Fiesp debate plano de Estado para o agronegócio de Roberto Rodrigues

Agência Indusnet Fiesp

Uma exposição da agenda do Legislativo, feita pela senadora eleita Mara Gabrilli (PSDB-SP), e a apresentação de um plano de Estado para o agronegócio, a cargo de Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, deram início nesta segunda-feira (3 de dezembro) a reunião conjunta de três conselhos superiores da Fiesp ? do Agronegócio (Cosag), de Comércio Exterior (Coscex) e de Meio Ambiente (Cosema). Foram seguidas de análise, sob diferentes pontos de vista, do plano de Estado.

Ao abrir a reunião, Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, explicou que a reunião conjunta, com a presença também da deputada federal Tereza Cristina, anunciada como ministra da Agricultura a partir de 2019, teria grande riqueza de visões.

?Nova missão?, disse Skaf sobre o papel que os futuros secretários presentes ao evento, a ministra e mesmo empresários terão no novo governo. E será necessário criar um novo paradigma, para ultrapassar todos os obstáculos e levar o Brasil para o caminho do crescimento, procurando chegar a um aumento de 5% ao ano do PIB.

Skaf defendeu as reformas estruturais necessárias para o Brasil. A ideia, afirmou, é trabalhar em conjunto, deixando de lado as rivalidades e fazendo o que for necessário para criar os empregos desejados por milhões de brasileiros.

A reunião, destacou Skaf, era a milésima dos conselhos superiores da Fiesp. Jacyr da Costa, presidente do Cosag, conduziu o evento e destacou o trabalho em conjunto com Walter Lazzarini, presidente do Cosema, e de Rubens Barbosa, presidente do Coscex. Pediu saudação especial ao novo presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa, que destacou a sempre forte relação da entidade com o Estado de São Paulo. Barbosa também mencionou que haverá um programa especial para o semiárido.

Skaf em reunião conjunta de Cosag, Coscex e Cosema. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Skaf em reunião conjunta de Cosag, Coscex e Cosema. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Agenda legislativa

Mara Gabrilli destacou a importância do agronegócio para o mundo e ressaltou a resiliência do setor no Brasil. A respeito do Senado, disse que a renovação recorde é uma novidade para a próxima legislatura.

O enorme crescimento do PSL foi outra novidade. E o PT, apesar de ver reduzida sua bancada, continua a ter a maior da Câmara.

Haver 30 partidos no Congresso, segundo Gabrilli, representa perigo, porque pode levar para um caminho de ingovernabilidade. A cláusula de barreira deve aos poucos reduzir o problema. Uma nova reforma política, com a adoção do voto distrital, deve acelerar o processo e reduzir o custo de campanhas.

Lembrou que ao lado de temas liberais do próximo governo, como a privatização há outros necessários, como a facilitação do comércio.

Não considera que o próximo presidente terá problemas para aprovar projetos que exijam maioria simples, mas temas que requeiram mudanças constitucionais, como a reforma previdenciária, exigirão mais trabalho.

Gabrilli defendeu a reforma tributária, destacando do projeto do deputado federal Luiz Carlos Hauly a simplificação do sistema, a busca de justiça distributiva e uma preocupação com a industrialização do Brasil. Também fortalece os municípios, dando a eles todos os tributos sobre propriedade, e reduz custos de contratação, o que pode ajudar no crescimento.

A pauta do agronegócio, segundo a senadora eleita, precisa ser priorizada e inclui temas de logística, água, capacitação de mão de obra. Tudo fica rápido e eficiente quando há sinergia entre Legislativo, Executivo e sociedade civil, disse.

É preciso modernizar a legislação e permitir acesso aos produtos mais eficientes, garantindo a biodiversidade, disse, a respeito de defensivos agrícolas. Falta monitoramento do uso de agrotóxicos, que não é feito há quatro anos, demonstração da necessidade de melhorar a qualidade do serviço público. É preciso, defendeu, ao lado do controle da despesa, fazer a análise da qualidade do governo.

Na reunião, Gabrilli destacou que a data marcava o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. A defesa desse contingente da população é dos principais temas para a sustentabilidade do país, afirmou.

