que o ímpeto de crescimento do setor está se aquietando, mas ainda não fornecem sinal claro de tendência. A Fiesp mantém a previsão de 3,5% para o INA em 2010.

Sem “brilhantismo”, indústria abre 16.500 vagas em março

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

A indústria paulista gerou 16.500 empregos no último mês de março, uma alta de 0,65% sobre fevereiro, mas não vem atuando com o mesmo ímpeto de anos anteriores. Esse efeito aparece quando se considera o dado livre de efeitos sazonais, que indicou queda de 0,19% no mês, segundo os números divulgados nesta quinta-feira (14) pela Fiesp e o Ciesp.

Na avaliação de Paulo Francini, diretor de Economia das entidades, o emprego no setor de transformação já não mostra o desempenho com o “brilhantismo” de outros anos, o que já havia sido alertado pelo Sensor Fiesp. A última apuração do indicador, em março, que mede a expectativa do empresariado no mês corrente, mostrava pontuação abaixo do que é considerado o ponto neutro (47 pontos).

“O Sensor já nos avisava que o emprego, na sua evolução, não ia bem. E o resultado apurado em março confirmou essa expectativa”, disse Francini.

“Não é nenhuma tragédia, mas nem euforia. O fato é que o emprego está mais aquietado, andando de lado assim como a indústria de transformação”, definiu. A indústria paulista criou 50.500 vagas no ano, 2% sobre o mesmo período de 2010.

Cenário

Segundo Francini, o cenário é instável porque as situações adversas continuam presentes, principalmente a agressividade da taxa de câmbio (atualmente o dólar opera abaixo de R$ 1,60). Para ele, esse fator dificulta a manutenção da estrutura industrial, que “vai se esburacando”.

“O setor está um tanto acuado pela produção importada. E não temos à vista grandes mudanças que possam alterar essa condição no curto prazo”, avaliou.

Açúcar e álcool

As atividades ligadas à produção de açúcar e álcool foram responsáveis pela maior parte dos empregos gerados em março – 9.600 do total, com participação de 58,6%.

Mas o desempenho também já não é o mesmo de anos anteriores. A taxa de geração de empregos do setor neste primeiro trimestre foi de 14,1%, variação que esteve acima de 20% nos últimos cinco anos, com exceção de 2009, quando sofria os efeitos da crise financeira.

Paulo Francini explica que a criação de postos de trabalho no segmento sucroalcooleiro está sendo prejudicada pela pequena expansão de área plantada em 2011 – cerca de 3%, contra média de 10% antes da crise. “O setor está se aprumando. Vai se ajeitar, mas demora um tempo”, garantiu.

Setores e regiões

Das atividades analisadas pela pesquisa, 12 tiveram comportamento positivo, sete ficaram negativas e três estáveis. Fabricação de Coque, Petróleo e Biocombustíveis concentrou a maior expansão, com 5,7%. Em seguida, vieram os setores de Produtos Alimentícios (2,7%) e Bebidas (1,4%). Os setores que registraram queda foram Couro, Artigos de Viagem e Calçados (-1,6%) e Produtos de Madeira (-1,3%).

Entre as Diretorias Regionais do Ciesp, 23 computaram alta no quadro de funcionários em março, entre elas, Araçatuba (4,49%), Sertãozinho (2,91%) e Botucatu (2,85%). Já as três regiões que registraram as maiores baixas foram Santo André (-2,30%), Diadema (-0,66%) e Mogi das Cruzes (-0,59%).

Indústria de SP começa o ano com 15.500 novos empregos

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

O ano começou bem para a indústria de São Paulo. Em janeiro, o setor de transformação abriu 15.500 postos de trabalho, uma variação de 0,61% sobre dezembro de 2010, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (10) pela Fiesp e o Ciesp.

Na série com ajuste sazonal, a taxa também foi positiva (0,44%), o que indica um comportamento normal para o mês diante da série histórica. Em relação a janeiro de 2010, a indústria paulista computou 118.500 vagas a mais (+4,88%).

“A pesquisa Sensor nos indicava uma redução de ímpeto na geração de emprego, mas isso ainda não aconteceu. Foi um resultado sem grandes emoções em janeiro”, avaliou Paulo Francini, diretor de Economia da Fiesp/Ciesp.

No mês passado, a pontuação do item emprego recuou no Sensor Fiesp, indicador que capta a expectativa dos empresários, e atingiu a zona neutra (50,1) – nem otimismo, nem pessimismo.

