Iniciativas Sustentáveis: International Paper – Comunidade em foco

Por Karen Pegorari Silveira

Os impactos negativos da indústria de papel e celulose nas comunidades do entorno exigem que a empresa e a sociedade mantenham relacionamento próximo e de amplo diálogo, e para que isso ocorra de forma agradável muitas empresas desenvolvem projetos em conjunto para atender as necessidades desta população.

Assim também é o trabalho do Instituto criado pela indústria de papel e embalagens International Paper (IP), que em 2014, investiu mais de R$ 1,3 milhão, sendo 20% desse valor por meio de incentivos fiscais via Imposto de Renda e ICMS da empresa.

Atualmente, o Instituto contempla projetos ou ações em todas as cidades brasileiras em que possui operação e já impactou, diretamente, mais de pessoas 32 mil pessoas em 2014 com 9 projetos próprios e outros 2 projetos realizados por meio de programas de incentivo fiscal do Governo Estadual e Federal (PROAC-ICMS e PRONAC regulado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet).

O projeto Apicultura Solidária teve início em 2011 e visa o uso múltiplo das florestas de eucalipto, priorizando o desenvolvimento socioambiental nas áreas de atuação da IP, além de geração de renda para apicultores locais. A dinâmica do projeto consiste em uma atuação de colaboração mútua, na qual a IP libera o uso de áreas de floresta de eucaliptos para que os apicultores instalem suas colmeias e caixas de captura necessárias à produção de mel, colaborando com o aumento de sua renda. Devido à alta produção de mel, os apicultores montaram stands dentro das fábricas de Mogi Guaçu e Luiz Antônio, podendo assim vender o mel para os funcionários da IP. Outra ação feita com o intuito de divulgar o projeto internamente, foi a distribuição de bisnagas de mel nas salas de reuniões da IP, dispostas em uma embalagem com o formato de uma colmeia.

O projeto EducAção Socioambiental, composto de concurso de redação, concurso literário e a atividade de plantio, é realizado há 39 anos na unidade de Mogi Guaçu. Além de colaborar com a formação de crianças e adolescentes socialmente responsáveis, realiza a conservação e a restauração ambiental de áreas verdes nos municípios de Mogi Guaçu, Mogi Mirim e Estiva Gerbi. O projeto une ações educacionais e socioambientais por meio dos concursos e da conservação ambiental, em que as escolas participantes levam seus alunos para plantar mudas nativas em áreas degradadas. Esta ação de plantio, que é itinerante, percorreu os três municípios participantes e, em 2014, o reflorestamento ocorreu em diferentes áreas da cidade de Mogi Guaçu, além de contar com a participação de voluntários da IP.

Lançado em 2010 na IP, o Projeto Escola Formare, desenvolvido pela Fundação Iochpe (franquia social), oferece curso de educação profissional para jovens de famílias de baixa renda, com certificado reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) e emitido pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). As aulas do programa são ministradas em um período de 10 meses e os profissionais da IP são educadores voluntários (EVs). Formare Luiz Antônio formou a sua quarta turma de Assistentes de Produção da Indústria de Processos em 2014, com a ajuda de mais de 100 profissionais voluntários que atuaram como Educadores Voluntários, Supervisores de Prática Profissional e Tutores do programa “Mire-se no Exemplo”. No mesmo ano, os alunos voluntariamente se organizaram, planejaram e executaram uma campanha para arrecadação de agasalhos na unidade. No total foram arrecadados mais de 200 itens entre roupas, cobertores e fraldas, sendo doados às duas instituições de assistência social do município de Santa Rosa de Viterbo (Asilo São Vicente de Paula e Casa Abrigo). Formare Mogi Guaçu formou a sua quinta turma de Assistentes de Produção da Indústria de Processos, sendo a unidade que engloba o maior número de profissionais voluntários, só esse ano o projeto contou com a participação de quase 200 voluntários entre eles Educadores Voluntários, Supervisores de Prática Profissional e Tutores. Ainda em 2014, os alunos e educadores voluntários se organizaram, planejaram e executaram uma campanha para arrecadação de produtos de higiene, que posteriormente foram doados ao CAC de Mogi Guaçu (Centro de Atendimento à Criança).

O EmCena Brasil é uma caravana itinerante com um Teatro Móvel que utiliza um contêiner adaptado para palco, com toda a infraestrutura de iluminação, som, camarins, tela de cinema e 400 banquetas para a plateia cobertas por uma tenda de 250m2. São realizados espetáculos teatrais para adultos e crianças, apresentações de circo, sessões de cinema, contação de histórias, oficinas, exposições e shows musicais, além de uma biblioteca com mais de 500 títulos em livros infantis e gibis. O IIP levou para os municípios de Paulínia (SP), Suzano (SP), Franco da Rocha (SP), Itapeva (SP) e Rio Verde (GO).

O Projeto Guardiões das Águas, realizado desde 2008 na região de Luiz Antônio, tem como missão informar e conscientizar os participantes quanto ao uso racional da água, além de incentivar ações de conservação. Devido ao calendário escolar atípico de 2014, houve a necessidade de postergar o projeto para o 2º semestre. Independente desse fator, a campanha teve o seu tempo de duração normal, que foram de 4 meses (agosto a novembro).

O Watchatchá é um Circo Científico em show que traz uma série de experiências como “Água pelo Mundo”, em que os cientistas malucos mostram que apesar de nosso planeta ser composto por cerca de 70% de água, apenas uma pequena parte é potável. Todos os conceitos científicos são passados de maneira divertida e interativa.

Há também outros projetos, como o Casa Vhida, o Guardiões, o Programa de Educação Ambiental (PEA), o Guardiões do Verde, Cidade do Livro, o Semeando o Futuro e o Natureza e Corpo.

Segundo Glaucia Faria, coordenadora de Responsabilidade Social Corporativa da IP, a empresa se sente responsável por sua atuação. “Acreditamos que os projetos sociais são capazes de transformar a realidade, ao trazer desenvolvimento e benefícios para a comunidade. O projeto Cidade do Livro, por exemplo, contribui com esse processo ao despertar o prazer de ouvir e ler histórias e conscientizar quanto à importância do livro para o desenvolvimento socioeducacional”, conclui.

Sobre a International Paper

No Brasil, a IP atua em dois negócios: papéis para imprimir e escrever e também embalagens. Com aproximadamente 2.8 mil profissionais, o sistema integrado de produção de papel para imprimir e escrever da International Paper é composto por três fábricas: duas no Estado de São Paulo e uma no Mato Grosso do Sul. Seus produtos, as linhas de papéis para imprimir e escrever Chamex e Chamequinho e a linha gráfica de papéis Chambril, são produzidos a partir de florestas 100% plantadas, renováveis e certificadas.

(27/10/2015)

Iniciativas Sustentáveis: InterCement – incentivo à cultura e infância

Por Karen Pegorari Silveira

Os impactos negativos de uma indústria cimenteira ao se instalar em uma cidade já são conhecidos pela maioria da população. Eles vão desde os ruídos estrondosos até a emissão de gases poluentes que prejudicam a saúde e a vida da comunidade do entorno. Apesar disso, muitas cimenteiras investem no uso de avançadas tecnologias de produção e controle de processos, além do diálogo aberto e transparente com seus diversos públicos. A intenção é reduzir ao máximo estes transtornos com vistas a melhorar a vida da população e consequentemente impactar da menor forma possível esta comunidade, como é o caso da InterCement.

Esta indústria possui diversos projetos de investimento social privado, entre eles: a restauração da Capela da Graça, tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) na cidade de João Pessoa (PA); e os projetos de ação cultural em seis cidades do Estado de São Paulo.

O projeto da Capela da Graça apoia, desde 2008, o restauro do santuário e também uma pesquisa do sítio arqueológico na região, além do curso de formação de jovens para atuar na profissão de restaurador. Como próximo passo, a empresa cita também o desenvolvimento de um projeto para viabilizar a visitação da comunidade à capela. Já o programa de Ação Cultural consiste em apresentações com temas de educação ambiental para crianças utilizando um ônibus itinerante, chamado de BUZUM, que estaciona em frente as escolas públicas municipais selecionadas. As agendas são sempre articuladas com as secretarias municipais de educação e com as escolas para que o maior número de alunos possa participar. Segundo Carla Duprat

Diretora Executiva do Instituto InterCement, este projeto deu certo. “O BUZUM tem sido elogiado pelas escolas e secretarias municipais de educação pois proporciona conteúdos que podem ser trabalhados na sala de aula e ao mesmo tempo uma vivência sociocultural relevante para as crianças que assistem as apresentações”. Essas exibições acontecem desde 2014 e já beneficiaram cerca de 32 escolas em 6 municípios paulistas: Barueri, Cubatão, Jacareí, Itaoca, Apiaí e Cajati.

Os dois projetos acima utilizam as Leis de Incentivos Fiscais Rouanet e PROAC/ICMS (Programa de Ação Cultural), porém a empresa conta ainda com outros programas e ações de investimento social que vão além das Leis de Incentivos, e que inclusive possuem impacto e estratégia de atuação mais sofisticados.

