Reunião do Code discute projeto para inovação no esporte brasileiro

Amanda Demétrio, Agência Indusnet Fiesp

Com o objetivo de conhecer as necessidades e definir as diretrizes do esporte no Brasil, para uma possível ascensão do país no cenário mundial, o Projeto Referências, da pesquisadora e professora Maureen Flores, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi o tema, na tarde desta segunda-feira (29/8), da reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto da Fiesp (Code).

Com previsão de término para o final de 2017, o projeto, que tem como parceiro o Ministério do Esporte, é um grande banco de dados, onde todas as informações, desde gestão até a infraestrutura, estão sendo compiladas. O número e detalhamento das modalidades olímpicas e paralímpicas, a quantidade de atletas praticantes e os materiais necessários para cada segmento são algumas das informações que completam e dão referências para um trabalho de inovação.

“Inovação não é uma boa ideia, inovação tem que estar na economia e gerar recursos. Só é inovação aquilo que está no sistema econômico e gera riqueza. Se não estiver dentro desses parâmetros é apenas uma boa ideia. Além disso, em todos os países, a inovação no esporte é catalisada pelo alto rendimento. Enquanto a gente não tem dados do alto rendimento, a gente não catapulta o setor econômico, que baliza o esporte, a indústria, o equipamento, material e tecnologia”, comentou Flores.

Segundo as pesquisas de doutorado da pesquisadora, o Brasil só conseguirá evoluir e catapultar indústrias se vincular os dados do alto rendimento com investimentos na exportação e acrescentar o esporte na agenda econômica. Exemplo desse crescimento no cenário mundial é a Grã-Bretanha, uma das maiores exportadoras. Enquanto o esporte cuida da política de alto rendimento, a estratégia de medalhas nestes países é 100% vinculada a uma estratégia de exportação.

“Para que tudo isso aconteça, para esse pulo que o Brasil possa dar, vamos ter que ter um comitê de qualificação. Enquanto a gente exportar pouco, a gente importa muito. O que nós precisamos é uma articulação, combinar projetos com base de dados e a criação de uma ponte que ligue o nosso sistema produtivo do esporte a uma política de exportação. Esse é o segredo da mina já traçado por outros países, como a Holanda, que exporta 3 bilhões de euros em material esportivo por ano.”

Apresentado o projeto, Maurren abriu a discussão para possíveis questionamentos e apoios. “Estamos aqui no templo da indústria, então a inovação do esporte vai passar por aqui. Se existe um comitê aqui dentro que fala de esporte, as ações terão que passar por esse centro. Então trouxemos o tema aqui hoje, para estudar os próximos passos”, finalizou.

Sob o comando do coordenador do Code, Mario Frugiuele, a reunião ainda contou com a apresentação de Edgar Corona como o novo presidente do Conselho. Emerson Fittipaldi permanece no Comitê, mas deixa a presidência após assumir outros compromissos fora do país.

Antes de finalizar a reunião, Frugiuele, comentou o sucesso do Projeto Campus Itália, que contou com o apoio e parceria do Code e do Sesi-SP e ressaltou o feedback positivo que teve dos atletas olímpicos do atletismo italiano que participaram da interação com os alunos do Sesi-SP.

Frugiuele também fez breve balanço dos Jogos Olímpicos Rio 2016. “O Brasil, sediando a olimpíada como evento, foi bem. O país criou um componente fundamental para reverter o jogo, gerou uma questão de confiança e motivação. A população, o empresário, precisa acreditar em si e o evento gerou isso. A gente já detectou uma reação positiva nas pessoas em relação ao evento olímpico.”

Reunião do Code, da Fiesp, com a participação da pesquisadora Maureen Flores. Foto: Everton Amaro/Fiesp