Plano de Estado

Roberto Rodrigues destacou que a ideia foi fazer um plano de Estado para a agricultura, cobrindo 12 anos e transformando o Brasil em campeão mundial de segurança alimentar. ?Não é um plano para o agro, é para o país, um plano para a paz?, porque não há paz quando há fome, explicou. O agronegócio oferece ao Brasil essa possibilidade.

A falta de líderes no mundo contemporâneo também moveu o projeto. Com o plano o Brasil teria protagonismo internacional muito mais forte. A USP, explicou Rodrigues, criou em 2017 na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) cátedra de agronegócio, da qual ficou encarregado. Assim, assumiu a missão de criar o plano. Seis temas fundamentais são abordados na agenda

Equilíbrio fiscal é o primeiro, a partir do qual foram abordados os outros. O segundo, segurança alimentar, partiu da premissa de crescimento necessário de 20% na oferta de alimentos nos próximos 10 anos ? e para isso o Brasil precisaria dar contribuição maior, crescendo 40% no período.

O plano aborda também a tecnologia necessária para os 40% de crescimento. É contemplada ainda a política econômica, tendo como tema central o seguro rural ? parte da solução para a segurança alimentar. Com a eliminação de subsídios para grandes e médios produtores haveria recursos para direcionar para o seguro rural, segundo Rodrigues.

Logística e comércio exterior fazem parte da agenda, assim como segurança jurídica – para contratos e também para empresas e trabalhadores rurais em relação a sua estabilidade.

Outro ponto importante é a defesa agropecuária, incluindo o setor industrial. Gestão no campo também tem algumas questões ligadas ao governo. Agroenergia ratifica questões colocadas pelo RenovaBio.

Sustentabilidade, disse Rodrigues, é um tema transversal a todos os outros. ?Não se imagina competitividade sem sustentabilidade.? O segundo tema transversal é comunicação.

A visão do setor privado

Pedro Parente, presidente do Conselho da BRF, ressaltou a importância do tema em discussão na reunião conjunta. O Brasil, destacou, é o país que historicamente mais protegeu seu meio ambiente. Considera totalmente equivocado atribuir ao sucesso do agronegócio os problemas da indústria brasileira. O país é privilegiado, afirmou, e todos os setores podem ir bem.

A agenda para 12 anos tem como ponto de partida importante os primeiros anos. É preciso pôr essa roda para girar, e se isso ocorrer a possibilidade de sucesso é muito maior, segundo Parente. Ele destacou que representava na reunião o setor de proteína animal, que gera 4 milhões de empregos diretos e indiretos e movimenta mais de US$ 8 bilhões por ano em exportações. O segmento tem papel importante para a segurança alimentar, ressaltou.

Há oportunidade incrível para os próximos 10 anos, e também adiante.

Um tema inicial fundamental na discussão do plano de Estado é a visão estratégica do setor público como um todo, não só do governo federal. Não se pode esquecer que governos não produzem riqueza, papel do setor produtivo. É muito difícil hoje ser empresário, empresa ou empreendedor no Brasil, disse. O setor público parece, com exceções, fazer um favor ao setor produtivo, mas estimulá-lo é fundamental. É difícil mudar culturas, afirmou, mas destacou o alinhamento da futura ministra da Agricultura em diversos temas.

O Brasil precisa resolver seu problema fiscal, eliminando a dinâmica explosiva da dívida pública. Sem uma visão de estabilidade não há investimento suficiente, e o crescimento da economia fica aquém do que se deseja.

Em relação ao avanço da produção sustentável destacou a importância disso para a competitividade. É preciso mitigar emissões, cuidar de forma não dogmática do licenciamento ambiental, usar o solo de maneira consciente e utilizar de forma sustentável a água.

Há ações internas, como uma representação comercial mais atuante, para avançar no comércio exterior. Isso é fundamental porque os competidores não vão facilitar a vida brasileira nessa busca de protagonismo, disse. Também o processo de exportação precisa de simplificação.