Em 2013, os investimentos somaram R$ 13,9 milhões, com foco em projetos dirigidos à infância, à educação e à geração de renda.

O mote do Instituto InterCement “Pelo Desenvolvimento Comunitário”, se fundamenta através das ações de mobilização, capacitação de profissionais e fortalecimento da rede de atendimento e até das secretarias municipais de educação no sentido de contribuir para a educação de qualidade. Além disso, uma parceria com o departamento de economia solidária do BNDES também apoia grupos produtivos rurais e urbanos para aumentarem a renda e diminuírem a dependência das famílias aos programas sociais do governo.

Ainda de acordo com a diretora executiva do Instituto, os profissionais da empresa são engajados. “Eles estão cada vez mais sensibilizados em relação ao papel social da empresa e a responsabilidade de atuar de forma sustentável e em parceria com as comunidades. Este nível de sensibilização e engajamento aumenta na medida em que envolvemos estes profissionais para construírem esta atuação em parceria com o Instituto, via comitês locais ou conselhos. Percebemos que quando as lideranças da empresa acreditam no trabalho que é realizado, os demais profissionais e até a própria comunidade se inspiram para iniciar algum processo de mudança, relata Carla.

Sobre a InterCement

Com 40 unidades ativas de produção de cimento, possui capacidade instalada de 46 milhões de toneladas/ano, e está posicionada entre as dez maiores produtoras de cimento do mundo. A InterCement mantém um quadro de mais de 8800 colaboradores em oito países da América do Sul, África e Europa. É signatária do Pacto Global, da Organização das Nações Unidas (ONU), do Cement Sustainability Initiative (CSI), Empresas pelo Clima (EPC), RedEAmérica, Convênio de Lucha contra El Trabajo Infantil, e ainda as certificações ISO 9001, ISO 14001 e OSHAS 18001.

 (27/10/2015)

Iniciativas Sustentáveis: Whirlpool – empreendedorismo feminino em foco

Por Karen Pegorari Silveira

Enquanto muitas empresas desconhecem a utilização dos incentivos fiscais, que destinam parte do seu imposto de renda para instituições, outras aproveitam o estímulo do governo para criar programas sociais que impactam a vida de milhares de pessoas, como é o caso da Whirlpool, fabricante dos eletrodomésticos das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid.

A Whirlpool concentra seus investimentos sociais no empreendedorismo feminino (seu principal consumidor), por meio do Instituto Consulado da Mulher, organização social patrocinada pela empresa e associada à marca Consul, que visa fomentar o empreendedorismo feminino e a geração de renda junto a mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Os empreendimentos sociais assessorados estão localizados em 71 cidades, de 20 estados brasileiros. Nas regiões onde a Whirlpool tem fábrica, o Consulado atua diretamente, por meio do programa Mulher Empreendedora; nas demais localidades, a mesma metodologia é replicada por organizações sociais parceiras, que prestam assessoria aos empreendimentos populares por meio do programa Usinas do Trabalho.

Em média, cada empreendimento é assessorado por dois anos, prazo necessário para conquistar autonomia e independência financeira. Nesse período, as empreendedoras adquirem conhecimentos essenciais para gerir suas atividades com consistência e sustentabilidade, com base em princípios da economia solidária, equidade de e comércio justo.

A metodologia desenvolvida pelo Consulado é reconhecida como “tecnologia social” pela Fundação Banco do Brasil e Unesco, e foi sistematizada em 2012 em um guia básico de assessoria a empreendimentos populares e solidários.

O Consulado da Mulher já beneficiou mais de 33 mil pessoas, sendo 95% mulheres. Em 2013 e 2014, apoiou mais de 100 empreendimentos populares, que geraram faturamento conjunto de R$ 13,2 milhões. Além do Consulado, há outras instituições que apoiamos, como o GRAAC, APAE, Hospital Pequeno Príncipe, dentre outros.

A empresa utiliza ainda as Leis de Incentivos Federais, como Rouanet (Cultura), Esporte, Pronon (Saúde) e Fumcad (Criança e Adolescente) e Dedução Fiscal de doações para OSCIPs.

