Governo prevê 52 bilhões de investimentos em 30 anos em logística, diz ministro dos Transportes em reunião na Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Todos nós conhecemos e sofremos na pele com o grave problema da logística brasileira. Com essa frase, César Borges, ministro dos Transportes, deu início à sua participação em encontro do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O tema da reunião desta quinta-feira (12/09)  foi o atual programa de concessões do governo federal.

“Vemos diariamente, seja em nossa vida cotidiana, seja nos jornais, com o problema de mobilidade urbana, de estafa aeroportuária e afeta nosso povo e país”, disse.

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Cesar Borges: “aumentar a participação do ferroviário, diminuindo o rodoviário, é uma de nossas metas.” Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


De acordo com Borges, o governo federal sabe da gravidade da questão e decidiu se debruçar sobre esse problema, “estipulando um programa para superar o gargalo, o Programa de Investimentos em Logística (PIL)”.

Borges ressaltou a importância da construção de novos portos, principalmente no norte do país. Isso, sem esquecer a importância da ampliação da rede rodoviária e ferroviária.

Mudança de matriz

Sobre a nova malha ferroviária, o ministro destacou os projetos para ampliação da rede. “Queremos alcançar um novo patamar através de uma mudança paulatina de mudança de matriz. Aumentar a participação do ferroviário, diminuindo o rodoviário, é uma de nossas metas.”

Em relação à malha rodoviária, o titular dos Transportes revelou que, apesar do projeto de diminuição da participação de rodoviárias no transporte de cargas, haverá investimentos. “Atualmente investimos na pavimentação e na duplicação, trabalhando com concessões. ”

A BR 262, de Vitoria (ES) até João Monlevade (MG), trecho de 380 km, foi citada como exemplo.

O ministro deu um breve panorama da situação da malha ferroviária. “É reduzida, com 12 mil quilômetros, lenta, com capacidade de carga baixa, com custo de frete que não compete.”

Segundo Borges, há atualmente processos de licitação de 11 mil quilômetros, em parceria com o setor privado.


PIL

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Cesar Borges: objetivo do PIL é a constituição de rede integrada. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Borges explicou detalhadamente o funcionamento do programa e concessões, que terá participação do setor privado. “Temos premissas para o setor rodoviário e ferroviário.”

“Em 30 anos, serão 52 bilhões investidos, sendo 14 bilhões em duplicações. Com sete mil quilômetros concessionados”, explicou.

Quanto à rede ferroviária, o objetivo do PIL é a constituição de rede integrada, dobrando a extensão atual da malha, atingindo velocidade em trechos de 80 km/h e garantindo a interoperabilidade de toda a rede.

“Além disso, o projeto garante o fim do monopólio, já que a atividade de transporte estará aberta à livre concorrência, com tarifas compatíveis com os ganhos de eficiência modal”, disse.

‘Vivemos momento histórico e decisivo para resolvermos esses danosos problemas logísticos”, concluiu o ministro.

Coinfra

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Rodolpho Tourinho. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Antes da apresentação do ministro, o presidente do Coinfra, Rodolpho Tourinho Neto, expôs a visão do setor produtivo . “Para essa casa, a casa da iniciativa privada, a infraestrutura atual é danosa para nossa produção”, afirmou.

Neto afirmou que há dificuldades no programa de concessões. “Mas precisamos trabalhar para dar continuidade ao desenvolvimento”.

De acordo com o presidente do conselho , é importante ressaltar a ampliação do diálogo do setor privado com o governo, com a chegada do ministro. “É fundamental para o setor sentir segurança para investimentos”, disse.

“Minha preocupação é tornar essas propostas viáveis. A iniciativa privada precisa participar e ter uma visão não limitada a uma localidade ou trecho, mas de forma ampla. É nessa direção que precisamos caminhar”, completou Tourinho.

Participaram também da reunião, entre outros conselheiros e convidados, o vice-presidente do Coinfra, Fernando Xavier Ferreira, o embaixador Adhemar Bahadian e Roberto Paranhos do Rio Branco, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex).

>> Presidente da Fiesp recebe ministro César Borges 

Setor vive ansiedade por novo ciclo ferroviário, mas modelo final demanda tempo, diz presidente-executivo da ANTF

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Rodrigo Vilaça. Foto: Luis Benedito/Fiesp

O presidente-executivo da Associação Nacional dos Transportes Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça, afirmou nesta segunda-feira (06/05) que o novo marco regulatório para o setor, juntamente com o Programa de Investimentos em Logística (PIL) e a criação da Empresa de Planejamento Logístico (EPL) pelo governo em 2012, são medidas adequadas, mas os resultados demandam tempo.

Segundo Vilaça, as medidas do governo para estimular investimentos em infraestrutura no país vão resultar em “obras extremamente corretas, necessárias, adequadas”. Entre os pacotes de estímulo está o recente lançamento da primeira fase do Programa de Investimentos em Logística (PIL), em agosto do ano passado, que prevê investimentos de R$133 bilhões em reforma e construção de rodovias e ferrovias no país.

O presidente-executivo da ANTF, no entanto, pondera que o novo ciclo de logística e infraestrutura no país, sobretudo do setor ferroviário, deve se efetivar ao longo do tempo.

“O que eu vejo é que estamos de certa forma em algo que chamo de ansiedade de novo ciclo ferroviário, mas ele não se resume a um ciclo mensal”, disse Vilaça ao participar do painel “Novo Marco Regulatório para as Ferrovias”, parte da programação do 8º Encontro de Logística e Transportes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Esse novo ciclo integrado virá, mas essas diferenças precisam de um espaço, longo, de tempo”, completou.

Novo marco regulatório, nova cultura

Vilaça discutiu com empresários e especialistas as mudanças no setor como o novo marco regulatório. Após 15 anos de privatizações, o governo regulamentou operações de direito de passagem e tráfego mútuo. Desde então as regras permitem o uso de capacidade ociosa de uma linha férrea por terceiros, desde que tenham os próprios vagões e trens, além de garantir que uma concessionária possa receber ou entregar cargas na malha de outro consórcio.

A intenção do governo, com o novo marco regulatório, é de estimular investimentos da iniciativa privada na deficiente e atrasada malha ferroviária do país.

“Ainda bem que o modelo de ferrovias foi acertado. Eram situações outras que merecem por parte do atual governo uma necessidade de revisão natural ao longo de 30 anos”, disse Vilaça.

Além do marco regulatório, o governo trabalha em novas medidas para minimizar temores de investidores nas concessões de ferrovias. Uma solução seria um modelo no qual as empresas privadas construiriam e fariam a manutenção das novas linhas férreas, mas a estatal Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. compraria toda a capacidade de carga. A manobra garante que, mesmo na hipótese de a ferrovia ser pouco utilizada, o concessionário possa faturar como se ela estivesse operando com lotação de 100%.

“É bom entender que o governo aceita a concessão como uma forma de resolver os seus gargalos de infraestrutura. Isso é ótimo. É uma mudança cultural”, disse Vilaça.

O gerente de Regulação de Infraestrutura e Serviços de Transporte Ferroviário de Cargas da ANTT, Alexandre Porto, também participou das exposições.

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