BID vai emprestar US$ 600 mi para Sabesp dar continuidade à 3ª fase do Projeto Tietê




Gesner de Oliveira, presidente da Sabesp

Um dos ícones de São Paulo, o rio Tietê foi o foco dos debates de dois Conselhos Superiores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta sexta-feira (16), na sede da entidade.

As áreas de Infraestrutura (Coinfra) e Meio Ambiente (Cosema) discutiram o tema com Carlos Tramontina, âncora da TV Globo, e Gesner de Oliveira, presidente da Companhia do Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), detalhando investimentos do Projeto na região metropolitana.

“A Sabesp dobrou seus investimentos, atendendo à necessidade de um salto de infraestrutura em saneamento”, informou Oliveira. Segundo ele, o Projeto Tietê é um dos maiores programas de saneamento ambiental do mundo e a expectativa é universalizar os serviços de saneamento, nos municípios onde a Sabesp atua, até 2018.

O presidente da companhia traduziu, em números, uma conquista recente: o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou, na quarta-feira (14), empréstimo da ordem de US$ 600 milhões para a terceira fase do projeto. A Sabesp entrará com US$ 200 milhões de recursos próprios.

Até 2015, a previsão é ampliar os índices de coleta de esgoto da região metropolitana de 84% para 87% e os de tratamento de esgoto coletado de 70% para 84%. A terceira fase deverá beneficiar diretamente mais de 3 milhões de habitantes da Grande São Paulo e da bacia do Médio Tietê.

Ao todo, serão construídos 580 quilômetros de coletores e interceptores, 1.250 quilômetros de redes coletoras, e efetivadas 200 mil ligações domiciliares. Atualmente, já estão em andamento obras na região Leste de São Paulo.




Carlos Tramontina, âncora da TV Globo


Primeira e segunda fases



A Sabesp investiu US$ 1,6 bilhão no Projeto Tietê, distribuído em duas etapas. A primeira (1992-1998) priorizou a construção de estações de tratamento e a ampliação do sistema de coleta e afastamento de esgoto, elevando o índice de coleta de 70% para 80% e o de tratamento de 24% para 62%. Houve uma ampliação de 1.850 km da rede coletora.

Na segunda fase (2000-2008), o sistema de coleta e transporte foi expandido e otimizado, consumindo US$ 500 milhões. O índice de coleta de esgoto passou de 80% para 84%, enquanto o de tratamento, de 62% para 70%.


Flutuador trouxe à tona necessidade de revitalização do Tietê



Carlos Tramontina, âncora da TV Globo, apresentou detalhes e resultados do projeto “O flutuador do rio Tietê”. O objetivo da expedição era medir o nível de oxigênio na água e sua qualidade. “O Tietê faz parte da vida de São Paulo e as pessoas não se orgulham do rio que têm”, desabafou o jornalista.

O projeto, concebido no ano passado, teve como parceiro o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), desenvolvedor do flutuador que, apesar de pequeno – 12 quilos e com 40 cm de diâmetro, mas com direito a GPS –, rendeu 118 reportagens e percorreu mais de 500 km, sempre sob o olhar atento do “aventureiro” Dan Robson.

No percurso de Biritiba Mirim a Barra Bonita, Robson não só detectou falta de oxigênio em diversos pontos, mas também concentração de resíduos químicos, cemitério clandestino de carcaças de veículos e muito, muito lixo.

Entre os pontos positivos do projeto, Tramontina lembrou que a questão do saneamento e da qualidade da água foi colocada em destaque e a população passou a cobrar ações de seus prefeitos em função deste debate.




Walter Lazzarini, presidente

do Cosema/Fiesp

“O rio não é de ninguém, é de todos nós”, disse Walter Lazzarini, presidente do Conselho de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp. Exatamente porque o rio pertence a todos, torna-se necessário fazer algo. Olhar experiências bem-sucedidas de revitalização é um caminho.

A experiência vivida na Coréia foi retratada por Tramontina, em matéria especial. Apesar de situada do outro lado do globo terrestre, as similaridades com São Paulo são gritantes: Seul tem mais de 10 milhões de habitantes, excesso de automóveis e áreas profundamente degradadas.

Anos atrás, o córrego Cheong-Gye, com cerca de cinco quilômetros de extensão, foi tapado e ganhou uma via suspensa, semelhante ao Minhocão. O resultado foi a deterioração em seu entorno. Um projeto audacioso colocou tudo abaixo, revitalizando totalmente a área.

O projeto durou 27 meses, não registrou nenhum atraso e consumiu US$ 386 milhões (de 2003-2005), elevando a autoestima da população. O rio Han, o principal que corta a cidade, tendo até um quilômetro de largura, teve o mesmo destino: ganhou vida novamente.