Artigo: O setor têxtil e o compromisso com a Responsabilidade Social

foto: MARCELO SOUBHIA/AG/FOTOSITE

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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* Por Rafael Cervone Netto

Antes de iniciar a leitura deste artigo, sugiro uma breve reflexão para observar o ambiente a seu redor e perceber o quanto a indústria têxtil e de vestuário está presente em nossas vidas. Muito além das nossas roupas, os nossos produtos revestem móveis, protegem-nos do sol, estão em nossos calçados. Para além das fronteiras de nossa visão, percebemos que materiais têxteis estão presentes nos meios de transporte, nas edificações, no agronegócio e em muitos outros processos industriais. Se expandirmos ainda mais nossa observação, é possível notar que, não importa o tamanho de uma cidade, sempre haverá algum negócio relacionado ao setor, seja uma oficina de costura ou uma pequena loja de bairro. Seria difícil imaginar um mundo em que não houvesse produtos têxteis a nosso dispor para criarmos as mais variadas soluções e atendermos a diversas necessidades essenciais.

É por isso que nos orgulhamos tanto de representar um setor que conta com mais de 33 mil empresas em todo o território nacional e emprega, direta e indiretamente, cerca de 6 milhões de pessoas, é o quarto maior parque industrial do mundo e abriga a maior cadeia produtiva integrada do hemisfério ocidental. Tamanha capilaridade só demonstra a importância do setor em termos de empregabilidade, bem-estar social e responsabilidade ambiental.

Diante destas ordens de grandeza e de outros números conhecidos, torna-se evidente a importância do compromisso do setor com o desenvolvimento sustentável, norteado pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e por nossa Visão de Futuro para 2030. É preciso muito engajamento para tornar a agenda positiva uma realidade presente em todas as regiões do país – e vontade de mudar para melhor é o que não falta.

Com o propósito de fazer com que a responsabilidade social seja cada vez mais presente na atuação das empresas, a Abit vem trabalhando em uma série de iniciativas para discussão e disseminação de melhores práticas. Nos últimos 5 anos, nota-se um aumento relevante na percepção de conceitos mais amplos de sustentabilidade por parte das empresas, assim como o interesse destinado a projetos e iniciativas que contemplam melhorias nas relações de trabalho e com o entorno, mesmo nossas empresas concorrendo, frequentemente e de maneira desleal, com países que não respeitam conceitos básicos de sustentabilidade e de trabalho decente. Algumas dessas iniciativas, são:

Condições de trabalho

É esperada a correta conduta de uma empresa em relação a tópicos relacionados a direitos trabalhistas, procedimentos contra a discriminação (por motivos de gênero, idade, nacionalidade, etnia, orientação sexual, origem social) abusos, assédios (moral e sexual) e permissão de livre associação. Todas as empresas do setor devem estar atentas às condições de trabalho que oferecem a seus funcionários.

Trabalho forçado ou análogo ao escravo

O combate ao trabalho forçado ou análogo ao escravo é realizado por meio do monitoramento das relações de trabalho internas e em fornecedores. Devem existir ferramentas capazes de detectar jornadas exaustivas (em que o trabalhador é submetido a esforço excessivo ou sobrecarga de trabalho que acarreta danos à sua saúde ou risco de vida), trabalho forçado (manter a pessoa no serviço por meio de fraudes, isolamento geográfico, ameaças e violências físicas e psicológicas), servidão por dívida (fazer o trabalhador contrair ilegalmente um débito e prendê-lo a ele) e contratação de trabalho estrangeiro irregular. Este tema é de estrema relevância, principalmente no segmento de confecção, uma vez que as empresas estão pulverizadas pelo território nacional, o que dificulta a fiscalização pelo poder público.

Trabalho infantil

O combate ao trabalho infantil parte do monitoramento das relações internas de trabalho, assim como dos fornecedores. Empresas de qualquer setor devem atender à legislação brasileira, que determina a proibição de contratação de menores de 16 anos, salvo na condição de contratos de aprendizagem.

Responsabilidade Social

Ações e projetos voluntários, internos e externos, devem gerar impactos sociais positivos. Programas de capacitação e desenvolvimento, estímulo à promoção de exercícios físicos, doações de produtos e recursos financeiros para organizações da sociedade e mobilização do trabalho voluntário são exemplos destas ações. O engajamento de todas as empresas do setor é essencial para a garantia do bem-estar coletivo.

