Programa da Fiesp contribui para real inclusão de Pessoas com Deficiência

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

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Jose Carlos do Carmo, o Dr. Kal, da SRTE/SP: "A ideia do Sou Capaz é a da real inclusão e, isso vai muito além da simples contratação". Foto: Divulgação

O médico e auditor fiscal do Trabalho, José Carlos do Carmo, também conhecido como Dr. Kal, há mais de dez anos coordena o projeto de Inclusão de Pessoas com Deficiência da Superintendência Regional do Trabalho em São Paulo (SRTE/SP).

Especialista no tema, ele acompanhou o programa Sou Capaz, promovido pelo Departamento de Ação Regional (Deparda Fiesp) da Fiesp, desde o início e acredita que o grande diferencial da iniciativa é aliar a inclusão de Pessoas com Deficiência com capacitação profissional.

Em entrevista ao portal da Fiesp, ele elogia a iniciativa da entidade em unir os principais atores nesse processo de inclusão – indústria, governo e sociedade – visando o que tem proporcionado uma nova visão sobre a Lei de Cotas e contribuído para a “a real inclusão” da Pessoa com Deficiência (PcD) no mercado de trabalho.

Leia a seguir a entrevista na íntegra:

Qual a sua impressão sobre o programa Sou Capaz da Fiesp?

José Carlos do Carmo Na minha opinião é uma excelente iniciativa e vai ao encontro da visão da Superintendência Regional do Trabalho (SRT), uma vez que leva em conta a aprendizagem profissional na inclusão de pessoas com deficiência.

A bandeira da capacitação profissional, estimulada nas edições do Fórum Sou Capaz, é o principal diferencial, na sua opinião?

José Carlos do Carmo Sim, pois dessa maneira a gente tem a oportunidade de oferecer as essas pessoas uma qualidade técnica que vai permitir que elas vêm a ter a empregabilidade. Na verdade, o que se busca é a contratação de pessoas eficientes, mesmo que eles têm a deficiência visual ou qualquer outro tipo de deficiência.

O senhor acredita que o Fórum Sou Capaz contribuiu para que as empresas cumprissem a cota exigida para contratação de PcD’s?

José Carlos do Carmo Penso que a Fiesp, ao levar adiante o projeto, vai além da leitura burocrática da legislação – até por que a lei só avalia do ponto de vista quantitativo – e defende a ideia de que não basta apenas contratar, tem que oferecer a inclusão de qualidade, respeitando, é claridade, as particularidades de cada profissional.

Que benefícios o senhor destaca dessa nova forma de ver a contratação de PcD’s?

José Carlos do Carmo Acho que é importante destacar que a ideia do Sou Capaz é a da “real inclusão” e, isso vai muito além da simples contratação. Sem essa visão, o que se tem é uma situação de total prejuízo, mesmo quando a empresa contrata e cumpre a cota. Pois, por um lado, a empresa não consegue aproveitar as qualidades e o potencial desse profissional e, por outro lado, a própria pessoa contratada acaba não sendo tratada com o devido respeito e se sente isolada.

O Fórum Sou Capaz neste ano se disseminou por várias regiões paulistas. Qual os principais ganhos deste projeto na sua opinião?

José Carlos do Carmo Um grande ganho que é que, com esse projeto, a Fiesp conseguiu reunir os principais atores no processo – empresas, entidades, governo e sociedade – e acho muito promissora essa sinergia.

Por outro lado, penso que o grande desafio que se coloca agora é que se dê continuidade a esse processo. Foi dado o início de um caminho, mas temos que colocar esse objetivo de inclusão na prática e tornar isso perene.

“A Fiesp, ao levar adiante esse projeto, vai além da leitura burocrática da legislação e defende a ideia de que não basta contratar, tem que oferecer a inclusão de qualidade, respeitando as particularidades de cada profissional” 

José Carlos do Carmo







INFOGRÁFICO:

Conheça os números, resultados e depoimentos sobre o Fórum Sou Capaz:

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Fórum ‘Sou Capaz’: Estado de São Paulo já emprega 100 mil pessoas com deficiência; meta é chegar a 250 mil

Djalma Lima, Agência Indusnet Fiesp

A Lei nº 8.213/91, chamada “Lei de Cotas”, completa 21 anos no próximo dia 24 de julho – e com bons frutos, na avaliação do superintendente Regional do Trabalho e Emprego do Estado de São Paulo José Roberto de Melo.

