“É preciso revolucionar ensinos básico e superior”, afirma professor da UFRJ

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e secretário-geral da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Informação (CNCTI), Luiz Davidovich, foi o convidado da 39ª reunião do Conselho Superior de Tecnologia e Competitividade (Contec) da Fiesp, na sexta-feira (12).

Ele apresentou os resultados da Conferência ocorrida em maio deste ano e que reuniu cerca de 4.000 participantes em Brasília.

Com foco na proposta de ações para um plano estratégico de desenvolvimento Científico e Tecnológico Inovador (C&T&I) para os próximos 10 anos, o evento  teve sua estruturação alinhada a quatro eixos:

  • Sistema Nacional de Ciência Tecnologia e Inovação;
  • Inovação Tecnológica nas Empresas;
  • Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Áreas Estratégicas;
  • Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social.

Para Davidovich, a presença importante do quarto item foi o destaque da 4ª CNCTI. “Ele surgiu da percepção de que para o Brasil ter um forte protagonismo internacional deve-se trabalhar na inclusão social”, assinalou.

A educação é também um ponto forte constante nos objetivos estratégicos definidos no pós-conferência, segundo o professor, que sublinhou: “Não se trata apenas de melhorar a qualidade, mas de realmente revolucionar o sistema em todos os níveis”.

Agregar valor

No Brasil, o número de cientistas e engenheiros atuantes em Pesquisa e Desenvolvimento é muito baixo, assim como a quantidade de patentes. Os investimentos empresariais em P&D no País não passam de 0,50%, enquanto Coréia e Japão ultrapassam os 2,60%.

Davidovich apresentou propostas para melhorar este panorama: promover revisão dos marcos legais, utilização de poder de compra do Estado e ampliação do investimento nacional em P&D e Inovação para 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020.

O professor pontuou, no entanto, que se não houver uma revolução na educação básica e no ensino superior, “esta conjuntura não vai mudar”. Entre as sugestões para a educação básica, Davidovich indicou as seguintes urgências:

  • Investimentos no setor devem atingir 10% do PIB em 2020;
  • Valorização do professor (salários adequados e dedicação exclusiva);
  • Turno integral de 8 horas nas escolas públicas.

No ensino superior, além da ampliação das escolas públicas com diversificação institucional e flexibilidade curricular, ele destacou a necessidade de:

  • Incentivar formação de engenheiros qualificados;
  • Reforçar o papel das instituições públicas de ensino superior na formação de professores para a educação básica;
  • Aumentar número de mestres e doutores em empresas, através de formação adequada e programas de estágio.