Senai-SP Superação: ‘Me sinto realizado ao ver os meus alunos fazendo sucesso’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A cada caminhão de areia carregado com a ajuda da enxada, crescia a vontade de mudar de vida. Aos 17 anos, ele já sabia até como isso seria feito: fazendo a matrícula em algum curso do Senai-SP em Lençóis Paulista. A questão era conseguir levar o plano adiante sem comprometer as finanças da família, que dependiam do seu trabalho para fechar as contas da casa. A solução veio quando a mãe se ofereceu para ficar no seu lugar durante um turno, de modo que ele pudesse estudar. E assim foi feita a matrícula no curso de Desenho Técnico Mecânico que há tempos estava no radar do hoje instrutor de Formação Profissional do Senai-SP em Bauru, Alessandro Junior Bento.

“Comecei a trabalhar com o meu pai aos 11 anos”, diz Bento. “Nessa época, um amigo do colégio me falava muito do Senai, por isso eu sempre quis estudar lá”.

Assim, ele não perdeu tempo quando a mãe se ofereceu para encher o caminhão de areia em seu lugar todos os dias, na primeira viagem da manhã. “Quando ela chegava em casa, eu já tinha voltado e estava com o almoço pronto”.

O passo seguinte foi emendar o curso de Desenho Mecânico com o de Mecânica Geral. “Foi quando consegui um emprego e passei a dar aulas no Senai à noite”.

O movimento de mudança foi além de Bento, mexendo com toda a família. “Meu pai e meu irmão também se matricularam no Senai, foram estudar Marcenaria”, conta. “Meu pai chegou a ser instrutor da escola de Macatuba e meu irmão é funcionário da instituição em Lençóis Paulista até hoje”.

Em 2003, apareceu a oportunidade de prestar um concurso para uma vaga de instrutor na unidade do Senai de Bauru, no qual Bento foi aprovado. “Com muito orgulho, tive a oportunidade de ajudar a preparar três alunos para as provas da WorldSkills, que é a olimpíada mundial do ensino profissionalizante”, diz. “Dos três, um conseguiu uma medalha de bronze na Finlândia, em 2005, outro um diploma de excelência no Canadá em 2009 e o terceiro uma medalha de prata na Inglaterra, em 2011”.

Para ele, uma das maiores motivações profissionais é justamente acompanhar o desenvolvimento de jovens que um dia sonharam em fazer carreira no Senai como ele. “Me sinto realizado ao ver esses alunos fazendo sucesso e ajudando as suas famílias”, afirma. “Aprendi tudo aqui, os valores que tento passar para os meus dois filhos, Bruno e Felipe”.

Entre esses valores, estão a conquista pelo esforço e pela persistência. “Procuro estar sempre motivado, gosto de ver os resultados do meu trabalho”.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544726751

Alessandro: “Procuro estar sempre motivado, gosto de ver os resultados do meu trabalho”. Foto: Divulgação

Entre esses resultados, está o exemplo dado aos filhos. O mais velho, Bruno, estudou Mecânica de Usinagem no Senai em Bauru. Hoje, aos 20 anos, está no terceiro ano de Engenharia. O caçula, Felipe, de sete anos, é aluno do Sesi-SP. “Também está encaminhado”, diz o pai. “Acorda sozinho todos os dias para ir para a escola, é independente”.

No saldo de tantas conquistas, prevalece a gratidão. “O Senai-SP mudou a minha vida e a da minha família”.

Senai-SP Superação: “Eu não era melhor do que ninguém, só tinha o esforço”

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A hora da decisão veio aos 14 anos. Era ficar na roça, trabalhando por ali mesmo, como fazia o pai, ou sair de Valetim Gentil, a 540 quilômetros na capital, e estudar numa escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) em São José do Rio Preto. A dica veio de um amigo e, aproveitando o fato de que na época a instituição oferecia auxílio-moradia aos alunos com renda familiar menor, ele fez as malas e partiu. Não se arrepende e, até hoje, o Senai-SP faz parte da sua vida, onde trabalha há 29 anos e, atualmente, é instrutor de formação profissional.

Trabalhando com alunos dos cursos de Mecânica Geral, Técnico em Mecânica e Tecnólogo em Processos de Produção na Escola Senai Roberto Simonsen, no bairro do Brás, em São Paulo, Valter Siarpelleti nunca perdeu o encantamento com o local em que bate ponto todos os dias. “Comecei fazendo um curso de Mecânica Geral que hoje se chama Mecânica de Usinagem”, lembra Siarpelleti. “E fiz a minha vida aqui”.

Depois de passar por algumas indústrias, primeiro em Fernandópolis e depois na capital paulista, o instrutor achou boa a sugestão do irmão, que viu o anúncio do processo seletivo para dar aulas de retificação. “A escola aqui no Brás estava cheia no dia da seleção”, diz.

No início, as aulas eram dadas somente no horário noturno até que, em 1996, ele passou a ser 100% do Senai-SP. “Meu destino estava aqui”, conta. “A minha história não seria a mesma sem o Senai”.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544726751

Valter Siarpelleti: “A minha história não seria a mesma sem o Senai”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


De acordo com Siarpelleti, o “rigor do ensino” e “o respeito que os professores impunham” o fizeram aprender, desde os tempos de aluno, a ter foco e disciplina. “Por isso tenho tanto orgulho dos alunos que vencem na vida, é isso que me faz sentir que fiz um bom trabalho”, conta. “Me vejo neles: eu não era melhor do que ninguém, só tinha o esforço”.

Hoje casado e pai de um homem e uma mulher, até tentou que os filhos quisessem trabalhar na instituição, mas respeitou os caminhos dos dois, da filha Natalia, tecnóloga em Oftalmologia, e do filho, Vitor, estudante de Engenharia de Produção. “Só peço que eles não parem de estudar e tenham força de vontade”, conta. “Só cheguei até aqui porque tive muita vontade de vencer”, diz. “E porque tive, no Senai-SP, um esteio na minha vida”.