Com educação de qualidade, país pode fechar penitenciárias, diz presidente da Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Federação das  Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) , Paulo Skaf, abriu, na manhã desta segunda-feira (20/01), a edição 2014 do programa Saber em Ação, de treinamento de professores da rede. A iniciativa é realizada simultaneamente em 30 cidades do interior paulista.

Ao menos 5,6 mil educadores do Sesi-SP participaram da abertura do projeto. Ao abrir a semana de palestras e mesas redondas com os educadores,  Skaf afirmou que o país poderá imitar a Suécia e fechar penitenciárias se priorizar a educação.

“Uma criança que, dos seis aos 18 anos, tenha educação de qualidade, pratique esportes e tenha autoestima será uma boa cidadã”, disse.  “Com isso, no futuro, vamos poder fazer o que a Suécia está fazendo: fechar penitenciárias”, afirmou Skaf, que participou da abertura do encontro por videoconferência.

Skaf participou da abertura do Saber em Ação por videoconferência: formando cidadãos. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Skaf participou do Saber em Ação por videoconferência: formando cidadãos. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Até sexta-feira (24/01), os mais de 5 mil professores e colaboradores do Sesi-SP vão debater e assistir a palestras sobre a contribuição da ciência e da tecnologia para a grade escolar da entidade e sobre a aprendizagem de jovens adultos. Os educadores ainda devem avaliar e discutir o plano de gestão escolar.

Vicioni: “Estamos conseguindo realizar coisas que no passado imaginávamos impossíveis”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Vicioni: “Estamos conseguindo realizar coisas que no passado imaginávamos impossíveis”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O diretor regional do Serviço Nacional da Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e superintendente do Sesi-SP, Walter Vicioni, também participou da abertura do treinamento. “Estamos conseguindo realizar coisas que no passado imaginávamos impossíveis”, disse.

 

Medalhistas olímpicos recebem homenagem dos alunos do Sesi-SP na Vila Leopoldina

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Cerca de 700 alunos com idade entre seis e 12 anos, professores e funcionários do Sesi da Vila Leopoldina, na capital paulista, deram uma pausa em sua rotina de estudos e trabalho na unidade, nesta quinta-feira (16/08), para um evento especial: a visita dos medalhistas olímpicos Dani Lins, Murilo, Sidão, Serginho e Tandara.

Era a oportunidade de ficar mais perto de seus ídolos, tirar fotos e pedir autógrafo. Então, todos capricharam na recepção calorosa, com direito a cartazes espalhados por todos os lados, gritos de euforia, muitos aplausos e muito carinho.

E foi este clima de festa que os ídolos do vôlei feminino e masculino do Sesi-SP encontraram ao chegar no Centro de Atividade no começo da tarde, após terem sido recebidos e homenageados, durante a manhã, pelo presidente Paulo Skaf, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Veja mais aqui.

Alunos do Sesi Vila Leopoldina fazem festa para os atletas do vôlei feminino e masculino da entidade, medalhistas de ouro e de prata nos Jogos Olímpicos de Londres

 

A acolhida dos pequenos fãs emocionou a oposta Tandara que, após distribuir autógrafos e abraços, declarou: “Está sendo uma honra receber esta homenagem de vocês. Estou muito feliz de entrar para família Sesi-SP”.

O ponteiro Murilo, eleito o melhor jogador de vôlei masculino das Olímpiadas de Londres, concordou: “É lindo todo este carinho que eles [alunos] têm pela gente. Eles fizeram cartazes e perguntas, tudo isso é muito bacana. Apesar de conviver com eles todos os dias, não é sempre que a gente volta para casa com uma medalha olímpica. Eu tenho certeza que torceram bastante e sofreram junto com a gente. Hoje estão aqui nos recebendo de braços abertos. Para eles não interessa muito a cor da medalha, o importante é que a gente volte”, disse o ponteiro da equipe da indústria paulista.

Estímulo

Para professora de matemática do ensino fundamental e médio, Lucila Folgosi Francoso, a presença dos atletas de vôlei do Sesi-SP na rotina escolar dos estudantes favorece a propagação dos valores da prática esportiva, atividade que ela considera importante para formação plena do indivíduo.

“O esporte está relacionado com a educação. Não dá para não ligar uma coisa com a outra. O esporte é tudo e faz com que eles [alunos] consigam relacionar todo o aprendizado com as questões sociais, aprendam a viver melhor em comunidade, a importância do trabalho em grupo e do respeito ao próximo”, sublinhou a professora Lucila.

