Atividade industrial se recupera em janeiro

 Agência Indusnet Fiesp, 

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539958268

Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista indicou recuperação diante da queda de 20% acumulada no último trimestre de 2008, em razão da crise financeira que se refletiu no setor.

Em janeiro, o indicador registrou alta de 6,2% em termos ajustados, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (3) pela Fiesp e o Ciesp.

A melhora, no entanto, é considerada “relativa” pelo diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades, Paulo Francini. “Não é sinal de um processo de recuperação contínuo e vigoroso. A crise continua se aprofundando, e teremos, neste ano, sangue, suor e lágrimas”, avaliou.

Sem ajuste sazonal, o índice subiu 0,9% na passagem mensal. Em relação a janeiro de 2008, a atividade retraiu 15,7%.

Nas variáveis que compõem o INA, a má notícia ficou por conta da nova queda em vendas reais: -14% em relação a dezembro, e -5,7% na comparação com janeiro de 2008. Em horas trabalhadas na produção, alta de 2,3% e queda de 6,3%, respectivamente, na mesma base de comparação. O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) perdeu cinco pontos no período: passou de 81,4%, em janeiro de 2008, para 76,6% no último mês.


Adaptação

Segundo Francini, a expressiva variação de atividade ocorrida em curto espaço de tempo deveu-se ao “desembarque” da crise no Brasil, em outubro do ano passado, e seu reflexo exponenciado nos meses de novembro e dezembro.

Em 2009, deve ocorrer um ajuste das empresas à nova situação econômica. “Se as circunstâncias forem negativas, as empresas vão se adaptar também de forma negativa, cortando empregos e diminuindo produção em médio prazo”, projetou.

De acordo com projeção das entidades, no nível em que está hoje, o INA precisaria crescer 2,1% todos os meses, a partir de fevereiro, para manter a média obtida pelo indicador em 2008 – ou seja, com crescimento zero em 2009. “Essa é a dimensão do problema em que estamos envolvidos. A tarefa que a indústria tem que fazer é muito forte”, ressaltou Francini.


Setores

Entre os setores, Minerais não Metálicos – impulsionado pela construção civil – destaca-se por manter seu desempenho acima do total da indústria. O setor teve queda menos acentuada (-5%) diante de janeiro passado, e cresceu 4,1% na passagem mensal, em termos ajustados.

Em Metalúrgica Básica, representada principalmente pela siderurgia, ocorre o contrário. O setor experimentou uma queda expressiva de 38,7% na comparação entre os meses de janeiro, e não apresentou recuperação em relação a dezembro: com ajuste, houve queda de 6,2% no primeiro mês do ano.

Segundo Paulo Francini, o setor de Metalúrgica está sendo “atacado de todos os lados” – no mercado internacional, em termos de volume de transações e preços em queda; e no mercado doméstico, principalmente pela cadeia do setor automobilístico.

O segmento de Máquinas e Equipamentos, que vinha aquecido até o início do segundo semestre do ano passado, foi atingido pela crise com a queda da expectativa em investimentos. Em janeiro, houve crescimento de 7,5% em termos ajustados, apesar da baixa de 17% na comparação com o mesmo mês de 2008.


Sensor

O indicador antecedente da Fiesp continuou negativo na segunda quinzena de fevereiro, com média de 42,3 pontos – estável em relação ao resultado da quinzena anterior. As variáveis, em seu conjunto, seguem com indicação de queda, com resultados abaixo do ponto de neutralidade (50).

“O Sensor nos diz que a expectativa dos agentes continua ruim. Houve ligeira melhora na percepção para mercado e vendas, mas empregos e investimentos devem continuar se reduzindo, e os estoques permanecem elevados”, avaliou o diretor do Depecon.