‘As empresas estão sem dinheiro para investir e as famílias sem dinheiro para consumir’, diz segundo vice-presidente da Fiesp em debate sobre desafios para o país

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Como olhar para os nossos problemas e melhorar o ambiente de negócios no Brasil. A meta, proposta pelo segundo vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, no Fórum Irice – Fiesp: Desafios Internos e Externos para o Novo Governo, realizado na manhã desta terça-feira (11/12), na sede da federação, em São Paulo, deu o tom do debate. Na ocasião, Roriz apresentou um panorama de tendências e dilemas no país e no exterior nos próximos anos. O encontro foi coordenado pelo presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da casa e do Instituto de Relações Internacionais & Comércio Exterior (Irice), embaixador Rubens Barbosa.

“Podemos esperar um crescimento de renda e população na África até 2030”, disse Roriz. “E um avanço de renda per capita na Europa, com demanda maior por bens mais sofisticados”.

Já o PIB mundial, conforme o levantamento apresentado por Roriz, subirá de US$ 107 trilhões para US$ 187 trilhões em 2030. “Teremos uma população de 8,7 bilhões de habitantes no mundo”.

Entre as tendências esperadas nesse cenário futuro estão a maior demanda por alimentos, urbanização e megacidades, expansão do entretenimento e do turismo, novas tecnologias e envelhecimento da população.

“Teremos o foco em tecnologia, com o agro 4.0 e a indústria 4.0, o maior uso da robótica, por exemplo”.

Segundo Roriz, a cidade de Cingapura reúne um pouco de tudo o que está por vir. “É a cidade mais inteligente do mundo, com iniciativas inteligentes de transporte e comunicação”.

Ele destacou ainda que, com as pessoas vivendo mais, hão de querer “mais arte e diversão”. “Haverá oportunidades para games, publicidade, arquitetura e novas mídias”, disse.

Tributação e burocracia

No Brasil, conforme Roriz, as principais barreiras à competitividade e ao crescimento são a tributação, para 83% dos empresários, e a burocracia, apontada por 56% dos entrevistados em pesquisa da Fiesp sobre o tema.

Para se ter uma ideia, a rentabilidade líquida acumulada entre 2012 e 2016 em renda fixa e na indústria de transformação no país para um investimento de R$ 1 bilhão seria de R$ 556 milhões ou 55,6% no banco e de R$ 411 milhões ou 41,1% na manufatura.

Outro ponto importante a ser considerado, de acordo com Roriz, está no fato de que a renda disponível das famílias no Brasil é 14% menor que nos países com 76% do comércio brasileiro.

“As empresas estão sem dinheiro para investir e as famílias sem dinheiro para consumir”, disse. “Sem investimento e consumo, não temos como desatar esse nó”.

Um contexto no qual 61,4 milhões de consumidores estavam em situação de inadimplência em setembro.

Para seguir adiante, de acordo com Roriz, é fundamental que sejam realizadas reformas, como a da previdência.

“Além disso, temos que agregar valor aos nossos produtos”, disse. “O Brasil precisa de uma inserção internacional competitiva”.

Em tempo hábil

Fabiana D’Atri, coordenadora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, foi outra participante do debate.

“O primeiro desafio é fazer o Brasil voltar a crescer”, disse ela. “O desafio número dois é fazer o ajuste fiscal, tocar as reformas”, explicou. “Isso em tempo hábil”.

Segundo Fabiana, “empresas e famílias aprenderam a existir consumindo menos”. “O país consome hoje 5% menos do que consumia em 2014”, disse. “Há oportunidades trazidas por esse consumo reprimido”.

Nessa linha, entre os pontos a observar estão a melhora na confiança de consumidores e empresários, inflação e juros baixos, início da retomada do emprego e ociosidade da indústria, com potencial para produzir mais.

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Roriz no Fórum Irice-Fiesp: “Temos que agregar valor aos nossos produtos”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


“Grande acordo do Brasil deve ser com ele mesmo”, afirma Marcos Troyjo

Agência Indusnet Fiesp

Para debater os reflexos dos recentes choques de globalizações, o Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp recebeu na manhã desta sexta-feira (23/11) o economista, cientista político, professor e diretor do BRICLab da Universidade Columbia, em Nova York, Marcos Troyjo.

Durante a última reunião do conselho neste ano, Troyjo afirmou que os acordos comerciais do futuro serão em torno de padrões. “O grande acordo do Brasil deve ser com ele mesmo. A lição de casa sobre regras de propriedade intelectual, a maneira pela qual você administra sua legislação trabalhista e temas ambientais estarão no foco, não tarifas e temas como abertura comercial”, explicou.

A apresentação foi mediada pelo presidente do Coscex, embaixador Rubens Barbosa, pelo diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto, e pelo presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, Jacyr Costa Filho. 

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Costa, Barbosa e Troyjo Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Embaixador analisa na Fiesp conjuntura comercial global

Agência Indusnet Fiesp

O embaixador Ronaldo Costa Filho, subsecretário geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, falou nesta terça-feira (16 de outubro) em reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex) sobre acordos comerciais e sobre a conjuntura econômica global.

Ao abrir a reunião, o presidente do Coscex, Rubens Barbosa, explicou o tema do dia, decidido em virtude da proximidade do desfecho da eleição presidencial – que provocou muita discussão sobre a economia brasileira, mas pouca sobre a mundial. Há rápida deterioração das condições do comércio internacional, lembrou.

Segundo Costa Filha, o grande ponto de inflexão, “sem qualquer juízo de valor ou de mérito”, é a assunção do governo norte-americano por Donald Trump, quase uma ruptura no comércio mundial.

A principal motivação por trás deste momento de ruptura, explicou, é a China, e acima de tudo a perspectiva de uma tomada –próxima- pela China de liderança no comércio global, avançando sobre setores econômicos de ponta. “Creio que seja a grande preocupação de Trump e de seu entorno.”

Discurso na semana anterior do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, é avaliado por alguns como o início de uma nova guerra fria, econômica. Tanto China quanto EUA são parceiros essenciais para o Brasil, disse o embaixador, respondendo a dúvida de Rubens Barbosa sobre o posicionamento do país diante dessa nova guerra fria. “O Brasil não pode tomar partido”, afirmou Costa Filho.

Histórico

Costa Filho explicou o desenvolvimento industrial chinês. “Isso remonta à modernização da economia chinesa”, vinda do tempo de Deng Xiaoping. A abertura de um mercado de 1 bilhão de consumidores e com capacidade manufatureira parecia uma situação win-win, e houve transferência maciça de fábricas para a região. Essa produção pode ter sido o maior fator de manutenção de inflação baixa no mundo.

Só que a China nunca se satisfez em ficar nessa situação. Agora, com a absorção da capacidade industrial e de know-how, virou ameaça.

Com o “made in China 2025” o país assume sua meta de ganhar a ponta em setores industriais de alta tecnologia, e isso está por trás da reação do governo dos EUA.

Houve a imediata retirada dos EUA do TPP. Ocorreu uma reviravolta na tentativa de conter a China por meio de acordos. Em seguida houve a imposição de renegociação de acordos já vigentes, como o Nafta. É um ganho político para Trump, na análise de Costa Filho, mas não há temor entre os parceiros de grande alteração de fluxos comerciais.

Depois o governo passa a adotar medidas unilaterais, como a sobretaxa sobre aço e alumínio, sentida pelo Brasil. Questionáveis sob a ótica da OMC, incluem ameaças ao setor automotivo, que afetam diversos países – que tentam se acomodar aos EUA, conseguir uma solução negociada. E as medidas norte-americanas em relação à China agradam esses países, ressaltou.

Nenhum país foi capaz de impedir as ações dos EUA, disse o embaixador, que vê como difícil dizer o que vai acontecer. Por enquanto parece que os EUA estão se impondo.

Reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior com Ronaldo Costa Filho. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior com Ronaldo Costa Filho. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Reflexos na OMC

Na prática, a agenda negociadora da OMC estava paralisada havia vários anos, ressaltou Costa Filho. E os EUA querem negociar na OMC novas disciplinas parar coibir práticas chinesas.

Há 3 trilhos de complexidade e velocidade distintas para as mudanças, explicou o subsecretário. O primeiro, mais simples e potencialmente mais rápido, é o de transparência e modificação. Especialmente entre países desenvolvidos há percepção de falhas no cumprimento de determinações. Fala-se em punições e sobre a origem do descumprimento. Há muitos países com dificuldade para cumprir essas obrigações. Vai ser um desafio separar a falta de vontade e o deliberado descumprimento.

A segunda, extremamente complexa, vai ser o órgão de resolução de controvérsias. Os EUA não permitem a nomeação de árbitros.

Há demandas dos EUA relativas à OMC que efetivamente se referem a coisas problemáticas, como o descumprimento do prazo para suas decisões. Há casos em que que avança sobre suas funções e acaba funcionando como instância interpretativa, quase legislativa.

Além de não interessar aos EUA, diante do teor das medidas que têm tomado, a resolução de controvérsias, o resto dos membros tem mostrado plena disposição de sentar e negociar com os EUA, que sistematicamente se recusam a fazer isso.

O terceiro trilho é a agenda negociadora da OMC. Ela vem de Doha, de 2011, e os EUA têm vendido a ideia de modernizar as regras, combatendo brechas usadas pela China e “nivelando o campo”. Exemplos são subsídios industriais, tratamento dado a empresas estatais e transferência forçada de tecnologia. Isso agrada por exemplo Japão e Europa.

Perpassa tudo isso a noção do conceito de desenvolvimento, ou seja, tratamento comercial diferenciado para países em desenvolvimento. Não vem de Trump; está latente há muitos anos. Na rodada Doha se fez pressão sobre China (o verdadeiro alvo), Brasil e Índia, que não deveriam fazer jus a exceções, na visão dos países desenvolvidos.

Acordos bilaterais

O Mercosul tem feito esforço sobre-humano para concluir a negociação, mas a União Europeia, desde janeiro, quando houve uma oferta sobre produtos agrícolas, não pôs nada na mesa, disse Costa Filho.

São encorajadoras as negociações com o Canadá e com a European Free Trade Association (EFTA, que reúne Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia), com ritmo de avanço muito positivo.

E a Ásia, sobretudo pelo setor industrial brasileiro, é vista com muita cautela. São mercados diferentes do nosso e muito competitivos industrialmente. “Mas é um continente inescapável.” A primeira negociação, mas simples, é com Cingapura, um mercado já essencialmente aberto, sem agricultura protegida. Uma preocupação, que há como resolver, via regras de origem, é a triangulação. E Cingapura é pragmática, tem disposição para tentar resolver problemas, antes mesmo de rodadas de negociação. Permitiria abrir portas para o mercado asiático, Em relação a acordo com a Coreia do Sul há enorme resistência. Nova Zelândia buscou o Brasil para iniciar negociação, e há pouca resistência a ela, mas é mercado limitado. O Japão é visto com mais agrado pelo setor industrial brasileiro, e há grupo de trabalho dos respectivos representantes.

Líbano, Tunísia e Marrocos representam negociações mais simples.

Quanto à OCDE, os EUA têm negado o consenso, havendo na mesa 6 candidaturas, 3 da América Latina (incluindo o Brasil) e 3 da Europa – e complicações como o Japão querendo maior representação asiática e a Europa insistindo num espelhamento, a entrada de um país europeu para cada país de outro continente. O trabalho do país vem sendo conduzido, afirmou Costa Filho.

Participaram também da reunião do Coscex Rafael Cervone, 3º vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp e vice-presidente do Coscex, e Stefan Bogdan Salej, vice-Presidente do Coscex.

OCDE é tema que veio para ficar, diz Rubens Barbosa em reunião do Coscex

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O embaixador Carlos Marcio Cozendey, subsecretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, fez nesta terça-feira (19 de setembro) exposição sobre a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) durante reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex).

OCDE é um tema que veio para ficar, afirmou o presidente do Coscex, embaixador Rubens Barbosa, que defendeu o engajamento do Congresso ao processo de adesão, que dependerá de alterações legislativas.

Thomaz Zanotto, vice-presidente do Coscex, lembrou que o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, manifestou-se várias vezes sobre a OCDE, sendo favorável à acessão. Há no entanto um problema de governança no Brasil.

A OCDE, explicou Cozendey, é um fórum de cooperação e discussão das melhores práticas na área pública, nascido na Europa e depois expandido. Do foco em economia, ampliou-se para diversas outras áreas.

É intergovernamental, mas com um secretariado muito forte, com 2.500 pessoas muito capacitadas. Há vários comitês temáticos, cerca de 40, em 23 dos quais o Brasil participa. Destacou o fórum internacional de transparência tributária.

A OCDE funciona como apoio para a formulação de políticas públicas, com o secretariado estudando as propostas dos países, ajudando a aperfeiçoá-las.

Uma segunda função é mostrar políticas já implantadas, que poderão ser avaliadas (peer-review) e estudadas pelo secretariado.

Terceira função é a negociação de padrões, a partir de recomendações, decisões ou acordos internacionais, esses dois últimos vinculantes. Válidos apenas para os países da OCDE, acabam se tornando padrões internacionais devido à influência dos membros da organização.

A formulação da agenda internacional é a quarta função da OCDE. Temas cuja discussão começou nela muitas vezes se tornam assuntos de maior alcance, por exemplo na área econômica e na ambiental.

Cozendey lembrou que em maio se decidiu ampliar a participação brasileira, com um pedido de acessão, que acelera o processo. Há mais cinco países nessa condição (incluindo Peru e Argentina). A OCDE decidiu que deveriam ser adotados determinados padrões, o framework, para a seleção dos candidatos. O Brasil objetivamente já cumpre todos os pontos do framework, avalia Cozendey, e é o mais avançado entre todos os candidatos, mas alguns fizeram o pedido antes. A OCDE ainda discute quais e quantos países serão admitidos.

O Itamaraty questionou os ministérios das áreas envolvidas nos temas da OCDE se os instrumentos são compatíveis com a legislação e com as políticas brasileiras, concluindo que somente 10% deles têm problemas mais graves. Nos problemas menores, em alguns casos se considera que deveria haver mudanças no Brasil para se adequar.

Em algumas semanas, disse o embaixador, o Brasil terá 30% dos instrumentos aos quais pediu acessão antecipada. Outros 24% também não têm problemas. Em 15% há problemas, mas o órgão ligado ao tema considera que deve haver a adequação do Brasil. Para 2% não há problemas de legislação, mas há oposição do país. E em 10% existem problemas de legislação e de políticas. Entre eles há instrumentos da área tributária, nuclear e de transporte. Agora o Itamaraty se aprofunda na discussão com os órgãos. Há, portanto, 88% de instrumentos compatíveis.

A entrada na OCDE, segundo Cozendey, faz parte das reformas, porque obriga à reflexão interna, com reavaliação de políticas num leque muito amplo de campos.

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Reunião do Coscex em 19 de setembro, sobre adesão do Brasil à OCDE. Foto: Helcio Nagamine?Fiesp

Momento no cenário externo para o Brasil é de desafios

Roseli Lopes, Agência Indusnet Fiesp

Conduzir a política externa brasileira neste momento não é algo simples. O movimento de volta do protecionismo econômico em alguns mercados externos, os desafios para negociações dentro do Mercosul e a nova ordem econômica que despontará da sua aproximação com a União Europeia, ou a crise na vizinha Venezuela, estão entre os fatores que podem interferir, de maneira negativa, no comércio externo do País. Na segunda-feira (24 de julho) o Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex) colocou o tema em debate. O objetivo, mais uma vez, foi o de analisar o atual cenário mundial e, a partir dele, identificar os desafios que o Brasil tem de superar hoje para elevar seu fluxo comercial.

