Sai mais caro não investir na proteção de uma empresa, alerta diretor do Departamento de Segurança da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp*

Ricardo Coelho, diretor do Departamento de Segurança da Fiesp. Foto: Mauren Ercolani/Fiesp

Proteger uma indústria requer um robusto investimento por parte do empresário, mas deixá-la exposta a riscos de natureza operacional, financeira ou até de imagem pode ficar muito mais caro.

O alerta é do diretor do Departamento de Segurança (Deseg) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Ricardo Coelho.

Ele apresentou conceitos de proteção industrial a especialistas em um dos primeiros painéis do seminário “Proteção na Indústria – Tecnologias Empregadas na Segurança e na Proteção da Indústria”, organizado pelo Deseg/Fiesp.

“Manter um processo em estado de normalidade custa muito dinheiro, mas perder o processo custa muito mais. Só que o gabinete precisa saber quanto custa fazer e quanto custa não fazer”, afirmou Coelho.

“Quando o responsável pelas medidas de proteção não consegue demonstrar quanto custa não fazer, a medida demora mais para ser tomada”, completou.

Segundo o diretor da Fiesp, a melhor abordagem é demonstrar o custo dos riscos. “As medidas de proteção são uma resposta a um problema. E cada vez mais, nas organizações, esse problema precisa ser detalhado. Aquilo que antes era argumentação é cada vez mais demonstração”, disse Coelho.

O diretor do Deseg acrescentou que o processo de proteção à empresa deve garantir elasticidade à organização diante de uma esperada crise, uma vez que, ao sofrer desgastes, ele deve ter condições de se recompor de alguma forma e em algum tempo.

“Apesar de todas as medidas de proteção, os eventos adversos virão, mas eles têm de chegar com o menor impacto possível e têm de deixar o menor efeito possível. O processo crítico que não tem resiliência tira a capacidade da empresa de ser resiliente. Ela não consegue sair da adversidade sem ser seriamente comprometida”, concluiu Coelho.

Mercado de segurança

Selma Migliori, maior feira do mercado de segurança eletrônica, gerou cerca de cinco milhões de reais em negócios. Foto: Mauren Ercolani/Fiesp

Em outro painel, a presidente da Associação Brasileira de Empresas de Segurança Eletrônica (Abese) e diretora do Departamento de Segurança (Deseg) da Fiesp, Selma Migliori, falou durante o encontro sobre os bons números que o setor vem apresentando nos últimos anos.

“O mercado de segurança eletrônica é bastante expressivo, conquistando espaços e faturamentos cada vez maiores. A Exposec, maior feira do setor, aconteceu na semana passada e gerou cerca de cinco milhões de reais em negócios”, informou.

* Com Guilherme Abati

Feira Internacional apresenta tecnologias e soluções em saúde e segurança do trabalho

Agência Indusnet Fiesp

De 3 a 5 de outubro de 2012 acontece a 19ª Feira Internacional de Segurança e Proteção (Fisp), no Centro de Exposições Imigrantes, na capital.  Com entrada gratuita, o encontro reunirá 700 empresas expositoras e cerca de 45 mil visitantes, que buscam novidades e soluções voltadas à prevenção de acidentes e doenças do trabalho.

Promovido pelo Grupo Cipa Fiera Milano, o evento tem como objetivo o desenvolvimento de uma cultura cada vez mais prevencionista, não somente no ambiente de trabalho, mas também fora dele.

O público-alvo é composto de profissionais de enfermagem e médicos do trabalho, psicólogos, fonoaudiólogos, engenheiros e técnicos de segurança do trabalho, inspetores de risco, segurança patrimonial, cipeiros, bombeiros, gerentes, diretores, compradores e vendedores.

Acidentes do trabalho no Brasil

Apesar das fortes campanhas, legislação e fiscalização cada vez mais rigorosas, grande parte dos acidentes de trabalho ainda decorre da falta de treinamento e do não uso ou falta de equipamentos de proteção individual.

De acordo com dados dos Ministérios da Previdência Social (MPS) e do Trabalho e Emprego (MTE), em 2010, foram registrados 701.496 acidentes de trabalho. Os números oficiais destes acidentes no país se referem apenas ao setor formal do mercado de trabalho, não se contabilizando quase 20 milhões de trabalhadores informais que não contribuem para a previdência. O custo gerado pelos acidentes entre trabalhadores de empresas com carteira assinada é estimado em cerca de R$ 70 bilhões.

Diversas são as causas das ocorrências, como riscos ergonômicos, acidentes de trajeto, travamento de máquinas e equipamentos, até quedas, entre outros. Os acidentes mais frequentes são fraturas, luxações e outros ferimentos graves até a morte. Em seguida aparecem casos de distúrbios relacionados ao esforço repetitivo (Ler/Dort) e dores nas costas, onde a prevenção se dá por correções posturais, adequação do mobiliário e dosagem da carga de trabalho. Na sequência, os transtornos mentais e comportamentais como depressão, estresse e ansiedade.

José Roberto Sevieri, diretor do Grupo Cipa Fiera Milano, destaca que uma cultura de trabalho saudável, minimizando riscos e acidentes, começa com o comprometimento de empresários e gestores. Para ele, a segurança e saúde do trabalho tem apresentado evolução continuada, com o aprimoramento das normas, dos equipamentos, dos profissionais e a propagação de informações.

Prevenção

Paralelamente à feira, eventos simultâneos voltados à prevenção como a 10ª. Fire Show, voltada para os segmentos de prevenção e de combate a incêndio; a Expo SamuFeira dos Fornecedores dos Serviços de Atendimentos Móveis de Urgência, que apresentará equipamentos como: macas, desfibriladores, estetoscópios e outros que fazem parte da rotina desses profissionais; e a Planeta Expo – Feira de Tecnologias e Ações para a Preservação da Vida, que agrupará em um mesmo espaço empresas fornecedoras e importantes cases de sucesso para a implantação de programas de sustentabilidade.

Serviço
FISP – XIX Feira Internacional de Segurança e Proteção (evento bienal)
Data/horário: 03 e 05 de outubro 2012, das 13h às 21h
Entrada gratuita

Eventos Simultâneos:
Fire Show – Internacional Fair Show
Expo Samu – Feira dos Fornecedores dos Serviços de Atendimentos Móveis de Urgência
Planeta Expo – Feira de Tecnologias e Ações para a Preservação da Vida

Local: Centro de Exposições Imigrantes – Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5 – São Paulo
Transporte gratuito: Estação do Metrô Jabaquara – Saída de Vans na Rua Nelson Fernandes, 400

Segurança da informação: empresas devem ter comissão multidisciplinar na instituição de normas

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

A proteção de dados e a segurança da informação na internet foi tema de discussão em debate promovido pelo Departamento Jurídico da Fiesp (Dejur), nesta quinta-feira (30/08), na sede da entidade. Participaram do encontro Renato Opice Blum, advogado, economista e coordenador do MBA em Direito Eletrônico da Escola Paulista de Direito – EPD; Cássio Jordão Motta Vecchiatti, especialista em Tecnologia da Informação; Oziel Estevão, advogado conselheiro do Conjur/Fiesp e Alexandre Magno de Mendonça Grandese, diretor jurídico da Fiesp.

Cássio Jordão Motta Vecchiatti, Renato Opice Blum (ao microfone), Alexandre Magno de Mendonça Grandese e Oziel Estevão, durante debate do Conjur/Fiesp. Foto: Everton Amaro

No entendimento de Renato Opice Blum,  a recomendação mais atual para as empresas é a adoção de uma estrutura de conscientização e preparação para um eventual incidente. “O vazamento de informações, hoje, é uma situação não desejável, que pode ocorrer a qualquer hora, e se a empresa já tem um conhecimento de que isso pode acontecer, fica mais fácil administrar um possível sinistro”, afirmou.

Ao mesmo tempo, como prevenção, ele ressalta que as companhias devem ter uma comissão específica multidisciplinar, que trabalhe o assunto nos âmbitos jurídico, técnico e educacional. “E é importante também que a empresa institua normas e procedimentos na segurança da informação, prerrogativa do empregador amparada por lei que disciplina as regras, seus riscos e consequências”, explicou Blum, ao sintetizar que as duas iniciativas darão segurança extra para as empresas, mas não eliminarão os riscos.

Marco civil

A análise do coordenador da EPD aponta que o marco civil, do Projeto de Lei original [nº 2126/2011] que regulamenta a internet no país, possui algumas deficiências técnicas quanto à faculdade ao provedor de conteúdo dos sites na guarda de registros.

“Isso pode gerar impunidade, na medida em que pode ficar impossível de se identificar alguém que pratique algum ato ilegal na internet, o que seria um retrocesso ao entendimento atual nos tribunais brasileiros. Os provedores têm uma obrigação implícita de guarda das informações, e isso tem funcionado bem”, assegurou.

Outra crítica, segundo Renato Opice Blum, é relacionada à eliminação da responsabilidade do provedor. “Identificado um conteúdo ilegal de qualquer natureza, o provedor tem a obrigação da remoção. Caso contrário, poderá ser corresponsabilizado por isso”. Segundo Blum, o artigo 15 do marco civil vai afastar a responsabilidade do provedor.

“O único encargo que o provedor já tem seria em eventual descumprimento de ordens judiciais, o que seria um ônus muito grande às vítimas, que teriam que procurar o poder judiciário perdendo dinheiro e tempo precioso com aquele conteúdo no ar”, afirmou.

Por outro lado, caso o marco civil seja aprovado, segundo Blum, poderá haver a obrigatoriedade de as escolas programarem matérias relacionadas à educação digital e segurança da informação. “Hoje, o projeto do marco civil está em tramitação na Câmara dos Deputados e aguarda sua apreciação por parte dos outros parlamentares, a princípio para o próximo dia 12 de setembro”, antecipou.