Plenária do Copagrem discute cenário econômico e projetos de lei de interesse do setor

Agência Indusnet Fiesp

Na reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem da Fiesp (Copagrem) nesta segunda-feira (21/3), o gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp (Depecon), Guilherme Moreira, mostrou dados atualizados sobre a economia brasileira e estimou recuperação em 2017 caso seja resolvida a atual crise política.

O problema, segundo Moreira, é a falta de confiança, que afeta o consumo e torna sem efeito medidas tomadas pelo governo. Para exemplificar, citou palestra feita na semana anterior pelo economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, em reunião do Conselho Superior de Economia da Fiesp (Cosec), na qual disse que os consumidores empregados se comportam como se estivessem desempregados, com extrema cautela.

Sua análise de receitas e despesas do governo federal, feita a partir de dados do Tesouro Nacional, mostra estabilidade das receitas e aumento de despesas, principalmente a partir do final de 2014.

A dívida bruta sai de 53,3% para 78%. “Subiu 25 pontos percentuais em cinco anos.” Lembrou que o serviço da dívida é muito caro, devido aos juros elevados. Caso o mercado confie, acredite que haverá receita futura, grande parte dos problemas é resolvida, disse.

Enquanto a solução não vem, a situação preocupa. Projeção a partir de dados da Pnad Contínua do IBGE mostra mais 6,3 milhões de desempregados em 2016.

Crise é sem precedentes desde 1930/31, única outra vez em que houve retração dois anos seguidos. Moreira mostrou estimativas do Depecon, como contração do PIB igual ou superior à de 2015. Moreira explicou por que a retomada das exportações tem alcance limitado na recuperação do PIB. A situação interna, disse, está tão ruim que o crescimento nas exportações não compensa a retração interna (5,4%).

Lembrou que a operação Lava Jato teve parcela importante na queda do PIB em 2015. Entrada de governo pró-negócios devolveria confiança aos empresários, que voltariam a investir, levando à retomada do crescimento.

Moreira disse que a mola da retomada será o investimento estrangeiro. “O Brasil ficou barato.” China, por exemplo, tem excesso de reservas, que precisa investir fora.

Listou setores que já tiveram aumento do coeficiente de exportação e outros em que ouve redução das importações devido à substituição por produção local.

Em alguns setores começou a recontratação de funcionários, e a tendência é que os salários sejam mais baixos que antes, mas ainda há fatores negativos, como a pouca disposição de consumir.

Mudanças na legislação

Alessandra Mota, do Núcleo de Acompanhamento Legislativo da Fiesp, disse que os projetos estão parados, não só no nível federal, mas no estadual e municipal. Ela explicou que as comissões permanentes, que deveriam ter sido formadas no início de março, devem ter parlamentares indicados só a partir desta segunda-feira. Por não terem sido formadas, muito poucos projetos –só os que trancam a pauta- são examinados.

Dos mais de 3000 projetos de interesse da indústria, Alessandra pinçou os mais ligados ao setor do Copagrem.

O primeiro projeto é o SCD15/2015, que fixa a alíquota mínima de ISS em 2% (e resolve a guerra fiscal entre municípios). Também prevê o fim do conflito tributário entre ISS e ICMS para o setor gráfico. Aprovado pedido de tramitação com urgência. Fiesp trabalha para manter os ganhos obtidos ao longo dos anos.

O projeto 722 revoga o registro público de jornais, oficinas impressoras e outros. A Fiesp ouviu empresas do setor e é contra ele.

No PLS 220/2014 se prevê interdição de estabelecimento por juiz do trabalho ou auditor fiscal do trabalho, do que a Fiesp diverge e por cuja rejeição trabalha. O texto é muito ruim, disse Alessandra. Pleito da Fiesp é que interdição só seja feita, de forma fundamentada, pelo superintendente regional do trabalho.

PL 2396, de Walter Ihoshi, de julho de 2015, reduz a 0 alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins sobre a receita bruta da impressão de livros. Passou na comissão de desenvolvimento econômico e está na comissão de finanças e tributação, onde aguarda designação de relator, depois vai para CCJ, para só então seguir para o Senado.