“O momento atual é delicado nas relações externas e nas negociações comerciais”, admitiu o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex. A responsabilidade do Brasil será grande nos próximos seis meses, quando estará à frente do Mercosul, avalia. No último dia 21, o Brasil assumiu a presidência rotativa do bloco, na 50ª Reunião do Conselho do Mercado Comum e Cúpula do Mercosul e Estados Associados, em Mendoza, na Argentina. “Teremos de completar negociações de contas governamentais dentro do Mercosul, e essa agenda de 21 pontos de barreiras comerciais terá de ser enfrentada”, explica. Mas o maior desafio, em sua avaliação, será a questão da Venezuela.

Em dezembro de 2016, o Mercosul suspendeu a Venezuela do bloco após o país governado por Nicolás Maduro descumprir normas. Barbosa conta que o Mercosul está enviando uma carta à Venezuela como primeira etapa dentro do procedimento previsto nessa situação, mas, pelas declarações de Nicolás Maduro, diz não saber como o país receberá o documento. “Isso deverá criar uma situação muito delicada para o Brasil”, confessa.

O embaixador Marcos Galvão, secretário-geral de Relações Exteriores, diz que o Itamaraty é uma das instituições brasileiras que continuam funcionando bem e que a política externa tem pressa em apresentar resultados. O Brasil tem mostrado resiliência durante a crise, apesar dos desafios externos e internos que afetam, também, a política externa. A recessão econômica, da qual o país está se recuperando, afetou capacidades essenciais para a presença do Brasil na economia internacional.

De todo modo, a despeito do cenário menos favorável, Galvão é enfático ao garantir que a política externa brasileira não tem perdido prestígio no plano externo, diferentemente do que se possa alardear a respeito. Apresenta números para reforçar sua avaliação. Dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) apontam que o país tem hoje o quinto maior saldo positivo do mundo em comércio, superado apenas por China, Alemanha, Coreia do Sul e Rússia. Na semana passada, a AEB revisou para cima a projeção de superávit da balança comercial brasileira para um recorde de US$ 63,2 bilhões. Em 2016, as exportações superaram as importações em US$ 47 bilhões.

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Reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp. Helcio Nagamine/Fiesp


Retomada dos embarques

Dados do comércio exterior brasileiro indicam forte retomada das exportações neste e no próximo ano. No primeiro semestre de 2017, houve significativo avanço das exportações brasileiras. Nesse período, o Brasil exportou 19,3% mais na comparação com igual período de 2015.  No ano, o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) projeta crescimento de 12,8% das vendas externas. Em ritmo menor, o crescimento das importações até agora foi de 7,3%, “ou seja, um terço da velocidade do aumento das exportações”, diz Galvão.  Por fim, nas informações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a média de aumento dos embarques nos países do G-20 – Grupo das 20 economias mais desenvolvidas do mundo – foi de 3%, enquanto no Brasil chegou a 21,5% no último ano.

“O Mercosul não perdeu a relevância como querem fazer crer alguns”, diz Galvão. A Argentina, por exemplo, responde hoje por 50% do crescimento previsto nas exportações brasileiras de manufaturados e se projeta na ordem de 6,8% em 2017. Nos primeiros seis meses deste ano, de todo o volume de manufaturados embarcado pelo Brasil, 20% tiveram como destino final o mercado argentino, e 19,2%, o norte-americano. “A Argentina se tornou o mercado número um das exportações brasileiras de manufaturados”, ressaltou.

Olhando para esses números, cresce a aposta de sucesso nas negociações entre a União Europeia e o Mercosul. O embaixador Ronaldo Costa Filho, diretor do Departamento de Negociações Comerciais Extrarregionais do Itamaraty, ressaltou o empenho do Mercosul e da UE em fechar o acordo até dezembro. “A União Europeia parece hoje realmente comprometida com a negociação com o Mercosul, sendo que isso nunca esteve claro no passado”, diz Costa Filho, avaliando que, do lado do Mercosul, há um grande interesse em avançar em uma agenda externa agressiva. Basta lembrar que as conversas em torno de um acordo se arrastam por quase 20 anos.

A percepção é compartilhada pelo embaixador Affonso Emilio de Alencastro Massot, secretário adjunto da Secretaria Municipal de Relações Internacionais de São Paulo e conselheiro do Coscex. Para ele, nunca houve uma conjunção de fatores tão favorável para que as negociações avancem quanto a vista no atual cenário. “O momento é de pressionar para se obter mais do que se procura, ampliando a vontade de conseguir concessões, em especial na parte de serviços e na digital”, diz. O embaixador Ronaldo Costa lembra que a reunião mais recente, em julho, “foi bastante positiva, com a aprovação dos textos normativos e três capítulos das propostas apresentadas concluídos, concorrência, facilitação de comércio e cooperação aduaneira”. O desafio do Brasil, e do Mercosul, estará nas áreas de propriedade intelectual e regras de origem, temas que, avalia, serão mais complicados de serem negociados.

Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) e vice-presidente do Coscex, diz que a Aliança do Pacífico é prioritária nas negociações do Brasil, mas as normas de origem são hoje a maior preocupação, ou seja, as leis e os regulamentos estabelecidos pelo importador. O ministro Celso Lafer diz que os próximos meses serão de pressão para o Brasil e assim, avalia, “o desafio está em não se subestimar”.

Na Fiesp, secretário adjunto de Planejamento avalia relações do Brasil com exterior

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Para analisar os atuais esforços do Brasil com parceiros comerciais, o Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex) recebeu nesta terça-feira (20) o secretário adjunto de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Renato Baumann.

Segundo o presidente do Coscex, Rubens Barbosa, apesar do cenário atual desafiador, o Brasil figura como uma das dez maiores economias do mundo e os investidores ainda miram oportunidades locais de médio e longo prazo.

De acordo com Baumann, o governo brasileiro negocia memorandos de entendimento e acordos com pelo menos cinco países: Estados Unidos, com destaque para os contratos de parceria público-privada (PPPs) e compras públicas; China, com o Fundo Brasil-China de investimentos; França e Japão; além da Itália, interessada sobretudo em projetos de rodovias. “Nossa expectativa é que o fundo com os chineses passe a operar até o final deste mês”, observou o secretário.

OCDE

Baumann explicou ainda que uma eventual participação do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) exigiria a incorporação de 280 normas solicitadas a todos os interessados em fazer parte da entidade multilateral. O grupo reúne atualmente 35 países e tem como foco a promoção de políticas sociais, apoio na resolução de problemas de competitividade das economias e medição comparativa de produtividade, fluxos de comércio e investimentos.

O secretário afirmou que até outubro deste ano um conselho deverá sinalizar a aceitação ou não do processo de entrada do Brasil na organização, assim como de outros países que estão na fila de espera da OCDE. “Há um grande interesse na entrada de um dos Brics (o grupo dos países em desenvolvimento) na entidade”, completou.

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Baumann: governo negocia acordos com pelo menos cinco países. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Juros, emaranhado tributário e falta de estratégia afetam comércio internacional brasileiro

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

A fim de analisar e debater as estratégias de comércio internacional desenvolvidas pelo Brasil nos últimos anos, o Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex) recebeu nesta terça-feira (21 de março) a economista Lia Valls, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em mesa liderada pelo presidente do Coscex, Rubens Barbosa, Lia destacou a posição do país no comércio mundial, sua evolução e desempenho recentes, além de suas perspectivas de curto prazo. Fatores como políticas tarifárias, produtividade e ambiente de negócios locais têm puxado o país para baixo em rankings internacionais, de acordo com ela.

