‘Brasil não pode viver de importações’, diz economista da PUC-SP em painel do VII Congresso da MPI

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Economias como a da Coreia do Sul, China e Índia apresentam uma participação industrial em seu Produto Interno Bruto (PIB) duas vezes maior que a participação da indústria no crescimento econômico brasileiro. E o maior desafio do setor produtivo brasileiro é aumentar a capacidade de geração local.

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Antonio Carlos de Lacerda, economista da PUC-SP: "Brasil não pode viver de importações"

A avaliação é do economista Antonio Correa de Lacerda ao abrir nesta quarta-feira (10/10), no hotel Renaissance, o VII Congresso da Micro, Pequena e Média Indústria (MPI), uma realização da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

“Nós temos de garantir uma maior expansão da nossa capacidade de geração local. É isso que pode garantir ao Brasil uma maior autonomia porque esse quadro é insustentável no longo prazo e o Brasil não pode viver de importações”, afirmou Lacerda, professor-doutor do departamento de Economia e do Programa de Estudos Pós-graduados em Economia Política, da PUC-SP.

“O ano de 2012 está realmente muito prejudicado por um baixo crescimento decorrente não só por conta do cenário internacional adverso, mas também por problemas internos. Tivemos uma série de problemas localizados que têm restringido o nosso crescimento em mais de 1,5% este ano, em função do primeiro trimestre, mas esse quadro vem se alterando aos poucos”, afirmou Antonio Correa de Lacerda, acrescentando que a produção brasileira está estagnada há praticamente quatro anos.

“O nível da produção industrial de hoje é muito semelhante aquele de 2008 antes da crise”, completou.

Consumo

Lacerda também avalia que o grande trunfo da economia brasileira atualmente é o consumo aquecido.  “Nosso desafio é fazer com que essa curva do consumo seja abastecida pela indústria. Houve um descolamento muito forte no Brasil entre o crescimento do consumo, que continua muito forte, e o crescimento da produção industrial, que estagnou porque as condições de competitividade estão mais difíceis.”

O economista estima uma participação de 15% da indústria brasileira no PIB, cifra que já foi o dobro anos atrás. Para Lacerda, o setor produtivo brasileiro ainda enfrenta problemas com carga tributária, custo elevado da logística e burocracia complexa.

Ele avalia que outro importante desafio para a economia brasileira é manter o câmbio competitivo. “É necessário todos os instrumentos possíveis para manter esse câmbio em R$2”, concluiu.

O congresso

O VII Congresso da Micro e Pequena Indústria acontece ao longo desta terça (10/10) no hotel Renaissance, em São Paulo.

O congresso anual – realizado sempre em outubro, mês da micro e pequena indústria – é dirigido a empresários de diversos segmentos, com o objetivo de apresentar estratégias e perspectivas para o setor, além de proporcionar um espaço para networking e troca de experiências entre profissionais.

A programação desta sétima edição é composta por quatro painéis com debates e palestras sobre temas como gestão de pessoas, inovação, crédito, empreendedorismo, marketing e vendas digitais.

Acompanhe a transmissão online.