O reforço da imagem do Brasil é outro ponto. Segurança e qualidade dos produtos fazem parte desse esforço. É preciso evoluir de maneira moderna e ambiciosa. Há questões importantes a abordar e é preciso avançar na autorregulação. O setor privado é capaz de garantir as melhores práticas e a ele interessa ter qualidade. A BRF entende que o principal entrave hoje é a baixa percepção de qualidade dos produtos brasileiros e se empenha em mudar isso.

Precisamos de sistema regulatório mais em compasso com o desenvolvimento do setor.

Gustavo Diniz Junqueira, que será secretário estadual de Agricultura, mostrou a visão do próximo governo paulista sobre o plano de Estado. A defesa agropecuária é tema essencial, afirmou. Saúde, sanidade e segurança precisam estar no foco para atender aos anseios da sociedade.

Espera ter nos primeiros cem dias do próximo governo uma análise de como será o agronegócio paulista em 2050. Temos que produzir aquilo que se quer consumir, com preços adequados e qualidade absoluta, agregando cada vez mais valor, por meio de tecnologia e simplificação tributária.

Tereza Cristina, anunciada como ministra da Agricultura do próximo mandato presidencial, expôs a visão do próximo governo federal sobre o plano de Estado para o agronegócio. ?Tocou em pontos fundamentais e concordo com todos eles?, disse a Roberto Rodrigues sobre a proposta. E o seguro rural é um ponto importante. Havendo segurança os bancos tenderão a emprestar mais, em melhores condições.

A comunicação precisa mudar, defendeu Cristina. ?Chegou o tempo da agropecuária brasileira. Chega de divisão. Precisamos unir esforços. Precisamos conscientizar nossa sociedade sobre o bem que o setor faz ao país.?

O comércio internacional também foi destacado por Cristina, que revelou que um departamento do Itamaraty cuidará exclusivamente do agronegócio. Meio ambiente vai conversar com agricultura, com o foco de destravar o agronegócio.

O ministério vai ter como boa novidade, segundo a futura ministra, a unificação de todos os portes da agricultura. ?Vai dar trabalho. Precisamos aproximar os pequenos agricultores, titular seus lotes, dar-lhes condições.? A defesa é preocupante, mas necessária. Temos que adequá-la. Cada um ? governo e setor privado ? precisa fazer sua parte e assumir suas responsabilidades. Segurança alimentar é necessária para a paz, e o Brasil precisa acabar com o paternalismo. Antes e depois é com o ministério, e a produção é com os produtores, disse, defendendo a autorregulação.

Jacyr da Costa destacou a importância do RenovaBio a Tereza Cristina e pediu a ela empenho em relação a isso, lembrando que o programa ficará a cargo do Ministério de Minas e Energia.

Rubens Barbosa, presidente do Coscex, destacou proposta de política nacional do trigo, primeira vez que se pensa de maneira integrada sobre o segmento, que atualmente importa metade do que é consumido no Brasil. Mencionou a crise da vaca louca, motivada pela demora na resposta do governo brasileiro. Compromissos, defendeu, devem ser atendidos, para evitar crises dessa magnitude. A futura ministra concorda com a necessidade de uma política do trigo, buscando pelo menos a autossuficiência. Ponto crucial, disse, a respeito do problema da vaca louca, que ainda afeta as exportações. Precisamos, afirmou, trabalhar de perto com o Ministério das Relações Exteriores, que deve receber informações da Agricultura.

Walter Lazzarini, presidente do Cosema, afirmou que é momento de unir esforços, deixando de lado os radicais de ambos os lados, reduzindo os atritos, para ter uma agricultura sustentável.

Na Fiesp, ex-ministro da Agricultura fala sobre desafios da Lei da Biodiversidade

Patricia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Na reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), desta sexta-feira (19/2), Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e membro do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp, falou sobre os processos na tecnologia de gestão. ?Ou a gente tem competitividade ou a gente morre?, afirmou.