Segundo Francini, as recentes medidas adotadas pelo governo com a intenção de arrefecer a atividade econômica e segurar a inflação, como a elevação da taxa básica de juros e o corte orçamentário, contribuem para a indefinição quanto ao futuro da indústria.

“Os cenários ainda estão em constituição. Quando se joga muito tempero e se quer saber o que vai dar, só experimentando depois”, definiu. Francini acredita que o índice deverá seguir em expansão no primeiro trimestre do ano, mas tenderá a se acomodar depois.

Setores e regiões

Após as demissões promovidas nas usinas de açúcar e álcool em dezembro – mais de 24 mil, em função da entressafra –, o setor voltou a contratar em janeiro, quando o campo começa a encher para o plantio. Foram admitidos 1.500 trabalhadores no mês. Outras 14 mil vagas foram ocupadas nos demais setores da indústria.

No primeiro mês do ano, 15 atividades produtivas analisadas pela pesquisa tiveram comportamento positivo na geração de emprego. O segmento de Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos respondeu pela abertura de 2,5% das vagas de trabalho. Na sequência, vieram Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos (1,9%) e Produtos Alimentícios (1,4%).

Cinco setores mais demitiram do que contrataram em janeiro. Os principais foram: Fabricação de Coque, Petróleo e Biocombustíveis (-3,0%), Couro e Artefatos, Artigos de Viagem e Calçados (-1,3%) e Vestuário e Acessórios (-0,5%).

Quanto ao comportamento das Diretorias Regionais do Ciesp, também a maioria (24) computou alta no quadro de funcionários em janeiro, entre elas, Araraquara (4,06%), São Carlos (3,93%) e Sertãozinho (3,62%). Uma ficou estável e 11 diretorias registraram baixas, destaques para Matão (-2,55%), Franca (-1,91%) e Jacareí (-1,37%).

Indústria paulista cresce em outubro, mas alerta para o aumento das importações

Rose Matuck, Agência Indusnet Fiesp

Após recuo em setembro (-0,4%), o INA registrou em outubro aumento de 0,5% com ajuste sazonal. Sem o ajuste, o índice recuou em -0,1%. No acumulado do ano, a expansão é de 11%. Já no acumulado de 12 meses, o crescimento é de 10,8%.

De acordo com diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini, o resultado de outubro não surpreendeu.

“Foi positivo e razoável. A indústria de transformação teve uma bela recuperação e 2010 há de ser lembrado como um bom ano para a indústria de São Paulo. No entanto, estamos muito preocupados com a penetração dos produtos importados, o que ocasiona uma dificuldade crescente da produção doméstica em manter-se competitiva”, afirmou.

Segundo Francini, novembro, assim como dezembro deverão crescer 5%, fechando o ano com uma expansão de 10%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (30), pela Fiesp e pelo Ciesp.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) ficou em 82,8% com ajuste sazonal, contra 82,2% em setembro. Para Francini, o resultado demonstra que a Nuci está numa zona de conforto.

Segmentos

Entre os setores que apresentaram crescimento estão Máquinas e Equipamentos, com alta de 0,3%, e Produtos Químicos e Farmacêuticos com avanço de 0,4%. “O que nos preocupa nesses setores é o andar da carruagem no que se refere às importações”, avaliou o diretor do Depecon.

Já entre os que tiveram baixas, destaque para Celulose, papel e produtos de papel, com decréscimo de 1,5%. “Essa queda do setor é pontual e casual. A recuperação se dará em novembro.”

Sensor preocupa empresariado

Pela primeira vez, desde junho de 2009, o Sensor registrou o seu pior resultado, 51,2 pontos. Também foram registradas quedas significativas nos itens vendas e mercado.

O Sensor geral caiu neste mês: de 52,6 para 51,2 pontos na passagem mensal. Já o item Vendas também registrou queda passando de 51,8 pontos em outubro para 48,3 em novembro. O efeito contrário foi sentido em Emprego, com ligeira alta: 56,1 contra 54,4 pontos na medição anterior.

O Estoque ficou praticamente estável, com 45 pontos. Em contrapartida, o item Mercado apresentou queda expressiva, passando de 52,1 para 46,7 pontos. O item Investimento ficou mantido em 59,8.

Para Francini os resultados do Sensor preocupam. “Pela primeira vez, o Sensor nos dá uma perspectiva pior e indica preocupação das empresas num cenário futuro. Nossa bola de cristal está opaca”, concluiu.

