Agronegócio lança campanha nacional para melhorar imagem do produtor rural

Agência Indusnet Fiesp,

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Benjamin Steinbruch, presidente da Fiesp em exercício, e Roberto Rodrigues, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da entidade

O Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), reuniu os principais representantes do setor, nesta segunda-feira (7), para debater o projeto “Imagem do Agronegócio Brasileiro”. Trata-se de uma campanha nacional de marketing, com o objetivo de mostrar à sociedade brasileira as atividades do segmento sob uma nova perspectiva.

A iniciativa vem em resposta à preocupação dos produtores rurais com sua imagem para a opinião pública. Segundo o vice-presidente da Nova S/B (agência responsável pela campanha), Júlio Vieira, a sociedade encara o agronegócio brasileiro como um vilão. “Os impactos ambientais de sua atividade e as acusações de exploração injusta dos trabalhadores do campo são os exemplos mais recorrentes”, disse.

Em sua opinião, a repercussão nos principais meios de comunicação, a participação em fóruns acadêmicos e comerciais, a promoção de palestras em universidades e a atuação junto aos responsáveis pelas políticas públicas, são algumas das estratégias que serão utilizadas para fortalecer a empreitada.

O diretor de Comunicação da Bunge Alimentos, Adalgiso Telles, explicou que o grupo responsável pela ideia é formado pelas principais entidades e empresas do segmento agropecuário, como a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a Companhia Monsanto, a Fiesp, entre outras.

Telles ressaltou que o contexto atual coloca sobre o produtor agrícola a responsabilidade por grande parte dos problemas nacionais. “Ele é demonizado de duas formas: ou como o jeca-tatu, que destrói o meio ambiente por ignorância; ou como o oligarca ganancioso, que coloca o lucro acima de tudo”. A campanha visa reverter essa imagem irreal e negativa, afirmou.

Explicou que o custo mínimo da campanha gira em torno de R$ 15 milhões e seu principal enfoque é consolidar os laços entre os meios urbano e rural. “As pessoas das cidades, principalmente dos grandes centros, não se identificam mais com as atividades rurais e não têm mais noção do que elas representam para o Brasil”, acrescentou.

Já o presidente do Cosag, o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, ressaltou que o projeto deve ser autônomo e, portanto, patrocinado pelos próprios empresários e instituições do agronegócio.

“Ter novamente uma visão positiva das pessoas sobre nosso trabalho é o único modo de conseguirmos políticas públicas favoráveis e, assim, virar o Brasil a favor da sua mais cara atividade”, argumentou Rodrigues.


Presidenciáveis

Na mesma ocasião, o ex-ministro adiantou que no próximo encontro do Cosag, no dia 12 de julho, as propostas do setor que serão encaminhadas aos candidatos à presidência serão avaliadas pelos membros do conselho, com objetivo de apresentarem sugestões sobre seu andamento.

Rodrigues destacou que cada item do programa será apresentado e debatido, com os próprios candidatos, de acordo com suas especificidades. “O plano de trabalho está praticamente pronto e possui uma característica diferenciada dos outros já apresentados, porque cada tema será discutido conforme sua ordenação jurídica distinta”, explicou.

Para ele, este formato evita generalizações e vai direto ao cerne dos principais desafios, além de dar voz aos agentes centrais do agronegócio brasileiro. “Nosso conselho conta com a participação de instituições fundamentais ao setor, como a OCB, a Federação dos Trabalhadores do Estado de São Paulo (Fetaesp), a Fundação Bunge, além de parlamentares. Por isso, nossa posição tem peso inegável”, concluiu.


Apoio

O presidente da Fiesp em exercício, Benjamin Steinbruch, participou do encontro e afirmou que sua gestão continuará o bom trabalho que Paulo Skaf dispensou ao setor agrícola. Steinbruch apoiou ideia da campanha apresentada no encontro e disse que quer reforçar o papel da federação como uma ponte efetiva entre governo e empresários.

“Temos agora um presidente na Fiesp com gostinho de agronegócio”, brincou ao lembrar que ele próprio é ligado à atividade rural.