Conselho de Meio Ambiente da Fiesp discute o papel da universidade na preservação ambiental

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Realizada na manhã desta terça-feira (22/01), a primeira reunião do ano do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) contou com a presença do pró-reitor de pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP), Vahan Agopyan, que ministrou a palestra O papel da Universidade de São Paulo (USP) diante dos desafios do meio ambiente, em parceria com o superintendente de Gestão Ambiental da USP, Welington Braz Carvalho Delitti.

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Durante reunião do Cosema/Fiesp, pró-reitor de pós-graduação da USP, Vahan Agopyan, ressalta a necessidade de se melhorar o diálogo entre universidade, sociedade e governo. Foto: Everton Amaro

Agopyan alertou para o fato de que o diálogo entre a universidade e sociedade não está fluindo de maneira adequada. “Mesmo com o governo, nós não falamos a mesma linguagem e precisamos transpor essa barreira”, afirmou. Na visão dele, a USP também busca diálogo com a indústria. “A universidade percebeu que só a pesquisa e o ensino acadêmico não eram mais suficientes. É necessário passar a atuar em prol do meio ambiente, efetivamente, para colocar em prática os pontos de vista que nós defendemos”, explicou.

Agopyan disse que USP atua, basicamente, em três frentes: acadêmica e cientifica; aplicação desses conhecimentos em políticas públicas; e aplicação desses conhecimentos internamente na universidade para servir de exemplo à sociedade. “Não podemos esquecer o ser humano dentro do meio ambiente”, sublinhou o pró-reitor.

Iniciativas bem-sucedidas

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Welington Delitti, superintendente de Gestão Ambiental da USP: 'A universidade é um modelo que deve ser observado pela sociedade'. Foto: Everton Amaro

O superintendente de Gestão Ambiental explicou mais detalhadamente cada uma dessas frentes e citou algumas iniciativas que surgiram na USP e que serviram de exemplo para toda a sociedade.

“A universidade é um modelo que deve ser observado pela sociedade, porque não basta apenas o que é ensinado nas salas de aula, mas deve colocar em prática as ideias que defende”, afirmou Welington Delitti.

Além dos diversos cursos de graduação que têm uma interface direta com a questão ambiental, como ciências biológicas, oceanografia, geociências, entre outros, o superintendente citou os cursos na pós-graduação, mestrado e doutorado que contemplam a temática do meio ambiente, como ecologia, ciências ambientais, energia e construção sustentável, e os cursos de extensão e de curta duração. “Todos os cursos da USP deveriam ter essa vertente para atuar mais diretamente na sociedade”, salientou Delitti.

Ele destacou alguns programas colocados em prática dentro dos campi da universidade e que tiveram sucesso. Entre eles:

  • Programa de Uso Racional da Água (Pura), que surgiu em 1997 e gerou uma economia de 39% de água;
  • Programa de Uso Eficiente de Energia (Pure), que gerou uma economia de 29%;
  • Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática (Cedir), no campus de São Carlos, que permite o sustento de algumas famílias de baixa renda, um exemplo claro de intervenção com a sociedade;
  • USP Recicla, que permite uma reflexão complexa e crítica sobre a geração de resíduos.

Além disso, Delitti destacou que houve redução de até 90% do consumo de copos descartáveis em restaurantes universitários nos campi do interior; a adoção de impressão frente-verso de monografias e possível adoção do formato eletrônica, a fim de reduzir o consumo de papel; e redução de 50 a 70% do desperdício de alimentos ao solicitar que os alunos pesassem a bandeja ao jogar fora os restos de alimentos.

“O foco de atuação da universidade é a educação ambiental junto à comunidade universitária e externa, com encontros educativos, palestras e aulas; projetos de cultura e extensão em parceria com a sociedade; formação de agentes locais de sustentabilidade, ações estratégicas junto a parceiros internos e externos”, enfatizou o superintendente de Gestão Ambiental.

Capivaras

Com o objetivo de alertar a sociedade sobre o perigo da febre maculosa, em outubro de 2012 a USP organizou um workshop sobre a doença. “Essa é uma questão tétrica, mas academicamente muito interessante”, observou Delitti ao explicar que, com o aumento de plantio de cana-de-açúcar em torno dos campi da USP em Ribeirão e Piracicaba, houve uma explosão populacional de capivaras, o que causou infestação de carrapatos, principal transmissor da febre maculosa.

Esse cenário tornou-se caso de estudo para a USP. “De alguma maneira, precisamos educar tanto a população quanto a universidade e o governo”, ressaltou Welington Delitti.

Na opinião do presidente do Cosema, Walter Lazzarini, essa é uma questão de saúde pública. “É necessário ter mais divulgação daquilo que a USP faz com excelência para aproximar a sociedade dessas questões”, afirmou.

Para Delitti, as questões ambientais são mais complicadas do que se imagina, por isso é preciso sempre ter a base de pesquisa. “É no campo da pesquisa que a universidade tem uma participação eloquente no tema a preservação, com milhares de teses, muitas de nível internacional e que podem até se tornar políticas públicas. O papel da universidade é analisar os quadros, formar as políticas e permitir o conhecimento para a sociedade”, concluiu.