Comunidade

Considera-se essencial o mapeamento e o monitoramento dos impactos da empresa em seu entorno, uma vez que ruídos e odor, por exemplo, podem afetar a vida nas comunidades vizinhas, além de representar riscos para a imagem da empresa. O tema do trabalho decente é prioritário para a Abit, por questões de dignidade humana e econômicas, principalmente em relação ao setor de vestuário, visto que é intensivo em mão de obra.

Conferências Anuais da Organização Internacional do Trabalho

A sensibilidade do setor de vestuário em relação a condições de trabalho é evidenciada em espaços de enorme relevância sobre o tema, como as Conferências Anuais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que teve como principal tema, em 2014, o Trabalho Forçado e, em 2016, as Cadeias Globais de Valor. Ainda em 2014, a OIT organizou um Fórum de Diálogo Global sobre salários e tempo de trabalho nos setores de têxteis, vestuário, couro e calçados.

A Abit teve a oportunidade de participar desses encontros e reforçar que, em um setor intensivo em mão de obra, no qual há grande concorrência e os produtos são cada vez mais globais, é fundamental que as condições sociais, trabalhistas e ambientais de produção respeitem um patamar mínimo internacional, considerando o nível de desenvolvimento de cada país.

Manufatura Avançada ou 4.0

A indústria e o varejo de produtos têxteis e confeccionados estão passando por grandes mudanças, e é sabido que a competitividade das empresas dependerá de novos padrões de produção, assim como novas relações de trabalho e comercialização ao longo da cadeia de valor. Entre outros benefícios, estratégias de sustentabilidade proporcionarão processos mais eficientes, redução de custos, diferenciação no mercado e relacionamentos mais sólidos e de longo prazo entre empresas de diferentes elos da cadeia. Isto é, o potencial da sustentabilidade como impulsionadora da competitividade é incontestável.

A indústria têxtil e de confecção já deu início a um grande salto qualitativo em direção às categorias de maior emprego de ciência e tecnologia, capacitando-se para desenvolver sistemas cyberfísicos, Internet das Coisas e dos Serviços, e automação modular em suas linhas fabris, inserindo-se no novo universo da manufatura avançada e da economia digital.

A diversidade de produtos com tecnologias vestíveis e o emprego de biotecnologias e materiais inovadores criarão demandas por têxteis inteligentes e funcionais, aumentando exponencialmente a diversidade e a intensidade tecnológica de fios, tecidos e roupas, exigidos para atender às novas necessidades de consumo, para as quais devem convergir cadeias produtivas economicamente viáveis, socialmente justas, politicamente corretas e ambientalmente sustentáveis, agregando valores ao planeta e à sociedade.

Entretanto, este enorme esforço de nada adiantará se não nos valermos de toda esta tecnologia para valorizar e alçar a um novo patamar aquele que é, certamente e de longe, o nosso maior patrimônio : o ser-humano – aquele que faz e continuará fazendo toda a diferença para o sucesso e o futuro da nossa humanidade. Que tenhamos a consciência e a sensibilidade de sempre valorizá-lo e agradecê-lo por todas as nossas conquistas!

*Rafael Cervone Netto é 3º vice-presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP), engenheiro têxtil, membro do ITMF -International Textiles Manufactures Federation, membro do CONEX – Conselho de Comercio Exterior (MDIC), que assessora o Comitê Executivo de Gestão do Conselho de Ministros da CAMEX, presidente emérito do Conselho de Administração, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção – ABIT.

‘O presidente precisa atacar os problemas do país e da indústria’, diz Rafael Cervone

Agência Indusnet Fiesp

Cervone. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O presidente em exercício do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Rafael Cervone Netto, afirma no artigo “Crescer sem amarras”, publicado nesta quinta-feira (16/10), que a união da indústria é importante diante do quadro de agravamento da economia e do processo de desindustrialização.

“Já passamos por muitas crises e conseguimos ultrapassá-las. A união da indústria é elemento essencial para trabalhar de maneira proativa para enfrentar esse ambiente econômico desafiador e evitar que seus efeitos sejam ainda mais maléficos à cadeia produtiva, ao emprego e à população brasileira”, afirma Cervone.