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Ano de 2010 está ganho para a indústria paulista

Mariana Ribeiro e Rose Matuck, Agência Indusnet Fiesp

O ano de 2010 está ganho para a indústria paulista. A taxa de crescimento, que deve encerrar o período entre 10% e 11% sobre o ano passado, está ancorada na expansão dos principais fatores indutores da demanda: emprego, renda e crédito.

Mas algumas incertezas já começam a se armar para o futuro da indústria brasileira, que passa por uma situação de risco evidente com relação à competição internacional.

O cenário foi traçado pelo diretor de Economia da Fiesp/Ciesp, Paulo Francini, que apresentou nesta quinta-feira (28) os dados do Indicador de Nível de Atividade – que recuou 0,1% em setembro, com ajuste sazonal, índice considerado estável e normal para o mês, de acordo com a série histórica da pesquisa.

Apesar do bom momento da atividade industrial, o setor assiste a um crescimento vigoroso das importações, que têm absorvido parte do crescimento da demanda interna.

“Desde 1994, não vemos um aumento de importações semelhante ao que está ocorrendo hoje no Brasil. A demanda está crescendo a uma taxa superior à produção doméstica, então parte dela é atendida pelos produtos importados”, assinalou Paulo Francini.

Segundo ele, há espaço para a indústria produzir mais. “O setor como um todo está folgado, cumprindo a produção. Certamente o INA seria maior este ano não fosse a fatia ocupada pelos importados. Temos capacidade para isso”, atestou.

Guerra cambial

Basicamente são três as circunstâncias que, somadas, levam à substituição da produção doméstica pela importada. A rota de expansão da demanda interna faz do mercado brasileiro um “prato apetitoso”, como chamou Francini, para a entrada de produtos estrangeiros.

A disputa de mercados com boa demanda e bom estágio de crescimento, principalmente com o arrefecimento do comércio mundial após a crise, está diretamente relacionada ao fator câmbio. O real sobrevalorizado frente à subvalorizada moeda da China, por exemplo, acaba favorecendo as exportações do país asiático.

“A questão da guerra cambial está colocada para o mundo, e não sabemos onde isso vai terminar. Nunca houve uma situação de risco tão evidente para a indústria brasileira, que trava uma batalha frente a frente com a competição internacional”, alertou Francini.

Desindustrialização

A participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB), que já chegou a 27%, hoje está em 15%. Para o diretor de Economia da Fiesp, há uma trajetória clara de desindustrialização no Brasil – dada a perda relativa de participação da atividade industrial de manufaturas na formação do PIB e na geração de empregos. Na China, este índice está em torno de 40%.

“O Brasil está numa rota perigosa de queda da participação da indústria na economia. A questão é saber para onde vão os 15% – corremos o risco de cair para 13%, 12%, ou até 10%”, frisou.

Para Francini, fazer esse índice voltar a crescer deve ser uma das obrigações do próximo governo. “É grande a arrumação que tem de ser feita, e ela passa pela questão fiscal, a taxa de juros, e a decorrente taxa de câmbio. Não existe solução única para o câmbio”, reforçou.

Números do INA

Sem ajuste sazonal, o indicador recuou 0,4% em setembro sobre agosto. No acumulado do ano, a alta atinge 12%, o que garante o segundo melhor resultado da série desde 2003, nesta base de comparação.

As horas trabalhadas na produção e as vendas reais também tiveram aumento em setembro, de 0,2% e 1,2%, respectivamente. No entanto, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) registrou retração de 0,8% passando de 82,5% em agosto, para 81,9% no último mês.

Segmentos

Entre os setores que apresentaram crescimento em setembro estão Móveis e Indústrias diversas, com alta de 1,8%, e Veículos Automotores (0,6%). Já entre os que tiveram baixas, destaque para Metalurgia Básica, com decréscimo de 4,1%.

Olhar do empresário

A pesquisa Sensor – que aponta a perspectiva dos empresários em relação ao cenário econômico do mês corrente – mostra que a atividade paulista, mesmo com ritmo mais lento, mantém sua trajetória de crescimento.

O Sensor geral caiu neste mês: de 53,7 para 52,6 pontos na passagem mensal. Já o item Vendas registrou pequena elevação passando de 50,9 pontos em setembro para 51,8 em outubro. O mesmo efeito foi sentido em Emprego, com ligeira alta: 54,4 pontos contra 53,9 na medição anterior.

O Estoque continua alto, com 45,1 pontos. Em contrapartida, o item Mercado apresentou queda expressiva, passando de 55,9 para 52,1 pontos atuais. O recuo também foi sentido no item Investimentos, ficando com 59,7 pontos contra 61 em comparação ao mês passado.

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