Futuro da publicidade

Alexis Pagliarini, superintendente da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), apresentou a palestra Design Thinking: As Agências de Propaganda Repensando seu Modelo. Falou sobre os desafios – à relevância, eficiência e sustentabilidade das agências – impostos pela inovação constante e pela crescente complexidade do mundo.

Reunidos no segundo semestre de 2015, diretores e donos de agências discutiram os problemas do setor, que passa por uma crise de valor. É preciso, concluíram, cobrar melhor pelas ideias apresentadas.

A conclusão foi que a agência de futuro é aquela capaz de se envolver profundamente no negócio do cliente entregando mais e sabendo cobrar por isso. Tem que ampliar sua expertise e se tornar multidisciplinar. E tem que haver mais união entre as agências, para fortalecer o setor.

Falta de Papel para Reciclagem – Impactos no Setor

Pedro Villas Boas, da Associação Nacional dos Aparistas de Papel (Anap), mostrou a evolução de preços e volume do setor. Disse que para 2016 se espera estabilidade nos preços das aparas brancas ainda que em valores altos e, ainda, algum crescimento no preço das aparas marrons.
Frisou que a alta de preços não trouxe ganho para os aparistas, pois a falta de material implica em queda no faturamento total.

Rede de Design Senai São Paulo

Sheila Brabo, responsável de Design do Senai-SP, falou sobre Área estratégica do Senai-SP, tem como missão contribuir para o constante aperfeiçoamento dos produtos industriais, por meio da aplicação de conceitos avançados e soluções inovadoras em Design.

Núcleo de Design Gráfico

Camila Christine Tomás, designer do Núcleo Senai Theobaldo De Nigris, mostrou cases desenvolvidos pela área.

Reunião plenária do Copagrem de 21 de março. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Copa do Mundo é maior exemplo de Soft-Power, aponta Nizan Guanaes

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Nizan Guanaes disse ter pena de pessoas que discutem se é bom ou não Brasil receber Copa do Mundo de 2014. Foto: Everton Amaro.

A Copa do Mundo de 2014 é maior exemplo de soft-power que o Brasil vai vivenciar, afirmou o empresário Nizan Guanaes, presidente do grupo ABC, que controla um total de 12 empresas do mercado de publicidade, marketing e eventos – entre elas as agências Africa, DM e Loducca.

Guanaes se refere um conceito criado pelo cientista político de Harvard Joseph Nye, no qual a expressão traduz a capacidade de um país em influenciar e persuadir por meio de seu poder de inspiração e atração.

“Quando eu ouço as pessoas discutindo se é bom para gente ter a Copa do Mundo me dá pena. A Copa é o maior exemplo de soft-power que nós vamos ter. O mundo estará aqui prestes a nos ouvir, a ver as coisas que a gente está fazendo”, afirmou o publicitário.

Durante abertura do seminário A Influência do Brasil no Sistema Internacional: Soft-Power, realizado em conjunto pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Guanaes afirmou que áreas como cinema, arquitetura e música dão total condição ao Brasil para estabelecer sua marca na cena internacional.

“O cinema brasileiro virou uma indústria e ele tem de ser percebido. A cultura precisa de política industrial”, afirmou. “Temos um país que tem tudo para vender um ‘brazilian way of life’. Os Estados Unidos fizeram isso e a indústria veio atrás, vendendo seus produtos”, completou.

Indústria alimentícia se compromete a não veicular publicidade a menores de 12 anos

Agência Indusnet Fiesp

Na manhã de terça-feira (25/08), foi firmado um compromisso público em benefício da qualidade de vida das futuras gerações. Ao todo, 24 indústrias alimentícias assinaram o documento, que será encaminhado ao Ministério da Saúde, no qual ratificam a não veiculação de publicidade dirigida a crianças com menos de 12 anos.

A iniciativa, encabeçada pela Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) e pela Associação Brasileiras de Anunciantes (Aba), segue exemplo da prática adotadas em outros países, como Estados Unidos, Canadá, Austrália e União Européia.