“O mundo não vai nos esperar”, prossegue Cervone. “É fundamental que nos primeiros 90 dias de governo, o presidente eleito ataque os principais problemas do país e da indústria. O Brasil precisa de uma agenda completa de reformas ambiciosas que incentivem a competitividade da cadeia produtiva. Só assim poderemos atingir o tão esperado crescimento econômico”, ressalta o presidente do Ciesp.

Quem se preparar tem mais condições de enfrentar crise, recomenda presidente da Fiesp

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp, de Bragança Paulista (SP)

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch, esteve nesta quarta-feira (24/09) em Bragança Paulista, onde se reuniu com empresários do município, situado a pouco mais de 85 quilômetros da capital.

Depois de alguns minutos de conversa amena, em que relembrou o início dos anos 70, quando, com pouco mais de 18 anos de idade, deu um de primeiros passos em sua vida de empreendedorismo justamente em Bragança, Steinbruch disse não estar otimista com o cenário econômico atual e as perspectivas para 2015.

“Estamos em um momento muito delicado na economia do país, em todos os aspectos: da indústria, do comércio, da educação, da saúde. Acho que a gente está vivendo uma crise, que vai se aprofundar”, assinalou, em evento em que esteve acompanhado pelo presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Rafael Cervone Netto.

Steinbruch: "Falta de confiança não é só do empresário. É de quem compra. Quando o consumidor para de comprar, a economia vem para trás." Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Segundo o presidente da Fiesp, cada empresário sabe como conduzir seu negócio, mas ainda assim é aconselhável que todos estejam prontos para ultrapassar uma fase em que os prognósticos não são animadores.

“O que posso antecipar é que não vejo nenhuma facilidade pela frente. Tem que se preparar, seja do ponto de vista de pessoa, de família, de negócios. A crise vem forte e quem se antecipar a ela – e quem se preparar – tem mais condições de enfrentá-la”, alertou Steinbruch.

“Infelizmente já estamos vendo desemprego e isso não é bom para ninguém. Empresário nenhum gosta de reduzir quadro de pessoal e empregado nenhum gosta de ser demitido.”

De acordo com o presidente da Fiesp, o modelo econômico baseado em consumo aparentemente se exauriu. “As famílias ficaram endividadas, o financiamento ficou mais caro, o crédito mais difícil. E com a falta de confiança os estoques aumentaram, o comércio caiu e a produção parou”, explicou.

“A falta de confiança não é só do empresário. É de quem compra. Quando o consumidor para de comprar, a economia vem para trás. Do ponto de vista de consumo, o mercado está caindo, e aí o risco de menor produção e de menor emprego”, observou Steinbruch, acrescentando que o modelo de crescimento pelo investimento em infraestrutura também não se confirmou por falta de confiança.

De acordo com o presidente da Fiesp, os empresários continuam investindo porque ainda acreditam no futuro. Mas será preciso apertar os cintos. “Vamos ter que rezar bastante e torcer para que as coisas dêem certo.”

Uma das soluções, segundo ele, passa por uma melhor gestão da coisa pública. “O princípio básico é gastar o que tem. O que a gente vê hoje é o governo gastando o que não tem. E gastando mal.”

Agenda para 2015

Para o presidente do Ciesp, Rafael Cervone Netto, sejam quais forem os governos eleitos em nível federal e estadual, é preciso que o presidente da República e o governador do Estado tenham uma agenda nos 60 dias iniciais para promover reformas que tornem o ambiente menos hostil para quem quer empreender.

“Temos que ter mais previsibilidade. Precisamos de visão de longo prazo”, declarou Cervone ao falar de questões tributárias e trabalhistas.

“Estamos discutindo com todos os candidatos à Presidência da República e ao Governo do Estado a investir os primeiros 60 dias a esses temas. Não temos isonomia de condições com os nossos concorrentes internacionais. O ambiente de negócios está hostil, muito hostil. Precisamos retomar nossa competitividade.”

De acordo com Cervone, o Brasil não vai se sustentar somente com uma economia baseada em serviços. “Até porque o setor de serviços depende muito da indústria. O Brasil não consegue resultados positivos sem a indústria.”

Por melhorias no Sesi-SP e Senai-SP, presidentes da Fiesp e do Ciesp visitam escolas

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp, de Itu (SP)

Sorocaba pela manhã, Itu no horário da tarde. Assim foi a programação desta terça-feira (23/09) dos presidentes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch, e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Rafael Cervone Netto. A agenda de ambos incluiu visitas às unidades do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) dos municípios.

Rafael Cervone, Fernando Carvalho, Débora Cypriano Botelho e Benjamin Steinbruch conversam com alunas do Sesi-SP. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Em Sorocaba, eles estiveram no Centro de Atividades (CAT) José Ermírio de Moraes, um dos mais antigos da rede Sesi-SP, inaugurado em 1969. Lá conversaram com as alunas Shelley Brisola Sampaio e Larissa Armelim Luiz, que participavam de uma atividade de robótica, e com os professores e alunos do terceiro ano, no laboratório de informática. A superintendente do Sesi-SP e diretora regional do Senai-SP, Débora Cypriano Botelho, e o diretor da Divisão de Educação e Cultura do Sesi-SP, Fernando Carvalho, acompanharam as visitas.

Na mesma unidade, conheceram o projeto Cidadania Inclusiva, que oferece capacitação para 15 alunos com deficiência, buscando a inclusão no mercado de trabalho.

“Iniciamos o curso com o módulo de higiene e saúde. Depois, aplicamos os temas linguagem oral e escrita digital, ética – direitos e deveres, levantamento de empresas e sistema monetário”, explicou Erica Fernanda de Moraes, pedagoga e especialista na área de educação especial, responsável pelas aulas.

Escola referência em Itu

Na cidade de Itu, os presidentes foram ao CAT Carlos Eduardo Moreira Ferreira, onde assistiram a uma apresentação de jazz com o grupo de alunas da escola. Também passaram pelas instalações esportivas, pela biblioteca e por algumas salas de aula, além de conversar com a nutricionista e as alunas do curso Alimente-se Bem.

Benjamin Steinbruch, Débora Botelho, Ricardo Terra e Rafael Cervone (camisa azul) na escola do Senai-SP em Itu. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Eles visitaram ainda a escola Ítalo Bologna, do Senai-SP. A unidade faz um trabalho de referência com alunos com deficiência. Por meio do Núcleo de Atendimento às Empresas, a Ítalo Bologna presta consultorias para indústrias de todo o Estado de São Paulo, para inclusão de pessoas com deficiência, além de realizar trabalhos de impressão em braille. Além de Débora Botelho, a visita também foi acompanhada pelo diretor técnico do Senai-SP, Ricardo Terra.

Um exemplo é o livro com receitas do curso Alimente-se Bem. Além de ser todo escrito em braille, o livro foi impresso em um material lavável, adequado para o uso na cozinha.

A escola tem equipamentos adaptados, como um torno para cadeirantes, que faz com que os cursos fiquem acessíveis para esse público. Steinbruch e Cervone ainda conversaram com os alunos de um curso de almoxarife, exclusivamente formado por pessoas com deficiência.

Professor do Senai-SP há 10 anos, Gelson Inácio dos Santos foi uma das primeiras pessoas com deficiência a serem recebidas pela escola de Itu. Em 1996, com um grupo de cerca de 20 deficientes visuais, eles tiveram a oportunidade de fazer um curso do Senai-SP de informática.

“O Senai-SP foi o primeiro a abrir as portas para nós e a proporcionar a entrada no mercado de trabalho com cursos de qualificação, permitindo que a gente concorra de igual para igual com qualquer outra pessoa”, lembrou Santos, que é professor de informática, soroban e braille para deficientes visuais, além de assistente administrativo para pessoas sem deficiência.

Em busca de melhorias

Nas duas cidades, os presidentes participaram de encontros com funcionários, com o objetivo de ouvir sugestões e buscar melhorias para toda a rede Sesi-SP e Senai-SP.

“A gente sabe que o Sesi-SP e o Senai-SP são muito elogiados pelas pessoas, mas se a gente puder, queremos melhorar ainda mais. Nossa ideia é fazer o possível e o impossível para isso. O possível, a gente consegue. O impossível, às vezes, a gente também consegue”, afirmou Steinbruch, que destacou a importância de inovar na educação da rede.

“Buscamos abrir um novo caminho e novas oportunidades. E por isso é importante a participação dos funcionários. O que podemos fazer a mais? O que os outros não fazem que nós podemos fazer? Esse é o nosso maior desafio”, esclareceu.

