Inovação é uma história contada no futuro

Agência Indusnet Fiesp

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Osvaldo Augusto Brazil Esteves Sant'Anna, do Instituto Butantan. Foto: Arquivo/Fiesp

A avaliação foi feita durante as “Perspectivas do Projeto Butantan – Amazônia para a Indústria Brasileira”, evento sediado pela Fiesp, nesta segunda-feira (19).Seja no setor público ou privado, o importante é que o bem seja público. A opinião do coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Toxinas do Instituto Butantan, Osvaldo Augusto Brazil Esteves Sant’Anna, reflete a preocupação em se disponibilizar o conhecimento em benefício do ser humano.

Classificando-se como “pré-homo sapiens”, Sant’Anna, bisneto de Vital Brazil, fundador do Butantan, refletiu que há possibilidades óbvias de aplicação do conhecimento científico.

“Eu sou ‘pré’, para tentar compreender o homo sapiens. Não se pode ser só acadêmico absoluto nem totalmente prático”, brincou, em tom de crítica. E sintetizou: “inovação é uma história contada no futuro”. Ou seja, em benefício das futuras gerações.

Nesse sentido, Sant’Anna defendeu as perspectivas do Projeto Butantan Amazônia, sinalizando a quebra dos paradigmas impostos e as dificuldades em relação às patentes. E opinou: “Mais do que dinheiro, é preciso assegurar que o trabalho terá sequência. O problema em uma instituição pública é que fazemos diversos estudos e, se não houver indústrias apoiando, o trabalho não segue em frente”.

Do ponto de vista biológico, segundo o pesquisador, uma das medidas iniciais do Projeto do Butantan na Amazônia é fazer o mapeamento. “A chave de tudo é reconhecer e respeitar a diversidade. Aliás, reconhecer a diversidade dentro da diversidade, importante para a sobrevivência de qualquer espécie”, enfatizou.

Para Osvaldo Sant’Anna, a questão central não é somente a preservação da biodiversidade, mas também o entendimento da resistência das populações isoladas a determinadas agressões do meio ambiente. Os núcleos indígenas, por exemplo, são naturalmente resistentes a determinadas epidemias, como a malária, endêmica na Amazônia.

“Essa interação das populações isoladas com as de mosquitos e patógenos nos permite entender diversas coisas. É possível aprofundar [o estudo] para se ter uma ideia dessa diversidade e da relação entre patógenos e hospedeiros”, exemplicou o pesquisador.

Empresas como parceiras

Otavio Azevedo Mercadante, diretor do Butantan, reforçou o grande potencial de parceria entre academia e indústria. A fim de debater o imenso potencial que pode ser explorado, foi realizado um painel representativo.

Fernando Perez expôs as experiências e parcerias entre a empresa que preside (Recepta Biopharma) e o Instituto Butantan. Trata-se de uma empresa de biotecnologia na área de saúde humana, que realiza atividades de pesquisa e desenvolvimento de anticorpos monoclonais para o tratamento do câncer.

A Recepta defende a interação de sua equipe de pesquisadores com os de outras instituições sem fins lucrativos, como o próprio Instituto Butantan, a Faculdade de Medicina da USP, a Unifesp e o Instituto Ludwig de Pesquisas sobre o Câncer.

Também integraram o debate Spartaco Astolfi Filho (assessor do Cristália-Produtos Químicos Farmacêuticos), Márcio de Paula (Biolab Sanus Farmacêutica Ltda.) e José Walter da Silva Junior (Ourofino Agronegócio).

Incentivado pelo Conselho de Meio Ambiente (Cosema) e Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp, o evento também foi prestigiado pelo ex-secretário de Estado da Saúde de São Paulo, José da Silva Guedes.