INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: NESPRESSO – TRANSPARÊNCIA PELA SUSTENTABILIDADE

Por Karen Pegorari Silveira

O valor compartilhado é mais do que uma nova tendência, trata-se de um novo propósito. Em vista das mazelas sociais e econômicas que ainda persistem no Brasil e no mundo, o valor compartilhado representa a chance de reinvenção das empresas, em diálogo aberto e transparente com a sociedade.

Pensando nisso, a Nespresso, fabricante de café em capsulas, desenvolveu diversas ações para engajar todos os seus stakeholders com o intuito de apresentar histórias reais de pessoas envolvidas na cadeia de produção sustentável do café

Sua campanha de Criação de Valor Compartilhado usa personagens reais e brasileiros como protagonistas de uma campanha para contar as histórias da origem do café. Duas agrônomas, Ana Paula e Gilvânia, e um produtor, Lázaro, contam suas experiências em peças de comunicação on-line e off-line que enaltecem a relevância do Brasil como o maior fornecedor de grãos de café de qualidade para a Nespresso.

Criada com o mote “As escolhas que fazemos”, a campanha enfatiza os principais valores da marca – qualidade e sustentabilidade. As ações 360 incluem as vitrines das lojas brasileiras da marca que trarão fotos dos protagonistas acompanhadas de trechos que relatam suas relações com a marca.

A sócia-diretora da empresa que criou a campanha, Cris Penz, diz que “falar da qualidade do café Nespresso é falar de pessoas. Quando damos voz a quem faz parte da cadeia de produção de café no Brasil, temos a chance de fazer conexões reais com os consumidores. Essa é uma campanha que traduz os valores perenes da marca”, complementa ela.

Pioneira na reciclagem de cápsulas, a Nespresso também inaugurou este mês as visitas oficiais ao seu Centro de Reciclagem. Localizado em Barueri, São Paulo, o Centro estará disponível para visitas do público com inscrições pelo site ou, ainda, por meio do tour virtual.

Com duração de 90 minutos, o programa de visitas envolve a explicação de toda a cadeia de reciclagem Nespresso. O trajeto inclui a visitação da área que realiza, sem água, a separação do pó de café e do alumínio dentro de um maquinário de desenvolvimento próprio.

A gerente de cafés e sustentabilidade, Claudia Leite, diz que atualmente há 54 pontos de coleta para o consumidor da linha doméstica no Brasil. “As cápsulas usadas são coletadas nestes pontos e enviadas ao Centro de Reciclagem por meio de logística reversa. Em 2017, reciclamos 13,3% do total de cápsulas vendidas, um crescimento significativo em relação ao ano anterior, mas temos o compromisso de fazer muito mais”, completa. Atualmente, a Nespresso investe globalmente 25 milhões de francos suíços em reciclagem por ano.

De acordo com o presidente-executivo da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), Milton Rego, a reciclagem do alumínio alia uma combinação única de vantagens: “O processo de reciclagem do alumínio utiliza apenas 5% da energia elétrica e, segundo dados do International Aluminium Institute (IAI), libera somente 5% das emissões de gás de efeito estufa quando comparado com a produção de alumínio primário. O processo diminui o volume de lixo gerado que teria como destino os aterros sanitários, estimulando a consciência ecológica”, diz.

Com estas ações a empresa pretende ressaltar sua atuação em toda a cadeia sustentável, do grão à xícara e à reciclagem e divulga o compromisso da marca com o tema sustentabilidade. Por meio do programa denominado The Positive Cup, a Nespresso trabalha os pilares como aquisição de café sustentável, gestão do alumínio e gestão eficiente do clima. No pilar alumínio, a meta é chegar a 100% dos clientes uma solução fácil de reciclagem até 2020.

Sobre a Nespresso no Brasil
A marca está presente no Brasil há dez anos e conta com 17 Boutiques nas principais cidades do país.

 

Apresentações – Workshop Brasil-Portugal sobre Gestão de Resíduos Sólidos

Acesse as apresentações dos palestrantes que participaram do Workshop Brasil-Portugal sobre Gestão de Resíduos Sólidos.

Palestrante: José Eduardo Martins, ex-Ministro de Meio Ambiente de Portugal e sócio da Abreu Advogados

Evolução da Política de Gestão de Resíduos em PortugalPalestra 1 e Palestra 2

Palestrante: Fabricio Soler, Felsberg Advogados

A legislação de resíduos sólidos no Brasil

Palestrante: Carlos Ohde, Diretor de Inovação e Novos Negócios da Sinctronics

An innovation center in sustainable technology for the electronics industry

 

SINDICATO RESPONSÁVEL: SINBEVIDROS – INCENTIVO À SUSTENTABILIDADE

Por Karen Pegorari Silveira

O Brasil produz em média 2 milhões de toneladas de vidro por ano, e desse montante cerca de 20% é matéria-prima reciclada. Assim como nos demais processos de reciclagem, o valor do vidro reciclado varia de acordo com a pureza do material.

Na Alemanha, o índice de reciclagem em 2010 foi de 87%, correspondendo a 2,6 milhões de toneladas e em 2009 foi de 81%. Na Suíça o índice foi de 95% e nos EUA 40%.

Com este cenário, o SINBEVIDROS considera que a busca pelo desenvolvimento sustentável do setor é estrategicamente o grande desafio para aumentar a competitividade das empresas associadas, preparando-as para as novas exigências do mercado consumidor.

