Rubens Barbosa alerta que o Brasil pode ficar isolado nas negociações internacionais com as medidas protecionistas

Agência Indusnet Fiesp

O Brasil está perdendo “o bonde”  dos acordos de comércio internacional ao não se inserir nas cadeias produtivas globais. O alerta foi feito pelo presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), embaixador Rubens Barbosa, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta sexta-feira (1º/3).

Para Barbosa o alto protecionismo que atrapalha o investimento e não é feito para a produção para exportação é prejudicial a indústria brasileira.

Questionado se não seria contraditório criticar as medidas de proteção à indústria, ele responde: “Não estou criticando, são corretas, mas de curto prazo, não são suficientes. Daqui a 10 ou 15 anos, a indústria brasileira vai estar produzindo só para o mercado interno.”

Para ver a entrevista na íntegra, acesse o site da Folha.

Skaf diz a Cameron que Fiesp não defende protecionismo, mas recuperação da competitividade

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Em encontro reservado, na Fiesp, Paulo Skaf conversa com o primeiro-ministro britânico David Cameron

 

Em entrevista coletiva à imprensa, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, revelou alguns trechos do encontro reservado em seu gabinete, na manhã desta quinta-feira (27/09), com o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron.

Skaf disse tomou a iniciativa de enfatizar que a Fiesp não tem interesse na adoção, por parte do governo brasileiro, de medidas protecionistas no comércio exterior.

“Expliquei ao primeiro-ministro [Cameron] que nós não queremos nenhum tipo de protecionismo. O que queremos aqui é a competitividade. Lutamos um ano e meio pela redução do custo da energia, pela queda do preço do gás, pelas melhorias na logística, pela redução da taxa de juros. Essa é a pauta da Fiesp. Agora, nós temos que recuperar a competitividade do Brasil. Expliquei isso”, afirmou Skaf.

De acordo com o presidente da Fiesp, Cameron disse ter ficado muito feliz com a posição da indústria e relatou estar adotando medidas na mesma direção no Reino Unido. “Nós nos afinamos em relação a esse tema.”

Em entrevista por e-mail ao jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta quinta-feira (27/09), Cameron manifestara preocupação com a medida do governo Dilma, que aprovou o aumento do imposto de importação para 100 produtos, estabelecendo uma alíquota máxima de até 25%. A lista pode subir para até 200 produtos.  Segundo Cameron disse à Folha, a medida “pode ser trazer benefícios para a indústria doméstica, mas tem custos a longo prazo e impede o desenvolvimento de uma base industrial verdadeiramente competitiva e inovadora”.

Fluxo comercial entre os dois países

Segundo Skaf, é simbólico o fato de a primeira visita oficial de David Cameron começar pela Fiesp. “É um sinal de que há interesse de que os investimentos recíprocos se incrementem”, salientou o líder da entidade, destacando que o fluxo comercial entre Brasil e Reino Unido, hoje na casa dos US$ 9 bilhões, representa um pequeno percentual do comércio exterior dos dois países, que movimentam, juntos, entre importações e exportações, uma cifra próxima de US$ 1,6 trilhão.

No encontro reservado, David Cameron manifestou intenção de fortalecer os negócios bilaterais “O Reino Unido é muito forte em serviços, infraestrutura, energia, defesa. Os ingleses têm muita coisa a oferecer. E no ano passado o Brasil investiu US$ 1 bilhão no Reino Unido”, destacou Skaf, lembrando que o País hoje é a sexta maior economia do mundo, uma posição acima da potência britânica.

“Não há negócios se não existe conhecimento. Encontros como esse existem para que as pessoas se conheçam. Há interesse, sim, de eles investirem aqui e nós investirmos lá”, concluiu o presidente da Fiesp.

Brasil quer aumentar pauta de exportações brasileiras para a China

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Tatiana Lacerda Prazeres, secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), fala em reunião do Coscex/Fiesp

Sob o aspecto quantitativo, os dados gerais do comércio exterior brasileiro nestes primeiros cinco meses do ano são muito positivos. No período, as exportações superaram US$ 100 bilhões e as importações, US$ 86 bilhões, que respectivamente correspondem às altas de 31% e 29.5% no mesmo período de 2010. As exportações crescem em ritmo mais acelerado que as importações por causa das dificuldades com o câmbio e dos preços das commodities no mercado internacional.

Os números foram informados por Tatiana Lacerda Prazeres, secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), durante a reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, nesta segunda-feira (13). Ela mostrou que os principais produtos exportados são minérios e combustíveis (petróleo), principalmente para a Ásia e América Latina, com crescimento especialmente no Caribe.

“Sob o aspecto geográfico, pode-se dizer que as exportações brasileiras são bem distribuídas, e fenômenos recentes destacam a importância crescente da Ásia e o declínio da importância dos Estados Unidos”, afirmou a secretária do MDIC.