De acordo com Edmundo Klotz, presidente da Abia, a intenção em firmar o acordo é inteiramente voluntária e espontânea, relembrando que o setor alimentício, além de ser o maior do País, depois do Petróleo, é também o que mais investe em educação visando melhoria da qualidade de vida e saúde da população.

“A indústria já vem realizando esse trabalho há cinco anos, por meio do projeto Prazer de Estar Bem, com 230 mil alunos das escolas do Sesi-SP, onde se enfatiza educação básica, educação alimentar, atividades físicas e atendimentos médico, odontológico, psicológico e social”.

Klotz afirmou que a indústria sempre tem acompanhado o desenvolvimento científico, corrigido possíveis falhas e se adequado às exigências do mundo moderno, a exemplo da retirada da gordura trans dos alimentos até o ano de 2010. Contudo, a ênfase também tem que ser dada a educação. “Não é o alimento que faz engordar ou faz mal. É a dieta que deve ser adequada”, enfatizou.

Rafael Sampaio, vice-presidente executivo da ABA, ressaltou que a questão de controle da obesidade infantil é multifatorial e que, a exemplo do que se tem constatado em outros países, somente a restrição da propaganda não resolverá o problema. Mas a iniciativa brasileira, com a adesão de 24 empresas, é um excelente começo, segundo o executivo.

“Na implantação de medida semelhante nos Estados Unidos, somente 15 empresas aderiram; na União Européia apenas 11 e na Austrália, oito”, pontuou Sampaio. Vale lembrar que as signatárias brasileiras representam 75% do investimento de publicidade e abarcam cerca de 500 marcas de produtos.

Regras básicas

Em termos práticos, o compromisso firmado pelas indústrias visa adotar uma publicidade responsável de alimentos e bebidas para crianças, cumprindo as normas do Código Brasileiro de Auto-Regulamentanção Publicitária (Conar), relativas a esse tema.

As empresas se comprometem a não fazer publicidade de alimentos e bebidas (com exceção aos com perfil nutricional for baseado em evidências científicas) às crianças com menos de 12 anos de idade, em veículos de comunicação de massa (televisão, rádio, mídia impressa ou internet), que tenham 50% ou mais de audiência constituída por crianças dessa faixa etária. O mesmo será válido para atividade promocional de caráter comercial em escolas.

Também se comprometem a promover em seu material publicitário, quando possível, práticas e hábitos saudáveis, como adoção de alimentação balanceada e atividades físicas. Até o dia 31 de dezembro deste ano, as empresas divulgarão suas políticas próprias de publicidade para o público infantil já alinhadas com o compromisso firmado.

Empresas que firmaram o compromisso de Publicidade Responsável:

AmBev (Companhia de Bebidas das Américas); Batavo (BRF – Brasil Foods S/A); Bob’s (Verbo Comércio de Alimentos Ltda); Burguer King (Burger King Corporation); Cadbury (CAdbury Brasil Comércio de Alimentos Ltda); Coca-Cola Brasil (Recofarma Ind. Amazonas Ltda); Danone (Danone Ltda); Elegê (Avipal Nordeste S/A); Ferrero do Brasil (Ferrero do Brasil Ind. Doceira e Alimentar Ltda); Garoto (Chocolates Garoto S/A); General Mills Brasil (General Mills Brasil Ltda); Grupo Bimbo (Bimbo do Brasil Ltda); Grupo Schincariol (Primo Schincariol Ind. Cerveja e Refrigerantes S/A); Kellogg´s (Kellogg´s Brasil Ltda); Kraft Foods (Kraft Foods Brasil S/A); Mars Brasil (Masterfoods Brasil Alimentos Ltda); McDonald´s (Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda); Nestlé Brasil (Nestlé Brasil Ltda); Parmalat Brasil (Parmalat S/A Ind. de Alimentos); PepsiCo – Alimentos (Pepsico do Brasil Ltda); PepsiCo – Bebidas (Pepsico do Brasil Ltda); Perdigão (BRF – Brasil Foods S/A); Sadia (Sadia S/A); e Unilever Brasil (Unilever Brasil Ltda).