Para ajudar o setor a melhorar sua competitividade, o sindicato desenvolveu um programa próprio de avaliação ambiental denominado “SELO VERDE SINBEVIDROS”. Com o programa eles pretendem diagnosticar, avaliar e definir categorias para níveis de proatividade com que as empresas associadas gerenciam suas questões ambientais, bem como controlam a gestão de seus resíduos. Essas categorias são divididas em: Selo Verde SINBEVIDROS Bronze; Prata e Ouro.

O intuito do sindicato com o programa é que cada selo conquistado represente um incentivo para as empresas associadas desenvolverem mais ações que reduzam os impactos ambientais possíveis nos seus processos, aumentando assim as ações de reciclagem de resíduos, além de chamar a atenção para a destinação correta dos mesmos, quando esgotada todas as possibilidades da sua reutilização.

Para realizar os diagnósticos e as avaliações do Selo Verde, o SINBEVIDROS contratou os serviços da Rede SENAI-SP de Meio Ambiente, com sede na Escola SENAI Mario Amato em São Bernardo do Campo. Sua estrutura é composta por especialistas na área ambiental, laboratórios de meio ambiente e microbiologia e uma área de pesquisa e desenvolvimento que também atende ao Edital SENAI SESI de Inovação.

A visita de diagnóstico e avaliação tem as seguintes etapas:

Reunião de abertura com direção da empresa;
Diagnóstico e avaliação da documentação legal;
Visita às instalações da empresa;
Verificação da gestão de resíduos;
Reunião de encerramento.

O técnico do SENAI faz um relatório contendo os assuntos discutidos e as questões identificadas durante a visita para todas as empresas associadas participantes. Caberá ao SINBEVIDROS enviar o relatório e comunicar a empresa da pontuação alcançada e a data de entrega do selo conquistado e/ou do certificado de participação.

Para conhecer melhor essa e outras iniciativas do Sinbevidros, acesse www.sinbevidros.com.br.

 

 

 

 

 

Logística reversa e economia circular são debatidas na Fiesp

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O consumidor é um dos elos essenciais na logística reversa, com responsabilidade compartilhada, para que o produto, aparentemente sem utilidade após o fim do seu ciclo de vida, seja descartado de modo adequado sem danos ao meio ambiente, ou para que retorne a novo ciclo produtivo. A disposição correta de resíduos é um problema crucial para todas as cidades e especialmente os grandes centros urbanos.

Por isso, a Fiesp realizou, em 5 de abril, debate sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instrumento legal que estabelece o conjunto de ações destinadas a viabilizar a coleta e também a restituição dos produtos ao setor empresarial após o seu uso.

João Carlos Basile, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp (DMA), e à frente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIPHEC), disse que esse setor está bem envolvido com a logística reversa e tem programa efetivo há anos.

O que é, afinal, economia circular? Segundo Fabricio Soler (Felsberg Advogados), a economia circular consiste em ciclo de desenvolvimento positivo contínuo que preserva e aprimora o capital natural, otimiza a produção de recursos e minimiza riscos sistêmicos administrando estoques finitos e fluxos renováveis.

Soler chamou a atenção para a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos: conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos. A responsabilidade compartilhada encontra-se na Lei n. 12.305, a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

“Quando se fala em recolhimento do produto e destinação final é logística reversa (LR) e não há limites. Pela lei não são todos os produtos sujeitos à LR, mas quando se fala em economia circular, não há limite de produtos”, refletiu Soler.

São obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de:

I – agrotóxicos, seus resíduos e embalagens – já possui regulamento;

II – pilhas e baterias – já possui regulamento;

III – pneus – já possui regulamento;

IV – óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens – já possui Acordo Setorial;

V – lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista – possui Acordo Setorial assinado em 2014;

VI – produtos eletroeletrônicos e seus componentes – Acordo setorial em negociação;

VII – Medicamentos – em negociação.

Os sistemas são implementados e operacionalizados por:

Acordos Setoriais;

Regulamentos expedidos pelo Poder Público; e

Termos de Compromisso.

Há previsão legal quanto à melhoria da embalagem, que deve ser fabricada com material que propicie sua reutilização ou  reciclagem. É responsável pelo atendimento dessa obrigação todo aquele que:

manufatura embalagens ou fornece materiais para a fabricação de embalagens;

coloca em circulação embalagens, materiais para a fabricação de embalagens ou produtos embalados, em qualquer fase da cadeia de comércio.

Soler explicou que toda lâmpada tem inclusos 41 centavos destinados à logística reversa. Quando importada, é necessário aderir ao sistema e obter um carimbo do Inmetro que confirma a concordância do fabricante ao sistema brasileiro.

Especificamente sobre a logística reversa das embalagens, contidas na fração seca dos resíduos sólidos urbanos ou equiparáveis, Soler detalhou a obrigatoriedade em relação ao papel e papelão, plástico, alumínio, aço, vidro e embalagem cartonada longa vida.

A fase 1 de implantação do Sistema de logística reversa irá se encerrar em novembro de 2017 e envolverá 438 cooperativas e 645 PEVs. O objetivo central é melhorar a estrutura das cooperativas e basicamente implantar pontos de entrega voluntários. A fase 2 deverá ser definida a partir de ensinamentos, desafios, obstáculos e resultados da fase 1.

Entre as metas, viabilizar o retorno de 3.815 toneladas/dia. Isso envolverá a criação de um sistema estruturante e promover a redução de, no mínimo, 22% das embalagens dispostas em aterro até 2018.