Benjamin Steinbruch e Rafael Cervone no Senai-SP em Itu: conversa com comunidade da escola. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Presidente da Fiesp diz que chegou a hora de reagir diante da desindustrialização

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp, de Sorocaba (SP)

Os presidentes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch, e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Rafael Cervone Netto, estiveram na manhã desta terça-feira (23/09) com empresários da região de Sorocaba, município a aproximadamente 90 quilômetros da capital. Na pauta do encontro, o atual cenário econômico e as perspectivas para 2015.

Além das previsões de um 2015 difícil, Steinbruch disse que será um desafio enfrentar os últimos meses de 2014. “Todo mundo estava preparado para um ano de 2015 difícil, porque, independente de quem ganhe a eleição, será um ano de ajuste. O problema, agora, vai ser chegar até 2015.”

Steinbruch: "Vamos ter uma diminuição de consumo com uma recessão instaurada no país. Para chegarmos até dezembro, vamos ter que ser mágicos.” Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

“Vamos ter outubro, novembro e dezembro horríveis. Ano de eleição, historicamente, sempre foi um ano bom. Nesse ano, vamos ter uma diminuição de consumo com uma recessão instaurada no país. Para chegarmos até dezembro, vamos ter que ser mágicos.”

Segundo ele, a situação é pior do que apontam os números. “O desaquecimento da economia está vindo a galope. As coisas vinham bem até abril, maio. Depois, começaram a capotar”, analisou o presidente da Fiesp.

“A questão vem em cadeia. Aconteceu na indústria automobilística, depois na [indústria de] linha branca e certamente vai acontecer nos outros segmentos da indústria. O consumo caiu por falta de confiança do consumidor. Com o medo do desemprego, não adianta dar mais prazo, nem desconto, porque não vai ter consumo. E com o câmbio como está, não tem chance de exportação.”

Presidente da Fiesp: “Chegou a hora de a gente reagir, não em benefício de nós mesmos, mas do Brasil". Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Na opinião de Steinbruch, um agravante para a situação atual é o processo de desindustrialização pelo qual vem passando o Brasil. “Há 25 anos, a indústria representava 25% do PIB [Produto Interno Bruto]. Hoje, é 12,5%, ou seja, reduzimos pela metade a participação no PIB. É um processo de desindustrialização jamais visto em qualquer outro país, em tempos normais.”

Para mudar esse quadro, o presidente da Fiesp disse que empresários e cidadãos precisam reagir. “Estamos vivendo uma artificialidade tanto do ponto de vista empresarial como na nossa vida de cidadão. E a gente se conformou até uma situação em que as casas são muradas, os carros são blindados e a preocupação é uma constante na vida da gente”, comentou.

“Chegou a hora de a gente reagir, não em benefício de nós mesmos, mas do Brasil. Já passou do limite. Queria encorajá-los a questionar essas coisas e nos ajudar a aproveitar esse momento para melhorar as coisas e favorecer que prevaleça a racionalidade.”

Entraves

Cervone: é preciso simplificar e eliminar excesso de burocracia. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Em sua participação, o presidente do Ciesp compartilhou a ideia de que o Brasil hoje é um ambiente hostil para o desenvolvimento empresarial e o empreendedorismo.

“As leis trabalhistas devem proteger o trabalhador. Mas como estão, elas travam as empresas, de maneira que a gente não consegue mais trabalhar”, criticou Cervone. “Outro problema é a falta de previsibilidade, seja trabalhista, tributária, previdenciária.”

A burocracia é outro entrave para o desenvolvimento da indústria, segundo Cervone. “É preciso simplificar. O excesso de processos burocráticos acarreta, geralmente, em corrupção”, declarou. “Os empresários têm que gastar seu tempo pensando em produzir, melhorar e investir em inovação”, propôs.

O presidente do Ciesp também defendeu mudanças urgentes. “Tudo isso faz com que o ambiente de negócio seja ruim, nossa lucratividade caia, o valor agregado diminua e a vontade de investir também fique cada vez menor.”

Benjamin Steinbruch e Rafael Cervone assumem as presidências da Fiesp e do Ciesp

Agência Indusnet Fiesp

Benjamin Steinbruch e Rafael Cervone Netto.

