José Luiz Marcusso, da Petrobras: ‘Fiesp tem sido uma grande parceira no desenvolvimento da cadeia de fornecedores’

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

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José Luiz Marcusso: 'Nossos primeiros técnicos de operação e de manutenção foram formados em parceria com o Senai'. Foto: Helcio Nagamine

Após palestra no seminário Desafio São Paulo na Demanda do Pré-sal, evento realizado nesta terça-feira (27/11) na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), o gerente geral da Unidade de Operações de Exploração e Produção da Bacia de Santos da Petrobras, José Luiz Marcusso, concedeu uma breve entrevista ao Portal Fiesp.

Segundo ele, a Fiesp, o Ciesp e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP) têm sido grande parceiros no desenvolvimento de fornecedores e de mão de obra para a cadeia produtiva de Petróleo & Gás (P&G).

Confira a entrevista:

Como o senhor avalia a sinergia entre a Petrobras e a Fiesp/Ciesp para desenvolver a indústria brasileira, inclusive dentro do contexto da política de conteúdo local?

José Luiz Marcusso – Fundamental, e vem ocorrendo. A Fiesp, diretamente ou através do Ciesp, é parceira da Petrobras para o desenvolvimento da Bacia de Santos desde 2006. Ainda em setembro de 2006, foi criado o fórum regional do Prominp [Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia]. E a integração da Fiesp – diretamente ou através do Ciesp – ocorreu, por exemplo, na participação em todos os eventos que envolve cadastro de fornecedores. A Fiesp tem sido uma grande parceira principalmente para o desenvolvimento da cadeia de fornecedores de bens e serviços. Esse é um grande desafio, paralelo à capacitação das pessoas em todas as áreas críticas do conhecimento. O desenvolvimento dessa indústria é fundamental não só para implantar esses projetos, mas principalmente para garantir a operação por um longo tempo. Imagine, por exemplo, uma turbina cuja manutenção é feita no exterior? Então, as pessoas acham que conteúdo local é uma exigência do regime de concessão. Não é só isso. A gente entende que ele necessário pelo volume de operações crescente. Não tem cabimento a gente ter que reparar equipamento no exterior. E nisso a Fiesp tem sido uma grande parceira, pelo papel que ela tem de representatividade frente à indústria brasileira.

Muito se fala do apagão de mão de obra no Brasil. Como a Petrobras pretende incentivar essas parcerias, inclusive com o Senai?

José Luiz Marcusso – A Petrobras está imbuída nesse esforço. Tudo isso começou com o governo federal, com a criação do Prominp em dezembro de 2003. Então, o Prominp vai completar 10 anos no ano que vem – um marco importante. A Petrobras tem muitas parcerias com o Senai. Dou alguns exemplos. Os nossos primeiros técnicos de operação e de manutenção, tanto da plataforma de Mexilhão como da unidade de tratamento de gás Monteiro Lobato, em Caraguatatuba, foram formados em parceria com o Senai – estou falando de técnicos próprios do Senai. E também as parcerias com as universidades e com as escolas brasileiras, principalmente com destaque no Senai na área técnica, estão ocorrendo há muito tempo.

A Fiesp e o Ciesp e o Senai lançaram um curso de gestão de inovação, em parceria com a Universidade de São Paulo, para empreendedores em P&G. Quais são os segmentos que a Petrobras identifica necessidade de produtos inovadores?

José Luiz Marcusso – Todo pré-sal tem um cenário de complexidade das operações de P&G. Uma comparação entre as bacias de Campos e Santos. Em Campos, a gente tem operações na faixa de 100 a 150 quilômentros [de distância] da costa. Em Santos, são 300 quilômetros. Em Campos, a gente tem operações de reinjeção de gás num nível de pressão de 300 quilograma-força por centímetro quadrado (kgF/cm²). Em Santos, a gente ultrapassa 500 kgF/cm². Presença de CO2 no gás natural? Então, há a necessidade de materiais mais resistentes à corrosão. Mais presença de óleo parafina. Maior quantidade de gás natural. Em Campos, para cada 100 mil barris por dia de petróleo, a gente produz 2 milhões de gás natural. Em Santos, esse número chega ao dobro, às vezes ao triplo, a depender da área. Têm muitas áreas de conhecimento com esse cenário já presente na Bacia de Santos.