Conselheiros da Fiesp debatem desafio para melhoria da qualidade do ar em SP

Agência Indusnet Fiesp

“A poluição do ar na região metropolitana” é o tema da próxima reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que acontece nesta terça-feira (31/07), na sede da entidade.

Em encontro fechado, os conselheiros da Fiesp discutirão com Paulo Hilário Saldiva, professor titular da Faculdade Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Departamento de Patologia Pulmonar, os desafios e as soluções para a cidade de São Paulo.

Ao final da reunião, por volta das 12h30, Saldiva falará com a imprensa.

Serviço:
Data e Hora: 31 de julho – 9h às 12h30
Local: Auditório do 4º andar da Fiesp – Av. Paulista, 1313

SP leva qualidade do ar a sério, mas qualidade técnica é necessária, diz Rizek Jr.

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A qualidade do ar é um tema que oferece algumas armadilhas, já que o mérito de sua importância não é contestado em nenhum setor. A afirmação é do secretário-adjunto de Meio Ambiente de São Paulo, Rubens Rizek Jr., que participou nesta segunda-feira (6) do painel “Qualidade do Ar no Estado de São Paulo”, durante a XIII Semana Fiesp/Ciesp de Meio Ambiente. O evento prossegue até quarta-feira (8).

“Todo mundo defende. São Paulo leva muito a sério a qualidade do ar. O alerta é para que nós consigamos trazer essa questão para uma qualidade técnica responsável. São Paulo está fazendo sua parte, a sociedade se mobilizou, o que é muito bem-vindo”, disse o secretário ressaltando, no entanto, que a melhora dos padrões atmosféricos ainda são insuficientes.

Na avaliação de Rizek, um dos vilões para a qualidade do ar é o transporte. De acordo com informações da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, mais de 70% das emissões de monóxido de carbono, principal gás poluente, nas cidades grandes é provocada pelo setor. Somente em São Paulo, a frota de veículos produz 37% de toda a poluição.

A afirmação de Rizek e os dados da Cetesb poderiam sinalizar uma ameaça para a indústria. Mas o secretário-adjunto de Meio Ambiente faz questão de esclarecer que ser mais rigoroso no regulamento da qualidade do ar não pode “colapsar o setor produtivo.”

Diesel S50

Aproveitando o debate que colocou o setor de transporte no centro da agenda, o gerente de desenvolvimento de produtos da Petrobras, Frederico Guilherme Kremer, reafirmou os planos de oferta de diesel S50 da estatal em 2012.

A partir janeiro do próximo ano, o combustível com menor teor de enxofre e menos poluente, estará disponível em todo o território nacional. As frotas cativas de São Paulo e do Rio Janeiro já rodam com o diesel S50 desde 2009.

“Verificamos que havia algum benefício ambiental”, informou Kremer ao comentar a redução de 11,3 por cento de material particulado, poluentes, na troca pelo diesel S50.

Para o presidente da Federação e do Centro da Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, “produzir de forma mais limpa, é produzir mais barato, de forma mais competitiva.”

Revisão dos Padrões de Qualidade do Ar do estado de São Paulo

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp participa, ativamente, desde o início das reuniões do Grupo de Trabalho Interinstitucional – constituído e liderado pelo governo estadual –, que tem a missão de revisar os padrões de qualidade do ar de São Paulo.

Havia a expectativa de que o relatório conclusivo do grupo entrasse na pauta de votação da reunião realizada nesta quinta-feira (27), no Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema). A decisão foi postergada. O Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp participou do debate.

Por entender que o novo padrão é importante ferramenta de gerenciamento de risco para proteger a saúde pública, a federação ampliou essa discussão convocando para reuniões internas, ao longo de 2010, os associados representantes dos diversos setores industriais, no intuito de compartilhar e analisar as decisões técnicas.

É expectativa da Fiesp que os padrões a serem estabelecidos variem de acordo com as características do Estado a fim de balancear viabilidade tecnológica, questões econômicas, políticas e sociais.

Também devem ser considerados dados de monitoramento e atualização do inventário das fontes de emissão de poluentes atmosféricos para dar subsídio aos novos padrões.

Histórico

A Deliberação nº 22, de 26/05/2009, ratificou o relatório final do “Seminário Internacional de Políticas Públicas e Padrões de Qualidade do Ar na Macrometrópole Paulista”, realizado em 2008.

O relatório sugeriu a revisão dos padrões de qualidade do ar em vigor no estado de São Paulo, por meio da criação de Grupo de Trabalho Interinstitucional multidisciplinar, que ocorreu em 1º/12/2009, conforme resolução conjunta das Secretarias de Saúde e de Meio Ambiente.

Os padrões limitam legalmente a concentração máxima de poluentes na atmosfera. Os números nacionais foram estabelecidos pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e aprovados pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) em função de sua Resolução nº 03/90.

