Fórum na Fiesp aprofunda debate sobre lei de cotas

Agência Indusnet Fiesp 

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José Roberto Ramos Novaes, diretor do Depar da Fiesp. Foto: Vitor Salgado

A chamada Lei de Cotas (nº 8213/1991), que obriga empresas a contratar pessoas com deficiência (PCDs), foi tema de debates na manhã desta segunda-feira (12) durante o Fórum Capital Humano – Projeto Sou Capaz, promovido pelo Departamento de Ação Regional (Depar) da Fiesp. Além de profissionais de RH e da área de Saúde, evento reuniu mais de 200 participantes.

“Por este projeto, o Sistema de Informações do Capital Humano é capaz de identificar onde estão e quantas são as pessoas com deficiência, bem como o tipo de limitação”, explicou José Roberto Ramos Novaes, diretor do Depar, na abertura do fórum.

Segundo Novaes, a proposta de dar oportunidades iguais às pessoas, filosofia que tem norteado a gestão de Paulo Skaf à frente da Fiesp, aplica-se com mais razão no caso dos deficientes físicos. “Este fórum é um passo nessa direção”, afirmou o diretor do Depar I.

As palestras dos três painéis tiveram tradução simultânea para a linguagem de sinais (Libras). No espaço anexo ao evento, as entidades da indústria mostraram no sistema Braile programas como o Alimente-se Bem, do Sesi-SP, além de um balcão de orientação às empresas sobre a Lei de Cotas.

Não basta cumprir a lei

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José Roberto de Mello, superintendente regional do Trabalho e Emprego de SP. Foto: Vitor Salgado

Desde 1991, quando foi criada, a legislação tem sido o principal instrumento para inclusão de PCDs no mercado de trabalho, cujo número de empregados saltou dos 600 naquele ano para os atuais 110 mil.

“A conscientização do empresário ainda depende desse instrumento fiscalizador, até que a inclusão seja uma atitude natural”, observou José Roberto de Mello, superintendente regional do Trabalho e Emprego de São Paulo, que comparou a aplicação da Lei de Cotas à lei que obriga os motoristas a usarem o cinto de segurança.

Apesar dos avanços com a legislação, a empregabilidade de PCDs poderia ser maior. “A falta de educação básica ainda é o principal entrave para a inclusão profissional”, ressaltou Helvécio Siqueira, diretor da Escola Senai Ítalo Bologna, de Itu, referência nacional na capacitação de pessoas com deficiência para o mercado de trabalho. “Existem ainda 220 mil vagas, garantidas pela lei, a serem preenchidas”, informou Helvécio.

Eficiência

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Danieli Haloten, atriz. Foto: Vitor Salgado

A atriz e jornalista Danieli Haloten, deficiente visual que ficou conhecida por sua participação em telenovela da Rede Globo, contou sua trajetória de lutas até participar do papel.

“Agradeço muito ao autor Walcyr Carrasco, que preferiu dar o papel para uma deficiente de verdade”, assinalou a atriz curitibana, que participou do encontro, acompanhada do Higgan’s, seu cão-guia.

“Em vez de olharmos para as deficiências das pessoas, por que não procurar nelas as suas eficiências?”, questionou Danieli.