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José Roberto de Melo, superintendente Regional do Trabalho e Emprego do Estado de São Paulo

“Somente no Estado de São Paulo, há 100 mil pessoas [com algum tipo de deficiência] no mercado de trabalho; a meta é chegar 250 mil”, disse Melo ao participar do Fórum Setorial “Sou Capaz”, realizado nesta quarta-feira (27/06) na sede da Fiesp/Ciesp, com a presença de sindicatos, seus associados, diretores regionais e empresas associadas às duas entidades.

O evento teve como finalidade apresentar conceitos sobre a obrigatoriedade imposta pela Lei e esclarecer suas regras e aplicações para a contratação de profissionais com deficiência nas empresas brasileiras.

O último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica (IBGE) revelou que 24,5% da população brasileira têm algum tipo de deficiência. Segundo o gerente Regional do Trabalho e Emprego, Carlos Alberto de Oliveira, essa grande massa de deficientes encontra-se em casa, não tem acesso à educação e muitos são analfabetos.

“Este é o problema, porque o mercado procura aqueles mais preparados, com qualificação e educação. As empresas buscam pessoas com deficiência leve para preencher o quadro de cotas”, pontuou.

O debate também contou com a participação da coordenadora geral dos Serviços Previdenciários e Assistenciais do INSS, Renata de Sá.

Programa Sou Capaz

O “Sou Capaz” é parte do esforço da Fiesp no sentido de buscar equivalência de oportunidades para todos os cidadãos, ampliando cada vez mais sua participação na formação do capital humano no Estado de São Paulo. Foi criado, por meio do seu Departamento de Ação Regional (Depar), para atender uma real necessidade da Indústria relativa ao cumprimento da Lei nº 8213/91. Sua missão é buscar facilitadores para o cumprimento da Lei pela indústria e a efetiva e eficiente inclusão das pessoas com deficiência (PcD) no mercado de trabalho.

O programa contempla a consolidação de dados e informações socioeconômicos, legais e jurídicos, visando à integração entre a indústria, o poder público, as instituições de ensino e a sociedade, para que todos passem a participar do processo de “gestão do Capital Humano” de maneira estratégica, planejada e conjunta, bem como articular políticas públicas para a sua melhoria.

Saiba mais no site: https://www.fiesp.com.br/trabalhadores-com-deficiencia/programa-sou-capaz/

Encontro internacional discute reabilitação e reintegração profissional

Agência Indusnet Fiesp

Especialistas da Alemanha, Portugal e Brasil estarão presentes ao Encontro Internacional das Melhores Práticas em Reabilitação Profissional, que acontece nesta quinta feira (10) na sede da Fiesp.

O evento faz parte do programa Sou Capaz, criado pelo Departamento de Ação Regional (Depar) da federação para dar apoio institucional e informações técnicas e legais às indústrias, em questões relativas à inclusão profissional das pessoas com deficiência.

O principal objetivo do encontro é discutir a reabilitação profissional de trabalhadores afastados por doença ou acidentes, além de mostrar a importância da união de esforços entre Estado, empregadores, seguradoras e prestadores de serviços em reabilitação médica e profissional.

Outra questão importante a ser tratada é a dificuldade que as empresas enfrentam para cumprir a Lei de Cotas. De acordo com a Lei, organizações que têm entre 100 e 200 empregados devem reservar pelo menos 2% das vagas para profissionais com deficiência. Para empresas com até 500 funcionários, a cota sobe para 3%; com até 1.000, 4%; e acima de 1.000, 5%.

A principal dificuldade relatada pelos empresários, para cumprimento da Lei, é com relação à escassez de mão de obra com esse perfil. O elevado número de trabalhadores afastados por doenças ou acidentes provoca aumento dos gastos sociais com programas de atenção à doença e à incapacidade, resultando em enormes prejuízos tanto para a iniciativa pública quanto para a privada.

Confira aqui a programação do evento.