Ao mesmo tempo, as exportações para a Argentina também têm crescido em ritmo superior ao do praticado com o mundo. No Brasil, 14 unidades federativas respondem por menos de 1% das exportações, enquanto São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro correspondem a 50%.

Tatiana chamou a atenção à porcentagem do alto volume de exportações por grandes empresas, de 94,8%, enquanto as médias alcançam 4,1% e as micro e pequenas, 1,0%. “Para engajar os estados com menor participação no esforço exportador do País, o MDIC está mobilizado em torno de um plano nacional da cultura exportadora”, revelou.

Brasil-China

Para ela, a preocupação em relação ao país asiático é o fato de as exportações brasileiras estarem concentradas em poucos produtos. Em reunião recente do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, com o ministro de Comércio chinês, Chen Deming, surgiram perspectivas positivas para a eliminação de algumas barreiras ao comércio e, também, ao interesse chinês em contribuir para que haja importações brasileiras de outros itens, principalmente por parte das empresas governamentais responsáveis por grandes aquisições.

As exportações brasileiras para a China por fator agregado é concentrado em poucos produtos básicos já citados e inclui a soja, que totaliza 80% do volume. Entretanto, o que preocupa o ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior é a importação brasileira da China por fator agregado de manufaturados, que atinge 97,5%.

“Se mobilizarmos o setor privado brasileiro, podemos melhorar a qualidade deste comércio exterior: do ponto de vista quantitativo é positivo, mas sob o qualitativo há muito a ser feito”, analisou a representante do MDIC.

Brasil-Argentina

Dos US$ 6 bilhões superavitários com o Mercosul em 2010, US$ 4 bilhões vieram do país vizinho. A exportação para a Argentina, principalmente do setor automotivo, vem ascendendo em ritmo mais acelerado do que o crescimento das exportações brasileiras para o mundo, o que aumentou as vendas brasileiras nesses primeiros cinco meses do ano.

“Apesar dos números positivos, isso não nos deixa tranquilos, pois enquanto houver problemas com empresas específicas, seguiremos empenhados em derrubar barreiras não justificadas do lado argentino; 91% do que o Brasil vende para a Argentina são de produtos manufaturados”, pontuou Tatiana.

Protecionismo

De acordo com a secretária do MDIC, o foco de atuação do ministro Pimentel quanto ao componente defensivo do comércio exterior tem sido o combate à ilegalidade, em sinergia com a Receita Federal contra qualquer tipo de fraude. “Ele tem buscado aproveitar a circunstância desfavorável do câmbio ao comércio exterior brasileiro para promover as reformas, aguardadas há muito tempo”, concluiu.

Brasil pode perder mercado se aceitar travas argentinas, diz Fiesp

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex/Fiesp

As barreiras impostas pelo governo argentino aos produtos brasileiros atingem hoje mais de um quarto (27,6%) das exportações nacionais. Os números revelam a escalada protecionista do vizinho sul-americano: em outubro de 2009, 53 itens estavam sob licenciamento não automático; hoje são 577 produtos sujeitos a esta restrição.

O prazo estabelecido pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para a liberação das licenças não automáticas é de 60 dias, mas a Fiesp afirma que alguns registros já superam os 180 dias. Só no setor de balas, chocolates e massas alimentícias, que enfrenta barreiras sanitárias, a entidade estima um prejuízo de R$ 6 milhões.

O assunto foi debatido nesta terça-feira (10) em reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp. Diagnóstico: o Brasil vem adotando a paciência estratégica com relação às travas argentinas desde 2008, tentando liberar seus produtos no “varejo”.

Para o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex, essa posição precisa mudar. Caso contrário, o Brasil acabará perdendo mercado para produtos chineses no Mercosul.

“O governo acaba não defendendo o setor industrial brasileiro por conta da mesma visão de parceria estratégica que adotava há oito anos, quando não havia a ameaça da China”, avaliou Barbosa. “Isso é aceitar o conceito de assimetria [entre Brasil e Argentina], que é uma visão equivocada. A integração hoje tem que ser vista sob nova ótica”, disse o embaixador.

A grande questão, para a Fiesp, é saber se as restrições impostas à entrada de produtos brasileiros estão beneficiando o próprio parque industrial argentino ou países de fora do Mercosul, o que comprometeria as regras do bloco.

A corrente de comércio entre os dois países totalizou US$ 33 bilhões em 2010. O saldo foi superavitário para o lado brasileiro, pelo sétimo ano consecutivo, em US$ 4,1 bilhões. De janeiro a abril de 2011, o volume acumulado está em US$ 1,4 bilhão, com previsão de chegar a US$ 6 bilhões positivos para o Brasil no final do ano.

Pesquisa

Na primeira parte da reunião do Coscex, técnicos da área de Comércio Exterior da Fiesp apresentaram os Coeficientes de Exportação e Importação (CEI), referentes ao 1° trimestre do ano. Os resultados foram divulgados na segunda-feira (9) em coletiva de imprensa. Clique aqui para ver a pesquisa na íntegra.