Rodrigues lembrou da fase que o Brasil era importador de comida. O atual ótimo momento em que o agronegócio se encontra se deve, explicou, ao bom uso da tecnologia. ?Agora é preciso definitivamente a inserção da sustentabilidade e da bioeconomia. Nesse sentido, é preciso mudar claramente a forma de concepção dos produtos. Vem chegando uma revolução por aí com a Lei da Biodiversidade, e precisamos ter acesso a tudo isso?, enfatizou.

A lei (13.323, de maio de 2015) estabelece a forma de acesso a recursos da biodiversidade por pesquisadores e pela indústria e regulamenta o direito dos povos tradicionais à repartição dos benefícios pelo uso de seus conhecimentos da natureza, inclusive com a criação de um fundo específico para assegurar o pagamento.

Outro convidado, Renato Corona, gerente do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec) dividiu algumas reflexões sobre a Avaliação Propositiva da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2016-2019. ?No documento faltam informações de política pública. Apesar de termos boas propostas de inovação tecnológica, medir impactos vai ser fácil. Difícil vai ser encontrar uma saída?, sintetizou.

Peter Eisner, coordenador do Projeto IVV Fraunhofer ? Alemanha, falou durante a reunião sobre sua experiência no Centro de Projetos Fraunhofer para Inovação em Alimentos e Recursos Renováveis.

Ele explicou que o projeto é um modelo de sucesso implantado em inúmeros países que possibilitam ? por meio da complementaridade de competências em torno temas de comum interesse – que institutos da Sociedade Fraunhofer possam cooperar com universidades e institutos de pesquisa de ponta de outros países. Neste caso, as ações de trabalho são realizadas no Instituto de Tecnologia dos Alimentos (Ital) em Campinas. ?Lá, é possível que a pesquisa seja implementada com foco na exploração de novos mercados?.

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Reunião do Conic, da Fiesp, com a participação do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Pré-Summit: Call For Action in Bioeconomia

Rodrigo Costa da Rocha Loures, presidente do Conic, relatou os resultados do Pré-Summit: Call For Action in Bioeconomia, evento, que segundo ele, recebeu especialistas de diversas áreas e discutiram temas variados todos com o foco na bioeconomia.

?Nossa visão é que a inovação virá das startups e, para isso, precisamos criar ecossistemas. Temos consciência que os investidores que agregam capital são fundamentais nesse processo. O Brasil tem um potencial muito grande neste universo, principalmente na área de agronegócios?, explicou.

Organizado pela Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras) e pelo IBQP (Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade), o pre-summit foi realizado pela Fiesp e pela Fapesp em 19 de novembro de 2015 como forma de reunir pessoas capazes de dar contribuição importante para preparar o Call for Action in Bioeconomy Global Summit Brasil 2016.

Também participaram Paulo Roberto Barreto Bornhausen, ex-Deputado Federal e conselheiro do Conic; Roberto Aloísio Paranhos do Rio Branco, vice-presidente do Conic, e o brigadeiro Aprigio Azevedo, diretor executivo de Projetos da Fiesp.

Conselho do Agronegócio da Fiesp debate os acordos comerciais de comércio global

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

?Os mega blocos comerciais e o agronegócio brasileiro?. Este foi o tema da reunião desta segunda-feira (07/04) do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O encontro foi liderado pelo presidente do Cosag, João Sampaio, na sede da entidade.

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Marcos Jank: Brasil ficou parado e deixou de ?jogar o jogo global?. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O diretor global de assuntos corporativos da BRF, Marcos Jank, defendeu que o setor empresarial deve exigir que a agenda de acordos comerciais seja global. ?É preciso entender o que está acontecendo e, por meio do Cosag, pensar em soluções?, afirmou.

Jank explicou sobre as PTAs [sigla em inglês para Acordos Preferenciais de Comércio] e quais as gerações de evolução das mesmas. Segundo ele, a primeira geração tinha por objetivo a redução de tarifas. A segunda defendeu, além da redução tarifária, a área de livre comércio.

?A resistência que o Brasil tinha em assinar acordos de livre comércio foi o que barrou a Alca, por exemplo?, explicou.

