Newton Moreno: “Adoro desconstruir personagens”

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Mesmo morando em São Paulo há mais de 20 anos, o recifense Newton Moreno ainda esquece que está na capital paulista e cumprimenta seus interlocutores com dois beijos no rosto em vez de um. O fato de não economizar carinho com quem acabou de conhecer diz muito sobre o dramaturgo, que se define como um curioso capaz de se sensibilizar diante de pessoas, histórias e temas variados nos palcos, sendo o tradicional diante do contemporâneo, a sexualidade, a homoafetividade e o espaço do sagrado os mais recorrentes. Na entrevista abaixo, Moreno fala do workshop que comandará no Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council, sobre os seus próximos projetos e sobre aquilo que chama a sua atenção no Brasil hoje: “O clima está incendiário”.

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Newton Moreno: "Fico muito feliz em contribuir para o Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council". Foto: Everton Amaro/Fiesp


Você participou da Mostra de Dramaturgia Contemporânea do Sesi-SP em 2002, com o espetáculo Dentro, de sua autoria. Foi o seu primeiro contato com a instituição?

Foi. Foi uma mostra organizada por nomes como o Renato Borghi (ator, autor e diretor de teatro) e a ideia era mapear um pouco a dramaturgia contemporânea feita em São Paulo nessa virada de século. Quando conheceu o meu trabalho, o Renato me perguntou se eu não queria produzir um texto para essa iniciativa. Até digo que ele foi um dos padrinhos que eu tive nesse começo de carreira. Ele e o Marcio Aurelio, um diretor renomado que depois dirigiu a minha peça Agreste.

Você também apresentou espetáculos no Espaço Mezanino do Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso, certo?

Sim, o primeiro foi Santa Luzia passou por aqui com seu cavalinho comendo capim, cuja autoria do texto eu dividi com o Antonio Rogério Toscano. Pegamos a ideia do mito da Santa Luzia, que doou os olhos, para falar sobre as maneiras de ver, de perceber o outro. O segundo espetáculo foi o Fronteiras, que eu escrevi com o Alessandro Toller e dirigi.

O que você vai apresentar aos alunos do Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council no workshop que começa no dia 13 de junho?

Fico muito feliz em contribuir para o Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council. Eu como dramaturgo autodidata sei como é difícil começar sem orientação. Quero ajudar dando ferramentas para que jovens dramaturgos possam se desenvolver. Esse tipo de trabalho me alimenta, me ajuda a renovar o meu olhar. É muito bom acompanhar os diálogos, os comportamentos, as ideias desses jovens. Para mim é uma retroalimentação. Pretendo apresentar exercícios, dinâmicas para criarmos histórias juntos.

Como você definiria o seu trabalho no teatro?

A minha natureza é curiosa. Gosto de pessoas, tenho curiosidade pelo outro e isso com relação a temas diversos, adoro descontruir personagens. Mas na minha obra há diálogos que sempre voltam, como o do tradicional diante do contemporâneo, a sexualidade, a homoafetividade, o espaço do sagrado e da religião. O Nordeste me deu tudo, tenho essa memória.

Você costuma dizer que o dramaturgo tem a função de provocar uma nova cena, de ser um olhar atento sobre as questões da sociedade. Que temas chamam a sua atenção hoje?

A reorganização política do Brasil. O atual momento dificilmente não vai virar tema de alguma peça. Está todo mundo voltando a conversar sobre política, com toda a tensão sobre como vamos construir esse diálogo. O clima está incendiário.

Agreste é a sua peça de maior repercussão. Esse foi um trabalho especial para você?

Foi sim. Ter o Marcio Aurélio na direção chamou a atenção para o meu trabalho. É como se as pessoas pensassem: se o Marcio Aurélio dirigiu, é porque alguma coisa boa tem aí. Isso atraiu muitas atenções para mim. E a peça resume os principais elementos da minha obra.

