Programa Senai-SP de Apoio à Pesquisa: a indústria mais perto da academia

Alice Assunção, com colaboração de Juan Saavedra e Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Em julho de 2013, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) abriu as portas de suas escolas para mestrandos, doutorandos e pós doutorandos realizarem suas pesquisas. O objetivo da iniciativa: aproximar a indústria da academia.

Na avaliação do diretor técnico da instituição, Ricardo Terra, o Programa Senai-SP de Apoio à Pesquisa pode ajudar a descontruir uma barreira entre a indústria, sua formação profissional e a universidade. “Um dos objetivos desse programa é se aproximar da universidade. Precisamos quebrar paradigmas, começar a criar relações com as universidades”, explica Terra.

O diretor técnico do Senai também acredita que essa associação com a indústria pode elevar as pesquisas acadêmicas a um nível mais aplicável à realidade do setor. “Por que a gente quer ter uma relação com a universidade? Porque a universidade tem muita pesquisa básica. E a gente quer transformar isso em pesquisa aplicada, que é o que acontece, por exemplo, em instituições da Alemanha”, afirma.

Dilara Rubia é uma dos responsáveis por acompanhar o programa, em uma unidade do Senai no Brás, região central de São Paulo. Ela conta que o diferencial desse projeto, em comparação com outros, é a infraestrutura e os equipamentos que as escolas do Senai-SP dispõem para o pesquisador.

Dilara: infraestrutura e equipamentos são diferenciais. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Dilara: infraestrutura e equipamentos são diferenciais do Senai-SP. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

“Temos uma infraestrutura que muitas vezes não é encontrada nas universidades públicas. Também temos técnicos que conhecem alguns meandros que o cientista não possui, eles têm competências que foram desenvolvidas na própria formação do Senai”, afirma Dilara.

Outro diferencial do programa, segundo ela, é a relevância da escola Senai para o industriário, o qual, por confiar na instituição, abre as portas de sua empresa para que o cientista possa fazer suas pesquisas. “A marca Senai abre portas na indústria, então há essa aproximação entre a ciência e a academia, uma oxigenação de conhecimento prático com o cientifico”, defende. “Com a sigla Senai, os empresários sentem confiança”, completa.

Cadeia têxtil

Um dos pesquisadores apoiados pelo programa do Senai-SP é o professor da escola Jorge Marcos Rosa. Ele conduz sua pesquisa de pós-doutorado, voltada para a cadeia têxtil, nos laboratórios da unidade do Brás.

“Eu sou um pesquisador diferenciado porque, após muito tempo na indústria, fui para a academia em 2004. Fica muito mais fácil quando se tem a experiência de chão de fábrica”, conta o pesquisador que supervisiona ao menos oito alunos com pesquisas também voltadas para o segmento têxtil.

Rosa: “Eu sou um pesquisador diferenciado porque, após muito tempo na indústria, fui para a academia em 2004”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Rosa: “Eu sou um pesquisador diferenciado porque, após muito tempo na indústria, fui para a academia em 2004”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Jorge já trabalhava no Senai do Brás quando decidiu começar um mestrado com foco no setor. Ele conta que, graças ao espaço e aos equipamentos cedidos pela escola para que ele realizasse suas pesquisas, o tempo de duração do mestrado foi reduzido.

“A quantidade de equipamentos que o Senai tem é absurda. Eu tenho um amigo que é um dos sócios de uma indústria química. Eles tem convênio com a Universidade Politécnica da Catalunha e falam que lá não há os equipamentos que nós temos”, relata.

Os pesquisadores

Guilherme de Oliveira Ferreira do Santos tem 27 anos e é doutorando da Universidade de São Paulo (USP). Sua pesquisa é sobre tratamento de efluentes têxteis. “O programa me propicia conhecer todas as substâncias utilizadas no tingimento do tecido, com as possíveis causas de poluição”, diz ele, que estuda métodos mais limpos e de custo menor de tingimento de têxteis.

Santos conta ainda que, com o programa de apoio à pesquisa do Senai-SP, descobriu processos industriais que alteraram alguns rumos de sua pesquisa.

“Eu tenho a enorme vantagem de fazer uma simulação em pequena escala do que acontece em grande escala em equipamentos do Senai e isso é uma vantagem enorme, pouquíssimas pesquisas conseguem fazer o mesmo”, afirma.