O empresário Benjamin Steinbruch assumiu neste sábado (31/05) o cargo de presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Steinbruch é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e do Grupo Vicunha.

Já a presidência do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) passa a ser ocupada pelo presidente da Technotex Ltda. e da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Rafael Cervone Netto.

Os dois empresários substituem Paulo Skaf, que, por exigência da legislação eleitoral, licenciou-se dos cargos com quatro meses de antecedência para concorrer ao governo do estado de São Paulo.

No VII Congresso da MPI, Fiesp e Ciesp assinam termos de cooperação com agência de fomento Desenvolve SP

Agência Indusnet Fiesp

Na cerimônia de abertura do VII Congresso da Micro e Pequena Indústria, na manhã desta quarta-feira (10/10), em São Paulo, o 2º vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), João Guilherme Sabino Ometto, representando o presidente da entidade, Paulo Skaf, assinou um termo de cooperação com a Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP).

O termo foi assinado, ainda, pelo diretor-titular do Dempi, Milton Bogus e pelo presidente da Desenvolve SP, Milton Luiz de Melo Santos.

Milton Bogus, diretor do Dempi/Fiesp, assina termo de cooperação. Foto: Everton Amaro

 

O objetivo do acordo é conjugar esforços para promover o desenvolvimento econômico do Estado de São Paulo, mediante a disponibilização de linhas de crédito pela Desenvolve SP aos sindicatos filiados à Fiesp, às empresas associadas aos sindicatos filiados à Fiesp e, ainda, para as empresas inorganizadas em sindicatos representados pela Fiesp.

Rafael Cervone assina termo de cooperação entre Ciesp e DesenvolveSP

A Desenvolve SP é uma instituição financeira do governo do Estado de São Paulo que promove, desde 2009, o desenvolvimento sustentável do Estado por meio de operações de crédito para as pequenas e médias empresas paulistas.

Com objetivo similar, Rafael Cervone Netto, no exercício da presidência do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), assinou termo de cooperação com a Desenvolve SP.

O congresso

O VII Congresso da Micro e Pequena Indústria acontece ao longo desta terça (10/10) no hotel Renaissance, em São Paulo.

O congresso anual – realizado sempre em outubro, mês da micro e pequena indústria – é dirigido a empresários de diversos segmentos, com o objetivo de apresentar estratégias e perspectivas para o setor, além de proporcionar um espaço para networking e troca de experiências entre profissionais.

A programação desta sétima edição é composta por quatro painéis com debates e palestras sobre temas como gestão de pessoas, inovação, crédito, empreendedorismo, marketing e vendas digitais.

Acompanhe a transmissão online.

Fiesp é da pequena e média empresa, afirma Ometto na abertura do VII Congresso da MPI

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

João Guilherme SabinoOmetto, 2º vice-presidente da Fiesp.

Ao contrário do senso comum, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) pertence mais às micro e pequenas empresas do que a grandes corporações, afirmou o 2º vice-presidente da entidade, João Guilherme Sabino Ometto, ao participar nesta quarta-feira (10/10), em São Paulo, da abertura do VII Congresso da Micro e Pequena Indústria, evento que tem realização conjunta da Fiesp e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

“O maior número de empresários da Fiesp é de pequena e média empresa. Além do departamento que cuida especificamente dessa área, os outros departamentos estão alinhados para defender essa pequena e média indústria”, disse Ometto, que representou o presidente da entidade, Paulo Skaf, que cumpre agenda no exterior.
Ometto disse ainda que é preciso sabedoria em tempos de globalização. “Não podemos só vender a nossa terra, os nossos commodities. Temos que ter a inteligência de ter as nossas empresas”.O 2º vice-presidente da Fiesp assinou um termo de cooperação para estimular o desenvolvimento das pequenas e médias empresas por meio de linhas de crédito pela Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP).

O presidente da Desenvolve SP, Milton Luiz de Melo Santos, também assinou o documento. “Iniciativas como a da Fiesp em realizar eventos dessa natureza é que permite aproximar entidades do governo com o empresariado brasileiro.”

Gargalo da inovação

Rafael_Cervone, vice-presidente do Ciesp

Rafael Cervone Netto, vice-presidente do Ciesp , acredita que a principal dificuldade para o pequeno e médio empresário é o difícil acesso a inovação tecnológica em meio a uma complexidade tributária que exige muito mais tempo das empresas.