Com a máquina fotográfica em mãos, o estudante o do 1º ano do ensino médio e atleta da categoria de base da equipe de polo aquático do Sesi-SP, Igor José de Oliveira, registrou cada momento da visita dos atletas. E contou que se sentiu honrado com a oportunidade de conviver com os atletas.

“Ter medalhistas olímpicos junto com a gente dá uma motivação a mais na escola. A gente quer aprender mais para chegar no nível deles e tentar ser alguém, como eles são para o esporte brasileiro. Eles são um exemplo para gente”, afirmou.

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Preparação insuficiente de professores atrasa a educação no Brasil, afirmam especialistas

Lucas Dantas, Agência Indusnet Fiesp

A socióloga Maria Helena Guimarães de Castro, vice-presidente do Consocial da Fiesp

A socióloga Maria Helena Guimarães de Castro, vice-presidente do Consocial da Fiesp

Professores que não sabem ensinar dando aulas para alunos que não sabem aprender. A frase é da socióloga Maria Helena Guimarães de Castro, vice-presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial) da Fiesp, ao apontar o que considera o maior problema da educação no país: o preparo insuficiente de professores para a vida letiva e a falta de investimento das universidades nessa formação.

“A formação inicial do professor no país é um fracasso”, avaliou Maria Helena durante a reunião mensal do Consocial, nesta quinta-feira (31/05), na sede da Fiesp, que discutiu o tema “Da educação infantil ao ensino médio”.

De acordo com Maria Helena, não há um fator capaz de melhorar isoladamente a qualidade do ensino. “Nossas universidades estão formando muito mal. E faz muito tempo que esse debate está na mesa. Os professores não sabem ensinar. Assim, os alunos não aprendem. O problema da educação começa aí”.

Opinião compartilhada por Mozart Neves Ramos, ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O profissional de educação, segundo ele, não recebe o devido valor e é desestimulado a seguir na carreira. “Temos escolas do século XIX, professores do século XX e alunos do século XXI”.

Ex-reitor da UFPE dá exemplo de despreparo

Mozart Neves Ramos, ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco

Mozart Neves Ramos, ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco

Ramos observou que quatro das 10 profissões que mais empregaram em 2009 não existiam cinco anos antes. “A escola não conseguiu acompanhar essa dinâmica”.

“Certa vez conheci uma professora de química em Araripina (PE). Perguntei onde se formara e ela me disse que, na verdade, era formada em geografia. Quis saber como ela dava aula e respondeu: ‘Eu olho no livro e copio. Se algum aluno faz uma pergunta e não sei, falo que responderei na próxima aula e torço para que ele esqueça’. E esse caso é muito comum”, disse o professor, explicando que na sua área, química, 44% dos professores brasileiros não são formados. “É como você ir a um hospital para uma cirurgia no coração e falarem que tem um dermatologista bom para resolver”.

Tanto Maria Helena Guimarães de Castro como Mozart Ramos concordam que medidas estão sendo adotadas, mas ambos consideram os exames nacionais, como Provinha Brasil e Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), insuficientes para medir a qualidade do ensino nas escolas.

Maria Helena destacou que o Enem ficou mais fácil para o aluno. “Desde que o exame permitiu a certificação do ensino médio, basta ao aluno responder às perguntas fáceis e médias e, pela lei das probabilidades, ele alcança o 500 pontos necessários para obter o certificado. Cerca de 40% dos alunos do primeiro ano desiste [de estudar], faz o teste, pega o certificado e entra na universidade – onde também não aprende – e se forma. É uma realidade cruel em termos de qualidade”.


Mudança no sistema de ensino 

Maria do Pilar Lacerda, professora de História

Maria do Pilar Lacerda, professora de História

A professora de história Maria do Pilar Lacerda apontou a mudança do sistema de ensino no Brasil como uma explicação para o alto número de adultos que não concluíram a escola.

“Até o final do Império tivemos uma educação elitista. Na República, até 1988, era seletiva. Na época do Exame de Admissão (décadas de 1960 e 1970), milhões de brasileiros pararam de estudar. Hoje, os 40 milhões de brasileiros que têm até a quarta série, no máximo, são frutos desse sistema antigo. Mas hoje seus filhos estão na escola. Temos, assim, um problema ‘bom’. Quase 100% das crianças estão na escola, mas para muitos dos pais o terreno escolar é território estrangeiro”, analisou.