A economista enfatizou ainda os reflexos da presença da China e seus planos de internacionalização de empresas. “Como a gente (Brasil) muda a agenda chinesa de comércio de mercadorias para uma agenda de investimentos? Como alavancar essas parcerias deve ser uma questão”, afirmou. Ela vê com otimismo um crescimento de pelo menos 6% da China no futuro.

Barbosa, por sua vez, lembrou que mais do que o Brasil se reinserir nas negociações internacionais, o país deve ter uma estratégia clara.

“Não adianta a gente querer fazer acordos com o mundo inteiro, sem objetivos e temas prioritários”, afirmou. Além disso, de acordo com o embaixador, o Brasil deve examinar seriamente a questão da reforma tributária.

Produtividade x competitividade

O diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Thomaz Zanotto, foi enfático ao afirmar que muitos críticos erram ao dizer que o principal entrave da indústria brasileira está relacionado à sua capacidade produtiva. “Os economistas brasileiros trazem soluções dos anos 60 e 70, há uma defasagem enorme”, afirmou.

Mesmo fora do país, as instituições têm tido dificuldades de acompanhar os avanços tecnológicos industriais com a rapidez necessária, segundo Zanotto.

“Há uma confusão muito grande entre produtividade e competitividade, que me preocupa muito. O que tira a competitividade do Brasil são os juros altos, um crime de lesa-pátria”, completou.

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Lia Valls, Rubens Barbosa e Thomaz Zanotto durante reunião do Coscex. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Mudanças na área internacional foram positivas, afirma presidente do Coscex sobre medidas do novo governo

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Dias após o governo de Michel Temer anunciar mudanças nas estruturas que regem e influenciam o comércio exterior brasileiro, especialistas do setor se reuniram na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para participar da reunião mensal do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) e discutir o impacto das medidas.

Entre as principais transformações estão a vinculação da Câmara de Comércio Exterior (Camex) à Presidência da República e a incorporação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) ao Ministério de Relações Exteriores (MRE).

Ao iniciar o encontro, na manhã desta terça-feira (17/5), o presidente do Coscex, embaixador Rubens Barbosa, ressaltou que boa parte das mudanças vinha sendo defendida pelo grupo desde 2014. “São temas que vínhamos discutindo há mais de dois anos. Tinha que haver um fortalecimento do processo decisório, é isso que sempre defendemos”, explica. “Até agora, as medidas que estão sendo anunciadas pela nova administração são muito positivas, uma vez que transformam o Itamaraty, novamente, em um órgão efetivo de defesa e promoção nacional.”

Convidado para explicar melhor o assunto, o especialista e consultor Weber Barral afirmou que após um longo período durante o qual a Camex “foi sendo “esvaziada”, a mudança de regimento irá conferir “um status ao comércio exterior que o Brasil nunca teve. Claramente, haverá um foco maior em negociações comerciais e acho até que esse governo vai tentar se diferenciar sendo mais agressivo nessa área. A expectativa é que haja uma real determinação política”.

Em relação à incorporação da Apex ao MRE, o embaixador Barbosa considera que o orçamento da Apex – que é praticamente um quarto do orçamento do Itamaraty (R$ 560 milhões e R$ 2 bilhões, respectivamente) – poderá melhorar o apoio ao exportador. “A unificação da coordenação entre Apex e Promoção Comercial é benéfica, [pois] você fortalece este segundo com o dinheiro que gastava na duplicação de ações efetuadas pelo primeiro”, explica. “A melhora na coordenação entre as áreas irá, certamente, melhorar o apoio ao exportador.”

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Reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp em que foram discutidas mudanças na área internacional. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Diretor do Itamaraty defende acordos alternativos para fortalecer Mercosul na negociação com União Europeia

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Em reunião nesta terça-feira (18/4) no Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex), o ministro Ronaldo Costa Filho, diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty, defendeu que o Mercosul encaminhe outros acordos comerciais, como forma de se fortalecer para a negociação com a União Europeia. “É essencial colocar mais alguma coisa para andar”, disse, explicando que precisa ser algo significativo. “Negociar com os europeus não tendo alternativa enfraquece posição do Mercosul”, afirmou Costa Filho.

Ele informou que em 11 maio haverá reunião para que sejam feitas explicações de lado a lado sobre as ofertas, para análise posterior. Nova reunião entre negociadores-chefes pode ocorrer em junho ou julho, e no segundo semestre deve voltar calendário usual de 2 reuniões por semestre. Todo o cronograma, disse, ainda está sujeito a confirmação.

Ideia do Itamaraty, após 11 de maio, é promover conversas entre governo, setor privado e sociedade civil. Costa Filho não sabe se o formato será de uma grande reunião ou – o que ele prefere – eventos separados. O governo dará ao setor privado acesso a ambas as ofertas, mas pedirá que não haja debate público, mesmo sabendo que alguns setores poderão não ficar contentes.

A ideia é ter reação mais substantiva sobre a oferta europeia antes da reunião de junho ou julho. Segundo Costa Filho, a manifestação do setor produtivo não só sobre o que está na mesa, mas também sobre o que falta, ajudaria a chegar a resultado mais satisfatório.

De acordo com o diretor do Itamaraty, o governo tem se esforçado muito para evitar reações extremadas, “reações emocionais à oferta, que façam a negociação desandar”.

Segundo o diretor do Itamaraty, o Mercosul havia “desaparecido do radar da União Europeia”. Ela não estava preparada quando o Mercosul anunciou que estava pronto para voltar à negociação. A nova oferta, explicou Costa Filho, foi construída do zero, e os europeus esperavam que fosse feita em cima da discutida em 2004.

Para chegar à proposta, a Argentina fez uma oferta, o Brasil, outra, e depois as duas foram cruzadas, numa longa negociação, explicou. A Argentina relutou muito na questão da cobertura, o que exigiu muito esforço do governo brasileiro.

Costa Filho lembra que a troca de ofertas se dá em momento muito complexo na União Europeia, que passa por três crises – agrícola, ameaça da saída do Reino Unido e migratória – que atrapalham a negociação. Em sua leitura, não há muita margem em relação à agricultura, o que, se for verdade, o faz temer muito pela negociação futura, “porque as cotas na mesa estão muito aquém do que se almeja”.

Ele citou também um “aperto crucial nos recursos”. Se a negociação com a União Europeia voltar a andar, terá que aparecer dinheiro – por exemplo, a equipe a ser enviada a Genebra tem 40 pessoas.

“Novo” Mercosul

O clima no Mercosul, disse Costa Filho, está mudando, graças à eleição de Mauricio Macri. Nova posição da Argentina traz de novo foco para a economia. A mudança, afirmou, foi impressionante, com disposição renovada para se engajar em novas negociações e pôr para andar as adormecidas. Primeira reunião de relacionamento externo pós-Macri, em março, teve sintonia perfeita, pela primeira vez nos 4 anos da experiência de Costa Filho.

O fator impeachment

O processo de impeachment da presidente da República entrou na discussão. Joseph Tutundjian, conselheiro, perguntou se Costa Filho via ameaça à coesão do Mercosul caso seja determinado o impeachment, tendo como resposta do diretor do Itamaraty que não. O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex, considera que a coesão dependerá do que acontecerá depois que o novo governo assumir. Lembrou que o Congresso brasileiro e o Paraguai ainda não aprovaram a entrada da Bolívia, um dos focos de reação. O outro seria a Venezuela. Se houver reação política muito negativa dos presidentes, Brasil precisa se posicionar, disse Barbosa.