Já a geração atual discute as altas tecnologias e a convergência regulatória, que é um pouco diferente da harmonização regulatória, com todas as regras comuns a todos os envolvidos, como a União Europeia, por exemplo. ?A convergência tem por objetivo alterar regras dos países envolvidos para o bem comum, especialmente no âmbito do meio ambiente. Quem não convergir, acaba sendo prejudicado?, disse Jank.

O diretor da BRF defendeu a importância dos acordos globais. ?Os Estados Unidos [EUA] assumiram dois grandes acordos e a Alca não aconteceu efetivamente, mas quase toda a América está integrada?, afirmou ao ressaltar que, além disso, os norte-americanos assinaram acordos com diversos países como Coreia, Austrália, alguns países do Oriente Médio. A Europa também não ficou atrás, com acordos preferenciais de comércio assinados com os mesmos países que assinaram com os EUA. ?A Europa está hiperativa em negociações comerciais?, enfatizou.

Na visão de Jank, o Brasil ficou parado. ?Nós deixamos de jogar o jogo global. O assunto é grave e precisamos nos mexer?, alertou. Para ele, é preciso discutir isso em 2014. ?O setor de carnes provavelmente é o mais afetado nesse processo. Temos que fazer mais estudos, analisar os impactos e trazer esse assunto para o processo político?, destacou.

?Hoje, o agronegócio é parte de cadeias de valores globais e nós ficamos para trás. É importante retomar essa agenda no Congresso?, concluiu.

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Flávio Soares. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O diretor do Departamento de Mecanismos inter-regionais do Ministério das Relações Exteriores, ministro Flávio Soares Damico, concordou. ?É difícil ser minimalista quando se fala do impacto do agronegócio na economia brasileira, que é responsável por grande parte da evolução deste país?, afirmou. Para ele, a retomada do regionalismo comercial deve ser analisada sob uma ótica muito mais política do que meramente comercial.

Na conclusão, o ex-ministro da Agricultura e membro do Cosag, Roberto Rodrigues, alertou para o atraso do Brasil nos acordos comerciais. ?Não há dúvida que nós perdemos firmeza e espaço nesse âmbito. Precisamos correr atrás?, afirmou.

O deputado estadual Itamar Borges também assistiu à reunião.

Empreendedores do agronegócio premiados pelo Rally da Safra na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A noite desta terça-feira (01/04) foi de reverência aos empreendedores do agronegócio nacional. Para fechar as atividades do Rally da Safra 2014, levantamento com projeções da safra de grãos no país, foram premiados os destaques do setor em cerimônia realizada na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O evento teve a participação do diretor da Agroconsult, André Pessoa, que apresentou os resultados do estudo de campo realizado este ano. A consultoria é a responsável pela iniciativa.

Além disso, estiveram presentes na ocasião o segundo vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Nery Geller, o membro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues e o diretor titular do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp, Benedito da Silva Ferreira.

?O André Pessôa, como um verdadeiro bandeirante, adentrou as áreas de plantio do país para fazer o Rally da Safra?, disse Ometto.

De acordo com o segundo vice-presidente da Fiesp, 24% da representação da entidade está ligada à indústria de insumos e alimentos. ?Temos uma grande vocação na área?, disse. ?Estamos aqui para trabalhar para o Brasil, todas as nossas posições são construtivas?.

Ometto: ?Estamos aqui para trabalhar para o Brasil, todas as nossas posições são construtivas?. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Ometto: ?Estamos aqui para trabalhar para o Brasil?. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Segundo diretor titular do Deagro, as condições enfrentadas pelos produtores rurais muitas vezes são ?adversas?. ?Por isso a importância de iniciativas como essa: a cada edição do Rally da Safra nos sentimos mais motivados a estreitar essa parceria?.

Em sua apresentação, Pessôa lembrou que o Rally é um esforço no sentido de ?reduzir a assimetria das informações no agronegócio?. ?Percorremos 65 mil quilômetros de praticamente todas as regiões do país, mobilizando uma equipe de 112 pessoas e envolvendo 2,2 mil produtores?, afirmou.