E Assombrações do Recife Velho, foi marcante para você do ponto de vista da memória afetiva de pernambucano?

Acompanhamos o percurso que o Gilberto Freyre fez, no Recife, por lugares tidos como mal-assombrados. Por isso Assombrações é uma viagem de volta às minhas origens, aos meus fantasmas, uma trajetória que dialoga com as minhas memórias. Moro em São Paulo, mas vou ao Recife duas ou três vezes por ano, sempre que estou lá uma pista nova se abre, volto com alguma referência. Recife me inspira.

Quais são seus próximos projetos?

Tenho uma peça pronta e com estreia marcada para 30 de setembro, no Centro Cultural São Paulo: Berço de Pedra. São cinco histórias sobre mulheres, com uma mãe em todas elas. Reflete um pouco o atual momento também, com a potência do feminino se impondo.

O outro trabalho, Os Imortais, ainda está em processo de produção. É uma peça baseada numa tradição chamada “coberta da alma”, ainda encontrada no Sul do Brasil, por meio da qual, em caso de falecimento, alguém da família ou próximo dela é escolhido para personificar a identidade do falecido, para interpretar a pessoa que morreu. Assim, esse ritual é, no espetáculo, o ponto de partida para uma série de conflitos entre o tradicional e o contemporâneo.

Tem vontade de encenar uma peça sua no Teatro do Sesi-SP, que está em reforma nesse momento?

Eu quero muito fazer uma peça no Teatro do Sesi-SP. Estive lá recentemente para ver A Madrinha Embriagada e O Homem de La Mancha. Estou tendo muito prazer em participar do processo de formação de dramaturgos do Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council.


Vencedores do Acelera Startup comemoram disputa e começam a ser procurados por investidores

Giovanna Maradei e Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Uma capina elétrica, um software para ajudar na inclusão social de crianças autistas e um programa para estimular as vendas diretas foram os vencedores do Acelera Startup, uma das atividades mais disputadas do Festival de Empreendedorismo (Festemp), realizado nos dias 25 e 26 de setembro, no Anhembi, na capital paulista.

A iniciativa teve 300 projetos selecionados pelos membros do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Desses, os dez melhores tiveram a chance de vender seu negócio a uma banca de investidores por meio do formato “elevator pitch”, ou seja, de forma rápida, no tempo de uma conversa de elevador. Vencido o desafio, os campeões já colhem os frutos de seu trabalho. E começam a conversar com investidores.

Primeira colocada na disputa, a Sayyou Brasil está começando as suas operações agora e atualmente tem quatro sócios e quatro funcionários, com sede na capital paulista. A empresa desenvolveu um equipamento chamado capina elétrica. Do que se trata? De uma peça que, acoplada ao trator, capina o campo sem o uso de outro tipo de energia além da própria energia mecânica vinda do movimento do veículo. “É uma alternativa ao uso de produtos químicos para a capina”, explica Sérgio de Andrade Coutinho Filho, um dos sócios-diretores da Sayyou. “Uma alternativa limpa e com custo reduzido”, diz ele.

Paulo Skaf com os vencedores do Acelera Startup, no Anhembi, em setembro. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Paulo Skaf com os vencedores do Acelera Startup, no Anhembi, em setembro. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Para o empreendedor, fez toda a diferença ter participado do Acelera. “Não esperávamos ganhar, vimos muitos projetos bons na seleção”, diz. “Já fomos procurados por investidores interessados na nossa ideia e estamos conversando com alguns fundos de investimento”.

Lá do Recife

O projeto que ficou em segundo lugar no Acelera do Festemp surgiu durante pesquisa para uma dissertação de mestrado no Centro de Estudos Avançados do Recife (Cesar), na capital pernambucana. Foi quando o responsável pela iniciativa, Eraldo Guerra, começou a pensar no desenvolvimento de um software que ajudasse crianças autistas a se desenvolverem, o Can Game. “Acho que não escolhi o tema, mas o tema me escolheu, não foi nada premeditado”, diz. “Entre tantos temas, foi o autismo que me conquistou”.