O embaixador disse que já começou a campanha a favor do fortalecimento da Câmara de Comércio Exterior (Camex), “coisa importante e difícil. Cada vez que muda o governo volto a falar do assunto”. Ele defende a vinculação direta à Presidência da República.

Outros acordos

O diretor do Itamaraty disse que entre os outros acordos em negociação pelo Mercosul o mais encorajador é o com o European Free Trade Association (EFTA, que reúne Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia). Em junho deve terminar o diálogo exploratório, o que pode levar ao início das discussões no segundo semestre.

Deve recomeçar a andar a negociação com o Canadá, que já havia passado a fase de diálogo exploratório, mas havia esfriado com a situação do Mercosul. Ampliação do acordo com o México, disse Costa Filho, está avançando, com os dois lados empenhados, já tendo havido a troca de listas.

Com o Japão, que é muito cauteloso, a conversa é muito lenta. A Coreia do Sul recentemente se mostrou aberta a discutir temas aos quais antes era refratária, como agricultura. Ainda também na fase de conversa, com reunião prevista para junho.

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Ronaldo Costa Filho, do Itamaraty, e Rubens Barbosa, durante reunião do Coscex. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Rubens Barbosa, da Fiesp, fala sobre política de comércio exterior no Diálogo Nacional

Agência Indusnet Fiesp

O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex), é o entrevistado desta quarta-feira (23/3) do programa Diálogo Nacional. Entre os temas abordados estão a política de comércio exterior do Brasil e a criação do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior.

O programa, apresentado por Ruy Altenfelder, presidente do Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp (Consea), será exibido às 23h no canal 9 da NET e nos canais 72 e 186 (digital) da TVA. A partir de 24/3 o programa fica disponível no site www.dialogonacional.com.br

Na Fiesp, embaixador Graça Lima comenta resultados de cúpula do Brics em Ufá

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Um dos mais importantes resultados da sétima reunião de cúpula do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Ufá, Rússia, na primeira quinzena de julho, foi a ratificação dos compromissos asumidos durante a assinatura de criação, pelo bloco, do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).

O banco foi inaugurado em Xangai, também em julho deste ano, com um capital autorizado inicial de US$ 100 bilhões.  Outro avanço significativo do bloco é a criação do Arranjo Contingente de Reservas (ACR), com fundo de US$ 100 bilhões para ajudar membros do bloco com dificuldades.

“São iniciativas ambiciosas que demonstram a capacidade de atuação do Brics”, afirmou o embaixador Graça Lima ao participar da reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo Graça Lima, o banco deve financiar não só projetos dos países-membros do bloco, como também de outras economias em desenvolvimento.

Embaixador Graça Lima: "Inciativas ambiciosas que demonstram a capacidade de atuação do BRICS". Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Embaixador Graça Lima: "Inciativas ambiciosas que demonstram a capacidade de atuação do BRICS". Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Sobre as perspectivas para o bloco, o embaixador afirmou que “o Brasil entende que os Brics devem continuar sendo um vetor, uma força positiva para a retomada do crescimento econômico. E os resultados obtidos em Ufá mostram os Brics plenamente capazes de construir consenso diante de uma gama de temas”.

Projeto

Na avaliação do ex-embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex, a criação do Brics contribuiu principalmente para um “melhor conhecimento entre os países”.

“O que me impressionou desde a primeira reunião foi o crescente número de reuniões entre instituições dos países. Isso é fundamental para que haja melhor conhecimento do que ocorrer nesses países em termos oficiais e empresariais”, disse durante a reunião na Fiesp.

Barbosa aproveitou a ocasião para questionar sobre a existência de uma eventual agenda brasileira nas negociações do bloco.

“Me pergunto se o Brasil, assim como a Rússia e a China, que colocaram sua agenda, tem um projeto para o Brics. Qual é a posição concreta do Brasil sobre os Brics? Temos algum projeto para ser examinado”.

Em resposta à indagação de Barbosa, Graça Lima garantiu que esta será “a primeira pergunta” que fará quando voltar a Brasília.

‘Mercosul, como está, caminha para irrelevância’, diz embaixador José Botafogo

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Há dois elementos que fazem do Mercosul um bloco com capacidades “extraordinárias” de integração no sentido prático, a produção e exportação de energia e alimentos, avaliou nesta terça-feira (16/09) o embaixador José Botafogo Gonçalves. Segundo ele, a formação original do bloco (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) deveria ser o foco das intenções de integração regional.

“É preciso voltar a pensar no Mercosul dos quatro [países]. Porque o Mercosul, como está, caminha para uma absoluta irrelevância, na medida em que se converte cada vez mais num centro político de debate bolivariano. Por esse lado não há nada a fazer”, disse Botafogo ao participar da reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A Venezuela integrou o bloco em 2012, com a suspensão temporária do Paraguai.

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Botafogo: Mercosul deveria se concentrar em aumentar o comércio de produtos alimentícios transformados pela própria indústria do Brasil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O embaixador defendeu a mudança da vocação do Mercosul para o comércio energético, uma vez que a Argentina figura entre uma das promessas de abastecimento energético graças à descoberta de hidrocarbonetos não convencionais no sudoeste do país, na jazida de Vaca Muerta.

A jazida, que tem praticamente a área da Áustria, coloca o vizinho do Brasil na posição de terceiro detentor de hidrocarbonetos não convencionais do mundo.

“A Argentina tem enorme potencialidade no caso do gás natural. Os investidores estrangeiros vão olhar para as potencialidades energéticas brasileiras e também para as argentinas. Então, há todo um interesse de abrir uma discussão bilateral entre Brasil e Argentina, não só de empregos mas a título de governo, sobre políticas energéticas que sejam pelo menos convergentes”, avaliou Botafogo.

Segundo ele, potenciais como o da Argentina e do Brasil atribuem uma nova vocação “para o que eu chamaria de Mercosul energético, mas é preciso começar praticamente do zero”.


Alimentos

Botafogo também defendeu o potencial da produção de alimentos do Mercosul e afirmou que o bloco deveria se concentrar não só em aumentar o comércio de commodities agrícolas como também de produtos alimentícios transformados pela própria indústria do Brasil, inclusive.

“O que exportamos hoje são commodities agrícolas. Deveríamos focar em produtos, vender bife, latas e chegar à gôndola do consumidor chinês”, exemplificou o embaixador.

Ele acredita que as negociações comerciais do Mercosul no campo do agronegócio estão, no entanto, focadas no que não é o potencial sobretudo brasileiro: o acordo entre o bloco com a União Europeia (UE).

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Rubens Barbosa: Brasil precisa ter visão de médio longo prazo na dinâmica de negociação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“O Brasil sempre protesta contra a política agrícola da UE, mas o potencial do país não está na Europa, e sim na Ásia. A China vai incorporar nos próximos 10 anos mais de 400 milhões de pessoas na vida urbana. E quem vai dar comida para esses novos milhões de chineses que vão parar de produzir no campo para consumir na cidade?”, questionou.

“Um Mercosul alimentar envolvendo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina também parece evidente, mas não há nada feito ainda a esse respeito”, concluiu.

A reunião do Coscex foi conduzida pelo embaixador Rubens Barbosa, presidente do conselho na Fiesp. Segundo ele “o Mercosul, como está, vai ser muito difícil recuperar o dinamismo negociador e comercial”.

Barbosa também afirmou que a nova percepção das vocações do bloco apresentada por Botafogo pode “injetar uma nova dinâmica na negociação. O problema é que para fazer isso a gente precisa de uma estratégia e de visão de médio, longo prazo que a gente não tem”.

