‘Não há motivo de comemoração’, comenta presidente da Fiesp sobre crescimento de produção industrial apontado pelo IBGE

Agência Indusnet Fiesp

Skaf no programa Conta Corrente.  Imagem: Reprodução Globo News

Skaf no programa Conta Corrente. Imagem: Reprodução Globo News

O presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, não mostrou empolgação com os números anunciados nesta terça-feira (04/06) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  Em abril de 2013, a produção industrial do país avançou 1,8% frente ao mês imediatamente anterior, com crescimento de 1,8% já descontadas as influências sazonais.

“Esse mês de abril nós tivemos 10% a mais de dias úteis. Normalmente são 20 dias; neste ano foram 22 dias. E isso faz com a produção física aumente. A média do último trimestre, se pegarmos fevereiro, março e abril, está dando 0.1. Então não há motivo de comemoração, não. Há motivos de preocupação com o crescimento da produção industrial em 2013, bem como o crescimento da economia brasileira”, disse Skaf ao programa Conta Corrente, exibido pela Globo News.

Na entrevista ao vivo, Skaf falou ainda de temas como câmbio, Mercosul e os desafios que ainda devem ser enfrentados para aumentar a competitividade do país. “Temos muita burocracia no Brasil que inferniza quem produz, quem trabalha”, resumiu.

>> Veja o vídeo com a entrevista de Paulo Skaf no site da Globo News 

Entrevista à Rádio Estadão

Mais cedo, à tarde, Skaf concedeu entrevista para a rádio Estadão, também ao vivo. O tom foi o mesmo. “Eu gostaria muito de ter tido uma boa notícia hoje, mas, por uma série de razões, os números e a realidade não mostram isso: a produção industrial está pior que o PIB, que cresceu 0,6% no primeiro trimestre”.

A necessidade de estímulo aos setores produtivos foi outro ponto destacado por Skaf. “Os setores produtivos têm que ser estimulados com menos burocracia e menos impostos, com juros baixos”, defendeu. “O combate à inflação com juros altos, queda de demanda, de emprego e de crescimento é um modelo que vem se repetindo há 20, 30 anos”.

Para Skaf, é preciso aumentar a produção e controlar o preço pela oferta. “Com mais produção, você tem mais oferta, mais concorrência e menor preço”, explicou. “Temos que entrar num círculo virtuoso, de mais produção, de mais demanda, não num ciclo vicioso da economia brasileira”.

Nesse cenário de baixo crescimento, o aumento da Selic seria uma saída “muito cômoda”. “Cada um ponto na Selic custa para o país R$ 20 bilhões por ano de despesa de juros. E desestimula a economia nacional num momento em que o mundo está em crise”, explicou Skaf.

Para avançar nesse campo, reforçou, somente investindo em competitividade. “É necessário que se acelere investimentos em infraestrutura, que se tenha um custo de logística mais baixo”, disse. “É necessário ter gestão, melhor eficiência. E não só no governo federal, nos governos estaduais também.”

A pressão da sociedade, segundo Skaf, tem papel decisivo nesse ponto. “Conseguimos baixar a conta de luz de todos os brasileiros, não só da indústria. Lutamos um ano e meio para isso. O exemplo da energia tem que servir para tudo”, disse. “Em 2007, nós fizemos um grande movimento no Brasil para não permitir a recriação da CPMF. Com isso, ficaram no bolso da sociedade R$ 200 bilhões em quatro anos. É a pressão da sociedade que faz com que as coisas melhorem.”

O presidente das entidades afirmou ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) dificilmente vai passar de 2% de crescimento em 2013. Com o mesmo percentual de avanço a ser observado na indústria. “Se nós conseguirmos 2% de crescimento na economia e na indústria, será muito melhor do que no passado, mas muito aquém de onde poderíamos estar com menos impostos, burocracia e complicação para quem trabalha”, explicou.