Os participantes do Programa Senai-SP de Apoio à Pesquisa: portas abertas na indústria. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Os participantes do Programa Senai-SP de Apoio à Pesquisa: portas abertas na indústria. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


Wan Chi Ming, 48 anos, é mestrando da USP e pesquisa como otimizar e baratear o sistema de produção da indústria têxtil. Ele deve defender a sua dissertação até o final deste ano.

“Na minha pesquisa, eu tenho que verificar qual o tempo de fabricação para cada etapa do processo. Para isso eu acesso a indústria para fazer a medição do tempo, a ficha técnica dos produtos, uso de mão de obra, consumo energético, tipos de maquinas utilizados. Eu não teria esse acesso à indústria se não fosse via Senai”, explica Ming.

Ele também destaca que a instituição pode ser uma vitrine desses trabalhos acadêmicos para o mercado. “O Senai proporciona para nós encontros com empresários, a gente conversa sobre processos e sobre o que pode ser melhorado”.

Alexandre Decaprio Ferreira, de 43 anos, mestrando da USP, Fernanda Marinho Pereira da Silva, de 36 anos, também cursando mestrado na USP e a doutoranda da USP Natalia Alves de Toledo também são alunos adotados pelo Senai do Brás. Eles conduzem, respectivamente, pesquisas sobre produção mais limpa da cadeia têxtil, implantação de processos de economia verde e a moda de rua.

“A indústria do vestuário tem uma série de falhas e culturas organizacionais que acabam influenciando no resultado da empresa”, analista Alexandre Decaprio sobre sua pesquisa de controle organizacional e economia verde. “Como o Senai abre muitas portas eu consigo ir na empresa pesquisar em loco. Estruturei um procedimento que extrai informações que me permitem identificar quais os pontos falhos”, completa. Ele deve defender a sua dissertação em outubro deste ano.

Presidente do Conic destaca desafios para a inovação durante lançamento do Programa Senai-SP de Apoio à Pesquisa

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Rodrigo Rocha Loures, presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), participou, na manhã desta terça-feira (23/07), do lançamento do Programa Senai-SP de Apoio à Pesquisa. Durante o encontro, Loures, ao lado de representantes do Prêmio Finep (que premia empresas por atividades ligadas à inovação), da Agência Brasileira da Inovação, falou sobre os desafios da área no Brasil.

“O principal foco da Fiesp, por meio do Senai-SP, é promover um salto da inovação do Brasil. Precisamos fazer do nosso país uma sociedade inovadora e competitiva, de maneira sustentável”, afirmou Loures.  De acordo com o presidente do Conic, apesar do incremento da competitividade, a posição brasileira é “de fragilidade”.  “A atenção do Conic está em dispor uma estratégia para o surgimento de empreendedores capazes de fazer com que indústrias nacionais atuem nas cadeias produtivas globais”.

Lançamento do programa do Senai-SP de apoio à pesquisa: inovação em debate. Foto: Helcio Nagamine

Lançamento do programa do Senai-SP de apoio à pesquisa: inovação em debate. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Para Loures, um dos grandes fomentadores de inovação é o prêmio Finep, da  Agência Brasileira da Inovação. “O prêmio Finep tem contribuído de maneira estratégica para a disseminação da cultura da inovação. E serve de instrumento para a interação entre os principais agentes da inovação sustentável”, disse.

Loures: sociedade mais inovadora e competitiva no futuro. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Loures: sociedade mais inovadora e competitiva. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Carlos Ganem , Coordenador Nacional do Prêmio Finep, também esteve presente no lançamento Programa Senai-SP de Apoio à Pesquisa. E falou sobre a importância da inovação industrial. “A cidadania brasileira passa pelo desenvolvimento industrial”, opinou.

Ganem também elogiou a atuação do Senai-SP  “O trabalho do Senai dignifica a historia do país, ensinando a fazer, buscando a inclusão e a orientação de todos,  baseado no método ‘Aprendendo a Fazer’.  Modo melhor de ensino não há”, disse.

Sobre o Prêmio Finep, Ganem destacou que a iniciativa estimula as empresas. “O objetivo do prêmio é fomentar a inovação”, continuou o coordenador.  “Funciona como motivador para o futuro das empresas do Brasil”, acrescentou.

As inscrições para o prêmio vão até o dia 8 de agosto. “Micros, pequenas, médias e grandes empresas privadas brasileiras que têm ações inovadoras nos últimos três anos podem participar”, explicou. “A premiação nacional acontece em novembro, no Palácio do Planalto”, informou Pedro Lito, do departamento de marketing da Finep.

