Infográfico: atividade industrial completa cinco trimestres seguidos de queda

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista apontou crescimento de 0,7% em junho sobre maio, na série com ajuste sazonal. O resultado é bom, segundo o diretor do Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas (Depecon) da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Paulo Francini, mas ainda não confirma o início de uma recuperação do setor produtivo.

Sem o ajuste, o INA desacelerou 1,4% na comparação com o mês anterior. No acumulado de 12 meses, o nível de atividade da indústria sem ajuste sazonal foi negativo em 3,8%. De janeiro a junho de 2012, o indicador também acumula variação negativa de 6,4% em relação ao mesmo período de 2011, descontando o ajuste à sazonalidade.

Este é o quinto trimestre consecutivo de queda do indicador. No segundo trimestre de 2011, o INA caiu 1%, diminuindo a queda para 0,6% no terceiro período do mesmo ano e agravando, no entanto, o quadro negativo para 3% no quarto trimestre do ano passado. Em 2012, a atividade fechou o primeiro trimestre com queda de 1,7% e o segundo com variação negativa de 1,1%.

“É verdade que fechamos o trimestre negativo, que é o quinto trimestre negativo. Nós esperamos que exista alguma recuperação na atividade industrial. Evidentemente, essa recuperação só vai se mostrar através do acúmulo de números positivos e isso tem de começar em alguma hora”, afirma Francini.

Veja abaixo infográfico com a trajetória da atividade industrial ao longo dos trimestres:

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Atividade industrial cai 0,6% em maio; Fiesp revisa projeção do PIB em 2012

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Francini, diretor da Fiesp, comenta resultado da pesquisa sobre atividade industrial

A atividade da indústria paulista, medida pelo indicador INA da Fiesp e do Ciesp, desacelerou 0,6% em maio sobre abril, na série com ajuste sazonal. A produção industrial deve encerrar o ano com baixo desempenho em meio a incertezas econômicas no cenário internacional.

“A indústria de transformação não vai bem, e ainda não chegou a esperada recuperação”, afirmou Paulo Francini, diretor do Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas (Depecon) da Fiesp.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) revisou para baixo seu prognóstico para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, para 1,8% no final deste ano frente à expectativa anterior de 2,6%. Já o PIB da Indústria de transformação deve fechar o ano com 0,8% negativo.

O previsão atual da Fiesp para o INA (Índice Nacional de Atividade) é que o indicador encerre o ano com queda de 2,1%, em relação ao desempenho de 2011, quando apresentou crescimento de 0,6%.

A entidade ainda estima que o processo de recuperação da atividade deve começar de forma lenta e gradual no segundo semestre, período no qual o conjunto de medidas de estimulo a produção pode começar a surtir efeito.

“Não acreditamos que exista uma medida milagrosa. Tem de ser a soma de várias na direção correta. A redução da taxa Selic, a redução do spread bancário e a variação da taxa de câmbio são positivas”, afirmou Francini. “A última é o PAC Equipamentos. Isso dá resultado, mas não é imediato. Na dinâmica do processo econômico, em particular da indústria, leva tempo para reconhecer e ter confiança. Compartilhamos a visão de que o segundo semestre será melhor”, explicou o diretor.

Anunciado na véspera, o PAC Equipamentos prevê que o governo fará compras no valor de R$ 8,4 bilhões, dando preferência para empresas nacionais.

A Pesquisa

Na leitura sem o ajuste o INA subiu 7,4% em comparação com o mês anterior. No entanto, em relação a maio de 2011, o levantamento do mês apontou uma queda de 5,9%.

No acumulado de 12 meses, o nível de atividade da indústria sem ajuste sazonal foi negativo em 3,1%. De janeiro a maio de 2012 o indicador também acumula variação negativa de 6,3% em relação ao mesmo período de 2011, descontando o ajuste à sazonalidade.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) apresentou ligeira alta de um ponto percentual, passou de 80,6% em abril para 81,6 em maio deste ano. Já na leitura com ajuste sazonal, o componente apresentou pequena queda, 80,4% no mês passado contra 81% em abril deste ano.

De acordo com o levantamento, a variação negativa de 6,3% no acumulado do ano é a pior da série iniciada em 2003, a queda só foi superada pela de 2009, quando o índice teve o seu pior desempenho com uma excepcional baixa de 12,9% entre janeiro e maio.

Dos setores avaliados pela pesquisa em maio, destacam-se os ganhos nos segmentos de Máquinas e Equipamentos, com alta de 1,1% na leitura mensal considerando os efeitos sazonais, e Veículos Automotores com retração de 2,8% sobre abril, em termos ajustados.

Expectativa

O indicador que mede a percepção dos empresários com relação ao cenário econômico em junho, medida pelo Sensor Fiesp, se manteve praticamente estável. O Sensor passou de 46,7 pontos em maio para 48,4 pontos em maio.

Outros itens da pesquisa que apresentaram estabilidade foram: Mercado, com 49 pontos no mês corrente contra 47,4 pontos no mês passado, e Emprego, que apresentou variação de 49 pontos em junho versus 47,2 pontos no mês anterior.


Já o componente de Vendas mostrou queda expressiva neste mês para 43,7 pontos ante 49 pontos em maio.

O Sensor mostra ainda que o Estoque na indústria continua alto: 47 pontos em junho ante 39,5 em maio. “O excessivo estoque é sempre um otimismo de demanda que não se concretiza”, explica do diretor da Fiesp.

O item de Investimento também registrou aumento, 53,1 pontos em junho contra 50,5 pontos no mês anterior.

Taxa Selic pode cair ainda mais, diz Fiesp

Nota oficial

A inflação esperada para 2010 é de 4,48%, portanto, dentro da meta prevista. Neste momento, a maioria dos países pratica taxa de juros básicas reais próximas a zero. Além disso, há bastante capacidade ociosa a ser aproveitada na indústria, pois a produção ainda está 5,7% abaixo do pico atingido em setembro de 2008.

Diante desse cenário, há, claramente, espaço para cortes adicionais da taxa Selic. “É um absurdo o Brasil voltar a ocupar a segunda colocação no ranking das maiores taxas de juros reais do mundo”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), após o anúncio desta quarta-feira (9) do Copom.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)