Para coordenador-adjunto do Comsaude da Fiesp, falta de competitividade da indústria brasileira é um agravante

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp 

O presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo) e coordenador-adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaude) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Henrique Fraccaro, apresentou um questionamento importante no evento de assinatura de uma parceria com a GE Healthcare para a criação de uma unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP) voltada para a área de saúde.

Segundo Fraccaro, é preciso discutir “como melhorar e o que fazer para que a saúde brasileira deixe de ser um questionamento recorrente da população”.

Paulo Henrique Fraccaro, presidente executivo da Abimo, e coordenador-adjunto do Comsaude. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Para ele, a principal luta é fazer com que empresas tenham consciência das vantagens de se produzir no Brasil. “O fortalecimento da empresa local e a inovação caminham juntos em prol do caráter social, que é reduzir o custo da saúde brasileira”, explicou.

De acordo com Fraccaro, “saúde não é só um gasto”. “Saúde é um negócio que representa 10% do PIB do Brasil e gera mais de 100 mil empregos”, destacou. Ele afirmou ainda que, em 2012, o setor movimentou R$ 14,7 bilhões, sem incluir a área de remédios. “O problema é que a produção nacional só representou 38% desse total”, disse. “Como podemos manter essa dependência de 62% de produtos importados?”, questionou.

O coordenador-adjunto do Comsaude afirmou que não faz sentido pensar num produto de inovação que só vai agregar custos. E que deixa os benefícios para a população aquém do esperado, seja pelo alto custo ou pela falta de conhecimento e manutenção. “Um produto inovador, sem uma assistência técnica condizente, morre. Equipamentos parados, danificados, encaixotados não servem para nada quando se tem uma população precisando deles”, afirmou.

Para Fraccaro, essa parceria do Senai-SP com a GE Healthcare é muito importante. “É muito raro uma empresa entender que precisa formar técnicos para que o investimento que faz dê retorno. E o Senai-SP está abrindo portas para  consolidar o mercado nacional nesse sentido”, concluiu.

Saúde: falta de mão de obra qualificada é o maior déficit do país, diz executivo da GE ao saudar parceria com Senai-SP

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

A infraestrutura na área de saúde no Brasil cresceu quase 70%, mas o investimento em educação não cresceu mais do que 14%. A informação é do vice-presidente comercial da GE Healthcare na América Latina, Daurio Speranzini Junior.

“A maior defasagem do país é no que se refere à mão de obra qualificada, nos cursos de graduação e de extensão para técnicos, tecnólogos, biomédicos e até mesmo médicos”, explicou o executivo ao participar da cerimônia de assinatura do convênio entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e sua empresa, visando implantar no bairro do Cambuci, em São Paulo, até 2015, uma unidade especializada na área de saúde.

Daurio Speranzini Junior, vice-presidente comercial da GE Healthcare na América Latina. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Na opinião de Speranzini Junior, o país investe cada vez mais em inovação. “O problema é que essa tecnologia não tem 100% de aproveitamento pelos médicos. Por isso, é preciso investir na capacitação dos profissionais.”

Segundo ele, o projeto de sustentabilidade da GE Healthcare é conduzido por um tripé que engloba maior acesso, melhoria de qualidade e redução de custo. “Essa parceria com o Senai-SP está absolutamente de acordo com esses preceitos”, afirmou, destacando que esse projeto democratiza a informação.

“Essa é uma maneira de termos profissionais localizados em todas as regiões do país, fazendo com o paciente não precise deslocar-se para o eixo Rio-São Paulo. Estamos otimistas que esse é o caminho certo, pois não existe melhor parceiro do que o Senai-SP”.

“Estou na área de saúde ha mais de 20 anos, vi muitas coisas, mas nada se compara a esse projeto de educação. Estamos falando da melhoria da qualidade de vida das pessoas”, afirmou.