Senai-SP Superação: ‘Ganhei conhecimento e reconhecimento’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Ela sempre achou que viveria entre números. Estudante de Administração, se via trabalhando em algum banco ou corretora. Não foi o que aconteceu, nunca houve uma oportunidade. Obesa mórbida na época, a hoje professora do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) simplesmente não conseguia emprego. Ia bem nas provas escritas e testes gerais, mas nunca tinha retorno depois das entrevistas. Até o dia em que o proprietário de uma confecção no Bom Retiro, na capital paulista, resolveu contratá-la como assistente. Nada mais seria como antes.

Dessa experiência de trabalho, ela foi para uma outra confecção, em Pinheiros, onde tomou conhecimento do curso técnico de vestuário do Senai-SP, na Escola Senai “Francisco Matarazzo”, especializada em indústria têxtil, no Brás, na capital paulista. “Peguei R$ 30 emprestados com a minha mãe para me inscrever na seleção do curso”, lembra Fernanda.

Aprovada e matriculada, não demorou a receber o convite de um professor do curso para trabalhar na consultoria que ele tinha além das aulas na instituição.

Cada vez mais envolvida com o setor têxtil, o passo seguinte foi ser convidada para dar aula no próprio Senai-SP, primeiro prestando serviços e depois conseguindo ser efetivada com carga horária de 20 horas semanais. Depois, chegou ao patamar em que se encontra hoje, com 40 horas semanais e responsável por disciplinas como Logística 1 e 2, Planejamento Estratégico, Projeto Integrado, Gestão da Produção de Vestuário e Gestão de Negócios da Moda. Isso nos cursos de graduação e pós da Faculdade de Tecnologia Senai “Antoine Skaf”, também no Brás, nas mesmas instalações da escola da instituição no bairro.

“Aqui no Senai-SP o que interessa é o conteúdo”, disse Fernanda. “Sempre fui reconhecida pela minha dedicação aos estudos, sendo do jeito que eu fosse”.

Fernanda Marinho: reconhecimento pela dedicação aos estudos no Senai-SP, sendo do jeito que fosse. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

A possibilidade de crescimento que a professora encontrou na instituição veio para reforçar uma história de crescimento pessoal que veio da família em que nasceu. “Meu pai morreu quando eu tinha 16 anos, de acidente de carro”, conta. “Minha mãe, que não trabalhava, começou a fazer faxina para me ajudar a pagar a faculdade”, disse. “Eu também fiz trabalhos variados com esse objetivo, como tomar conta de crianças”.

De esforço em esforço, ela encontrou o seu lugar no Senai-SP. E hoje ajuda a mãe, que não trabalha mais, e está pagando as prestações da compra do seu primeiro imóvel, um apartamento em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo. “Não teria conseguido fazer um décimo do que eu fiz se não estivesse no Senai”, afirma Fernanda. “Ganhei conhecimento e reconhecimento, construí uma carreira”.

Para ela, as equipes da escola e da faculdade da instituição voltadas para o setor têxtil trabalham no melhor clima “de família”. “Somos muito unidos e é nessa união que está a nossa força”, explica. “Aqui há respeito pelas pessoas e todos trabalham para oferecer a melhor formação possível aos alunos”.

Aos seus estudantes e a todos os interessados em fazer carreira no Senai-SP, Fernanda recomenda dedicação e proatividade. “Entrem como alunos, estudem, conheçam a cultura da instituição, entendam o carinho com o qual a gente trabalha”, diz. “As oportunidades virão. Não me vejo fora daqui”.