‘Temos empresas médias que podem fazer associações e assumir grandes obras’, diz secretário de Energia e Mineração de São Paulo no 12º ConstruBusiness

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp  

Mesmo num cenário em que são necessários R$ 114 bilhões por ano para alcançar níveis satisfatórios de infraestrutura no Brasil até 2022, é preciso lembrar que o país tem engenharia de ponta e empresas de todos os portes para executar obras públicas. Com essa perspectiva, foi realizado um painel sobre infraestrutura econômica no 12º ConstruBusiness – Congresso Brasileiro da Construção 2016, realizado na manhã desta segunda-feira (05/12), na sede da Fiesp, em São Paulo. O debate foi mediado pelo jornalista Ricardo Boechat.

Participante da discussão, o secretário de Estado de Energia e Mineração de São Paulo, João Carlos Meirelles, destacou que a engenharia brasileira “é das melhores do mundo”. “Temos empresários competentes e tecnologias, só não temos mecanismos de garantia: os projetos precisam ter dimensão dos custos dos gastos”, disse. “É imprescindível que haja financiamento privado, o que só acontece com sistemas de garantia”, afirmou. “Dinheiro está sobrando no mundo, é o regime de garantias que nós temos que discutir”.

Segundo Meirelles, não podemos ver “a paralisação de obras fundamentais porque os representantes das empresas agora frequentam hospedarias em Curitiba”, numa referência aos empreiteiros presos pela Operação Lava Jato na capital paranaense. “Temos empresas médias de altíssima competência que podem fazer associações e assumir grandes obras”, disse. “Colocamos a altura da vara de salto muito alta para que as pequenas e médias não entrem”.

Presidente da Rumo Logística, Julio Fontana Neto concordou com o secretário. “Sempre trabalhamos com médias e pequenas empresas, esses problemas de paralisação das obras nós não estamos tendo”.

O painel sobre infraestrutura econômica no ConstruBusiness: novas oportunidades para o setor. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Nessa linha de raciocínio, o vice-presidente do Grupo CCR, Ricardo Castanheira, reforçou que é preciso “tratar melhor o dinheiro privado” que pode financiar a construção no país. “Se dependermos de recursos públicos, vamos demorar a resolver as coisas”, disse. “Mas, mesmo com o tsunami dos últimos três anos, temos grupos econômicos fortes e que devem retornar ao mercado mais sadios”, explicou. “As oportunidades serão boas para quem souber aproveitar”.

Ferrovias e portos

Diretor do Departamento de Concessões do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Fábio Luiz Lima de Freitas, disse que, entre as metas de sua pasta, está a elaboração de “contratos melhores de concessões” para as ferrovias. “Temos um modelo antigo, muito deficitário”, disse.

Na área rodoviária, segundo Freitas, há 15 projetos de concessões em estudos. “Estamos estudando com o BNDES um fundo para contratar novos projetos”, afirmou.

Já entre os portos foram assinadas recentemente três renovações. “Temos R$ 20 bilhões em recursos sendo estudados na carteira de portos”.

 

Humanidade 2012: lideranças empresariais debatem caminhos para uma nova economia

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

No primeiro dia de programação do “Seminário Lideranças Empresariais”, nesta quinta-feira (20/06), no Rio, executivos de três grandes corporações debateram desafios e possíveis contribuições do setor empresarial para o equilíbrio entre os pilares social, ambiental e econômico no desenvolvimento sustentável.

Empresários discutem alternativas sustentáveis para a economia

Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp); Eduardo Gouvêa, presidente da Firjan; e Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, participaram do evento.

Leia a seguir o resumo do painel:

Ricardo Antonio Mello Castanheira (CCR) – O vice-presidente de relações institucionais da CCR, uma das maiores empresas de concessão de infraestrutura do mundo em transporte, aeroportos, metrô, barcas, que administra 2.800 quilômetros de rodovias, disse que para prestar serviços de qualidade aos usuários é preciso pensar no equilíbrio entre os três modais de sustentabilidade.

“O que temos feito para transitar nessa economia verde são os mais de 80 programas nas áreas sociais e ambientais, com uma infraestrutura que pode ajudar evitando desperdício de recursos”, apontou o executivo da CCR.

Castanheira destacou ainda o desenvolvimento de asfalto ecológico, feito a partir de pneus usados, opção que, segundo ele, torna a rodovia mais segura e confortável aos usuários.

“A cada quilômetro pavimentado com asfalto ecológico, tira-se mil pneus usados de circulação. Cerca de 15% das rodovias administradas pela CCR são feitas com esse asfalto ecológico”, revelou.

O vice-presidente de Relações Institucionais da CCR incluiu também os programas de educação de trânsito e de saúde do caminhoneiro, além da inspeção veicular na cidade de São Paulo – “responsável pela baixa de 7% da emissão de carbono na capital paulista, segundo pesquisa realizada pela USP [Universidade de São Paulo]”, informou.

Jorge Soto (Braskem) – O diretor de sustentabilidade da Braskem informou que a indústria química está presente em 95% dos produtos e até dos serviços utilizados. “Estamos constantemente buscando algo novo para favorecer a sociedade, e as questões sociais e ambientais estão sendo cada vez mais lembradas.”

Soto apresentou ainda como exemplo concreto da Braskem o desenvolvimento de um polímero feito a partir de etanol de cana de açúcar, utilizado na produção de plásticos.

O diretor da Braskem alertou que é preciso ter consumidores conscientes no ato de comprar. “Mas também deve haver informação suficiente”, ressalvou.

Os consumidores do futuro, segundo ele, devem tomar privilegiar basear decisões de compra nas informações mais do que no preço. “Daqui a 20 anos, espero que o Brasil tenha capacidade de se tornar uma potência da economia verde.”

Milton Seligman (Ambev) – Segundo o vice-presidente de relações corporativas da multinacional de bebidas, desde 1994 o sistema de gestão ambiental está implantado em toda a companhia, o que apresentou resultados objetivos e concretos no aproveitamento de resíduos sólidos de 98,3%.

Seligman destacou a redução de 35% da emissão de CO2 nos últimos cinco anos. Já no mais importante insumo de produção da companhia, a água, houve redução de 33% de uso nos últimos dez anos. “Temos uma dependência de água na faixa de 92% em relação aos produtos fabricados, portanto, não há ninguém mais interessado na manutenção de volumes disponíveis deste recurso natural em qualidade e quantidade do que a Ambev.”

A forte reinserção das embalagens retornáveis também foi mencionada como ação ambiental que não pode ser feita apenas pelas companhias. “É preciso um esforço anticíclico, do descartável ao retornável”, disse o vice-presidente de relações corporativas da Ambev.

Humanidade 2012

O Humanidade 2012 é uma iniciativa é resultado de uma realização conjunta da Fiesp Sistema Firjan, Fundação Roberto Marinho, Sesi-Rio, Sesi-SP, Senai-Rio, Senai-SP, com patrocínio da Prefeitura do Rio, do Sebrae e da Caixa Econômica Federal. O evento acontece no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, até 22 de junho, paralelamente à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O objetivo é realçar o importante papel que o Brasil exerce hoje como um dos líderes globais no debate sobre o desenvolvimento sustentável.

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