‘Meu Novo Mundo’: mudança a partir do esporte, qualidade de vida e autoestima

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Minha vida mudou totalmente, primeiro em relação à autoestima. Conheci pessoas como eu e hoje sonho em representar o Brasil numa paraolimpíada”. Realizado com a carreira de atleta  do vôlei sentado do  Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), Daniel Yashizawa fez questão de dar o seu depoimento, na manhã desta quarta-feira (20/08), durante o lançamento do projeto Meu Novo Mundo, na sede do Sesi-SP e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

Prova de que qualquer limitação pode ser vencida com vontade e apoio, Yashizawa contou que, se antes “só ficava dentro de casa” e se “escondendo por conta da deficiência”, hoje tem uma carreira pelo qual é apaixonado, sem economizar planos. “Entrei na seleção brasileira de vôlei sentado e conheci países que nunca imaginei conhecer”, disse.

Yashizawa: “Entrei na seleção brasileira de vôlei sentado e conheci países que nunca imaginei conhecer”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Yashizawa (ao microfone): “Entrei na seleção brasileira e conheci países que nunca imaginei conhecer”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Ao seu lado no evento, o treinador de esporte paraolímpico do Sesi-SP, Ronaldo de Oliveira, destacou que quaisquer “complicações para a sociabilidade são dizimadas pelo esporte”. “A sociedade tem uma atitude ainda muito estanques diante das pessoas com deficiência”, afirmou. “O Projeto Meu Novo Mundo é importante porque reúne esporte, trabalho e estudo, dando a essas pessoas oportunidades maiores”.

Estiveram presentes na cerimônia ainda atletas como Verônica Hipólito (atletismo) e Marco Aurélio (arremesso de peso), também do Sesi-SP.

Motivação

De acordo com o diretor titular do Departamento de Ação Regional (Depar) da Fiesp, Sylvio de Barros, um dos responsáveis pela iniciativa, o esporte é uma motivação para que “as pessoas entrem no mercado de trabalho de uma maneira boa”. “Temos 4,7 mil empresas com mais de cem funcionários em São Paulo, sujeitas, portanto,  à Lei de Cotas, com 106 mil pessoas com deficiência empregadas no estado”, disse. “Nesse cenário, a indústria emprega 39% do total de pessoas com deficiência, estando de parabéns por isso”.

Um compromisso com esses profissionais que só deve ganhar força com o Meu Novo Mundo. “A gente tem agora a obrigação de trazer essas pessoas para o mercado”.

Superintendente em exercício do Sesi-SP e diretora regional em exercício do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), Débora Cypriano Botelho lembrou que a iniciativa tem foco na formação profissional, suporte aos portadores de deficiência e qualidade de vida. “Esse projeto já é um sucesso”, afirmou.

A “criatividade” no modo como a iniciativa foi pensada foi apontada pelo procurador do Ministério Público do Trabalho da 2ª Região Ramon Bezerra dos Santos. “O esporte vai permitir trazer as pessoas com deficiência para as empresas e convencer, de forma mais impactante, os empresários que ainda estão reticentes a contratar esses trabalhadores no futuro”.

Ana: “Essa é uma iniciativa é fantástica”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ana: “Essa é uma iniciativa é fantástica”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Em se tratando de futuro, aliás, a coordenadora da Secretaria de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho, Ana Alencastro, torce para que o projeto idealizado em São Paulo com o apoio da Fiesp, Sesi-SP e Senai-SP ganhe o país. “Essa é uma iniciativa é fantástica, preciso cumprimentar a coragem de vocês”.