O secretário do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, Gilberto Natalini, que participou do evento, frisou que é preciso mudar a maneira como se produz e se consome. Pelo inventário de emissão de gases de efeito estufa (GEE) do município, a descarga de frotas – caminhões, ônibus e veículos – lidera. Em segundo lugar, o lixo.

“Em São Paulo, não temos lixões, temos dois aterros. Um deles está desativado, o Bandeirantes. O outro, o São João, em Sapopemba, tem vida útil de dez anos. Há outro alugado, em Caieiras. E temos um prazo para resolver isto, a destinação do que se produz e se consome”, enfatizou, lembrando a produção de 17 mil toneladas/dia de resíduos. “Esses dois aterros têm usinas elétricas, de queima de gás metano, o que diminui o impacto de GEE e ainda abastece 600 mil pessoas”, concluiu, afirmando que São Paulo faz uma separação de lixo ainda “pequena”.

Debate na Fiesp sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Logística reversa na prática

Na continuidade do encontro, Daniela Lerário (TriCiclos) tratou de gestão de recursos, pontos limpos e PEVS. A TriCiclos é uma Empresa B Certificada que busca compreender e solucionar as questões ligadas ao comportamento de consumo e gestão dos resíduos por meio da aplicação dos conceitos de economia circular. “Queremos demonstrar o impacto ambiental de cidadãos, empresa e poder público na comunidade e ajudar a construir um caminho para o consumo mais responsável. Se designers pensarem melhor, não haverá lixo”, afirmou.

A empresa, que tem base no Chile, está atuando no Brasil há dois anos e meio. Mas, o que é empresa B? Uma empresa que tem compromisso real com o triple bottom line (tripé econômico, social e ambiental), em seu estatuto, e que é certificada. No total, já são 2.200 empresas certificadas. No Brasil, são quatro.

Lerário lembrou que são produzidas 17 mil toneladas/dia de resíduos em São Paulo, o que significa 1,1 quilo/dia por pessoa. Nesse contexto, é preciso tentar circular produtos, processos, informações e oportunidades com os resíduos. A TriCiclos foi a única empresa sul-americana parceira na elaboração do relatório The News Plastic Economy, estratégia de transição para a nova economia para os plásticos, lançada em janeiro no World Economic Forum – WEF, em Davos. “Em 2050 haverá uma tonelada de peixes para uma de plástico, hoje essa proporção está em 4 para 1”, alertou a expositora.

Na gestão de PEVs, o olhar é de rastreabilidade em função do trabalho com cooperativas de catadores como prestadores de serviço, tendo como foco sua formalização e o empoderamento da mulher, maioria nas cooperativas. O saldo é de parceria com 60 cooperativas e uma rede que envolve mais de 120, somando mais de mil cooperados. Com 167 pontos em operação em 14 Estados brasileiros, tem impacto em mais de 1,7 milhão de pessoas.

“Com o conhecimento obtido nos PEVS, é possível conversar com importadores, fabricantes e indústria sobre design. Por exemplo, uma cor pode inviabilizar a reciclagem”, disse, explicando que o objetivo da economia circular aplicada é reinserir esses materiais em cadeias já existentes. Com a instalação de PEVs de 5 e 20 bocas, há não somente uma pré-triagem, mas uma pessoa no local para orientações. No ponto, há prensa e balança, ou seja, o material sai de lá já separado (plástico transparente e colorido) e enfardado, segundo detalhou Daniela Lerário, da TriCiclos.

A geração total de resíduos sólidos urbanos, no Brasil, chegou a 79,9 milhões de toneladas, em 2015, e foram coletados 72,5 milhões de toneladas. A geração total de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos, em 2014, foi de aproximadamente 1,4 milhão de tonelada, de acordo com números apresentados por Ronaldo Stabile, da Recicladora Urbana, neste debate. Menos de 3% são reciclados, nesse balanço, geração per capita de 7 quilos habitante/ano de resíduo eletroeletrônico, com impacto ambiental, social e de saúde pública. “E isso vem se acumulando ano a ano”, disse.

E há riscos com o descarte indevido. “Quando o celular ou o notebook estão íntegros, não há risco, mas quando o descarte é irregular, torna-se altamente nocivo pelo fato de a pessoa não saber manipular esses materiais”, alertou. De cada tonelada que entra na empresa, 30% são aproveitados, 25% para transformação em equipamento de reúso e o restante, 100% de matéria-prima, explicou o palestrante.

Para encerrar, Stabile alertou para o desmonte de aparelhos de TV com tubo – em função do desligamento do sinal analógico. É preciso descarte correto, pois o tubo, altamente poluente, contém no tubo pó fosfórico, que é cancerígeno.

Outro exemplo apresentado vem da Tetrapak. Sua representante, no evento, Juliana Seidel, lembra que no DNA da empresa sueca está a disponibilidade de alimentos de forma segura. A embalagem cartonada atende ao ciclo de vida até o consumo final para depois ser reincorporada no processo produtivo como matéria-prima. A embalagem, composta por até 75% de recursos naturais renováveis – papel, polietileno de cana-de-açúcar, mais alumínio – está em consonância com a economia circular e reduz a pegada de carbono.

Economia circular e desafios para o setor empresarial

Para Luísa Santiago, da Fundação Ellen MacArthur, há uma combinação de riscos e oportunidades para o desenvolvimento socioeconômico com impacto nos sistemas vivos, e é preciso evitar perdas expressivas. “Gerar nova forma de economia. A gente joga dinheiro fora. No setor de bens de consumo não-duráveis, representando valor de 3,2 trilhões de euros, 84% dos materiais que entram no sistema linear são jogados ou incinerados anualmente na Europa. Ou seja, 2,7 trilhões de euros perdidos como resíduos em aterros, em função de falhas no sistema linear”, exemplificou.

