Entrevista: Inclusão Profissional de Pessoas com Deficiência

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Por Karen Pegorari Silveira

A contratação de pessoas com deficiência tem sido cada vez mais comum no mercado empresarial, porém muitas companhias ainda sofrem com a escassez de mão de obra qualificada ou até mesmo, com a falta de interesse desses profissionais em trabalharem registrados, conforme a lei, por medo de perderem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que lhes garante um (1) salário mínimo mensal. Atualmente são 3,6 milhões (dados de março de 2012) beneficiários do BPC em todo o Brasil, sendo 1,9 milhões pessoas com deficiência e 1,7 idosos.

Com esse cenário e a urgência de um novo modelo de contratação que atenda ao PcD e a empresa, a Fiesp, o Sesi-SP e o Senai-SP em conjunto com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE-SP), idealizaram o Projeto Meu Novo Mundo. A ideia é ajudar as indústrias a cumprir as cotas estabelecidas por Lei.

Em entrevista ao Cores, o Diretor Titular do Departamento de Ação Regional (Depar), da Fiesp, Sylvio de Barros, conta mais sobre o programa.

Leia abaixo:

Quais motivos levaram ao desenvolvimento do Projeto Meu Novo Mundo? Como o projeto foi desenhado e quem foram os parceiros?

Sylvio de Barros – A criação deste projeto foi motivada pela grande dificuldade que as empresas e as pessoas com deficiência (PcD) encontram quando o assunto é inclusão. O processo de inclusão deve ser gradativo e respeitar as limitações das partes envolvidas. É preciso conhecer a aptidão das pessoas, seu nível de conhecimento e motivá-las para que se sintam parte integrante do ambiente que fará parte de sua vida.

Por um lado, a empresa encontra dificuldades em localizar o profissional PcD. Quando encontra, geralmente a pessoa possui baixa qualificação e poucas condições competitivas. Com esta escassez, os salários também ficam inflacionados pela lei da oferta e demanda.

Por outro lado, as PcDs têm poucas oportunidades, não querem perder o BPC pago pelo INSS, sofrem com preconceito e desmotivação para o mundo do trabalho.

Com os olhos voltados para o futuro, o Departamento de Ação Regional (Depar), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), juntamente com SESI-SP e SENAI-SP, desenvolveram o Projeto “Meu Novo Mundo”, que tem como objetivo promover a inclusão efetiva do ponto de vista social e profissional das pessoas com deficiência.

Qual o diferencial desse programa em relação aos existentes no mercado?

Sylvio de Barros – O grande diferencial do projeto Meu Novo Mundo é o importante apoio da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Estado de São Paulo. O seu papel foi reconhecer o programa e, garantir às empresas participantes, o adiamento da cobrança da cota de PcD em igual número aos aprendizes contratados.

Outro diferencial é a contratação da PcD na condição de aprendiz por três anos, ou seja, a empresa tem duas cotas cumpridas com a contratação de uma única pessoa. O BPC fica mantido por dois anos enquanto dura o curso.

A inclusão social por meio do esporte, que insere as pessoas em um novo contexto social; a motivação das pessoas com deficiência a desenvolver seu potencial e aplicá-lo na vida pessoal e profissional e aliar capacitação com esporte são outros diferenciais deste projeto, que tem seu olhar voltado para o futuro.

Quais foram os desafios encontrados pelas indústrias que levaram à criação do Projeto Meu Novo Mundo?

Sylvio de Barros – A Lei de Cotas vigente no Brasil exige que as empresas com mais de 100 funcionários componham uma parte de seu efetivo na forma de pessoas com deficiência. Apesar da boa vontade no cumprimento da Lei por parte das indústrias, a ponte entre a pessoa com deficiência e a empresa é dificultada em virtude da situação de exclusão social que, muitas vezes, essa pessoa é sujeita.

Qual o principal benefício para a empresa e para o PcD ao aderirem ao projeto? Como eles podem aderir ao programa?

Sylvio de Barros – Os principais benefícios para as empresas são o cumprimento, com segurança jurídica, das cotas de PcD e aprendiz com apenas uma contratação; o equilíbrio de mercado (demanda x oferta), pois mesmo que a empresa não contrate o PcD no término do curso, ele estará qualificado e a inclusão gradativa, pois o PcD vai para empresa ao longo do curso.

Para as pessoas com deficiência o principal benefício é a inserção social e profissional, com o resgate da cidadania, a inclusão digital, certificado reconhecido no mercado, manutenção do BPC por dois anos, esporte e qualidade de vida.

As indústrias e pessoas com deficiência que quiserem participar, poderão manifestar seu interesse se cadastrando no site: www.meunovomundo.org.br.

Quais resultados esperados com esse projeto?

Sylvio de Barros – O projeto Meu Novo Mundo pretende facilitar o cumprimento das cotas legais pelas indústrias com matriz no estado de São Paulo e ao mesmo tempo proporcionar inclusão social, na forma de qualificação profissional, desenvolvimento da cidadania, qualidade de vida, e a prática esportiva e seus valores à pessoa com deficiência.