Estratégia para crescer no mercado externo em debate durante seminário na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Trabalhar em nome da diferenciação de produtos e da agregação de valor para ganhar espaço no mercado global. Ao lado de outras ideias tão relevantes quanto, o tema foi debatido no Seminário de 20 Anos da Sociedade Brasileira de Estudos das Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), realizado, nesta sexta-feira (22/08), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

Com o questionamento geral sobre qual a inserção internacional do Brasil esperada para os próximos anos, o evento reuniu personalidades como o presidente do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp, Delfim Neto, o diretor presidente da Sobeet, Luís Afonso Lima, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, o conselheiro sênior do Banco Mundial Otaviano Canuto e o diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini. Estiveram presentes ainda os embaixadores Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp e Sérgio Amaral, do Conselho Empresarial Brasil China (CEBC).

Barbosa, ao centro, com os debatedores do seminário da Sobeet: mais comércio exterior. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Barbosa, ao centro, com os debatedores do seminário: mais comércio exterior. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Convidado a discutir as cadeias globais de valor, Coutinho explicou que há diferentes formas de conexão a essas estruturas, o que muda conforme os setores. Nas empresas baseadas no agronegócio, por exemplo, a internacionalização é uma forma de ganhar mercado se observada a lógica de “diferenciar produtos e firmar marcas, agregando valor”. “Já com aquelas de química e siderurgia, predomina a economia de escala”, afirmou.

Outra lição importante nesse sentido, adotada por fabricantes de vestuário da Europa, é trabalhar “a questão da marca e da sofisticação dos produtos”. “Foi a solução que os europeus encontraram para não perder espaço”, disse.

Seja como for, vale a meta de buscar a “qualificação da inserção internacional a partir do trabalho das cadeias produtivas”. “Que a engenharia de produtos no Brasil participe da engenharia de processos, vamos olhar essas oportunidades”, destacou o presidente do BNDES.

Também debatedor do assunto, Canuto lembrou que “o país está menos integrado do que poderia estar”. Segundo ele, mesmo assim, ainda somos o quinto no mundo no ranking de polos de atração de investimento estrangeiro direto. “Muitos investidores falam de nós com um sorriso aberto”, explicou o conselheiro sênior do Banco Mundial. “Um grande fator para isso é a força do nosso mercado, seu tamanho, principalmente na base da pirâmide. Ninguém pode se dar ao luxo de ficar fora”.

Canuto: “País está menos integrado do que poderia estar”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Canuto: “País está menos integrado do que poderia estar”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

No plano externo, de acordo com Canuto, alguns dos principais obstáculos ao comércio não estão nas barreiras tarifárias. “Temos outros obstáculos, como as barreiras físicas e as dificuldades de desenvolver estratégias empresariais”.

Resumindo o tom geral das apresentações, Neto destacou: “o que o Brasil precisa é de política econômica razoável, adequada e que deixe o mercado funcionar”.

Para quebrar o isolamento

O segundo painel de debates do seminário discutiu a visão estratégica do Brasil no que se refere à sua inserção internacional. E teve como participantes Rubens Barbosa e Sérgio Amaral. A discussão foi mediada pela diretora do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), Sandra Polónia Rios.

Para Barbosa, a “visão estratégica do governo” no plano externo nos últimos 12 anos foi “equivocada” ou “não existiu”. “O objetivo foi mudar o eixo da dependência externa brasileira, reduzindo a influência dos países desenvolvidos em detrimento daqueles em desenvolvimento”, explicou. “Foi a chamada política ‘sul-sul’”.

Barbosa: discussão sobre a política ‘sul-sul’. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Barbosa: discussão sobre a política ‘sul-sul’. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Com isso, o Brasil teria ficado “isolado em termos de acordos comerciais”. “Precisamos quebrar o isolamento a que estamos submetidos, ampliar a nossa competitividade e as nossas exportações”.

Na mesma linha, Amaral afirmou que “desconfianças em relação aos Estados Unidos e ao México não são boas para a política externa brasileira”. “O Mercosul deve ser tendência natural pela proximidade, mas isso não deve ser decidido unicamente por questões políticas, como uma certa tolerância acima da média à Argentina”, disse.

De acordo com o embaixador, “temos condições de ter boas relações com os Estados Unidos e a União Europeia”.

Prefeito de Lisboa chama empresários para instalar indústrias em Portugal

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Antonio Costa, prefeito de Lisboa, capital e a cidade mais populosa de Portugal, visitou na manhã desta quarta-feira (30/04) a sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Em reunião com empresários brasileiros e autoridades portuguesas, Costa convidou o empresariado brasileiro a instalar suas indústrias na Grande Lisboa, região mais populosa de Portugal com 18 municípios.

O encontro foi conduzido pelo presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, embaixador Rubens Barbosa.

“A cidade de Lisboa não é o tipo de centro para a indústria. Mas a região, sim. Na Grande Lisboa é possível e estamos interessados em que ocorra a instalação de atividade industrial. Quero chamar atenção para o fato de que produzir em Portugal significa circular para todo o mercado europeu sem qualquer tipo de restrição”, disse Antonio Costa.

Segundo ele, algumas regras de política comercial da União Europeia (UE) com o Brasil acabam por restringir a penetração de produtos brasileiros, mas “se a produção for em Lisboa, já está dentro da UE”.

Rui Pinto Coelho, diretor da Invest Lisboa, uma iniciativa da Câmara Municipal da capital portuguesa e da Câmara do Comércio e da Indústria Portuguesa para estimular negócios na região, apresentou oportunidades investimentos em alguns setores.

Segundo Coelho, Lisboa oferece incentivos fiscais para indústrias que queiram investir em projetos imobiliários na região. Ele ainda apresentou o programa Licenciamento Zero, que isenta de licenciamento pequenas instalações de serviços na capital.

O prefeito Antonio Costa, no entanto, ponderou que o programa, voltado para a atividade comercial, também tem sido usufruído por boa parte do segmento industrial desde que “se observa e cumpra as leis de comércio já existentes”.

O presidente do Coscex, Rubens Barbosa, questionou sobre eventuais incentivos fiscais para a instalação de empresas brasileiras em Lisboa que não sejam do ramo imobiliário. A dúvida foi esclarecida pelo Cônsul Geral de Portugal em São Paulo, Paulo Lopes Lourenço.

“Dependendo da escala do investimento e da indústria a Aicep [agência do governo porguês para comércio e investimento]  negocia o tipo de incentivo”, afirmou Lourenço.


Energia renovável e startups

Em sua apresentação, Coelho também incentivou os empresários a investir em projetos de energia renovável.  A companhia Energias de Portugal (EDP), com negócios no Brasil, é a quarta maior do mundo em energias renováveis. E, segundo Coelho, 57% da eletricidade consumida em Lisboa é de fontes renováveis.

De acordo com o diretor da Invest Lisboa, outro campo de negócios bem sucedidos na região é o empreendedorismo. Ao menos 30% dos empreendedores da cidade são estrangeiros e a taxa de mortalidade de empresas como as startups é de 4%.

“A economia portuguesa está de fato saindo de uma crise financeira, mas acreditamos que, com um potencial futuro muito grande e criação recorde de empresas, Lisboa tem dado exemplo enorme no apoio ao empreendedorismo”, destacou.

Também participou da reunião o diretor titular adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Antônio Fernando Guimarães Bessa, e o  diretor titular adjunto do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic), Manuel Carlos de Lima Rossitto.

Na ocasião, Rossito convidou as autoridades portuguesas para conhecer o Observatório da Construção, espaço no site da Fiesp com informações sobre essa cadeia produtiva.


 






Embaixador do Paraguai se reúne com representantes da Fiesp

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) e representantes do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) receberam nesta quarta-feira (26/03), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o embaixador do Paraguai no Brasil, Manuel María Cáceres Cardozo.

Além dos dois embaixadores, participaram da reunião o segundo vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto; o diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto; o diretor titular adjunto do Derex, Antonio Bessa; o cônsul geral do Paraguai em São Paulo, Oscar Rodolfo Benitez Estragó; e o representante da embaixada do Paraguai no Brasil, Rodrigo Velásquez.

A reunião no Derex com o embaixador do Paraguai.

A reunião com o embaixador do Paraguai: evento para estimular comércio. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Durante o encontro, eles discutiram a possibilidade da realização de um evento para estimular a relação comercial entre os dois países e apresentar oportunidades de investimentos no Paraguai, levando em consideração as possibilidades de integração das cadeias produtivas brasileira e paraguaia.

“The Economist” destaca Agenda de Integração Externa da Fiesp em reportagem

Agência Indusnet Fiesp

Em sua última edição, a revista semanal The Economist citou a Agenda de Integração da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na reportagem Paciência Estratégica Esgotada, sobre o impasse nas negociações de um acordo comercial do Mercosul com a União Europeia.

Segundo a reportagem, “mesmo a Fiesp, que tem promovido a industrialização por meio de elevadas tarifas e grandes subsídios, agora está mudando seu tom” em relação à agenda de integração da América do Sul com a Europa.

A publicação destacou a Agenda de Integração Externa, elaborada pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da federação e divulgada em junho deste ano.

O documento propõe ações que devem ser tomadas para que o Brasil alcance uma maior inserção econômica e comercial no plano internacional, sejam no âmbito da integração extrarregional, parcerias econômicas ou negociações multilaterais.

Ainda de acordo com a reportagem, o ex-embaixador Rubens Barbosa,  presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex)  da entidade, reforçou que “a indústria brasileira poderá competir em meio a condições igualitárias se o governo combater o duradouro elevado Custo Brasil” .

Durante um encontro realizado pela Fiesp com o presidente da França, François Hollande, no dia 13 de dezembro, a presidente Dilma Rousseff afirmou esperar que a troca de ofertas entre os blocos econômicos Mercosul e União Europeia aconteça em janeiro de 2014.

Clique aqui para ler a matéria da The Economist na íntegra.

Ministro do Planejamento argentino vem à Fiesp em busca de investimentos em infraestrutura

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O ministro do Planejamento e Investimento Público da Argentina, Julio De Vido, acompanhado do secretário de Obras Públicas daquele país, José Francisco López, se reuniu nesta quinta-feira (19/12) com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, para apresentar 15 obras de infraestrutura pretendidas pela Argentina e as oportunidades para empresas brasileiras investirem nesses projetos. Na ocasião, os representantes do país vizinho apresentaram as características de cada projeto da obra para um grupo de empresários brasileiros.

Segundo o diretor-titular-adjunto do Departamento e Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto, a reunião com Skaf foi “foi bastante positiva”. “Foram discutidos esses novos projetos de infraestrutura, formas de financiamento, pagamentos e questões econômicas gerais”.

A reunião com os argentinos na manhã desta quinta-feira (19/12) na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Reunião com os argentinos na manhã desta quinta-feira (19/12) na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Segundo o ministro De Vido, a Argentina pretende alavancar 15 projetos de infraestrutura que devem facilitar a integração com a América do Sul, especialmente o Brasil.  Ele informou que as obras, que incluem 11 projetos de hidrelétricas, três obras hídricas e uma iniciativa voltada para o setor de comunicação, devem demandar investimentos totais de US$ 19,6 bilhões.

Para De Vido, é importante “entender que estamos em uma etapa de diálogo e fundamentalmente encarar os problemas que temos pendentes para acelerar o processo de expansão das nossas economias”.

De Vido:  ações para acelerar o processo de expansão das economias.Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

De Vido: ações para acelerar o processo de expansão das economias. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Segundo Zanotto, “as grandes construtoras brasileiras estão todas aqui. Elas naturalmente têm interesse nessas obras, é um pacote impressionante para qualquer construtora”.

Do lado argentino, o ministro De Vido afirmou que pretende enviar pequenos grupos às empresas brasileiras interessadas em serem parceiras da Argentina para apresentar os projetos e esclarecer dúvidas.

Cooperação

O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, colocou a federação à disposição para “ajudar nesse esforço, que é muito importante para a Argentina voltar a ser autossuficiente”.

Segundo o secretário de Obras Públicas da Argentina, José Francisco López, 66% da geração de energia na Argentina é proveniente de usinas térmicas, 2% é importada e 31% vem de hidrelétricas. “Nosso plano para o próximos 12 anos é conter o crescimento de térmicas e promover o crescimento da geração nuclear e hidrelétrica”.

‘Vivemos a insegurança da informação’, afirma especialista em seminário na Fiesp

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp 

Por sua complexidade, a segurança de dados na internet, é um problema sério, tanto no Brasil e no mundo, avaliou o presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), embaixador Rubens Barbosa, durante a abertura do seminário “Cibersegurança no Brasil: o impacto na confidencialidade e reputação das corporações”, na manhã desta terça-feira (10/12), na sede da entidade. Na ocasião também estava presente o diretor do Departamento de Segurança (Deseg) da entidade – organizador do evento -, Cassio Vecchiaitti.

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Embaixador Rubens Barbosa. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Para Rubens Barbosa, essa deve ser uma preocupação das empresas no mundo globalizado. “Com a internacionalização do Brasil há a necessidade das empresas de focarem nesse segmento para melhorarem os mecanismos de defesa”, afirmou.

Segundo o embaixador, apesar de ser relativamente novo, o tema é de extrema importância e ganhou mais relevância após a divulgação da espionagem sofrida pelo governo e empresas brasileiras, como a Petrobras. “Essa questão dos ataques cibernéticos é um dos principais riscos das nossas empresas. As pequenas e médias talvez ainda não tenham essa consciência, mas é importante saber que todas as organizações são vulneráreis”, disse.

“Os tempos mudaram, os desafios aumentam e as técnicas se sofisticam”, alertou Rubens Barbosa.

Ressaltando a seriedade e importância do tema, o diretor-geral do Departamento de Segurança da Informação e Comunicações do Gabinete de Segurança Institucional, Raphael Mandarino, afirmou que “a segurança da informação deve andar junto com a segurança nacional em todos os lugares do mundo”.

Ele citou o caso de Edward Snowden – em que o ex-analista de inteligência norte-americano tornou público os detalhes de várias programas altamente confidenciais de vigilância eletrônica dos governos dos Estados Unidos e do Reino Unido  –  e advertiu que não existe uma visão muito clara sobre o que está acontecendo. “Não conhecemos muito bem sobre o que estamos falando, nem o Brasil e nem ninguém”.

Mandarino destacou a posição da China como um modelo a ser seguido: “não adianta fazer uma reunião de governo. Precisamos das empresas e da universidade”.

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Seminário Cibersegurança no Brasil: o impacto na confidencialidade e reputação das corporações”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ponto de vista legal

O advogado especialista em direito digital e em novas tecnologias, Rony Vainzof, afirmou, durante o Seminário, que, atualmente, se vive uma “insegurança da informação”, dado que cada vez mais há os ataques cibernéticos. “Nosso papel, como estudiosos da área, é analisar a situação do ponto de vista da territorialidade e como fazer a soberania de cada Estado nesse cenário. A grande questão é atual é como tratar essas questões de espionagem”, afirmou.

O advogado destacou que, apesar de não ter legislação específica, o Brasil é conhecido como um país de ‘direito positivado’, onde se há lei para tudo. “O Brasil é o país onde mais se tem decisões judiciais nesse âmbito, no mundo inteiro. Os magistrados vêm conseguindo aplicar as legislações existentes nesse tipo de conduta, porém, em algumas situações, falta respaldo jurídico”, explicou.