Ao longo do levantamento feito pelo Rally da Safra, conforme Pessôa, até mesmo as condições das estradas e as características físicas e nutricionais da soja no Brasil foram consideradas.

Quem tem compromisso

Para o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é preciso ajudar a ?reduzir os gargalos que atrapalham o desenvolvimento?. ?Temos que trazer para dentro do agronegócio quem tem compromisso com a produção?, disse Geller.

Geller: para promover a inovação tecnológica. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Geller: foco na inovação tecnológica. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

?No ministério, estamos focados em trazer conhecimento para ajudar a resolver problemas?, afirmou. ?Não é só disponibilizar recursos, mas também promover programas de acesso à inovação tecnológica?.

O homem que empurra o barco

Alvo da homenagem especial do prêmio Rally da Safra 2014, o fundador do Grupo Manah, de fertilizantes, Fernando Penteado Cardoso, emocionou a plateia ao destacar a ?força humana? do agronegócio. ?Parabenizo todos os premiados pela sua eficiência?, disse. ?Que continuem a representar a força humana da nossa agricultura. A qualidade do homem que empurra o barco é muito importante?.

Representante do Grupo Bom Jesus, do Mato Grosso, na cerimônia, Nelson Vígolo recebeu o prêmio de ?Produtor do Ano?. ?Essa é uma grande satisfação para mim e para a minha família, que acreditou no cerrado e na produção de soja?, disse. ?O Brasil é gigante na agricultura e pode crescer bem mais?.

Já a jornalista Sônia Bridi, da Rede Globo, destacada com o ?Prêmio Especial Régis Alimandro de Jornalismo?, fez questão de citar a sua história pessoal com o campo. ?Fiquei mais do que envaidecida e orgulhosa com esse prêmio: sou da primeira geração da família Bridi que nasceu fora da lavoura?, contou. ?Foi a expansão da lavoura no país que mudou o meu destino?.

Para Sônia, é importante lembrar que existe um Brasil agrícola ?eficiente e de altíssima produtividade?.

Confira abaixo a relação completa de premiados pelo Rally da Safra 2014:

Produtividade

Irmãos Cambruzzi (SC)

Excelência Agronômica

Geraldo H. Morsink (PR)

Gestão da Propriedade Agrícola

Fazenda Progresso (PI)

Produtor do Ano

Grupo Bom Jesus (MT)

Prêmio Régis Alimandro de Jornalismo

Gustavo Bonato ? Thomson Reuters

Prêmio Especial Régis Alimandro de Jornalismo

Sônia Bridi ? Rede Globo

Homenagem Especial

Fernando Penteado Cardoso (Fundador do Grupo Manah, de fertilizantes)

O Rally da Safra

Iniciado em 2004, o Rally da Safra vai a campo, todos os anos, para avaliar as condições das lavouras de soja e milho no Brasil. A expedição é realizada entre janeiro e março. O roteiro é escolhido com o objetivo de percorrer os principais polos produtores.

ONU faz consulta pública na Fiesp sobre princípios para indústria de alimentos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Empresários e representantes do setor agropecuário avaliaram nesta terça-feira (11/03) os seis tópicos da versão preliminar dos Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura (PEAA), elaborado pelo Pacto Global das Nações Unidas. Essa consulta pública, iniciativa da Rede Brasileira do Pacto Global, apresentou o documento com os objetivos do setor para uma agricultura mais sustentável. E deve ser lançado oficialmente em setembro deste ano.

O relatório, que já foi avaliado por nove países na primeira rodada de consulta pública realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) de setembro a novembro de 2013, traz na segunda rodada seis sugestões para promover uma produção agrícola sustentável. São eles a promoção da segurança alimentar, saúde e nutrição; ser ambientalmente responsável; garantir viabilidade econômica e compartilhar valores; respeitar os direitos humanos; incentivar a boa governança e responsabilidade e aprimorar o acesso e a transferência de conhecimento, habilidades e tecnologia.

Segundo a gerente do Pacto Global das Nações Unidas, Adrienne Gardaz, essas diretrizes foram levantadas durante a primeira consulta com os nove países. ?O objetivo dessas reuniões não é desenvolver os princípios, mas propor resultados. Esses resultados foram traduzidos para uma base que agora temos para elaborar os princípios?, afirmou.

