Governo precisa pôr ritmo nos investimentos em infraestrutura, diz Paulo Skaf na Record News

Agência Indusnet Fiesp

Paulo Skaf na Record News: 'Temos que corrigir o custo de produção no Brasil'. Imagem: Reprodução

As medidas adotadas pelo governo federal no setor de logística e de infraestrutura estão na direção correta, mas é preciso que os planos saiam do papel e realmente aconteçam, resumiu o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, ao participar da edição de segunda-feira (03/06) do programa “Economia & Negócios”, na Record News.

“O governo tem que pôr ritmo nisso. Parte investindo com seus próprios recursos, parte concedendo ao setor privado”, alertou Skaf ao comentar o pacote de concessões em rodovias, ferrovias e aeroportos.

Na entrevista, a jornalista e apresentadora Fátima Turci priorizou as perguntas sobre os benefícios da Medida Provisória dos Portos, a chamada MP dos Portos, aprovada em maio pelo Congresso Nacional.

“Para o Brasil, sem dúvida, [a aprovação] é uma vitória. Um dos problemas da falta de competitividade do Brasil é o custo portuário”, disse Skaf.

O presidente da Fiesp e do Ciesp elogiou o nível de interlocução das entidades com o governo Dilma, observou que o país passou por um processo de desindustrialização e disse ainda que a reivindicação das entidades é pelo aumento da competitividade do país, possibilitando a concorrência com produtos de outros países em bases isonômicas.

“Nós temos que corrigir o custo de produção no Brasil”, assinalou.

Veja o vídeo com a íntegra do programa no site do  “Economia & Negócios” ou leia, a seguir, resumo de alguns dos principais trechos da entrevista.


Aprovação da MP dos Portos

“Para o Brasil, sem dúvida, [a aprovação] é uma vitória. Um dos problemas da falta de competitividade do Brasil é o custo portuário. O custo portuário do Brasil, em relação aos países mais competitivos do mundo, é três vezes mais caro. (…) Essa medida provisória moderniza no sentido de permitir que terminais privados possam movimentar cargas próprias e de terceiros. O que significa isso? Uma empresa que tem terminal privado, pela legislação, hoje, ela só movimenta a sua própria carga. Se ela tiver ociosa, se ela tiver folga de 50%, ela não pode movimentar a carga de terceiros. Como os portos estão atrasados, se nós pudéssemos contar com esses terminais, operando a carga das empresas e de terceiros, aumentaria a capacidade de trabalho dos portos. E com mais oferta, haveria mais concorrência, os preços seriam menores e haveria mais eficiência (…) Lógico, tendo essa possiblidade dos terminais privados maximizarem, trabalharem cheios e tendo retorno, vai haver muito investimento. Estima-se 50 bilhões de reais nos próximos anos. Foi um grande passo.”

Tempo para MP surtir efeito

“A gente tem que olhar para frente. Não dá para olhar para o passado. Ainda bem que aconteceu. Ainda bem que vamos ter possibilidade de reduzir custos, melhorar a eficiência. Tudo isso vai ser bom para o Brasil. Eu espero que Brasil possa dobrar a capacidade dos portos. O mesmo vale para os aeroportos, as rodovias, ferrovias, hidrovias. Na verdade, o Brasil relaxou nos seus investimentos na infraestrutura e nós perdemos competitividade. Recentemente, a Fiesp desenvolveu um índice chamado IDT, Índice Comparado de Desempenho da Infraestrutura de Transporte. (…) Pegamos 18 indicadores em todos os modais de transporte: ferrovia, rodovia, aeroportos, hidrovia, portos. E a conclusão é que (…) estamos com um terço dos melhores do mundo. Temos que melhorar três vezes mais para ser mais competitivos. Nosso problema não são só os portos, mas também os outros modais de infraestrutura.”

Interlocução com governo

“Eu não posso reclamar da interlocução minha com o governo federal, com a presidente Dilma. A interlocução está boa. (…) Nós tivemos esse embate da MP dos Portos. Apoiei a MP porque era uma proposta boa para o Brasil. (…) Temos que lembrar que recentemente tivemos outra medida muito positiva, a redução do custo da conta de luz de todos os brasileiros, não só da indústria. Essa foi uma grande batalha. Durou dois anos. Primeiro, nós pressionamos o governo até que a presidente Dilma anunciou uma medida muito positiva, realmente reduzindo a conta de luz 18,5% para as residências até 32% para as indústrias eletrointensivas. (…) Houve a desoneração dos impostos da cesta básica, uma medida muito correta – também uma proposta que nós fizemos e foi acolhida. (…) Temos muitos outros desafios. Os juros baixaram, o câmbio melhorou. Creio que ainda existam muitos desafios. Há um programa de logística que o governo federal lançou para construir 6.000 quilômetros e ferrovias. A intenção é boa. Mas precisamos de trens carregados. Há um projeto do governo de 7.000 quilômetros de rodovias. Precisa acontecer. [O governo] Está na direção correta, mas precisamos que as coisas saiam do papel e realmente aconteçam.”