Maria do Pilar também mencionou a meta educacional do governo para 2016, de matricular obrigatoriamente 3,4 milhões de crianças de quatro a 17 anos que hoje estão fora da escola – valor que o professor Mozart Ramos considera “muito difícil” de ser alcançado.

“Esta meta é enorme. Esse número representa a população do Uruguai. Temos um Uruguai para colocar na escola obrigatoriamente até 2016. É um esforço grande, pois a maioria desses jovens está em áreas rurais e distantes”, concluiu Ramos. 

Paulo Skaf participa de encontro com pais e alunos do Sesi/Senai-SP em Mogi Guaçu

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, Sesi-SP e Senai-SP, durante reunião com pais alunos e educadores em Mogi Guaçu

Em visita a Mogi Guaçu, nesta sexta-feira (16), o presidente da Fiesp, Sesi-SP e Senai-SP, Paulo Skaf, participou de uma reunião com pais, alunos e educadores, promovida pelas escolas das entidades no município.

O encontrou contou com a presença mais de 200 pessoas. Skaf disse que todas as sugestões e criticas feitas pelos pais e estudantes são importantes para as melhorias no projeto educacional das instituições da industria: “Eu aprendo muito com todos vocês. Muitas coisas foram corrigidas e melhoradas graças ao apoio dos alunos, professores e pais”.

Segundo ele, os investimentos promovidos pela indústria paulista na área de educação contribuem com a formação integral do ser humano, além de preparar os jovens para o mercado de trabalho.

Também presente à reunião, o superintendente do Sesi-SP e diretor regional do Senai-SP, Walter Vicioni, reforçou que as famílias desempenham papel decisivo no desempenho dos estudantes. E pediu aos pais que incentivem seus filhos na escola. “O que todos nós queremos é que esses jovens tenham sucesso e vençam na vida”, completou.

Rosemeire Andrade Ataíde de Lima, mãe do Jhonatas Roberto, aluno da 8ª série do ensino fundamental, saiu do encontro satisfeita: “Achei muito proveitoso esse bate-papo com Paulo Skaf porque estamos vendo soluções para os nossos problemas com prazos estabelecidos”.

O filho de Rosemeire é especial. Por conta das aulas de natação, desenvolveu sua coordenação motora e melhorou a comunicação com outras pessoas. “O professor de educação física faz um trabalho muito bonito, que favoreceu o desenvolvimento físico do meu filho e, consequentemente, aumentou sua autoestima. Jhonatas era um menino muito tímido. Depois da natação, passou a conversar mais com as pessoas.”

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Senai de Itu capacita professores no ensino de Matemática para deficientes visuais

Rubens Toledo, Agência Indusnet Fiesp

Livro Brafia Braile em Operações Matemáticas.

A Escola Senai Italo Bologna, de Itu, acaba de lançar o livro Grafia Braile em Operações Matemáticas, que auxilia professores no ensino dessa disciplina para deficientes visuais.

Elaborado por grupo de docentes da própria unidade, a Escola capacitou, no ano passado, 126 professores da rede Sesi/Senai em todo o Brasil, de abril a dezembro, pelo sistema de Ensino a Distância (EAD). Trata-se de curso inédito que atende solicitação do Departamento Nacional, no âmbito do Programa Senai de Ações Inclusivas.

“Nas demais disciplinas basta o domínio da leitura e escrita no sistema Braile. Mas na Matemática é preciso que o deficiente visual saiba também utilizar tábuas de cálculos, como o sorobã, que faz parte do kit didático do professor e do aluno”, explica o professor Helvécio Siqueira, diretor da Escola Senai de Itu. “A meta agora é difundir o método também nas escolas da rede pública”, acrescenta.

“Sou Capaz”

Desde janeiro de 2010, um projeto do Departamento de Ação Regional da Fiesp – o Sou Capaz – vem contribuindo para identificar e qualificar pessoas com deficiência e orientar empresas no processo de contratação.

O projeto vem sendo apresentado em todas as regiões do Estado, com a participação de governo, executivos das áreas de RH, Sesi, Senai e outras agências de capacitação profissional.

“Muitas indústrias deixam de cumprir a Lei de Cotas (legislação que determina a contratação de PcDs) porque falta qualificação ao candidato. De outras vezes, o candidato está preparado, mas é a indústria não está adaptada para recebê-lo”, conclui Helvécio.