De acordo com Adrienne, os princípios devem ser finalizados em abril deste ano. ?O lançamento oficial será em setembro, durante a assembleia geral da ONU?.

Ela explicou que os fundamentos para elaborar o documento estão baseados no conceito do Fome Zero e nos compromissos com a sustentabilidade da agricultura firmados durante a Rio+20.

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A reunião para discutir a versão preliminar dos Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Isabella Freire Vitali, gerente no Brasil e coordenadora na América Latina da Proforest, e mediadora do encontro, afirmou que ?essa consulta vai ser compilada com todas as outras. A ideia é consolidar o que é consensual?.

Até março, o órgão vai realizar consultas públicas no Brasil, Estados Unidos, Turquia, Reino Unido e outros países. O presidente da Rede Brasileira do Pacto Globa, Jorge Soto, também participou da consulta na Fiesp.

Sugestões do Brasil

A consulta pública desta terça-feira (11/03)  foi realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).  O ex-ministro Roberto Rodrigues, membro do Conselho Superior de Agronegócio (Cosag) da entidade, participou do encontro e contribuiu para algumas alterações na redação do documento.

Rodrigues sugeriu que a liberação dos mercados esteja presente no documento com um dos objetivos.  ?O único mecanismo justo seria liberar o mercado para todo mundo?, afirmou ao avaliar um dos seis tópicos propostos para a formação dos princípios do Pacto Global.

Ele também pediu mais clareza no que se refere ao pequeno produtor, citado em todos os seis itens que devem compor o documento. ?Outra questão é sobre a defesa do pequeno produtor. O que é pequeno produtor? Qual o conceito que vamos ter universalmente sobre o pequeno produtor? Por tamanho? Por faturamento??, questionou.

Embora tenha reconhecido que a questão é importante, Isabella, da Proforest, afirmou que é difícil padronizar esse entendimento de maneira global.

O diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, também participou da consulta. Segundo ele, o evento é uma oportunidade para avaliar todas as implicações da agricultura na economia e na sociedade.

?Acho até que demorou um pouco para o tema da agricultura chegar a uma discussão mais detalhada e aberta dentro do Pacto Global?, disse ele.

Entre outros colabores para a produção do documento, o head de Responsabilidade Socioambiental do Rabobank, Luiz Fernando do Amaral, sugeriu uma atualização da abordagem do tema e uma simplificação da linguagem.

Amaral afirmou ainda que o primeiro passo para aplicação desses princípios é que eles sejam incorporados na missão e nos valores das corporações. ?Isso é algo que a gente negligencia?, alertou.

Segundo ele, outro ponto de atenção é ?definir e esclarecer para que serve esse documento e principalmente para o que não serve. É muito importante alinhar as expectativas?. ?Um relatório, para ser inovador, tem que ser simples o suficiente, sistematizado para diferentes tipos de consultas, automatizado, mas também flexível?, sugeriu.

Registro: Roberto Rodrigues faz palestra para jovens empreendedores

Agência Indusnet Fiesp

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Na foto: Roberto Rodrigues (ao centro). Da esquerda para a direita, na mesa, Matheus Borella, Fernando Jafet, Sylvio Gomide, Benedito Ferreira, Elias Haddad e Tom Coelho

Com o tema ?Empreendedorismo rural ? desafios e perspectivas?, o engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues fez uma palestra na noite desta segunda-feira (23/07) em evento promovido pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Roberto Rodrigues é membro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, coordenador do centro de agronegócios da Fundação Getúlio Vargas, professor do Departamento de Economia Rural da Universidade Estadual Paulista (Unesp) ? Jaboticabal e pesquisador visitante do Instituto de Estudos avançados da Universidade de São Paulo (USP).

Rodrigues foi ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento entre janeiro de 2003 e junho de 2006. Exerceu a presidência da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e da Sociedade Rural Brasileira (SRB). Também foi titular da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Estado de São Paulo.