Competitividade

“Problema nosso não é da indústria. Não é da porta para dentro das fábricas. Problema nosso de falta de competitividade é um problema do país. (…) Nós temos que corrigir o custo de produção no Brasil. Hoje, produzir no Brasil é mais caro que nos Estados Unidos, em alguns países da Europa. E isso tem que mudar. Eu acho que o consumidor tem que ter direito de ter oferta de todos os produtos. É justo. Eu também sou consumidor. Quando vou consumir algum produto, quero a melhor qualidade, o mais bonito e o menor preço. E isso é o que eu desejo a todos os consumidores brasileiros. Agora, o problema da indústria é de isonomia. O que não pode é exigir da indústria brasileira competir com custos que, lá fora, eles não têm. Se deixar [o país] escancarado, sem um cuidado, sem equilíbrio, corre o risco de acabar com esse patrimônio brasileiro que é a indústria, que levou muito tempo para ser construída.”

Desindustrialização

A desindustrialização aconteceu. (…) A indústria mais benéfica para o país é a de transformação, que transforma matéria-prima, agrega valor, emprega intensivamente. Essa é a indústria que é interessante para um país. A indústria de transformação teve uma participação de 27% no PIB do país. Hoje é 15%. Então, isso significa desindustrialização. (…) O que se luta não é por protecionismo, fechar fronteiras; o que se luta é ter as condições semelhantes às que os nossos concorrentes têm.

Concessões

“Com relação a investimentos, não dependem só do setor privado. A maior parte dessas decisões depende do setor público. Primeiro que existe o investimento público. Quando o governo se vê sem recursos, pode conceder. Para isso tem que ter regras, para isso tem que ter velocidade. Defendo concessões, mas sempre concessões ao menor preço. (…) Quem ganha é o que oferece o menor preço. Quem ganha não é quem paga mais ao governo. Então, o governo tem que pôr ritmo nisso. Parte investindo com seus próprios recursos, parte concedendo ao setor privado. (…) Resultado final é ter uma infraestrutura que atenda às pessoas e atenda à competitividade do país, no transporte, na logística. Nós ficamos muito tempo parados e temos que tirar a diferença.”

Previsões para 2013

“A indústria deve gerar uns 100 mil empregos. O PIB deve dar em torno de 2,5%. Estamos trabalhando com número de 2,5%. A indústria esse ano deve dar 2%. Não são índices muito elevados, mas melhores do que o ano passado. Caminhando para a melhoria desde que essas coisas que o Brasil necessita aconteçam com a velocidade que o Brasil precisa.”

Paulo Skaf defende aprovação de MP 579 em três programas ao vivo na TV

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Em defesa da Medida Provisória 579, que propõe a redução da tarifa de energia mediante a antecipação da renovação das concessões no setor de energia elétrica, o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, cumpriu agenda intensa na noite de terça-feira (11/12).

O líder das entidades passou pelos estúdios da TV Gazeta, às 19h50; da Record News, pouco depois de 21h; e da Globo News, às 23h.

Na TV Gazeta, Skaf foi entrevistado por Maria Lydia Flandoli no Jornal da Gazeta.

Na Record News, conversou com o âncora Heródoto Barbeiro no Jornal da Record News.

Por fim, participou do “Entre Aspas”, programa apresentado pela jornalista Mônica Waldvogel, ao lado do também convidado Luiz Carlos de Mendonça Barros, ex-ministro no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Todas as participações foram ao vivo.

Paulo Skaf no telejornal da Record News: setor elétrico já amortizou investimentos

Paulo Skaf na entrevista ao vivo com Heródoto Barbeiro.

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, esteve no estúdio do Jornal da Record News, nesta terça-feira (11/12), para comentar a tramitação no Congresso da Medida Provisória (MP) 579/2012, que antecipa a renovação das concessões no setor elétrico e abre oportunidade para a redução de tarifas de energia.

Skaf disse que a MP não representa uma tentativa de populismo elétrico. “No preço cobrado [pelas empresas estatais[, a maior parte é amortização de investimento. Que paga as usinas é a sociedade”, explicou, observando que as usinas construídas nos anos 60 e já tiveram uma renovação em 1995 por mais e 20 anos.

“O que interessa para a população? Interessa que todos estavam pagando na conta de luz de forma injusta uma amortização que já foi paga anteriormente. Ou seja, estava se pagando mais do que devia se pagar.”

“Essas companhias estatais estavam mal acostumadas”, concluiu Skaf ao final da entrevista.

Veja na íntegra no site da Record News.