Guerra explica que o programa foi desenvolvido por meio de uma proposta interdisciplinar voltada para alunos do ensino médio. “É muito bom empreender algo que possa beneficiar a sociedade”, explica.

Sobre a participação no Acelera, o empreendedor diz que essa foi uma experiência “única”. “Fiz excelentes contatos, aprendi bastante e espero ter projetos todos os anos para participar do evento”, afirma. “Valeu a pena cada momento, mesmo que o ar condicionado estivesse tão forte”, brinca.

Depois da vitória, Guerra explica que já existem interessados “colaborando de alguma forma”. “Acredito que em um espaço curto de tempo iremos atingir os nossos objetivos”.

Para vender mais

Terceiro colocado no Acelera, o Contatix consiste num software desenvolvido para aumentar a produtividade das empresas que trabalham com vendas diretas, por sinal um setor de atuação muito forte no Brasil. A iniciativa ajuda na comunicação com os clientes, identificando oportunidades nas redes sociais, por exemplo.

A ideia é oferecer um sistema simples, que possa ser usado pelo maior número possível de usuários. Segundo informações da empresa, o objetivo principal é ser simples o suficiente para que qualquer pessoa possa usar e poderoso o suficiente para que grandes usuários possam extrair o melhor da solução.

No último dia do Festemp (26/09), as três empresas vencedoras receberam os cumprimentos do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, no Anhembi.

Programa Diálogos com Autoridades Públicas vai à Receita Federal do Recife

Emilse Bentson, Agência Indusnet Fiesp

A Receita Federal do Recife é o próximo destino do programa Diálogos com Autoridades Públicas, realizado pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp.

A visita está programada para o dia 16 de agosto (terça-feira), com a participação de servidores da Alfândega de Suape, Inspetoria de Recife, Alfândega do Aeroporto de Recife, Secretaria da Fazenda de Pernambuco, Secretaria de Defesa Social de Pernambuco e Polícia Federal.

O programa Diálogos com Autoridades Públicas consiste na realização de visitas a portos, aeroportos e pontos de fronteira brasileiros, com a finalidade de reunir o poder público e a sociedade civil organizada em torno do combate à ilegalidade e à pirataria.

A Fiesp promove esses encontros desde 2006, com o apoio da Receita Federal do Brasil (RFB), do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (do Ministério da Justiça) e do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Em formato de seminário, cada evento envolve os principais órgãos públicos responsáveis por fiscalizar o comércio exterior, além de sindicatos filiados à Fiesp e de outros representantes da iniciativa privada.

Durante um dia inteiro, os palestrantes apresentam os problemas enfrentados pelos diversos segmentos da economia nacional, a legislação específica de cada setor, a forma de atuação dos criminosos e, principalmente, os aspectos técnicos de cada indústria para auxiliar a identificação de práticas desleais.

Em julho último, o Programa Diálogos com Autoridades Públicas esteve na Receita Federal de Uruguaiana (RS), na fronteira entre o Brasil e a Argentina. Ainda este ano, pretende visitar os seguintes portos e pontos de fronteira: Corumbá/MS (25/08), Rio de Janeiro/RJ (14/09), Porto Alegre/RS, Foz do Iguaçu/PR, São Francisco do Sul/SC e Imbituba/SC.

Serviço
Evento: Diálogos com Autoridades Públicas em Recife
Data: 16 de agosto de 2011, terça-feira / Dia inteiro
Endereço: Aeroporto Internacional dos Guararapes – Praça Senador Salgado Filho, s/nº – Imbiribeira – Recife-PE

Mais informações:
Área de Defesa Comercial (Derex/Fiesp)
Abrão Árabe Neto, tel. (11) 3549-4483
Carolina Cover, tel. (11) 3549-4221