Em termos de mobilidade, 92% do tempo os veículos estão parados e, quando andam, rodam com uma pessoa e meia dentro, quando poderiam ter cinco. Há ainda os custos de acidentes, mortes, impactos na saúde, no mercado de trabalho, prejuízos emocionais, segundo apontou.

Em função da crescente urbanização, faz-se necessária a aceitação de novos modelos de negócios inovadores com o suporte dos avanços tecnológicos. A economia circular elimina a noção de resíduo desde o seu início. Santiago frisou que 30% dos resíduos, nos aterros europeus, são de demolição, da construção civil e suas perdas. No Brasil, esse índice chega a 50%.

Outro exemplo, “os escritórios estão desocupados 40% a 50% do tempo no horário de trabalho. Há mais casas vazias do que desabrigados na Europa, tem algo errado nessa conta. E ainda 100 milhões de toneladas de alimentos são perdidos, na Europa, anualmente; 50% dos alimentos que rodam as cadeias globais produtivas se perdem por ineficiência nos processos; 97% desses resíduos globais são, na verdade, nutrientes que poderiam recompor o capital natural, mas vão para os aterros, representando US$ 300 bilhões de dólares e geram externalidade negativa com a emissão de metano e a degradação do solo.

Em sua avaliação, há muitas perdas estruturais. Até 2030, segundo o Banco Mundial, 3 bilhões de pessoas passarão a ter padrões de consumo de classe média e haverá, portanto, muita pressão sobre os recursos naturais.

Para encerrar, Luísa Santiago apresentou cases: da Philips vendendo luz como serviço; Renault com a remanufatura nos automotivos; Nat. Genius com a manufatura reversa de bens de linha branca.

A última participação foi de Flávio Ribeiro, da Cetesb, que tratou do respeito dos termos de compromisso da logística reversa: hoje há 14 em andamento, 7 já renovados e vários em negociação. Ele lembrou que existem três cadeias produtivas enormes em São Paulo – cana, laranja e boi – e predisposição à circularidade, pois é raro esses resíduos seguirem para aterros. “A cana-de-açúcar responde por 25% da energia consumida pelo Estado – em forma de gás natural, gasolina, diesel etc. –  e ocupa 12% da extensão territorial com o seu plantio”, afirmou.

Portanto, a “logística reversa é aspecto fundamental de transição para a economia circular. É preciso considerar o papel dos fluxos materiais no sistema de economia circular; os estímulos da responsabilidade estendida ao produto; criação de ambiente regulatório; e criação de oportunidade de negócios”, pontos destacados pelo expositor.

Ribeiro criticou a destinação: quando muito, há gerenciamento, apesar dos planos municipais de resíduos, que somam mais de 400 no Estado. “Mas e a redução? E a reciclagem?”, questionou. E chamou à responsabilidade das prefeituras porque elas respondem pelo resíduo.

Há preocupação também quanto ao acesso à segurança de fornecimento de materiais. No eletroeletrônico, 90% das reservas mundiais de alguns dos componentes imprescindíveis estão na China. “O risco ao negócio se ela virar e falar ‘não vendo mais’… Para mim, esse é um dos motivadores da economia circular na Europa, o acesso à matéria-prima”, avaliou.

No Brasil, os resíduos têm o pior destino possível, o aterro, segundo Ribeiro. Em 2015, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), “20% do que se gera não se coleta, e do que se coleta só 58% seguem para aterros e nem sempre dos melhores. Um desperdício.  Mais de 1/3 das prefeituras não tem nenhum tipo de coleta seletiva. Os resíduos sólidos urbanos não podem ser esquecidos na economia circular”, enfatizou, e criticou o fato de haver incidência tributária sobre resíduos.

Quem paga a conta da logística reversa?, questionou o expositor. Para ele, é preciso aumentar a eficiência no uso de recursos e no ecodesign. Em São Paulo, cerca de R$ 20 bilhões por ano são destinados a programas de contratação de compras públicas sustentáveis, que abrangem merenda escolar, duplicação de rodovias, o papel que o governo usa em seu gabinete. “Há decreto nesse sentido desde a Rio+20, até 2020 há obrigação de que 20% das compras totais sejam adquiridas com critérios sustentáveis. Hoje esse índice encontra-se em 8%”, afirmou.

Para finalizar, Ribeiro alertou que será aberta a consulta pública para revisão de Política Estadual de Resíduos Sólidos, uma oportunidade para discutir mudanças legislativas que contemplem a economia circular.

 

Tetra Pak reduz impacto ambiental com incentivo à reciclagem e recuperação de nascentes

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O segundo dia (8/6) da 18ª Semana do Meio Ambiente da Fiesp teve a apresentação, feita por Juliana Seidel, das iniciativas da indústria de embalagens Tetra Pak para reduzir o impacto ambiental de suas atividades.

Além de ter todas as fábricas certificadas, no mundo inteiro, em processo que começou no Brasil em 2007, a Tetra Pak tem embalagem de fonte totalmente renovável, a Tetra Rex, que por não ter alumínio, é usado em países que empregam armazenagem refrigerada. A empresa conseguiu que seu fornecedor desenvolvesse polietileno de cana-de-açúcar, em substituição ao feito a partir de petróleo. As características e propriedades do  polietileno de ambas fontes são idênticas.

A empresa cuida para que todo o papel usado nas embalagens seja efetivamente reciclado, e no Brasil usa 100% de papel com certificação FSC. Ainda não conseguiu isso no mundo, mas é sua meta, assim como há o compromisso de até 2030 consumir energia apenas proveniente de fontes renováveis.

Juliana Seidel explicou que o processo produtivo da empresa usa água somente para resfriamento. Retirada de poços, é um recurso natural, o que levou a Tetra Pak em pensar em meios para aumentar a oferta de água na bacia em que a fábrica está inserida. Nasceu daí o projeto Nascentes, para compensar a água usada no processo industrial. Em associação com a Mata Ciliar, foi iniciado trabalho de convencimento dos produtores rurais para cuidar das nascentes e eliminar a contaminação por esgoto doméstico, com a instalação de fossas sépticas. Estimularam a criação de microbarragens, que permitiram captar 150 mil metros cúbicos de água em 2015, mais do que o consumo da fábrica de Monte Mor.

A empresa passou também a pensar em seus clientes, para estimulá-los a também reduzir seu impacto ambiental. Exemplo é sistema de esterilização oferecido aos clientes, que diminui esse impacto. Incentiva fortemente as fontes responsáveis.

No conceito de produtos mais sustentáveis está embutida a questão da reciclagem e gestão pós-consumo. A Tetra Pak, disse Seidel, procura desenvolver processos rentáveis para o tratamento de resíduos. Tem como desafio aumentar a taxa de reciclagem. Há hoje 35 empresas que veem as embalagens da Tetra Pak como matéria-prima. Como elas têm 75% de papel, a reciclagem começa por ele, que é separado, com uso de água, do polietileno e do alumínio. Transformado em fibra, serve para produzir papel reciclado e outros produtos. O material restante (formado por 80% de polietileno e 20% de alumínio) tem emprego, por exemplo, em telhas e placas para a construção, produzidas atualmente por 15 indústrias. O material também pode ser usado na indústria de artefatos plásticos, como canetas (a Bic, por exemplo, usa o material), sacolas e vassouras. A Tetra Pak informa quem fabrica cada produto a partir desse material reciclado.

Segundo Seidel, a empresa começou em 2003 trabalho de mapeamento e acompanhamento das iniciativas de reciclagem, para estimular o início ou prosseguimento do trabalho com as embalagens da Tetra Pak. Atualmente são 20 consultores, que fizeram 12 mil visitas em 2015. O resultado está em rotadareciclagem.com.br, que mostra os pontos de coleta de material reciclável. São 5.025 locais, que atendem 20% das cidades do Brasil e 63% de sua população. Os dados permitem saber o caminho inteiro, da coleta à fábrica recicladora.

A Tetra Pak também estimula cooperativas de catadores, com informação, material (como placas e telhas), cessão de equipamentos em comodato e outras ações, como consultoria para aumento de produtividade.

Educação ambiental é pilar forte na empresa, disse. A Tetra Pak estimula, com o projeto Cultura Ambiental nas Escolas, o tratamento do tema de forma transversal na educação, com iniciativas que impactam por ano 25.000 pessoas. Outros projetos, que usam por exemplo teatro em praça pública, atingiram mais de 100.000 pessoas em 45 cidades em 2015. Também há campanhas, em meios como redes sociais e rádio.

Juliana Seidel em sua exposição na Fiesp sobre ações ambientais da Tetra Pak. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Economia circular ajuda a pensar em novo processo produtivo

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp 

Foram necessários 750 anos para dobrar a população planetária, e hoje esse fenômeno ocorre em 45 anos. Com esse alerta, Guilherme Brammer, CEO da WiseWaste, participou do último encontro do Conselho de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, dia 24, debatendo a importância da economia circular aplicada à Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS).

“Hoje, 51% da população vive nas áreas urbanas, em 2025, esse número se elevará a 70%”, alertou, tratando do adensamento populacional que traz a reboque consumo excessivo de produtos industrializados versus expressiva produção de resíduos. Brammer apresentou contabilidade curiosa e ao mesmo tempo preocupante: em 75 anos de existência um ser humano consome 13 mil ovos, 5 mil maçãs, 4 cabeças de gado e 1.200 frangos. Consome 3.800 fraldas, toma 7.163 banhos, usa 272 desodorantes, consome 533 livros, roda 728 mil km de carro, passa 8 anos em frente à TV e produz 40 toneladas de lixo.

Em sua avaliação, a economia linear gera resíduos e ilhas de lixo, onde os pássaros têm se alimentado e mais de 30 mil pessoas vivem delas. E esse é um ponto de atenção. O Brasil é grande importador de lixo de países que não têm mais espaço para seu gerenciamento, e o que entra nem sempre é material para ser reciclado: “não é incomum o Brasil, a exemplo de países em desenvolvimento, receber contêineres com lixo eletrônico ou tóxico, como o hospitalar”, advertiu.

Brammer revelou que se contabilizam R$ 8 bilhões perdidos em aterros sanitários, valor que se eleva a três trilhões de euros mundialmente, ou seja, joga-se dinheiro no lixo, um desperdício no sentido literal.

A diferença entre a economia linear e a circular é que, na primeira, a natureza leva milhões de anos para gerar recursos naturais, e o homem transforma-os em matéria-prima e em produtos que são embalados, vendidos, consumidos e descartados, cujo design foi feito para uma vida única. Na economia circular, o que é considerado rejeito é alimento para o próximo sistema, com uma logística de reaproveitamento, inclusive da embalagem, para que ela não perca valor.

A economia circular auxilia a pensar em um novo processo produtivo. É no momento de crise que a economia circular ganha força, ao se aproveitar mais os processos e despertar a criatividade e a inovação, segundo Brammer, ao pontuar a atual crise atravessada pelo Brasil, inclusive no setor produtivo. Para ele, a indústria vive da matéria-prima, e sem a reciclagem não haverá material no mercado.

Reunião do Conselho de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema). Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Cases de sucesso

Como exemplos, Brammer citou o Pró-Lata, projeto desenvolvido com a Associação Brasileira de Fabricantes de Aço (Afeaço) e Fabricantes de Tinta (Abrafati), mais a Gerdau, e com o apoio tecnológico de uma plataforma online. Com o objetivo de adquirir sucata de aço de cooperativas de catadores para a siderurgia, os benefícios apontados são duas vezes mais renda para os envolvidos na separação e o reaproveitamento de mais de 500 mil quilos de material. Essa ação se soma à capacitação de mais de 50 cooperativas em todo o país, que deverá se elevar para mais de 100 em 2016.

Outro exemplo vem da Natura que, por meio de pesquisa e desenvolvimento, solucionou a criação de uma embalagem de três camadas incompatíveis – nylon, poliéster e polietileno -, transformada na marca Sou, lançada em 2013. Tratou-se de um projeto de co-criação.

Mais uma solução criativa foi alcançada pela, Tang com projeto social voltado às crianças, cujo desafio era transformar embalagens de refresco em pó, cujas estruturas são complexas, em instrumentos musicais. Com foco em cem escolas públicas do país, sem salas e aulas de música, o projeto contou com a ajuda acadêmica do maestro João Carlos Martins (da Bachiana Filarmônica SESI-SP). O maestro escreveu cursos de música para crianças 2 a 12 de anos, e o professor pode fazer o download da plataforma.

A WiseWaste desenvolveu tecnicamente a resina presente nesse tipo de embalagem, o que resultou em 12 tipos de instrumentos musicais, tais como tamborins, surdos, caixas e flautas doces, impactando 100 mil crianças. O saldo foi de 15 mil instrumentos, hoje atrelados à tradicional marca Contemporânea e que devem começar a ser exportados. “O propósito não era fazer um brinquedo, mas sim um produto que retornasse à sociedade com valor agregado”, disse o CEO da empresa.

Para ele, há a inversão do modelo de inovação, o desenvolvimento tem como base o design thinking. “Não temos a solução correta, o importante é encontrar oportunidades. É importante repensar a forma de se fazer um produto e repensar o design, inclusive, para que a embalagem não perca valor depois. Fazer menos se tornar mais”, concluiu.

Questionando pelos participantes sobre a extensão de vida de um produto, Brammer lembrou que é possível transformar o produto em serviço, como ocorre hoje com o aluguel de filtros de água, ganhando-se na receita via assinatura, caso da Brastemp. Outro exemplo é a BMW, que passou a alugar carros e não somente a vendê-los. Nos Estados Unidos, há a Interface, com serviço de aluguel de carpete; o novo é feito com 99% do antigo. Seu faturamento alcança a casa dos US$ 2 bilhões.

Adote um cientista

Outro programa em andamento é o programa adote um cientista, em parceria com a Universidade Mackenzie.“Há muito valor dentro das universidades para se aplicar a um projeto real que tem finalidade para a sociedade”, enfatizou o expositor. Dessa parceria, uma solução que caminha para uma patente diz respeito à reciclagem de fralda descartável suja, com utilização de raio gama para sua esterilização e uma reciclagem mecânica pós-uso a fim de reaproveitar o polímero existente. Ao lembrar que é possível pensar a propriedade intelectual por outro viés, Guilherme Brammer frisou a importância da patente compartilhada, com a qual todos saem ganhando, aluno, professor, a universidade e a empresa envolvida.

O foco da WiseWaste é o desenvolvimento de produtos, utilizando resíduos como matéria-prima, com apoio da pesquisa para reaproveitamento de materiais que ainda não têm o seu processo de reciclagem conhecido.

Iniciativas Sustentáveis: Café Pilão – Apoio a reciclagem

Por Karen Pegorari Silveira

O total de resíduos sólidos coletados e triados na cidade de Itatiba, interior de São Paulo, em 2014, evidenciou a quantidade de embalagens plásticas que não eram destinadas ao aterro sanitário. O sistema de coleta seletiva “porta a porta” adotado na cidade representa apenas 3% do lixo gerado pela população e isso ocorria pela falta de campanhas de educação e conscientização para o descarte e destinação corretos.

Este desafio foi um dos motivos que levou uma das maiores indústrias de café a firmar convênio de cooperação técnica para colocar em prática o plano experimental de recuperação e reciclagem de embalagens plásticas pós consumo.

Para isso, a Café Pilão se conveniou a ONG GAIA Social, a fim de executar um mapeamento e articulação de parcerias com empresas recicladoras de plástico e, melhorar as técnicas de triagem e prensagem da Cooperativa Reviver. Além disso, foram realizadas campanhas de educação ambiental com objetivo de aumentar o descarte correto das embalagens plásticas pós consumo e reduzir os volumes de rejeito para o aterro sanitário.

Para apoiar a Cooperativa Reviver, a indústria realizou a compra dos equipamentos necessários para a viabilização do processo de seleção de resíduos. Além da aquisição destes equipamentos produtivos, a Pilão também ofereceu apoio técnico aos mais de 30 cooperados, bem como a instalação, o treinamento da equipe e o acompanhamento constante do trabalho visando a elevação do nível de produtividade. Dessa forma, o crescimento da produção tem a possibilidade de saltar de 130 toneladas/mês para 220 toneladas ao mês.

Este projeto também ajudou a indústria no cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei n.º 12.305, de 01 de agosto de 2010) e colocou em prática a proposta do Acordo Setorial para a implementação do Sistema de Logística Reversa para Embalagens de produtos pós consumo apresentado ao Ministério do Meio Ambiente por um grupo de coalização de empresas.

A diretora de RH da Café Pilão, Marilene Justi, diz que a empresa decidiu apoiar o projeto da Cooperativa Reviver por acreditar que a proposta inicial incluía os elementos essenciais para alcançar um resultado sustentável – condições adequadas de trabalho para os cooperados, destinação de resíduos de forma ambientalmente correta e condições para atingirem a autossuficiência econômica do negócio. Além disso, nos identificamos com a proposta da cooperativa, pois nossos comportamentos como companhia também são guiados pelos valores de Empreendedorismo e Disciplina. E sabemos que é possível gerir um negócio saudável economicamente e, ao mesmo tempo, trazendo benefícios para a sociedade e sem prejudicar o meio ambiente”, completa ela.

Em janeiro de 2015 começarmos o projeto e a etapa piloto terá duração de 10 meses, com a perspectiva de se estender por 24 meses. O valor investido foi de R$ 280 mil entre aquisição de equipamentos, apoio técnico à ONG Gaia Social, treinamentos e acompanhamento inicial.

Para o líder de Produção da Cooperativa Reviver, Francisco de Jesus Machado, os treinamentos e orientações oferecidos pela Café Pilão ajudaram nos controles de produção que estão sendo feitos na esteira e na mesa de triagem e são muito importantes para a cooperativa. “Ajudou a ter mais segurança para tomar as decisões e também facilitou a explicação para todos os cooperados”, comenta Machado.

Sobre a Café Pilão

Desde 1978, a Café Pilão está no mercado nacional de café torrado e moído. Atualmente ela faz parte da JACOBS DOUWE EGEBRTS (JDE) , empresa líder mundial totalmente dedicada ao mercado de café com sede na Holanda. A companhia está presente com suas marcas em mais de 80 países e emprega 12.000 pessoas em todo o mundo. Entre as principais marcas incluem Jacobs, Tassimo, Moccona, Senseo, L’OR, Douwe Egberts, Kenco, Pilão e Gevalia.

Iniciativas Sustentáveis: Vidroporto – reciclagem para ampliar produção

Por Karen Pegorari Silveira

A reciclagem de vidro, mesmo sendo considerada uma atividade economicamente viável e com grande potencial de lucratividade, consumir menos energia, emitir menos resíduos particulados e CO2, ainda é pouco explorada no Brasil. Segundo os últimos dados divulgados pela Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro), o país recicla apenas 40% destas embalagens.

Na contramão deste cenário, algumas empesas enxergaram neste tipo de reciclagem uma grande vantagem competitiva, como é o caso da Vidroporto, fabricante de embalagens de vidro da cidade de Porto Ferreira, no interior de São Paulo. Em agosto de 2013 a empresa instalou a primeira usina de beneficiamento de caco automática da América do Sul, com capacidade de processar 12 mil toneladas de caco de vidro reciclado por mês. No final do ano passado ela completou mais uma etapa do processo de modernização com a instalação de  uma nova planta para produção de embalagens de vidro. Com esta ampliação sua produção de embalagens de vidro saltou de 22 milhões de garrafas por mês para 55 milhões.

As garrafas descartadas são provenientes de cerca de 60 fornecedores, entre empresas de sucatas e cooperativas de lixo reciclável até catadores independentes. Para garantir mais autossuficiência em matéria-prima, a Vidroporto realiza trabalho de prospecção e coleta de vidro em torno da cidade de Porto Ferreira com seus caminhões próprios.

O diretor presidente da empresa, Edson Rossi, diz que o valor  do investimento na usina de beneficiamento de caco foi de mais de 3 milhões de dólares “Ampliamos substancialmente nossa capacidade de produção, melhoramos a qualidade do caco beneficiado, aumentamos a utilização deste insumo como matéria prima, o que proporciona um resultado econômico muito interessante para nós”, conta Rossi.

As metas vislumbravam aumentar a capacidade de beneficiamento de caco de vidro, melhorar a qualidade do insumo beneficiado, reduzir o custo da mão de obra e preparar a empresa para o projeto de ampliação da indústria de embalagem que estava em curso, além da preservação do meio ambiente.

Ainda segundo Rossi, foi um investimento estratégico, “O projeto proporciona aumento da capacidade de beneficiamento em mais de 200%, fortalecimento do segmento de captação e comercialização de resíduos, colabora com a preservação do meio ambiente e, também, melhora significativamente as condições de trabalho dos nossos colaboradores”, completa.

A iniciativa foi pioneira e a usina de beneficiamento de caco de vidro da Vidroporto foi a primeira do gênero totalmente automatizada na América do Sul. Seu maquinário tem capacidade de   processar em torno de 140 mil toneladas de vidro por ano, com eficiência na limpeza e pureza do vidro, resultando em maior utilização deste insumo e, consequentemente, garrafas mais sustentáveis.

Sobre a Vidroporto
Empresa brasileira controlada pelo Grupo Salzano, a Vidroporto fabrica, desde 1981, embalagens em vidro para atender todas as categorias do segmento de bebidas e alimentos. É a única indústria de vidro no Brasil que possui usina de beneficiamento de caco. Esta unidade de reciclagem possibilita à companhia uma maior reutilização de cacos de vidro como matéria-prima, o que colabora na preservação ambiental.

InpEV destina mais de 5.000 embalagens vazias para reciclagem

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens (InpEV) encaminhou 5,3 mil embalagens para a reciclagem no primeiro bimestre de 2011, volume 25% maior em relação ao mesmo período de 2010, de acordo com levantamento feito pela entidade.

Criado a partir da iniciativa da indústria em 2001 para dar um destino ambientalmente correto a embalagens de defensivos agrícolas, o InpEV é um dos casos bem-sucedidos de logística reversa do País. Tema que será debatido durante a XIII Semana Fiesp/Ciesp de Meio Ambiente, a se realizar de 6 a 8 de junho na sede das entidades.

O instituto é responsável por enviar mais de 90% das embalagens para reciclagem.

A pesquisa ainda revelou que 12 estados brasileiros mostraram crescimento no volume de embalagens destinadas, na comparação com o mesmo período de 2010.

Mato Grosso liderou o ranking com 1,29 mil toneladas; Rio Grande do Sul ficou em segundo lugar com 664 toneladas; Goiás em terceiro com 617 toneladas; Minas Gerais com 521 toneladas; Mato Grosso do Sul, 402 toneladas; e Bahia com 395 toneladas. Esses estados respondem por 73% do volume total destinado em todo o País.

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Reciclagem de resíduos pode ser uma oportunidade de negócio para setor industrial

Alice Assunção e Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp 

Sabetai Calderoni participa de evento na Fiesp

“Lixo é dinheiro. Nós estamos enterrando dinheiro”, com essas palavras Sabetai Calderoni, presidente do Instituto Brasil Ambiente e consultor da

Organização das Nações Unidas (ONU), apresentou as oportunidades de negócios para as indústrias com a reciclagem de resíduos, nesta quarta-feira (27), durante a reunião mensal do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, na sede da federação.

O especialista projetou um ganho para o Brasil de US$ 10 bilhões por ano a partir da reciclagem de resíduo domiciliar. Na capital, este número pode chegar a US$ 1,5 bilhão.

Calderoni destacou que a utilização dos resíduos, como o alumínio, garante uma poupança energética de 95% durante o processo de fabricação. No caso do plástico o ganho é de 79%. Mas, em sua opinião, a economia poderia ser maior se houvesse mais investimentos em centrais de reciclagem. “O que adianta fazer coleta seletiva se não tem para onde levar”, questionou o palestrante.

Uma alternativa apontada pelo especialista são as Parcerias Público-Privadas, que, por meio do Fundo Garantidor de Crédito, asseguram o retorno financeiro aos investidores.

Lixo é lucro

Calderoni apresentou oportunidades de negócios no ramo de resíduos, entre eles produção equipamentos para reciclagem, adaptação de tecnologias, aproveitamento de resíduos para geração de rendas.

Além disso, destacou que a utilização de resíduos gerados pelo setor da construção civil beneficiam programas de habitação, como a produção de materiais alternativos para obras e pavimentação.

No entanto, a questão tributária ainda é um entrave para o empresário que deseja investir na reciclagem. Calderoni vislumbra alguns avanços nesta área, mas reconhece que a gestão tributária “penaliza a reciclagem”.

Paulo Skaf parabeniza trabalho da Anip

Elcio Cabral, Agência Indusnet Fiesp

Da esq. p/ dir.: Eugênio Carlos Deliberato, pres. da Anip; e Paulo Skaf, pres. da Fiesp. Foto: Junior Ruiz

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, participou nesta quinta-feira (9) do almoço em comemoração aos 50 anos da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip). E fez questão de parabenizar o trabalho da associação.

“No século XXI, a indústria tem que se preocupar não só em oferecer o melhor ao consumidor, mas também tem que pensar no pós-consumo. E a Anip é um exemplo nessa área” declarou, referindo-se ao programa de reciclagem de pneus inservíveis da entidade, conhecido como Reciclanip. Em seguida, agradeceu o “apoio inconteste” da associação à Fiesp.

O presidente da Anip, Eugênio Carlos Deliberato, também ressaltou a afinidade entre as duas entidades em seu discurso: “A Fiesp foi importantíssima ao auxiliar na estabilização da legislação e de normatização. E sempre respaldou as necessidades do setor de pneumáticos”.

Também esteve no almoço o secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, João Sampaio Filho.

50 anos

Fundada em 1960, a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos representa a indústria de pneus e câmaras de ar instalada no Brasil, que compreende nove empresas e 15 fábricas. Ao todo, responde por mais de 21 mil empregos diretos e 100 mil indiretos. O setor é apoiado por uma rede com mais de 4.500 pontos de venda no Brasil.

Já a Reciclanip nasceu em 2007, para consolidar o Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis, criado em 1999 pela Anip. Juntos, os fabricantes destinaram, de forma ambientalmente correta, mais de 200 milhões de pneus de automóveis.

O programa é desenvolvido por meio de parcerias com as prefeituras, que cedem os terrenos dentro de normas específicas de segurança e higiene para receber os pneus inservíveis vindos de origens diversas. São mais de 400 pontos de coleta em todo o Brasil.