“Um dos gargalos que aflige o pequeno e médio empresário é o da inovação. As empresas usam muito mais tempo tratando as questões tributárias do que inovando”, afirmou Cervone Netto. Segundo levantamento da Latin Business Chronicle’s, empresas brasileiras gastam 2.600 horas por ano somente com trâmites tributários.

Milton Bogus, diretor-titular do Departamento de Micro, Pequena e Média Empresa (Dempi) da Fiesp, afirmou que o objetivo do VII Congresso é contribuir para que as empresas saiam da “sobrevivência para a excelência.”

“Que este congresso seja mais uma ferramenta para elevar as micro, pequena e médias empresas a um patamar de excelência.”

O deputado estadual Itamar Borges, coordenador da Frente Parlamentar do Empreendedorismo da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, também participou da cerimônia.

O congresso

O VII Congresso da Micro e Pequena Indústria acontece ao longo desta terça (10/10) no hotel Renaissance, em São Paulo.

O congresso anual – realizado sempre em outubro, mês da micro e pequena indústria – é dirigido a empresários de diversos segmentos, com o objetivo de apresentar estratégias e perspectivas para o setor, além de proporcionar um espaço para networking e troca de experiências entre profissionais.

A programação desta sétima edição é composta por quatro painéis com debates e palestras sobre temas como gestão de pessoas, inovação, crédito, empreendedorismo, marketing e vendas digitais.

Água é questão-chave para planejar crescimento industrial, diz Fiesp/Ciesp

Agência Indusnet Fiesp 

Rafael Cervone Netto, 1º vice-presidente do Ciesp. Foto: Paulo Segura

Industriais e representantes de órgãos ambientais debateram na tarde desta quarta-feira (14), na Fiesp/Ciesp, a situação das Bacias Hidrográficas do estado de São Paulo e a quantidade de água disponível para suprir as atividades do setor produtivo.

A preocupação da indústria é garantir o uso racional da água em seus processos, por meio de instrumentos como Produção mais Limpa (P+L) e reutilização, e se antecipar às dificuldades que possam surgir.

João Gilberto Lotufo, diretor da Agência Nacional de Águas. Foto: Paulo Segura

Na avaliação do 1° vice-presidente do Ciesp, Rafael Cervone Netto, discutir a situação atual do abastecimento de água em bacias industrializadas e os desafios em atender às demandas setoriais é fundamental para o planejamento estratégico das diversas cadeias produtivas.

“É uma questão-chave para planejar inclusive o crescimento futuro, já que, nas próximas décadas, provavelmente teremos uma guerra pela água”, afirmou Cervone na abertura do workshop, que precedeu a entrega do 5° Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso de Água.

Largando na frente
O diretor da Agência Nacional de Águas, João Gilberto Lotufo, assegurou que é missão do órgão garantir o suprimento do insumo para o desenvolvimento sustentável.

“É importante essa iniciativa da Fiesp/Ciesp, porque este é um sistema participativo, por princípio. É preciso colocar a água na agenda mais elevada, não só no nível técnico, mas também no político”, frisou.

Eduardo San Martin, diretor de Meio Ambiente do Ciesp, salientou que a entidade vem promovendo uma série de eventos no estado, com o objetivo de incentivar empresas a adotarem procedimentos que ajudem a melhorar a qualidade ambiental do parque produtivo – como reduzir o consumo de água e energia, e também a geração de resíduos e poluentes.

Eduardo San Martin, diretor de Meio Ambiente do Ciesp. Foto: Paulo Segura

“Conseguimos aliados importantes em todo o território paulista, que representam uma parcela do esforço que temos feito para que a nossa atividade produtiva contemple práticas de Produção mais Limpa, que têm levado países desenvolvidos a ganhos ambientais e econômicos”, ressaltou San Martin.

Rafael Cervone destacou que o estado de São Paulo tem se mostrado pioneiro nas questões ambientais. Segundo ele, tecnologias sustentáveis agregadas a alguns produtos brasileiros, como os têxteis, ainda são novidades em outros países.

“Hoje já é possível falar em tingimento [de tecidos] sem água, o que era impensável anos atrás”, afirmou o dirigente do Ciesp, que também preside o Sinditêxtil-SP e a Câmara Ambiental da Indústria Têxtil na Cetesb.