VIII Congresso de MPI: empresários mostram como a atitude pode transformar um negócio em sucesso

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

“A atitude empreendedora: a razão do seu sucesso” foi tema de discussão durante o VIII Encontro de Micro e Pequena Indústria, em painel coordenador pelo diretor do Departamento de Micro e Pequena Indústria (Dempi) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Vicente Manzione, na tarde desta quinta-feira (10/10), no Hotel Renaissance, na capital paulista.

Com o objetivo de provocar o público a pensar não apenas no seu negócio, mas sim como empresários, o representante do MSI Washington DC, Mauro Pedro Lopes, destacou a figura do empresário e a importância da atitude frente aos empreendimentos.

“Vivemos numa intercessão de um mundo que está acabando e um novo que está iniciando”, afirmou Lopes ao lembrar que, antigamente, a indústria ganhou muito dinheiro com a produção em escala, mas que hoje há um cenário em que se ganha muito dinheiro com a inteligência. “Com todas as informações de tecnologia, mercado e negócios, o que é possível fazer, como atitude, para prosperar os negócios?”, questionou.

Lopes: “Vivemos numa intercessão de um mundo que está acabando e um novo que está iniciando”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Lopes: intercessão de um mundo que está acabando e um novo que está iniciando. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


De acordo com a apresentação de Lopes, em nove países do G-20, incluindo o Brasil (Áustria, França, Alemanha, Japão, Korea, Inglaterra e Estados Unidos), 12% da população que trabalha está envolvida em atividades empreendedoras. Além disso, as pequenas e médias empresas são responsáveis por 52% do Produto Interno Bruto e 64% dos empregos desses países. “Os empreendedores estão reformatando o mundo não só pela tecnologia e pelos novos processos, mas com as suas atitudes. O século 21 é do empreendedor”, destacou.

Para ele, o Brasil ainda tem uma cultura empreendedora sob a ótica da necessidade e não da oportunidade. “É preciso fortalecer um ecossistema fértil, com um ambiente legal, regulatório e econômico favorável”, explicou.

Lopes destacou que é preciso inovar, ter novas ideias. “O processo de deter informação acaba nos bloqueando. Essa é a principal diferença de um técnico para os empreendedores”, afirmou.

“O empreendedor vê oportunidades onde as pessoas geralmente enxergam problemas. Ele muda a percepção da realidade e tem uma atitude propositiva”, destacou Lopes ao afirmar que ‘empreender é sair fora do quadrado e ir além dos seus limites’.

Na opinião dele, as ideias surgem da identificação de defeitos e recursos aproveitáveis. “É preciso pensar de forma simples. E cuidado, porque nem todos os sonhos podem virar um negócio. Podemos encontrar as soluções tecnológicas, mas será que existe um mercado para esse negócio?”, alertou.

Ao finalizar, Lopes lembrou que ser inovador não significa inventar, mas sim mudar um modelo de negócio para se adaptar às mudanças do novo mundo. “O sucesso da novação deve ser a estratégia do seu negócio, com uma solução criativa de um problema que você enxerga”, disse.


Cases de sucesso

Para complementar o debate sobre empreendedorismo e atitudes que podem mudar o rumo dos negócios, os empresários Beatriz Cricci, da Br Goods; Manuella Curti de Souza, da Purificadores Europa; e Jairo Megumi Uemura, diretor-presidente da Mebuki e Comércio Ltda, contaram suas trajetórias de sucesso profissional e lembraram que o caminho para chegar lá é longo e doloroso.

“Eu era uma executiva de uma empresa internacional, ganhava muito dinheiro. E, quando fui ter o meu próprio negocio, percebi que não sabia nada”, disse Beatriz, que hoje cresceu e expandiu seu empreendimento para o mercado internacional.

“O conhecimento muda as pessoas. Depois de fazer uma pós-graduação, passei a ganhar cinco vezes mais e a ter uma maturidade maior em cima da empresa e entender o negócio como tal”, afirmou.

“O processo não é fácil. Tudo assusta. Não adianta só ter uma ideia, é preciso colocá-la em prática e ir readaptando tudo para as pessoas entenderem e interiorizarem isso. Muitas vezes, a solução está com sua própria equipe. É importante andar junto com ela”, destacou.

Porta a porta

 Já Manuela lembrou que a Purificadores Europa foi fundada num momento de necessidade de seu pai, que identificou uma oportunidade. “A gente não criou o purificador, mas criou um mercado e uma cultura. Ficamos felizes em ser os percursores disso. A marca se consolidou através do seu modelo de negócio, porta a porta”.

A jovem empreendedora, que assumiu a frente da empresa depois da morte de seu pai e de seu irmão, comentou a importância de mostrar para os colaboradores e parceiros que, apesar do período de luto, o negócio vai continuar. E dar certo. “A partir de então, mudamos o modelo de gestão da empresa, migrando para uma forma mais descentralizada e participativa, menos conservadora. Além disso, recuperarmos o reposicionamento da marca, buscando novas tecnologias e novas maneiras de se relacionar com o cliente. Hoje, a empresa está melhor do que nunca”, afirmou.

Ao concluir, Manuela disse que entende a organização como parte ativa da sociedade. “Minha visão de futuro é construir uma empresa que sirva à sociedade e não apenas para encher os bolsos dos acionistas”, finalizou.

Uemura concorda. Na visão dele, o empresário, de uma forma geral, deve se envolver em ações sociais e ter disposição de ajudar as pessoas. “Devemos sair da zona de conforto e descruzar os braços”, concluiu.