O gerente-geral de Sustentabilidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente e Assuntos Regulatórios da Whirlpool, Vanderlei Niehues, conta que o conceito de sustentabilidade, que inclui o viés social está incorporado como pilar do negócio na Whirlpool. “A sustentabilidade faz parte dos valores da companhia e está inserida em todos os processos, práticas e produtos desenvolvidos. Assim, a Whirlpool atrai pessoas com essa mesma consciência e forma uma equipe integrada e orientada para a sustentabilidade, prezando pela ética, transparência e respeito mútuo. Uma vez internalizada essa cultura, a empresa consegue transpor esses seus valores para a comunidade, engajar as pessoas e prover soluções que tornam a vida das pessoas melhores, contribuindo também com a reputação positiva e a perenidade do negócio”, explica, Niehues.

Entre outras iniciativas implantadas pela empresa, estão os projetos ambientais de uso racional da água, que já proporcionou o reaproveitamento de 428 mil m³ de água nos últimos dois anos e o Programa Zero Resíduo, que eliminou o envio de resíduos industriais para aterro nas fábricas.

Sobre a Whirlpool

Dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, é líder do mercado latino-americano de eletrodomésticos. Atualmente, conta com cerca de 11 mil funcionários distribuídos entre o centro administrativo e as fábricas localizadas em Joinville (Santa Catarina), Manaus (Amazonas) e Rio Claro (São Paulo), além de 23 laboratórios de Pesquisa e Desenvolvimento e quatro Centros de Tecnologia.

(27/10/2015)

Entrevista: Michel Freller fala sobre leis de incentivo fiscal e suas aplicações

Por Karen Pegorari Silveira

O incentivo fiscal é um instrumento usado pelo governo para estimular as empresas ou pessoas físicas a destinarem uma parte dos seus impostos para o desenvolvimento de projetos sociais, culturais, educacionais, de saúde ou esportivos.

Na prática, o poder público abre mão de uma parte dos recursos que já seriam pagos e o investidor, por sua vez, apoia causas que pode acompanhar e potencializar.

Para saber mais sobre essa prática, conversamos com Michel Freller, membro dos grupos de saúde e cultura da ABCR (Associação Brasileira de Captadores de Recursos) e fundador da Criando Consultoria.

Leia a entrevista na íntegra:

Quais leis fazem parte da Lei de incentivo Fiscal?

Michel Freller – Fundo da Criança e do Adolescente; Fundo do Idoso, Lei de incentivo ao esporte; Lei de incentivo a Cultura; Lei do Audiovisual; Saúde – Pronon e Pronas/PCD e também as leis de incentivo para cultura e esporte  no Estado de São Paulo. E leis que possibilitam abater as doações como despesa operacional – Utilidade Pública Federal e OSCIP

Como uma empresa pode destinar parte de seus impostos através dela?

Michel Freller – Os incentivos fiscais federais, em geral, podem ser utilizados por contribuintes pessoas físicas, que utilizam o modelo completo da declaração de ajuste anual, e pelas contribuintes pessoas jurídicas, quando tributados com base no lucro real, trimestral ou anual (com estimativa mensal). A pessoa jurídica, tributada com base no lucro presumido, não aproveita as deduções fiscais em questão. O valor das destinações é deduzido diretamente do valor do imposto devido ou de sua base de cálculo do Imposto de Renda (IR). Além disso, tal valor deve ser informado pelas pessoas jurídicas no período de apuração do imposto, que pode ser mensal (estimativa), trimestral. O depósito deverá ser feito no último dia fiscal do ano ou do trimestre de acordo com o tipo de declaração de imposto de renda da empresa anual ou trimestral e somente empresas que declaram por lucro real podem utilizar de incentivos fiscais – cerca de 150 mil empresas no Brasil. Não há incentivo para empresas que declaram por lucro presumido ou simples. Existem incentivos que abatem 100% do imposto e outros não.  Outra possibilidade está relacionada a doações para Organizações que tenham o certificado de OSCIP ou UPF que permite alocar esta doação como despesa operacional gerando 34% de economia em Imposto de renda e Contribuição social sobre lucro líquido. Os outros incentivos, com exceção da cultura, permitem abater 100% do imposto de renda. Cultura tem projetos que se m no artigo 18 – a maioria deles e permite 100% de abatimento do imposto e outros que se enquadram no artigo 26 oferendo de 64 a 74% de vantagem para o patrocinador, como por exemplo, shows de música popular brasileira.

Quais critérios a empresa deve utilizar para definir em que área aplicar este recurso e qual instituição deverá recebê-lo?

Michel Freller – Cada empresa deve analisar com que área tem sinergia e com que tipo de projeto/ causa deseja alinhar sua marca. A empresa pode apoiar projetos em todos os incentivos, um não elimina o outro, permitindo o uso de até 9% do Imposto de Renda devido.

Empresas também utilizam o critério do relacionamento dos sócios e gestores com os idealizadores dos projetos.

