Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp discute desafios para a proteína animal

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Reunião do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag) realizada nesta segunda-feira (30 de julho) teve a participação do ex-ministro Aldo Rebelo. E como expositor, Fernando Galetti de Queiroz, CEO da Minerva Foods, falou sobre perspectivas e desafios da cadeia produtiva de proteína animal no Brasil. Jacyr Costa, presidente do Cosag, conduziu a reunião.

A crise tem efeito no consumo e no investimento, disse Queiroz. Também a ineficiência tributária impede que diferentes regiões desenvolvam suas vantagens competitivas. Destacou a posição de liderança do Brasil em diversas commodities do agronegócio.

232 milhões de cabeças em 2018 consolidam o Brasil como maior produtor de carne bovina no mundo, disse. E a produtividade tem crescido, com mais cabeças de gado por hectare. Também houve diversificação de países para os quais o Brasil exporta, mas ainda há desafios. Japão e Coreia do Sul ainda estão fora dos destinos brasileiros, e a exportação para a Rússia está proibida.

Há potencial para novos mercados, como a Indonésia. A conquista de mercados premium pode aumentar a remuneração para os produtores, ressaltou.

Carne de frango e de suínos segue o mesmo caminho, mas encontra maior concorrência local, por suas características de produção, que é padronizada.

Setor privado e governo precisam estar alinhados para a conquista de novos mercados, defendeu.

A vantagem comparativa da América do Sul está nas commodities agrícolas, disse, lembrando que não se deve pensar somente da porteira para dentro, é preciso considerar a cadeia como um todo.

Ameaça às plantações

Roberto Jank, diretor da Agrindus, falou sobre o javaporco, híbrido de javali (espécie exótica invasora) e porco que provoca prejuízos ao agronegócio. Segundo Janck, no fim da safra de cana os animais atacam outras lavouras. A lei 16.784, de 28 de junho de 2018, explicou, impede o abate dos javaporcos, e isso inviabiliza o controle que tinha sido iniciado e havia permitido a volta da safrinha em São Paulo.

Jank destacou que os caçadores, e não o agronegócio, o grande prejudicado pela situação, têm atuado pela reversão da lei. Ele defendeu melhora na comunicação dos produtores. Aldo Rebelo comentou o fato, lembrando dos benefícios trazidos pelo controle biológico. “O mundo inteiro pratica esse tipo de controle”, disse, destacando que o Ibama havia regulamentado o tema.

Ressaltando o mérito da questão ambiental, Rebelo afirmou que ela é usada como arma da guerra comercial.

O deputado estadual Itamar Borges (PMDB), presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa de São Paulo, explicou o processo de aprovação da lei e disse que o governador do Estado deve emitir decreto regulamentador nos próximos dias, corrigindo a distorção.

Duarte Nogueira, prefeito de Ribeirão Preto, destacou a inconstitucionalidade da lei. O Legislativo a criou, o Executivo não a vetou, e por ser inconstitucional – porque o tema já é tratado por legislação federal – deverá ser derrubada por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade. Também, por gerar custos para o Executivo, deveria ter sido proposta por ele, e não pelo Legislativo.

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Reunião do Cosag, da Fiesp, que discutiu desafios para a proteína animal brasileira. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp