Futuro do clima depende de mudança cultural da sociedade

Agência Indusnet Fiesp

Independente do acordo que deverá ser firmado na próxima Conferência do Clima, que será realizada em dezembro na Dinamarca (a COP-15), uma mudança no comportamento da sociedade mundial será decisiva para frear as ações de degradação do meio ambiente.

Este foi o consenso apontado pelos participantes do painel “A Evolução do Protocolo de Kyoto e a expectativa do Brasil em Copenhague”, realizado nesta quarta-feira (26), dentro da Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental.

“Nada irá funcionar se não houver mudança na mentalidade das pessoas”, afirmou o embaixador extraordinário para Mudanças Climáticas do Ministério de Relações Exteriores (MRE), Sérgio Serra. Para ele, as negociações que ficaram estagnadas nos últimos 30 meses avançaram durante a pré-conferência, realizada este mês em Bonn, na Alemanha, mas os números apresentados ainda são modestos. “As diferenciações se darão pelas ações e, neste sentido, o Brasil pretende levar números ambiciosos para a COP-15”, reiterou.

O Brasil deverá levar à Conferência do Clima metas orientadas pela Ciência, partindo das seguintes premissas:

  • Os países desenvolvidos deverão se comprometer com a redução de gases de efeito estufa entre 25 e 40% até 2020;
  • Os países em desenvolvimento se comprometerão em reduzir a curva de crescimento das emissões.

 

De acordo com o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, as emissões brasileiras deverão ser reduzidas a partir das modificações do uso do solo e baseado em desenvolvimento de baixo carbono.


Floresta

A secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Suzana Khan Ribeiro, disse que o Brasil pretende negociar os interesses do País levando em conta a manutenção dos sistemas climáticos. “Não podemos comprometer o crescimento do Brasil, mas também não podemos comprometer a segurança climática”, comentou.

O País trabalha com uma mudança limite de 2º C para alterações climáticas suportáveis e adaptáveis. Segundo Suzana Ribeiro, o governo enxerga a importância da participação do setor produtivo na discussão e a necessidade de redução de volume expressivo no desmatamento da Amazônia.

O consultor do clima, Fábio Feldmann, fez uma análise do debate desde os primeiros movimentos mundiais realizados nos anos 90 do século passado, tendo como marco a Eco-92. “Aquela imagem mostrando o buraco na camada de Ozônio foi determinante para a criação do debate”, recuperou.

Entretanto, ele lembrou que até agora pouco se sabe sobre os impactos do aquecimento global. “E temos pouco tempo para mitigar a emissão de gases de efeito estufa”, alertou. Para o especialista, é preciso pensar em mecanismos imediatos de implementação.


Sociedade

O diretor do Departamento de Infraestrutura-Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, César Luis de Godoy Pereira, argumentou que o posicionamento brasileiro não será apenas uma ação do governo.

“Toda sociedade, inclusive a indústria, está participando deste processo. Portanto, será uma decisão do governo com a sociedade”, pontuou. Pereira lembrou que o Brasil poderá ganhar muito com os créditos de carbono que os países com metas que deverão ser cumpridas, especialmente por países ricos.

O segundo vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, a Fiesp, articulada com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), está trabalhando para a definição de um posicionamento da indústria sobre as mudanças climáticas.

“O brasileiro tem muita boa vontade e conscientização sobre o assunto. Entendemos que a negociação internacional não será fácil, e por isso, envolvemos cinco áreas”, comentou.

O grupo de trabalho envolve os seguintes departamentos da Fiesp: Competitividade e Tecnologia; Economia; Agronegócio; Meio Ambiente; Infraestrutura-Energia; e Relações Internacionais e Comércio Exterior.