Fiesp debate estratégias para controle da qualidade do ar e oferta de água

Agência Indusnet Fiesp,

As questões ambientais da Região Metropolitana de São Paulo continuaram no centro de debates da XII Semana do Meio Ambiente da Fiesp, realizada nos últimos dias 7, 8 e 9, na sede da entidade. Na quarta-feira (9), as discussões focaram as estratégias de proteção da qualidade do ar e das águas superficiais.

Na avaliação de Cláudio Alonso, assistente-executivo de diretoria da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), existem outras proposições, cada vez mais sofisticadas, para que se aumente o nível de controle de poluentes atmosféricos, inclusive em função do avanço tecnológico. Caso, por exemplo, dos novos valores-guia propostos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mais rígidos com a expectativa de serem adotados como referência até o ano que vem.

O representante da Cetesb lembrou, ainda, que o material particulado (poluição de chaminés, resíduos do atrito de pneus sobre o asfalto etc) “não tem personalidade alguma”, pois contém um pouco de tudo e é o elemento mais agressivo na atmosfera. Mas sinalizou a grande responsabilidade da indústria nesse sentido.

Nelson Nefussi, consultor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, discordou. De acordo com ele, a indústria não pode ser responsabilizada isoladamente pelos atuais níveis de poluentes.

“É muito mais crítica a falta de fiscalização do óxido de nitrogênio [em geral, proveniente da descarga de veículos automotores, especialmente os movidos a óleo diesel e gasolina, e tóxico para as vias respiratórias]”, argumentou. Para Nefussi, o controle deste poluente é crucial neste momento.

Outra recriminação do consultor do DMA se deu em relação à falta de inventários, ressaltando a necessária definição de planos de monitoramento das emissões atmosféricas de forma colaborativa entre Cetesb, Fiesp e Ciesp. E, ainda, o necessário consenso que deve ser buscado quanto a melhor tecnologia disponível para fins de vigilância.


Oferta de água de qualidade, equação complexa

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Regis Nieto, gerente da Cetesb

Para Regis Nieto, gerente da Cetesb, a revitalização do Rio Tietê, que atravessa a área urbana de Leste a Oeste, associada ao fato de haver quase 18 milhões de habitantes em seu entorno é uma questão delicada para a qualidade de vida da cidade.A Região Metropolitana de São Paulo – com seus 39 municípios dotados de 45 estações de monitoramento manual e 10 automáticas, totalizando 333 estações no estado – tem muitos desafios pela frente.

“No estado de São Paulo e no Brasil, os efluentes líquidos industriais e domésticos devem atender aos padrões de emissões (end of pipe, fim do tubo) e obedecer a padrões de qualidade, em situações de vazão crítica”, afirmou.

Já houve avanços: redução de 64% de cargas orgânicas e de 78% das inorgânicas em função de ações de controle e de fiscalização, especialmente no setor industrial (dados de 1995).


Ações
A Cetesb estabeleceu diversas ações para melhorar o quadro da Região Metropolitana, como aumento da coleta, eliminação de lançamentos clandestinos e de quaisquer esgotos nos mananciais, educação ambiental e diminuição da carga de fósforo dos efluentes tratados.

No caso específico do setor produtivo, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) oferece, em seu portfólio, soluções ambientais para as empresas, a fim de que estas se concentrem em seu corebusiness, segundo Marcelo Morgado, assessor da presidência da Companhia, que apontou a tendência de a indústria utilizar cada vez mais água de reúso.

A oferta de água impacta todos os setores, pois o custo se eleva quando o tratamento se torna custoso e a captação é feita longinquamente. É o caso do Sistema Cantareira, responsável pela maior parte do abastecimento da Região Metropolitana, situado a cerca de 70 quilômetros de distância.


Déficit

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Eduardo Gobbi, coordenador de saneamento da Abiquim

“Há um déficit no tratamento de esgoto em várias cidades e isso precisa ser resolvido com urgência”, criticou Eduardo Gobbi, coordenador de saneamento da Associação Brasileira de Indústria Química (Abiquim), acrescentando que o Poder Público não tem recursos suficientes para atender aos investimentos necessários.A indústria, grande consumidora de água, adota práticas de reúso em seus processos produtivos, mas sofre com os custos e a qualidade.

Conforme Gobbi, a indústria química aposta na redução da captação de água, no aumento do reúso e na diminuição do volume de efluentes que minimizam os impactos ambientais e os custos do tratamento.

Há dados concretos. Segundo números da Abiquim, hoje há uma economia de 19% no uso da água na fabricação de uma tonelada de produto, gerando uma economia de R$ 3,50/tonelada de produto fabricado. A redução sinalizada de 2001 a 2008 gira em torno de 27%.