O prémio é o maior pago para empresas e ONGs no Brasil, distribuindo um total de R$ 9 milhões.

Senai-SP lança ‘Programa de Apoio à Pesquisa’ para estreitar relações com universidades e promover a competitividade

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Foi lançado, na manhã desta terça-feira (23/07), o Programa Senai-SP de Apoio à Pesquisa, que consiste em permitir, por meio de convênios e parcerias, que as universidades públicas se utilizem da estrutura do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) para implementar as pesquisas em prol da inovação.

O diretor regional do Senai-SP, Walter Vicioni, acredita que a iniciativa oferece como vantagem a relação direta que o Senai-SP tem com a indústria. “Enquanto oferecemos toda nossa infraestrutura para a universidade, os pesquisadores trazem um pouco de criatividade para o Senai-SP”, afirmou.

Vicioni: toda a infraestrutura do Senai-SP à disposição das universidades. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Vicioni: toda a infraestrutura do Senai-SP à disposição das universidades. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O diretor executivo da Agência de Inovação (Inova) da Universidade de Campinas (Unicamp), Milton Mori, concorda: “temos muitas coisas em comum para ajudarmos o Senai-SP e vice-versa”, disse.

Mori: muitas possibilidades. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Mori: muitas possibilidades de parceria com a Unicamp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ao elogiar a iniciativa do Senai-SP, Mori destacou que “tudo o que o Senai faz no Brasil faz muito bem”.

“Tendo isso em mente, já adianto que poderemos começar logo o convênio de abertura de todas as áreas de conhecimento da Unicamp para esse projeto. Estamos de braços abertos”.

Inovação e tecnologia

O diretor técnico do Senai-SP, Ricardo Terra, explicou os eixos que norteiam o Senai-SP nos campos da inovação e da tecnologia. “Esse Programa se entrelaça no eixo de inovação, pois trará à nossa estrutura educacional ganhos imensuráveis, além de causar um impacto muito forte ao eixo de prospecção da inovação”, afirmou.

Terra acredita que essa iniciativa do Senai-SP elevará a competitividade da indústria brasileira. “É muito positivo utilizar a nossa infraestrutura para desenvolver projetos de pesquisa e, assim, estreitar o relacionamento com instituições de ensino públicas”, disse.

Terra: foco em inovação e tecnologia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Terra: foco em inovação e tecnologia para quebrar barreiras. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O diretor regional do Senai-SP enfatizou ainda a necessidade de os alunos do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Senai-SP quebrarem barreiras e inovarem. “O sistema de educação do Sesi-Senai, que é integrado, ensina as crianças, desde cedo, a aprender fazendo”.

Na opinião de Vicioni, o maior desafio desse novo programa é quebrar a desconfiança entre o meio acadêmico e o Senai-SP, e, assim, criar uma via de mão dupla. “Espero que a universidade use muito dos nossos recursos, não só materiais, mas também humanos”, explicou. “Os nossos alunos poderão ajudar muito e, assim, construir um Brasil mais justo para todos”, concluiu.

Case de sucesso

Na ocasião, a pesquisadora do curso de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, Priscyla Daniely Marcato, relatou sua experiência com o Programa Senai-SP de Apoio à Pesquisa. “No projeto de pesquisa, percebemos a necessidade da interação com o setor produtivo e o Senai-SP nos permitiu obter técnicas e ensaios que não fazem parte da universidade, não é esse o foco da pesquisa acadêmica”, explicou.

Priscila: iniciativa vai aproximar indústria e universidades. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Priscyla: iniciativa vai aproximar indústria e universidades. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“O Senai-SP é uma marca muito forte e possui uma estrutura fantástica”, elogiou a pesquisadora ao afirmar que a transferência de inovação para o setor produtivo é algo muito recente no Brasil e, portanto, ainda um grande desafio. “Se o setor produtivo não tiver inovação, não se manterá competitivo. Por isso, vejo como fundamental esse programa, pois o  Senai-SP vai estreitar essa relação”, afirmou.

Para ela, essa iniciativa fará o setor produtivo reconhecer a importância da inovação e da pesquisa. “Essa parceria vai aproximar a universidade da indústria e vai fazer o Brasil crescer muito”, concluiu.

Gostou da ideia? Pois saiba que todos os interessados podem obter mais informações sobre o programa no site do Senai-SP.  Para se inscrever, é só preencher um formulário.