Empresas brasileiras ainda enxergam Cibersegurança como um problema de TI, diz especialista; Fiesp promove evento sobre o assunto

Fernanda Barreira, Agência Indusnet Fiesp

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William Beer: boa Cibersegurança é baseada em pessoas, processos e tecnologia. Foto: Divulgação

Na próxima terça-feira (10/12), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realiza o seminário “Cibersegurança no Brasil – O impacto na confidencialidade e na reputação das corporações”. O objetivo do evento, organizado pelo Departamento de Segurança (Deseg) da Fiesp, é o de esclarecer para os executivos de empresas os principais riscos inerentes aos ataques cibernéticos e o potencial impacto nas organizações.

Em artigo para o jornal O Estado de S. Paulo em 2012, o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp e um dos convidados do evento, já alertava para a importância da Cibersegurança. “À medida que a tecnologia se desenvolve e permite maior autonomia dos robôs, a ideia de máquinas controladas a distância por computadores tomando decisões que põem o mundo diante de questões morais é cada vez mais real e representa um grande desafio para a comunidade internacional”.

Outro dos convidados do seminário, William Beer, diretor da empresa Alvarez & Marsal, concedeu uma entrevista ao portal da Fiesp e adiantou alguns assuntos que integram a programação do seminário.

Veja a seguir a entrevista concedida por William Beer:

Quando a Cibersegurança deixou de ser apenas uma questão de TI (Tecnologia da Informação) e passou a ser também uma área estratégica dentro das empresas? 

William  Beer – Infelizmente, a maioria das organizações não entenderá a importância e o impacto significativo da Cibersegurança até que sofra realmente uma violação de dados ou um ataque. Em outros países, a legislação rigorosa e a regulamentação da indústria contribuem para um maior envolvimento dos grandes executivos. No Brasil, no entanto, ainda não há a mesma pressão sobre as empresas.

Por que a atual abordagem sobre Cibersegurança não está funcionando? E o quê as organizações necessitam fazer?

William  Beer – As organizações colocam muita fé na tecnologia, mas não incluem as pessoas ou os aspectos do processo. Elas estão tentando defender seus negócios, restringindo e impedindo novos serviços. No entanto, com o uso de dispositivos móveis, mídias sociais e computação em nuvens as abordagens tradicionais não se aplicam mais. As empresas precisam substituir a abordagem “defensiva” por uma nova em que elas aceitem que são atacadas, mas estão preparados para responder com rapidez e eficácia. Esta mudança de mentalidade não é fácil e requer apoio e envolvimento dos gestores.

Qual é a importância do papel dos chamados CISO – os executivos responsáveis pela segurança da informação, os Chief Information Security Officers – dentro da organização?

William  Beer – O papel de um CISO é fundamental e continua a evoluir com o crescimento dos riscos. Os CISOs precisam ter uma autoridade definida para quem responder, orçamento adequado e a liberdade necessária para se envolverem efetivamente com o negócio, a diretoria, o público e, até mesmo a mídia, quando um ataque ocorre.

Quais são os principais riscos aos ataques cibernéticos e de que forma eles podem impactar as empresas? 

William  Beer – Não há uma definição única da segurança cibernética industrial, mas eu acredito ser útil dividir o problema em cinco áreas. O primeiro, os crimes financeiros, relacionados a dinheiro e, tradicionalmente, direcionados aos bancos. O segundo, a espionagem. Envolve o roubo de propriedade intelectual. Aqui no Brasil, a maioria das organizações não sabe se seus dados foram roubados. Em terceiro, o ativismo. Quando os manifestantes atacam organizações por uma causa idealista e, normalmente, tentam interromper os negócios online. O item quatro é o terrorismo: os hackers usam a tecnologia para atacar e interromper os serviços críticos nacionais de infraestrutura e as empresas estatais (por exemplo, de telefonia ou energia elétrica. O quinto fator é a guerra: geralmente é de estado contra estado. Mas, os ataques também acontecem contra empresas do setor privado, por exemplo, bancos e empresas de telecomunicações.

Como as organizações brasileiras enxergam a questão da Cibersegurança?

William  Beer – Infelizmente, nossos dados e experiência mostram que muitas empresas brasileiras ainda enxergam a Cibersegurança ​​como um problema de TI. E os altos executivos acreditam que um setor de Tecnologia da Informação competente resolva o problema. A boa Cibersegurança é baseada em três coisas: pessoas, processos e tecnologia. Os líderes precisam estar pessoalmente envolvidos em Cibersegurança, ajudar a elevar a consciência em todos os níveis de suas organizações e colocar em prática estratégias abrangentes para proteger melhor seus negócios.

Fiesp recebe a visita do governador de Maryland

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

O governador do estado norte-americano de Maryland, Martin O’Malley, esteve na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta terça-feira (03/12), acompanhado por uma delegação de empresários. O objetivo do encontro foi criar e fomentar relações comerciais com o Brasil.

A coordenação do evento foi feita pelo diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Gianetti da Fonseca, que destacou os pontos que direcionam o crescimento econômico brasileiro. “É muito importante para nós estabelecer um diálogo construtivo com autoridades americanas, criar uma agenda positiva entre o Brasil e os Estados Unidos. Na Fiesp, estamos trabalhando muito para desenvolver mais cooperação entre empresas brasileiras e dos Estados Unidos”, afirmou.

Gianetti: “É muito importante para nós estabelecer um diálogo construtivo com autoridades americanas”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Gianetti: “É muito importante para nós estabelecer um diálogo construtivo com autoridades americanas”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

“Hoje, temos muitas oportunidades no Brasil, em especial por três pontos que têm feito a economia continuar crescendo: o aumento do consumo doméstico, os projetos de infra-estrutura, como estradas, portos, plataformas de petróleo e gás, e a agricultura.”

O governador de Maryland deu um panorama da economia do estado. “Maryland é chamada de América em miniatura, o que tem a ver não só com a geografia, já que ficamos no centro da costa leste americana e temos o oceano de um lado e as montanhas de outro, mas também pela nossa diversidade, que é a base da nossa economia de inovação”, explicou.

“A Câmara americana classificou Maryland com o número 1 em inovação, além da inclusão entre os dez estados com a melhor performance econômica dos Estados Unidos”, declarou O’Malley. “Um dos nossos focos é criar mais oportunidades para as próximas gerações, com uma economia mais social e humana e também inovadora e empreendedora. Isso não é algo conquistado por acaso, mas sim o resultado de escolhas.”

Impressionado com o Brasil

O governante também falou das suas impressões sobre o Brasil. “Fiquei impressionado com o que os brasileiros conseguiram alcançar nos últimos dez anos, com o crescimento da sua economia e as oportunidades para a classe média”, disse. “A questão da inclusão social é fundamental para a economia, porque todos nós estamos melhores quando os trabalhadores de uma indústria têm condição de comprar o que eles produzem.”

O’Malley: “Fiquei impressionado com o que os brasileiros conseguiram alcançar nos últimos dez anos”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

O’Malley: “Fiquei impressionado com o que os brasileiros conseguiram alcançar nos últimos dez anos”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

O cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Dennis Hankins, destacou áreas importantes nas quais Maryland pode colaborar com o Brasil. “O Brasil está em um momento de transição, em que busca um crescimento futuro por meio da inovação, a tecnologia e a educação”, explicou. “Maryland pode contribuir muito, já que é o estado-líder em inovação e tem um dos melhores sistemas educacionais dos Estados Unidos.”

Empresários e profissionais também apresentaram suas experiências durante o encontro. Para mostrar um pouco do funcionamento do sistema de infra-estrutura de Maryland, foi convidado o diretor-executivo do Maryland Port Administration, Jim White. Rushern L. Baker III, Secretário de Prince Georges County, falou sobre as oportunidades de negócio no condado. A vice-presidente da DK Diagnostics, Amanda Lapenna, contou sobre a instalação da empresa brasileira em Maryland.

Também participou do evento o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp.