Iniciativas Sustentáveis: Vidroporto – reciclagem para ampliar produção

Por Karen Pegorari Silveira

A reciclagem de vidro, mesmo sendo considerada uma atividade economicamente viável e com grande potencial de lucratividade, consumir menos energia, emitir menos resíduos particulados e CO2, ainda é pouco explorada no Brasil. Segundo os últimos dados divulgados pela Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro), o país recicla apenas 40% destas embalagens.

Na contramão deste cenário, algumas empesas enxergaram neste tipo de reciclagem uma grande vantagem competitiva, como é o caso da Vidroporto, fabricante de embalagens de vidro da cidade de Porto Ferreira, no interior de São Paulo. Em agosto de 2013 a empresa instalou a primeira usina de beneficiamento de caco automática da América do Sul, com capacidade de processar 12 mil toneladas de caco de vidro reciclado por mês. No final do ano passado ela completou mais uma etapa do processo de modernização com a instalação de  uma nova planta para produção de embalagens de vidro. Com esta ampliação sua produção de embalagens de vidro saltou de 22 milhões de garrafas por mês para 55 milhões.

As garrafas descartadas são provenientes de cerca de 60 fornecedores, entre empresas de sucatas e cooperativas de lixo reciclável até catadores independentes. Para garantir mais autossuficiência em matéria-prima, a Vidroporto realiza trabalho de prospecção e coleta de vidro em torno da cidade de Porto Ferreira com seus caminhões próprios.

O diretor presidente da empresa, Edson Rossi, diz que o valor  do investimento na usina de beneficiamento de caco foi de mais de 3 milhões de dólares “Ampliamos substancialmente nossa capacidade de produção, melhoramos a qualidade do caco beneficiado, aumentamos a utilização deste insumo como matéria prima, o que proporciona um resultado econômico muito interessante para nós”, conta Rossi.

As metas vislumbravam aumentar a capacidade de beneficiamento de caco de vidro, melhorar a qualidade do insumo beneficiado, reduzir o custo da mão de obra e preparar a empresa para o projeto de ampliação da indústria de embalagem que estava em curso, além da preservação do meio ambiente.

Ainda segundo Rossi, foi um investimento estratégico, “O projeto proporciona aumento da capacidade de beneficiamento em mais de 200%, fortalecimento do segmento de captação e comercialização de resíduos, colabora com a preservação do meio ambiente e, também, melhora significativamente as condições de trabalho dos nossos colaboradores”, completa.

A iniciativa foi pioneira e a usina de beneficiamento de caco de vidro da Vidroporto foi a primeira do gênero totalmente automatizada na América do Sul. Seu maquinário tem capacidade de   processar em torno de 140 mil toneladas de vidro por ano, com eficiência na limpeza e pureza do vidro, resultando em maior utilização deste insumo e, consequentemente, garrafas mais sustentáveis.

Sobre a Vidroporto
Empresa brasileira controlada pelo Grupo Salzano, a Vidroporto fabrica, desde 1981, embalagens em vidro para atender todas as categorias do segmento de bebidas e alimentos. É a única indústria de vidro no Brasil que possui usina de beneficiamento de caco. Esta unidade de reciclagem possibilita à companhia uma maior reutilização de cacos de vidro como matéria-prima, o que colabora na preservação ambiental.

Iniciativas Sustentáveis: Cisper – Investimentos em logística reversa beneficiam o meio ambiente e custos de produção

Por Karen Pegorari Silveira

Dados da Associação Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE) revelam que, em 2010, cerca de 47% das embalagens de vidro foram recicladas no Brasil. O índice equivale a quase 470 mil toneladas do material. Em países da Europa Central, como Alemanha e Suíça, as taxas de reciclagem chegam a 87% e 95%, respectivamente, o que demonstra que muito ainda pode ser feito aqui no Brasil.

O vidro é 100% reciclável. Com uma tonelada de caco é possível fabricar uma tonelada de novas embalagens de vidro sem perda, o que torna o ciclo de reciclagem do vidro infinito. Além disso, a energia utilizada para fabricar um produto com o caco é 20% menor se comparada à energia gasta no processo de fabricação de vidro com matérias virgens.

Outro fator de destaque entre as vantagens da reciclagem do vidro é a redução na emissão de CO2. A cada seis toneladas de vidro reciclado deixa-se de emitir, em média, uma tonelada de dióxido de carbono.

A Cisper, empresa do Grupo O-I (Owens-Illinois Inc.), é a maior fabricante de embalagens de vidro do mundo e trabalha com vidro reciclado proveniente da própria fábrica e de cacos comprados de clientes, cooperativas e sucateiros.

O caco de vidro, recuperado no processo da logística reversa, é 99,9% oriundo de embalagens pós consumo e é reciclado pela empresa transformando-se novamente em garrafas de vinho, refrigerantes, copos e taças, que são colocados à venda no mercado, apresentando perfeita qualidade. Entre os produtos da Cisper, 100% deles são elaborados com material reciclado.

A empresa também possui um departamento para tratar somente de sustentabilidade, que desenvolve ações e campanhas de divulgação entre os fornecedores, clientes e colaboradores.

“A O-I lidera o setor no uso de vidro reciclado. As unidades da empresa empregam em torno de 37% de vidro reciclado na produção. Algumas unidades europeias, por exemplo, chegam a usar 90% de vidro reciclado no processo. A meta é aumentar a utilização de vidro reciclado pós-consumo em todas as nossas unidades para obter uma média global de 60%”, conta Anderson Baranov, diretor de relações governamentais da O-I.

Há mais de 100 anos no mercado, a O-I, por meio da marca Cisper e CIV, oferece ao mercado uma linha de objetos de mesa, composta por copos finos, taças, copos do dia a dia, tigelas, jarras, kits e potes com distribuição nacional e internacional. A receita da empresa, com sede em Perrysburg, Ohio, EUA, ultrapassou US$ 7 bilhões em 2011 e no total são mais de 24 mil funcionários em 81 fábricas distribuídas por 21 países.

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