Ministério do Planejamento prevê US$ 130 bilhões para projetos de integração na América Latina

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp  

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João Carlos Parkinson, do Ministério das Relações Exteriores. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“É expressiva a brecha entre a infraestrutura existente e a desejada”, admitiu o diplomata do Ministério das Relações Exteriores (MRE), João Carlos Parkinson, na tarde desta segunda-feira (06/05) durante o 8º Encontro de Logística e Transportes, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ao abrir o painel “Projetos de integração de infraestrutura na América do Sul”, Parkinson chamou a atenção para o fato de o Brasil investir apenas 2,3% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, quando “o ideal seria 4%”.  Se o país quiser, contudo, ocupar a posição de líder no setor, disse ele, o mesmo índice deve chegar a 7%.

Os valores empregados no transporte de mercadorias no Brasil encarecem os produtos nacionais, que perdem espaço frente à concorrência. Dados do BID mostram que, na América Latina e Caribe, a redução em 10% dos custos logísticos, aumenta em 10% as exportações e em 9% as importações.

“A questão da logística se torna não só prioritária, mas tende a se acentuar em um futuro quase imediato, pois a importância da competitividade decorre não necessariamente de acessos por via de redução tarifária, por exemplo, mas sobretudo por uma logística competitiva” , explicou Parkinson.

Os Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento (EIDs) foram criados justamente para melhorar a integração, competitividade e desenvolvimento socioeconômico dos países sul-americanos.  São zonas multinacionais que concentram fluxos de comércio atuais e potenciais, nas quais se busca estabelecer um padrão mínimo comum de qualidade de serviços e infraestrutura de transporte, energia e comunicações.

Segundo dados do Ministério de Planejamento, estão previstos 544 projetos para os EIDs, com investimentos estimados em US$ 130 bilhões.

Desafios

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André Arantes, gerente de projetos do Ministério de Planejamento. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A integração dos países da América do Sul resultará na total relação física de 400 milhões de pessoas que vivem nesse continente.

Mas o plano não é tão simples. Obstáculos de caráter normativo e institucionais podem impedir o desenvolvimento da infraestrutura básica da região, sendo necessárias ações coordenadas entre os países para remover possíveis travas ao desenvolvimento e promover o uso eficiente da infraestrutura para a integração.

Para o gerente de projetos do Ministério de Planejamento, André Arantes, há muitas barreiras não comerciais que prejudicam o processo de integração como a circulação por passagens de fronteira e a maior abertura na navegação marítima e no transporte aéreo, entre outros.

“Essas são grandes dificuldades. E é preciso muita negociação, muitas mesas laterais, para que essas etapas sejam vencidas”, explicou Arantes. “É preciso uma simplificação dos processos regulatórios”, resumiu.

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Pedro Pinilla. Foto: Luis Benedito/Fiesp

O painel “Projetos de Integração de Infraestrutura na América do Sul” contou ainda com a participação do chefe de operações do Fundo de Desenvolvimento para a Bacia do Prata (Fonplata), Pedro Pinilla, e da diretora titular adjunta da Fiesp, Maria Celina Rodrigues.

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