Fiesp e entidades se reúnem com Temer para dizer não à redução da jornada de trabalho

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e outras seis federações de estados se reuniram com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para expor a preocupação do setor industrial em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC 231/95) que prevê a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais.

“A Fiesp trouxe, para o presidente da Câmara, a opinião de 135 sindicatos patronais do estado de São Paulo, que concordam que este não é o momento oportuno para discutir o tema, já que estamos em ano eleitoral”, comentou Roberto Della Mana, vice-presidente da federação.

Della Mana também explicou que as grandes empresas do estado já praticam uma jornada de trabalho de 40 horas semanais. “O que não podemos fazer é crucificar as pequenas e médias empresas, que sofreriam com as mudanças”, afirmou. Ele lembrou que todos os estudos feitos pela entidade sobre o tema apontam que os trabalhadores podem sair prejudicados, com a perda de postos de trabalho.

Durante o encontro, Temer apresentou uma proposta que, segundo ele, não onera as empresas e que pode ser feita de forma gradual, em dois anos. De acordo com essa proposta, a jornada seria reduzida para 42 horas semanais, com compensação fiscal para as indústrias, como por exemplo nos encargos da folha de pagamento. Além disso, a hora extra seria mantida em 50%.

Em nota oficial divulgada na terça-feira (9), a Fiesp explica que, além de não criar empregos, a redução da jornada pode comprometer a competitividade brasileira, os níveis de produção e as exportações. “De 2003 a 2009, o Brasil reduziu a taxa de desemprego de 12,3% para 8,1%, por meio do crescimento econômico e não por alterações na jornada de trabalho”, alerta o presidente da entidade, Paulo Skaf.