A empresa deve se envolver nas ações realizadas pela instituição escolhida? Como?

Michel Freller – As leis de incentivo não preveem este envolvimento e fica a critério de cada proponente negociar preferências do investidor, desde que não alterem o objeto do projeto.

Como a empresa pode comunicar que faz parte destes projetos?

Michel Freller – Os incentivos à cultura permitem uma verba para divulgação do projeto e seus patrocinadores em meios de comunicação (limitados a 20% do valor total do projeto). Os apoios em geral podem ser divulgados no site das empresas e em seus balanços sociais ou comprando mídias específicas. O tamanho do investimento de marketing relacionado a causa apoiada depende das estratégias de comunicação de cada investidor.

Quais os benefícios de fazer uso das Leis de Incentivo para a imagem e reputação da empresa?       

Todo investimento social quando divulgado pode trazer benefícios à imagem da empresa. Este benefício independe do investimento ser por meio das leis de incentivo ou aporte direto. O marketing de causas é uma estratégia muito utilizada por empresas em todo o mundo. Existe um congresso anual sobre o tema – www.causemarketingforum.com para quem quiser se aprofundar no assunto.

(27/10/2015)

Artigo: A sociedade na agenda empresarial

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Andre Degenszajn *

O investimento social empresarial é resultado da confluência de duas vertentes que se manifestam com mais ênfase desde o início da década de 1990. De um lado, a noção de que o papel das empresas vai além da maximização do valor gerado aos acionistas. E, de outro, o sentido filantrópico de contribuição, ou retribuição, à sociedade que lhe conferiu as condições para seu desenvolvimento.

A configuração do capitalismo brasileiro, com forte presença de grupos empresariais controlados por famílias, e um frágil enraizamento do princípio filantrópico contribuíram para que essas duas vertentes estivessem, com frequência, combinadas, aproximando a responsabilidade social empresarial da contribuição privada, voluntária, para o desenvolvimento socioambiental do país.

A visão sobre o papel das empresas nas sociedades contemporâneas evoluiu. A incorporação das chamadas “externalidades” já faz parte do discurso das empresas, mas na prática ainda não se consolidou. Situações como a da Volkswagen na Alemanha, em que houve uma fraude deliberada no controle de emissões dos automóveis movidos a diesel, são inacreditáveis nos dias de hoje e atestam a dimensão dos desafios ainda presentes.

Apesar disso, o maior controle social a que estão sujeitas as empresas e a ampliação dos mecanismos de transparência contribuem para o fortalecimento da noção de que empresas sustentáveis não são apenas a melhor solução, mas estão se tornando a única opção.

Nesse contexto, alguns caminhos têm sido traçados para o investimento social privado.

Primeiro, a vinculação de empresas a certas causas socioambientais, seja pela influência direta dos acionistas controladores, seja pela aproximação da marca da empresa a esses valores, contribuindo com a construção de sua imagem e reputação. Destacam-se, nesse campo, as atuações em áreas como educação, cultura e conservação do meio ambiente.

Segundo, a busca pela geração de impacto social a partir da sua operação direta, partindo do reconhecimento de que as empresas, pela sua própria existência e funcionamento, provocam impactos sociais. Se houver um esforço de mitigação de seus efeitos negativos e potencialização dos impactos positivos, a contribuição para a sociedade pode ser significativa. E as práticas de investimento social privado têm o potencial de dar forma e consistência a essa transformação.

Uma terceira vertente está relacionada ao reconhecimento de que o ambiente para os negócios será mais favorável na medida em que houver organizações da sociedade civil fortes, autônomas e com capacidade operacional atuando pelo interesse público. No âmbito local, pode reforçar a interlocução com grupos legítimos e evitar o predomínio de relações clientelistas. Nas questões nacionais, tende a contribuir com a ampliação da capacidade de controle social e com práticas que fortaleçam a democracia e a promoção dos direitos humanos.

Se as temáticas de democracia e direitos humanos parecem distantes da agenda empresarial, acontecimentos recentes têm demonstrado a sua relevância. Questões que se estendem desde a crise hídrica até os esforços na área de transparência e combate à corrupção apontam para a importância do papel de grupos sociais que atuam pela defesa do interesse público. As empresas certamente sofrem os efeitos. Resta a saber se pretendem ser parte do problema ou da solução.

*Andre Degenszajn é secretário-geral do GIFE, organização sem fins lucrativos com 132 associados que investem R$ 2,4 bilhões por ano na área social. A rede completa 20 anos em 2015 e vem se consolidando como referência no Brasil em temas relacionados ao investimento social privado.

(27/10/2015)